Várias Respostas

As várias respostas de que precisamos, muitas delas, encontram-se dentro de nós. Aliás, as respostas estão todas por dentro de nós. Só não as encontramos porque muitas vezes, não sabemos coser os fragmentos da vida.

É triste notar a necessidade que a maioria das pessoas têm para refletir acerca de seus problemas. A maioria, prefere algo pronto, ‘ mastigado’, do que ter que buscar isso de forma plena, sendo verdadeiro consigo mesmo. Em geral, quando estamos diante de situações assim, é preferível culpar alguém do que enxergar o defeito em nós.

Observar é importante. Observar é tão necessário que, as vezes no silêncio, nos tornarmos figuras patéticas, e nos perguntamos: como procurar respostas aonde ela não existem? Como fugir no momento em que estamos ansiosos, por exemplo? Por que pegar caminhos secundários? Que mania é essa que o homem tem de se ” abandonar”, nos momentos mais importantes, quando deveria ser honesto consigo mesmo? Quem lhe ensinou que a vida pode ser melhor dessa maneira? Não sei. Mas, a vida não acontece dessa forma, todos nós, temos problemas. Portanto, mais do que tê-los, é preciso silucioná-los, não entregando o peso da responsabilidade para as outras pessoas, mas para nós mesmos. Não se pode viver em meios aos desenganos sem tirar uma lição de cada aprendizado. Até o pior livro que lemos, tem uma lição a nos ensinar. Por isso, é preciso pegar essas informações e usá -las ao nosso favor. Digo: as respostas que são boas e aquelas que nos decepcionam, devem ser justas da mesma maneira.

Na vida, ao invés de valorizar as experiências negativas, temos que ter a inteligência de reeditar essas experiências de modo que podemos somar, para depois subtrair as respostas daquilo que precisamos saber. E aí, é que o silêncio é importante, sobretudo, porque é somente através dele que chegamos a essas respostas.

[…]

Muitas vezes, o silêncio é o tempero da tolerância, até aonde posso ir, até quanto suporto, até quando sou capaz de paciência? As nossas dúvidas são cruéis, elas violam, entulham a nossa memória com coisas que vai pouco a pouco nos sufocando. E o prejuízo? Certamente, é o que nos fere, machuca e o que também, nos deixa um aprendizado. O nosso maior desafio é não nos torna reféns, é não deixar nos escraviza. E por que? Porque os problemas nos consome, e aí afirmo: não suportando toda essa carga negativa, a gente vai adquirindo outros problemas, ou seja, é uma conta que nunca fecha, porque não pensamos como deveríamos pensar realmente.

A memória é algo extremamente delicado. É nela fica o registro das coisas boas e ruins que vivemos. E o que interessa disso tudo? É que ela é um lugar onde você deve se aprimorar na arte de pensar, pensar em vencê-la, vencer as suas dificuldades, principalmente as interpretativas. Muitas pessoas dizem que a memória é um campo de batalha, ou voce aprende a super os conflitos da mente ou é facilmente digerido por eles. É por isso que devemos ter aptidão, sermos caoa6de explorar o lado saudável, dos nos conflitos, dos nossos traumas, porque isso sim, implica no nosso comportamento. É só através dessa forma de saber interpretar, que se chega as respostas de dentro (…), essas que que não as encontramos nos livros, nem no conhecimento de mundo!..

A verdade é que existe saída pra tudo. Isso está, ligado ao autoconhecimento, existem uma centena de receitas prontas que falam a respeito disto por aí. Acredito que tudo que nos ilumina, serve de alguma forma para melhor o nosso aprendizado, é válido. Agora, quando a resposta que você procura for íntima, ela vive em você, basta refletir. Se esse é o seu problema, pense.

Boa sorte!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. What if winter is nota a place outside

Santarém, Pá 1 de junho de 2020

Álvares de Azevedo

” Descansem o meu peito solitário

Na floresta dos homens esquecida,

À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

_ Foi poeta – sonhou e amou a vida.

Sombras do Vale, noites da montanha,

Que minh’alma cantou e amava tanto,

Projetei o meu corpo abandonado,

E no silêncio derramai-lhes canto!

Mas quando preludia ave d’ aurora

E quando à meia-noite o céu repousa,

Arvoredos dos bosques, abri os ramos…

Deixei a lua pratear- me a lousa!”

Álvares de Azevedo. Lembrança de morrer ( In: Álvares de Azevedo. cit, p28- 9)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Cantinho da Cristybel

Santarém, Pá 1 de julho de 2020

Lima Barreto

” Quando de manhã cedo, saio da minha casa, triste e saudoso da minha mocidade que se foi fecunda, na rua eu vejo o espetáculo mais engraçado dessa vida.

Amo os animais e todos eles me enchem do prazer natureza.

Sozinho, mais ou menos esbodegado, eu pela desço a rua e vejo.

O espetáculo mais curioso é o da carroça dos cachorros. Ela me lembra a antiga caleça dos ministros de Estado, tempo do império, quando eram seguidas por duas praças de cavalaria de Polícia.

Era no tempo da minha meninice e eu me lembro disso com as maiores saudades.

_ Lá vem a carrocinha! – dizem.

E todos os homens, mulheres e crianças se agitam e tratam de avisar os outros.

Diz Dona Marocas a Dona Eugênia:

_ Vizinha! Lá vem a carrocinha!…”

Crónicas de Lima Barreto.

http://www.domíniopúblico.gov.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo de Lima Barreto. aglobo.globo.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 1 de julho de 2020

Dom Quixote

” Que os loucos pelejam contra o que há de errado no mundo e os ditos normais, esses aceitam o que existe de errado.”

Dom Quixote. (Alexandre Bastista) Canal Ciências Criminais.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Ciências Criminais

Santarém, Pá 1 de julho de 2020

Paulinho Pedra Azul

Bem te vi, bem te vi

Andar por um jardim em flor

Chamando os bichos de amor

Tua boca pingava mel

Bem te quis, bem te quis

E ainda quero muito mais

Maior que a imensidão da paz

Bem maior que sol

Onde estás?

Voei por esse céu azul

Andei estradas do além

Onde estará meu bem?

Onde estás?

Nas nuvens ou na insensatez

Me beije só mais uma vez

Depois volte prá lá

Paulinho Pedra Azul. Bem-Te-Vi ( Jardim da Fantasia)

https://m.letras.mus.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Let’s Make “Slow Living Spring ” A Thing

Santarém, Pá 30 de junho de 2020

Alberto Caeiro

” Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido “.

Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

Pensador.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Old, but gold

Santarém, Pá 30 de junho de 2020

Amor próprio

Para que possamos ter uma relação saudável com alguém, primeiro devemos ter uma relação boa conosco. Eu só tenho condições de amar o outro, se tenho amor a minha pessoa em primeiro lugar, ou seja, sou capaz de me amar.

Há pessoas que dizem amar (ao menos nos primeiros cinco minutos ) de suas vidas. E amam mesmo, são loucas de amor, vivem envolvidas no fogo da paixão. Dizem ser fiel, mas a verdade é que, não conseguem respeitar nem a si. Além de arruinar as suas vidas, as suas histórias, elas mesmas, destroem a autoestima de quem lhes faz companhia. São assim por natureza, e justamente por não mudar as suas condutas, sofrem e fazem sofrer aqueles que são afetados por suas decisões. São ditas, pessoas imaturas. Querem correr sem aprender a caminhar primeiro.

A priori, essas pessoas são vistas como perfeitas, adoram inovar, oferecer e o que há de melhor. Sempre são carregadas de um narcisismo exacerbado, não aceitam ofensas, mas estão sempre criando polêmicas. No amor, não é diferente. Há sempre um mal-entendido, exatamente por nunca se decidir pelo o que querem.

[…]

“Quem vive de pegar todo mundo, na verdade, não tem ninguém”. A maioria age assim, pega todo mundo e no final, vive só. Agora, se eu quero um relacionamento saudável, eu faço o que? Devo procurar uma pessoa com as qualidades que tenho urgência em encontrar. Eu não posso ter um comportamento duplo, pelo contrário, tenho que oferecer a uma pessoa, aquilo que desejo encontrar nela. Tenho que passar uma imagem confiável. Uma pessoa que não se decide, é alguém que certifica isso? Não. Nós devemos sentir aquilo que oferecemos!..

Quando demonstramos interesse por uma pessoa, se deseja que ela seja mais interessante, depois da cama. Alguém com conteúdo ‘Amor próprio’. Alguém que tenha uma conversa interessante, e que também desfrute com respeito daquilo que temos para oferecer. Amor é uma de troca mútua. É reciprocidade, confiança. Por isso, é fundamental reconhecer essa coisa gostosa que ele nos oferece. O êxito de uma relação parte sempre desse propósito: oferecer algo bom, algo de valor ao outro. Quando a coisa não anda por esse caminho, é bom ficar atento. Bem mais do que destreza, é preciso ter sorte …para encontrar alguém para amar.

Quando procura alguém, tenho que ter o privilégio de ser forte, ser uma pessoa boa para encontrar um parceiro que esteja a altura de minhas exigências. Não tem como negociar o amor, tem como fazer reajustes, e no máximo tomar decisões em comum acordo. Quando a gente define sentimento, quando somos positivos, firmes em nossas decisões, estamos também tendo nisso tudo, o tal do “amor próprio”. Ter amor próprio ,ter uma autoestima elevada ajuda bastante em relação a essa procura. Por que falo isso? Porque mesmo no dias em que eu não tenha um céu de brigadeiro, eu sou capaz de viver bem comigo mesmo (a). Claro, ter alguém especial do lado, sempre ajuda. Mas, quando não tenho, eu posso carregar comigo o prazer que é ficar sozinho (a), eu tenho que gostar de solidão para aprender o valor de ter uma pessoa especial comigo.

Há pessoas que carregam dor e culpa por seus atos, suas falhas, ou seja por aquilo que acaba se diluindo!..

Bem, nem tudo depende de nossa vontade. Às vezes, as coisas acontecem de forma, que o que chega vem recompensar uma perda, já outras não…

A dor é inevitável, os problemas de modo geral, sao assim. Mas, se diante de tudo isso, tenho maturidade suficirnte para compreender tais questões, isso significa que saberei lidar com o amor, ou com a ausência dele.

Se sou capaz de me manter em pé diante de qualquer situação, seja lá as limitações que a vida me apresente, digo, se tenho esse discernimento, acerca de tudo, certamente saberei me amar o suficiente para ter alguém do lado, e o melhor: não aceitar nada menos do que possa oferecer.

Para amar uma pessoa e conviver com ela, eu preciso ter respeito por mim e por ela. Eu não posso submetê-la a uma ditadura pessoal, ou seja, fazê-la cumprir uma série de exigências por conta de uma postura neurótica de minha parte. Eu não posso sobrecarregar a pessoa que amo com tantas exigências. Claro, há conversas importantes dentro de uma relação é tudo aquilo que é possível negociar. Tudo parte de um acordo entre ambas as partes. Eu não posso nutrir um relacionamento destruído, eu não posso deixar que a pessoa que digo que amo, me maltratar. Justamente por me amar é que não posso deixar que a pessoa faça o que quer de mim. Assim como, também não posso impor os meus desejos sobre os seus direitos. Amor é, antes de qualquer coisa, ter respeito pela pessoa que dizemos amar. Aliás, qualquer relacionamento precisa ser construído em cima de bases sólidas, e antes de se envolver com uma pessoa, você preciso ter por você e por ela :

1. Respeito

2. Amor

3. Fidelidade

4. Lealdade

5. Diálogo

O respeito vem em primeiro lugar, antes mesmo do que o amor. E por que? Porque ele é a medida de tudo na vida. Depois o amor, porque se você tem amor, mas não tem respeito, você vai submeter o outro aos seus caprichos, as suas vontades. Isso nem sempre é bom, porque sobrecarregar o parceiro.

Bom é quando somos capazes de somar juntos. A fidelidade vem em terceiro lugar porque você tem um compromisso moral com alguém. Portanto, você acaba tendo uma obrigação maior com aquela pessoa. Em seguida, surge a questão da lealdade. Lealdade significa você ser verdadeiro com os seus sentimentos em relação a pessoa com quem tem um envolvimento. Significado que existe em ambas as partes, uma espécie de generosidade, onde você consegue olhar um para o outro de maneira surpreende, ou seja, tem a consciência que o sucesso daquela relação depende do que vocês têm investido nela. E a última questão que é fundamental para a saúde desse amor, é o diálogo. Muitos casais não conversam. Às vezes, têm a sua maneira de se relacionar, mas não desfrutam dessa coisa boa que o diálogo proporciona. Muitos convivem, mas guardam as suas decepções, melhor, acumulam as falhas do outro, sem dizer o que é possível melhorar. O diálogo, ele pondera, suaviza, torna toda e qualquer relação saudável. Então, é necessário e fundamental que se converse bastante para melhorar a qualidade daquilo que precisa ser externado.

Compreendeu o eixo central dessa questão? Seja uma pessoa bem resolvida, tenha consciência da sua forma de agir, da sua postura em relação a outra pessoa. E o que é mais importante: ame-se. Só quando nos amamos é que temos condições de amar e respeitar a nós do outro. Não é a outra pessoa que é mais imponha relação é você. Coloque-se em primeiro lugar. Se respeite que você terá condições de respeitar quem decidiu amar.

Beijo grande no coração!..

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Twitter.faryal on Twitter

Santarém, Pá 30 de junho de 2020

Ópera do malandro

Malandragem: o ” jeitinho brasileiro “.

Será que isso prevalece hoje? Pergunto eu: o ” jeitinho brasileiro”, é uma característica muito presente em nossa sociedade ou ele ganha vida nos palcos, na literatura, letra de canções como forma de manter uma tradição imaginária ? Veja

_ O escritor Mário de Andrade, fala acerca de Leonardo Pataca, um personagem que lembra o pícaro espanhol, um sujeito esperto, simpático a primeira vista, brincalhão e carismático que leva todo mundo na conversa.

Isso é estranho ao brasileiro? ou podemos verificar muitos desses exemplos entre nós? como poderia dizer? Temos personalidades como essa que vive à procura de aventuras, querendo levar vantagem em tudo? Ou somos um povo versátil? O Mário retoma a imagem do índio moralmente forte como o símbolo da nação brasileira. E quanto a você, concorda?

É um elogio ou isso retrata de forma objetiva o que fazemos da realidade? Somos transgressões dos nossos próprios padrões? Quem é o malandro?

” O malandro é alguém que anda na pontas dos pés, ou seja, pisa macio” .

É sempre uma pessoa que vive de pequenas transgressões e encontra adeptos ao seu estilo de vida dele.

O Chico Buarque resgatou esse espírito numa peça teatral chamada ” ‘ Ópera do malandro ‘, sob a direção do Ruy Guerra. É uma crítica que embala tal realidade ou nós brasileiros, temos afeição pela a nossa própria natureza de ser bons malandros?

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo pessoal

Santarém, Pá 30 de junho de 2020

Soneto

” Já da morte o polor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito embalde no macio encosto

Tento o sono reter!..já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece…

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

…

Dá-me a esperança com que o ser mantive

…

Olhos por quem viveu quem já não vive”

( AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. tenderfem

Santarém, Pá 30 de junho de 2020

Djavan

Assim que o dia amanheceu

Lá no mar alto da paixão

Dava pra ver o tempo ruir

Cadê você que solidão!

Esquecera de mim?

Enfim, de tudo o que há na Terra

Não há nada em lugar nenhum

Que vá crescer sem você chegar

Longe de ti tudo parou

Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto é seus temores

Vida que vai na sala dessas dolores

Não sabe voltar, me dá teu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo

Você deságua em mim, e eu, oceano

Me esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você!

Djavan. Oceano. Panoramio.com

https://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem. Pinterest

Santarém, Pá 30 de junho de 2020