“A educação é um instrumento de emancipação das mulheres.
Escreva no seu tempo…”
Wollstonecraft .
Este é meu primeiro post no meu novo blog. Aqui estou dividindo parte de um sonho projetado há muito tempo com vocês. Nesse trabalho, você encontra textos motivacionais, reflexões, literatura, direito, frases, citações e outros.
Quando se fala em feminicídio no Brasil, se costuma atribuir muitas definições atreladas a essa realidade. Mas, se você olhar para essa questão bem de perto, irá compreender que o ódio as mulheres é algo que tem muita força. E uma força que faz crescer todas as formas de violência. Portanto, não se mata uma mulher “ porque ela é mulher somente”. Veja, não se trata só de uma questão de gênero. É toda uma construção cultural, e o ódio que é o combustível fundamental para essa explosão de assassinatos. O ódio é o requisito que vem muito antes das manifestações negativas que vemos hoje a respeito de violência. Toda essa situação, acaba tendo relação com um arcabouço jurídico, institucional- ideológico que motiva voltar esse olhar para essa força esmagadora e que infelizmente, contribui para ceifar a vida de tantas mulheres no país.
“ Homens continuam matando mulheres, por entender que ela é parte da propriedade privada dele.”
Como escritora, eu me recuso a acreditar na definição de um único obstáculo para se trabalhar esse problema. E as injustiças, as diversas formas de atrocidades que foram silenciadas ao longo dos séculos ao redor do globo? Quantas narrativas sobre as mulheres foram construídas de forma inteligente e intencional para criar uma diferença abissal, especialmente, a inferiorização feminina; os espaços, a fala, o medo, até as formas de violência mais comuns que vemos hoje, – e a misoginia é uma delas. Todos esses são aspectos que precisam ser trazidos à baila para compreendermos não só as divergências como o pensamento masculino sobre as mulheres, como também aceitar o estrago que isso faz diante da sociedade. Portanto, não se mata mulher à toa. É preciso compreender o conjunto de todas as condições que foi estabelecida e a hierarquia dos sexos, assim como as questões que continuam trazendo preocupações relacionadas a essa moldura em que a mulher foi colocada.
Se o Brasil tem um índice significativo do aumento de mortes de mulheres ( feminicídio), é por conta das ideias do passado, especialmente, a forma de como a mulher era vista ou seja, como “ parte da propriedade do homem” . Na prática, esse é um ponto de debate importante porque, continuamos vendo mulheres sendo oprimidas; mulheres que não podem falar com ninguém, mulheres tendo a vida sendo gerida pelo homem dentro da relação; fora inúmeras outras coisas que, eu poderia reunir com o objetivo de tornar essa situação mais frutífera possível. Ora, em 2025, o Brasil teve 1.568 vítimas de feminicídio. São números que expressam muito bem, o teor dessa fala. E mostra, como o ódio é transformado em força letal para nós mulheres.
Ao longo da história, os opositores de nossos direitos, dentre eles o voto, tentaram de todas as formas “ justificar “ condições para nos colocar como seres de segundo plano; visto que, dentre os critérios usados estava a educação recebida ( quando recebida!), o que tinha ligação direta com a “ incapacidade feminina de entender questões políticas “, isso na prática, era uma arma de manipulação eficaz usada durante séculos, por grandes pensadores; gente influente da época, como é o caso do filósofos Jean – Jacques Rousseau em ( Émile – 1762) para elevar essa coisa absurda de que mulher não podia “ isso “ ou “ aquilo”. Imagine falas como essa proferidas por Rousseau, um nome incrível e que tinha obras lidas por toda Europa e também nas Américas? Autoridade intelectual respeitadíssima, mas que infelizmente, era um desses opositores ao direitos da mulher, como aqueles que se mostram na atualidade.
Essa máxima de que “ a mulher não era inteligente “, que não podia opinar, que devia cuidar somente da família, entre outros, reflete essa “ condição “ criada e fortemente defendida por falas e pensamentos de outra época. Na é que a mulher não fosse capaz! Sempre foi. Mas, tiraram dela essa capacidade de fala, de estar nos lugares que hoje elas brigam para ocupar. A reivindicação por direitos ( direito da mulher) vem de toda uma insatisfação gerada por anos da negação de seus direitos. Negaram seus direitos políticos, entre vários outros. E por quê isso aconteceu? Porque colocar essa mulher para viver coisas pequenas, causava desequilíbrio na balança; dando a sensação que o peso maior, estava do outro ou seja, o bem-estar se voltava ao masculino. E de fato, a briga se volta para os privilégios; para o poder, dentre eles, determinar o lugar da mulher.
Por que os homens recebiam uma educação de qualidade, por que eles tinha o poder para tomar grandes decisões, para defender as suas ideias, assim como os seus ideais? Estamos falando de uma sociedade masculina, onde todo poder passa pelas mãos dos homens ou seja, pelas mãos do pai, do marido, do irmão. E quanto a mulher?
Homens bem informados ( homens que recebiam uma educação de qualidade, como dito anteriormente, mostravam seus pensamentos por meio de críticas ácidas e, sustentava isso, como vemos essa gente que é contra os direitos da mulher fazendo esse tipo coisa de hoje. Independente de ser “ x” ou “ y”. Gente com grandes projetos buscar justificar falas absurdas. Isso é projeto; isso é poder, especialmente poder daqueles que se declaram grandes chefes de família.
“ Ao longo da história, a mulher foi tratada como projeção da sombra masculina “
Ao longo da história, a mulher era uma extensão do masculino, sem direito ou poder de escolha. E hoje a pergunta é: as mulheres vão deixar isso acontecer ou seja, irão voltar a esses lugares determinados à elas? Irão consentir ou viver somente sob a decisão e consentimento do marido em grandes decisões. O voto é um delas. As mulheres querem simplesmente “ obedecer “ regras como essa? Hoje, a mulher é um ser responsável e que participa da vida publica; ela faz as suas escolhas, inclusive, decide em quem votar. A mulher pode fazer boas escolhas, inclusive, escolhas políticas com apoiadores ou sem, porque isso lhes é um direito.
Apesar de pensamentos e falas que tentam implantar tais divergências sobre um passado negacionista, temos que compreender que o voto é um direito conquistado; obviamente que vem de uma questão abissal e que, nos coloca diante da ciência de grandes decisões. Em 1932, conquistamos esse direito e depois dele, muitos outros. Depois do voto feminino no Brasil, até hoje, discordamos e concordamos com aquilo que melhor atende aos nossos interesses. Isso é também democracia, é sobretudo ter liberdade de escolha.
Quando falamos em voto feminino no Brasil , devemos lembrar que até 1932, as mulheres eram privadas de vários direitos. E na prática, se podia dizer que elas não tinham direitos mesmo. A questão é tão profunda que, cabia a mulher somente o papel de submissão. Essa realidade só muda com a luta das sufragistas. Dentre os nomes dessas mulheres que lutaram pelos os nossos direitos, temos o de Berta Lutz. Ela é uma das protagonistas que ajudaram a mudar a historia. Por que voltar esse olhar para o passado? Por conta de especulações que sugiram com a fala de Paulo Figueiredo, ao introduzir um pensamento retrogrado a respeito do voto das mulheres. Paulo afirma que “ as mulheres votam muito mal” Não devemos nos enganar, porque esse arsenal de horror ( Sim, porque nos EUA, existe um movimento que questiona o voto feminino) e lá, isso cresce sorrateiramente. Todavia, no Brasil temos que voltar os olhos para aquilo que não deve ser questionado que é o direito ao voto. Como dito anteriormente, este é, um direito conquistado em 1932. Só então, o panorama do Brasil muda. E levantar tal questionamento, além de um atraso, é um desrespeito com as mulheres. As mulheres participam da vida pública, decidem o que querem, porque ao longo do tempo foram conquistando vários outros direitos e lugares de falas, sem depender necessariamente, da vontade do marido para isso. Ora, a mulher pode votar em quem ela quiser, até porque o voto é individual. Querer interferir nisso, trata-se de uma violação de direitos; um atraso indefensável. Fica aqui o meu repúdio.
Manifestar ódio ou aversão à mulher através de falas e comportamentos, isso tem nome: misoginia. É importante que nós enquanto sociedade, possamos combater toda e qualquer forma de leitura distorcida sobre a mulher. Como sabemos, são “ essas leituras errôneas” que acabam potencializando, ainda mais o aumento da violência contra a mulher em nossa sociedade. Portanto, vamos juntos dizer “ não “ a misoginia e “ não “ a violência!
Política não é só resultado. Política é sobretudo, processo. As pessoas querem conhecer você; os passos da construção pessoal, profissional, as ideias e os projetos. Os projetos importam, mas antes de tudo, as pessoas precisam se identificar com você para que exista uma aceitação pessoal.
A sociedade foi estruturada de forma diferente entre homens e mulheres . Ao longo da história, o poder foi exercido na maioria das vezes, pelos homens. Mas isso não significa que as mulheres não pudessem sair do papel de coadjuvante em que foram colocadas. Isso era possível, a medida que, por algum motivo, o homem deixava de existir e exercer esse poder de forma plena; seja porque era morto, como acontecia em casos de guerras ou por motivos diversos. Não prática, esse poder era um fator determinante que revelava a supremacia masculina.
O problema é que na sociedade tradicional muita coisa aconteceu para sustentar a ideia de poder atribuída única e exclusivamente aos homens. Veja, a ênfase maior, ela começa por um processo de exclusão do feminino. Com isso, aos homens era oferecido os melhores estudos ( educação privilegiada), enquanto para as mulheres, essa educação era básica; nada que as ajudassem a pensar ou tomar decisões, porque o intuito era a “ obediência cega ” justamente, aqueles que detinham o poder total. E esse, era um elemento que funcionava como um “ bom negócio” aos homens ou ao patriarcado. Você acha que isso não tinha um propósito, pensa comigo? Igualdade de gênero para quê? Fazer a mulher acreditar que ela era um ser subalterno, fraca e delicada, e ainda, que essa mulher precisava de outra pessoa ( pai, um marido ou irmão ) para sobreviver, para tomar decisões por ela, era uma prática excelente, inclusive motivo de existir falar enérgicas de filósofos como Jean-Jaques Rousseau entre outros, para exaltar regras extremamente rígidas criadas pelo patriarcado, e que davam vidas a discursos calorosos, a regras morais e sociais referentes a mulher.
Todavia, foi nesse cenário de desigualdade, opressão e violência que muitas mulheres foram questionando; estudando escondidas e algumas, indo de encontro a tudo isso. As sufragistas foram as primeiras, a acreditarem em direitos iguais; a considerar que eram capazes e lutar por esses direitos, ao invés de forçarem as suas filhas a se inclinar a regras absurdas. “ As mulheres sempre foram capazes. O que lhes foi retirado, foi justamente, essa capacidade” porque no fundo, isso representava uma ameaça a todo um sistema político e social da época; como hoje em meio a tantos transformações, esse mover da mulher, continua causando incômodos.
Como escritora de um tema tão necessário como esse, eu vejo não só homens, mas também mulheres tecendo críticas ácidas sobre isso . Não é que esse detalhe seja um erro “ para essas pessoas”. Afinal, essa é uma maneira particular de pensar de cada um. Isso deve ser respeitado. É um ponto de vista de quem pensa assim. Mas não significa que depois de tanto lutarmos, avançarmos em diversas conquistas, se defenda esse tipo de pensamento. Você tem que saber o real significado de autonomia feminina e compreender para que ela serve. A nossa luta não deve se tornar menor em significado por conta de quem pensa diferente, porque isso é nos remeter a um passado de injustiças; apesar delas continuarem existindo nos dias atuais.
“ Quando uma mulher toma uma decisão com base no que é melhor para ela ou seja, quando ela exerce esse poder sobre a própria vida”, isso fala sobre autonomia.
Eu não falo só nesse tipo de situação, especialmente trabalhando o tema violência de gênero; trabalhando a violência doméstica por exemplo. É injusto pensar que você pode “ escravizar outro “ com base numa única vontade e num único direito. Ora, tem mulheres que quem fala por elas, são os maridos. “ Tem mulher que apanha e ainda, ouve a justificativa de que mereceu”, mereceu? Não é normal naturalizar nenhuma forma de violência, principalmente quando essa mulher não pode expressar nem o que sente.
Acho possível reescrevermos uma nova história, dando cada vez mais voz e possibilidades as mulheres, a lutarem por seus sonhos, suas carreiras, a sua independência financeira; brigando por tudo o que ela acredita. Isso é criar pessoas livres. Para tomarem as suas decisões, bem como encarar novos desafios. Quando se fala de autonomia feminina, se procura visar os direitos. E isso deve ser respeitado e incentivado para alcançarmos o tão sonhado ideal de igualdade, especialmente numa sociedade que continua sendo tão desigual entre os seus.
A ascensão feminina, dar-se por uma série de fatores que levaram a mulher ao longo da história, a lutar por seus direitos. Portanto, quando há o reconhecimento da mulher na sociedade; a colocando por exemplo, num lugar de destaque, necessariamente, isso não é mérito único e exclusivo dela. Mas, de todas as outras que ao longo desse processo de reconhecimento, foram criando oportunidades, para que muitas tenham esse espaço de poder e fala nos dias atuais.
Ao longo da vida, a leitura nos proporciona, além do prazer; a paixão. A paixão sobretudo, de aprender sozinha a respeito da luminosidade das palavras. Isso é fantástico. Pois, a medida que você descobre o efêmero, essa descoberta cria em você; no no melhor sentido da palavra, a mágica do aprendizado. Ler é como elevar a alma .
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