Vinícius de Moraes

” Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas.

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconheci

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.”

( Poesia completa e prosa, cit, p.293- 4)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Catracalivre.com

Santarém, Pá 3 de julho de 2020

Cecília Meireles

” Aprendi com a primavera a deixe-me cortar e a voltar sempre inteira. “

https://www.revistabula.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Wattpad

Santarém, Pá 3 de julho de 2020

Fernando Pessoa

“Paro às vezes

à beira de mim

próprio

e pergunto-me se

sou um doido

ou um mistério

muito misterioso.”

https:// www. escritas. org

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Univented colors Photography

Santarém, Pá 2 de junho de 2020

Chico Buarque

” Você que inventou a tristeza

Ora, tenha a fineza

De desinventar…”

Chico Buarque. Apesar de você.

https: // m.letras.mus.br

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. UOL

Santarém, Pá 2 de Julho de 2020

Olavo Bilac

O ouro fulvo * do ocaso as velhas casas cobre;

Sangram, em laivos * de ouro, as minas, que

[ ambição

Na torturada entranha abriu da terra jobre:

E cada cicatriz brilha como brasão.

O ângulo plange ao longe em doloroso dobre,

O último ouro de sol morre na cerração.

E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,

O crepúsculo cai como uma extrema- unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece

Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu…

A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move…

Dobra o sino…soluça um verso de Dirceu…

Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Olavo Bilac. Vila Rica

( Olavo Bilac. In: Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996, p. 269)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

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Marii Freire Pereira

Imagem: Flickr

Fulvo: de cor alaranjada

laivos: marcas, manchas, restos, vestígios.

Santarém, Pá 2 de Julho de 2020

Carlos Drummond de Andrade

” Perdi minha alma à flor do dia ou já perdera

bem antes sua vaga pedraria?

Mas quando me perdi, se estou perdido

antes de haver nascido

e me nasci votado à perda

de frutos que não tenho nem colhia?

Gastei meu dia. Nele me perdi.

De tantas perdas uma clara via

por certo se abriria

de mim a mim, estela fria.

As árvores lá fora se meditam.

O inverno é quente em mim, que o estou berçando,

e em mim vai derretendo

este torrão de sal que está chorando…”

Carlos Drummond de Andrade. Elegia. Nova Cultural. São Paulo, 1990

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Viva Decora.

Santarém, Pá 2 de julho de 2020

Miguel de Cervantes

” Mas nós os verdadeiros cavaleiros andantes ao sol, ao frio, de noite ou de dia, não somente conhecemos os inimigos em pinturas, mas em suas próprias pessoas, e em todo transe e ocasião os combatemos.”

https://www.mensagenscomamor.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: mensagenscomamor.com

Santarém, Pá 1 de julho de 2020

Elos

A primeira coisa que ocorre em nossa mente em relação a família, é o elo que une as pessoas. Não tem como pensar na prole, sem levar em conta o cuidado, a questão da afetividade, de atender as necessidades e assegurar um ambiente saudável a criança. O afeto é algo tão necessário que se tornou até um dever jurídico. Ele é hoje a coisa mais importante que integra a estrutura familiar. Sem ele, não teríamos como manter um bom relacionamento com a nossa família.

O que é o elo?

O elo é um vínculo biológico. Quando o bebê nasce, se costuma dizer que o primeiro elo é quebrado a partir do momento em que ocorre a ruptura do cordão umbilical, entre mãe e filho. Mas, também é possível trabalhar ‘elo’ no sentido amplo. Em outras palavras, eu posso usar esse significado para algo que permite-me atribuir valor a família, no todo. Ter uma relação autêntica, baseada no afeto, amor e diálogo que são itens fundamentais para tocar as necessidades da família.

Hoje, pode-se dizer que a família, ela ultrapassou limites até da previsão jurídica. Por que? Porque elas conseguiram evoluir culturalmente e socialmente. Então, dentro do conceito de família, dentro coisa de tentar definir o que é família, a palavra que tem mais força nesse momento é afeto.

O afeto é o que permite, faz com que os relacionamentos tenham essa característica saudável. Ele é o elemento identificador dos vínculos familiares. Ele não só é um fato social, mas também psicológico. Portanto, é possível observar que em todas as culturas, há as suas mutações evolutivas, mas nada é tão forte quanto esse detalhe. Para nós, por exemplo, pode-se se adotar uma criança, reconhecê-la como filho, sem a necessidade do vínculo biológico. Não nasceu de dentro, ou seja, do útero, mas é um filho do afeto, filho do amor. Ele ou ela, certamente irá ocupar um lugar, assumir uma função na família que o acolheu.

O afeto é nos permite ter uma linguagem de compreensão, desde o nascimento, até o momento de uma ruptura repentina. É possível notar que, aonde falta o afeto, sobra margem para as brigas, a discórdia de modo geral e a falta de respeito. Quando esse “elo quebra”, aí se percebe a desarmonia entre os membros de uma família. Quando acontece essa ‘quebra, nem a consanguinidade fala mais alto. Quantas famílias não levam os seus problemas ao extremo? Muitas. Quantos filhos não vivem brigando na justiça por reconhecimento? Ou quantos filhos convivendo sob o mesmo teto que o pai não têm afeto? É triste, mas isso é uma realidade. A questão dos filhos e afeto é algo muito profundo. Talvez, a situação mais complicada dentro da família não seja a pobreza ou mesmo a doença, a morte que causa divisão, mas a falta de afeto, digo: quando ele deveria ter existido no momento certo.

Pai, filho ou filha é aquele ou aquela que cuida e dá amor. É isso que faz criar o vínculo, é o cuidar, o carinho, o interesse. O amor, ocorre de uma opção, ou seja, daquilo que me permite construir.

[…]

Quem ama cuida, protege, educa. Se [ possível] convive com a prole.

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Reality IIlustrated.

Santarém, Pá 1 de Julho de 2020

Eu

Sou composta por urgências:

minhas alegrias são intensas;

minhas tristezas, absolutas.

Entupo-me de ausências,

Esvazio-me de excessos.

Eu não caibo no estreito,

eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,

médio não me satisfaz,

metades nunca foram o meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,

feitos com amor e carinho,

são pra mim recordações eternas.

Palavras até me conquistam temporariamente…

Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender

não é uma questão de inteligência

e sim de sentir,

de entrar em contato…

Ou toca, ou não toca

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Marii Freire Pereira

Imagem: Marii Freire

Santarém, Pá 1 de julho de 2020

Clarice Lispector

” A perfeição

O que me tranquiliza

é que tudo o que existe,

existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete

não transborda nem nem uma fração de milímetro

além do tamanho de uma cabeça de alfinete

Tudo o que existe é uma grande exatidão.

Pena é que a maior parte do que existe

com essa exatidão

nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós

como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,

a perfeição.

Clarice Lispector, Poemas.

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Folha online

Santarém, Pá 1 de junho de 2020