“A educação é um instrumento de emancipação das mulheres.
Escreva no seu tempo…”
Wollstonecraft .
Este é meu primeiro post no meu novo blog. Aqui estou dividindo parte de um sonho projetado há muito tempo com vocês. Nesse trabalho, você encontra textos motivacionais, reflexões, literatura, direito, frases, citações e outros.
Difícil é achar que uma mulher tem que se calar, quando o teor de sua fala, vai de encontro ao “ interesse de um homem” ou de “ um grupo de homens”. Neste caso, a resposta é imediata, seja ela tomada com conotações machistas ou ainda, simplesmente revestida de uma violência disfarçada. Veja, a palavra é “ disfarçada “ porque não se pode falar mais em violência sutil, já que a sua marca é visível em todas as instâncias. Essa forma de expressar como somos vistas e tratadas, revela também a maneira pela qual somos toleradas principalmente, quando se trata de espaços de poder, o que pressupõe uma relação engessada; marcada por fronteiras claras e delimitáveis. Não há como se falar em flexibilidade; menos ainda, em o direito de decidir a quem cabe a palavra final, se em todos os finais fomos silenciadas. E se por ventura, tivéssemos a coragem de potenciar a nossa voz, “ a punição “ era o resultado designado pela palavra de um homem. Como disse “ mulheres não são difíceis “, elas vivem uma realidade afrontosa. Seus direitos são questionados a todos os momentos, por condutas que ainda revela a edição de leis pessoais e, não Constituicionais. O Brasil testemunha esse fato, desde a sua colonização, que para muitos cria a ideia magnífica de ato heróico, – e que na prática, sabemos que não. Ao se olhar para tal exemplo, constatamos diversas formas de violência e dominação, sim ou não? Colonizar a mulher é visto também como uma espécie de prestígio. Para mim, nas duas decisões, representa violência. Pois, a dignidade humana, a liberdade é um direito, não um interesse particular.
Vivemos numa sociedade violenta e machista para com as mulheres. Mas a pergunta que faço é: “ Quando iremos desconstruir o machismo?” Sim, pois o tempo é esse, e o momento se faz oportuno. É importante ressaltar que ao se falar em machismo “ homens e mulheres “ são machistas. Obviamente, não todos, mas existem uma boa parcela da população que atente a esse critério. Todavia, somos “ pessoas machistas em desconstrução” não é isso? Porque, se pararmos para pensar, sempre podemos melhor como cidadãos e cidadãs; como pessoas que evoluem o tempo inteiro. Todo nosso comportamento pode ser revisto, se nele implica essa necessidade.
Muitas mulheres não tem coragem de falar sobre a violência que sofrem. Intimamente, elas guardam para si o sofrimento, de modo que, a vergonha faz parte da vida dessas mulheres dentro e fora de casa. É como se o silêncio fosse um artifício capaz de restaurar a paz interior; o equilíbrio entre a dor e sofrimento, mediante à sombra do que é ignorado.
Há mulheres que mesmo apanhando, nunca pisaram numa delegacia. Por medo ou vergonha da exposição, assim como, o julgamento; essas vítimas são capazes de renunciar o próprio direito. E aquelas que não tem apoio, a proporção dos fatos, ganham um peso muito maior, porque sem apoio e possibilidade de alguma garantia futura, elas se encolhem num canto qualquer.
O que é importante ressaltar quando se observa o problema da violência?
O problema atrelado a violência é a dominação; o poder e a ideia de posse que o homem tem a respeito da mulher. Quanto mais, ele puder controlar e manipular a vítima, mais esse homem é capaz de cometer erros graves com a mesma. O que se pode acrescentar quanto a isso é que, muitas sofrem caladas; enquanto outras tem a devida noção do problema, mas não procura expor tal situação, porque existem fatores que pesam na decisão dessas pessoas Todavia, isso não significa que essas mulheres não compreendam o perigo que as ronda. Em determinadas circunstâncias, o silêncio dessas vítimas, coopera não só para a prática de abusos, como para um crime bastante comum: o estupro marital.
Algumas mulheres relatam a violência sofrida, tardiamente.
A violência doméstica e o estupro marital são os casos mais recorrentes, porque a mulher se sente forçada a agir sob a autoridade do marido. Essa prática, é extremamente prejudicial à mulher, porque revela uma obediência extrema e o não respeito por si mesma, especialmente quando se tem o direito de falar “ não “.
O não é um direito. Mais, é um direito inegociável. Portanto, não se cale, porque reconhecer a violência vivida tardiamente, é um problema visto como, uma espécie de agressão a você mesma.
Denuncie todas as formas de violência
Marii Freire. O Reconhecimento Tardio da Violência
Senado aprova projeto que torna misoginia em crime, e equipara ao racismo.
A notícia de que o Senador Federal aprovou o projeto da senadora Soraya Thronicke, foi divulgado na terça-feira (24) de março de 2026. O PL 896/2023 é um passo significativo no combate o ódio e aversão às mulheres. O texto agora, segue para a Câmara dos Deputados.
Diante do crescente aumento da violência contra a mulher, essa medita visa combater a propagação desse crime que não prescreve e é inafiançável, tendo uma pena que varia entre 1 a 3 anos de prisão e multa. Agora, ofender a honra e a dignidade tem consequências severas.
Como autora, eu vejo esse projeto como algo positivo porque a violência deve ser combatida de todas as formas.
A aversão, o ódio às mulheres precisam ser tratados com a sua devida atenção, porque os índices de violência só descem em nosso país. E quanto mais importância dermos as diversas formas de violência, mais conseguiremos construir uma sociedade justa e segura a todas as mulheres.
Na sua opinião, o tema violência contra a mulher ganhou mais notoriedade? Você acha que tantos profissionais especializados, como pessoas comuns têm estado mais atentas ao problema? E apesar de muitas dificuldades até mesmo, no tange implementação da lei, assim como no fato de, muitas mulheres ainda não denunciarem, temos uma resposta positiva referente ao processo de conhecimento e ao eco que essa realidade merece? O que pensa sobre isso?
Quem ama não bate. E se bate, é porque não ama. Não há como amar alguém e fazer da vida da outra pessoa um palco de dor e sofrimento. Você concorda comigo? Não há amor que dure diante de maus-tratos e violência. Há relacionamentos que se arrastam anos por conta de chantagem, coação, manipulação e mentiras. Mas, amor? Não, sinto muito. Eu jamais irei concordar ou incentivar alguém ficar com uma pessoa, onde sei que ela, esteja passando por isso. Basta olhar o ambiente onde há os maiores níveis de violência contra a mulher; onde há mortes inclusive, que ninguém vai fazer diferente. Falar para essas mulheres ficarem é loucura, e quem faz isso, tem sangue nas mãos.
A violência contra a mulher dizima milhares de vidas por ano no Brasil. São números, insisto “ são números reais “ e que causam grandes danos à família, os órfãos e ao Estado. Portanto, lutar contra essa chaga é uma forma de defender essas mulheres que na maioria das vezes, se sentem sozinhas, sem voz e sem saída.
Amor e dor
Amor e dor não combina. Se você é mulher e já percebeu que sofre, é inviabilizada dentro da sua relação, e por mais que você tente conversar; mostrar para o seu marido; para o seu parceiro que as coisas que ele faz te machucam e, por mais que haja esforço da sua parte, isso não muda, você tem que parar de insistir em algo que você já sabe que não vai surtir efeito. E ficar tentando é nunca deixar essa ferida sarar.
“ Onde há violência, o amor se transforma em ausência.”
Há mulheres que passam anos insistindo, lutando, conversando e se sendo submissas. Na hora de um momento de tensão entre o casal, ela tenta ser clara e não é ouvida. Há mulheres que falam com um tipo de voz, como se ela fosse “ fanha” entende? Uma voz com um tom baixo para dizer que o marido a desrespeita, e o homem nessas horas, ele eleva a voz, é grosseiro. Sim, tudo isso ocorre porque ele precisa manter a decisão. A mulher por sua vez, é como se fosse uma subalterna que precisa “ sussurrar “ para chamar atenção. Eu, como escritora e conhecedora dessa realidade, estou cansada de ver o que jamais deveria acontecer.
Numa relação de desigualdade, a falta de respeito e consideração pelo parceiro ou parceria é visível. A violência é direta, ela não se preocupa com o amor. Se preocupa com as escolhas de quem não negocia; de quem não cede em hipótese alguma.
Cuidado com o que você chama de amor. Pois, o amor não dói, não maltrata e não exclui.
Considere isso!
Marii Freire. Violência Contra a Mulher e o Peso da Invisibilidade
A ideia de que o amor suporta tudo é um caminho perigoso, porque pela própria desinformação ou passividade excessiva, isso faz com que muitas mulheres acabem perdendo a vida diante de uma relação de desigualdade, onde elas tem que conviver com o desrespeito e violência. Resultado: são mortas. A informação principal no meu livro ( O Amor Verdadeiro Contesta) é chamar atenção da mulher para uma realidade que por ano, dizima milhares de vítimas. Quanto mais resistência, mais sucetíveis essas mulheres ficam ao abuso e as várias formas de violência. Isso sem contar que a saúde mental e emocional ficam comprometidas diante de abusos diários.
A violência contra a mulher atinge todas as camadas sociais. Parte de todo abuso; todo sofrimento vem ainda, da fase de namoro, que é em muitos casos, o momento em que, a mulher começa a se adaptar a uma série de exigências.
Alertar mulheres e meninas é essencial para construir desde cedo, mecanismos de defesas capazes de reconhecer falas e atitudes que gera vários tipos de violência. Afinal, elas precisam estarem preparadas para encarar o mundo tal como ele é.
É importante que meninas aprendam a celebrar suas conquistas, reconhecer que tem direitos para não andarem de cabeça baixa ou ouvirem na rua falas que procuram diminuir as suas qualidades. A luta contra a opressão tem que ter efeito desde que, elas sejam capazes de alcançar o entendimento de que merecem para serem tratadas com respeito. E não depois de adultas, sofrem punições por seus namorados e companheiros não se adequarem as suas regras.
Violência, se enxerga na vivência e não só no que a mídia entrega.
A violência contra a mulher começa em casa. E é em casa que elas aprendem sobre o valor do respeito sobre si mesmas, mas também o quanto devem ser submissas. Portanto, é importante falar sobre o machismo dentro e fora de casa, porque o que mais vemos, são mulheres sendo mortas.
Uma mulher não é morta porque demora para sair da situação de violência. É morta, porque o homem decide matá-la.
Não é a consciência tardia do problema que coopera para uma estatística estarrecedora no Brasil. Afirmo: é a condição feminina. Elas não tem culpa – são vítimas do que são submetidas. O homem mata porque diante da ideia de sua própria importância, deixa uma mensagem clara como era a do passado “ não se submete as minhas regras ou seja, ao que eu decido; perde a sua vida”. Isso é reflexo de uma estrutura patriarcal. Portanto, não culpemos a mulher. Mas tenhamos consciência de como funciona as coisas nessa sociedade.
Encarar essa realidade e procurar desconstruir esse modelo é identificar o problema e garantir respeito as mulheres. Quanto mais cedo falarmos ; quanto mais cedo questionarmos o que vem acontecendo com as mulheres, especialmente diante de comportamentos machistas, ao invés de normalizar certas condutas, melhores serão as condições delas romperem com, como disse anteriormente, com falas, com “ piadinhas” ou qualquer desconforto que faça com que elas tenham medo ou vergonha de si mesmas.
Promover atitudes como essas, ajuda a encontra respostas que combatem as várias formas de violência; trazendo consequentemente, mais segurança para as mulheres.
Marii Freire. Violência Contra a Mulher: A Regra Não é Só Sobre o Corpo, É Sobre a Vida
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