“A educação é um instrumento de emancipação das mulheres.
Escreva no seu tempo…”
Wollstonecraft .
Este é meu primeiro post no meu novo blog. Aqui estou dividindo parte de um sonho projetado há muito tempo com vocês. Nesse trabalho, você encontra textos motivacionais, reflexões, literatura, direito, frases, citações e outros.
Os casos de violência contra a mulher sempre foram comuns. É verdade que ainda são recorrentes, mas entre uma visão do passado e uma atualizada, sabemos que a relação de poder do homem sobre a mulher foi muito mais severa no passado. Ora, com a ausência de leis que protegessem o direito da mulher como temos hoje, o homem se sentia muito mais poderoso e confortável para cometer certos atos, sem a preocupação de ser punido. Agora, diante da possibilidade de ser desmarcado pelas próprias atrocidades cometidas contra as suas vítimas; muitos pensam de forma prática, antes de cometer qualquer crime. A regra implica mudança de caráter e amadurecimento da sociedade sobre a questão. Todavia, faz se necessário dizer que uma boa parcela dos homens, certamente pensa e age com cautela, diante do que eles diziam ser um “ mal-entendido “ entre marido e mulher. Você nota que esse cenário novo, ele tanto confunde, como acaba trazendo a certeza de que é impossível se esconder ou sustentar um comportamento violento como era visto antes.
Na rua, o homem pensa que pode ser descoberto com mais facilidade. Em casa, ainda existe essa coisa da proteção. E são nesses espaços que muitos ainda cometem crimes. E aí, tem-se um problema, suas vítimas por medo e vergonha de se expor, desistem de se pronunciar sozinhas.
Essa realidade ainda contribui com os resquícios de uma cultura machista, na qual se normaliza esse tipo de comportamento dentro de casa. O que serve para sustentar a impunidade e contribuir com uma estatística crescente em nosso país: o feminicídio. O lar ainda é um local onde os piores crimes acontecem, justamente porque o homem se sente seguro para agir como quer.
Antes, o homem que praticava a violência contra a mulher, tinha certeza da impunidade; o que cooperava ainda mais para normalizar o comportamento machista.
Em casos em que existem uma relação de poder e, essa violência sai de dentro de casa e chega em espaços públicos, aqui cito o exemplo: assediador e vítima, há também uma consciência maior que faz com que muitas mulheres denunciem. Claro, é preciso dizer que essas vítimas precisam ter coragem para se expor e passarem pela sensação de desconforto; perder o medo e denunciarem mesmo ou seja, conseguir provar o que diz a respeito da atitude da outra pessoa. Vale ressaltar que, diante de situações como essa, não se pode banalizar o comportamento da mulher, mas dá suporte, de modo que a sociedade não acate esse tipo de comportamento que favorece o agressor ou assediador em diferentes situações.
O que se compreende diante dessa realidade? Compreende-se que, a reeducação da sociedade se faz necessária para mudar o próprio olhar sobre a mulher, assim como, debater; se pronunciar a respeito da fala e comportamentos machistas, especialmente onde se tenta calar a mulher. Só analisando essas situações com profundidade, é possível combater a violência. O uso da lei, é um artifício eficaz diante de comportamentos de desrespeito e violação de direitos.
O Brasil teve que rever suas políticas de contenção à violência contra a mulher levando em conta toda a história de luta da Penha. Pois, antes, a mulher que era vitima de violência; a mulher que apanhava vivia horrores, porque além do fato, dessas mulheres estarem sozinhas, não havia visibilidade do problema. A minha fala aqui, se baseia justamente, na versão de uma vítima que relata como apanhava e, ao procurar uma delegacia comum, o delegado não dava a devida importância a sua fala. No final do episódio, ela ouvia que “ mulher gostava de apanhar “. Com isso, era mandada para casa, chegando lá, tomava outra surra e, o pior, quando procurava a família no meio de toda aquela confusão e dor, ela não recebia apoio algum. Então, você imagina como era difícil a vida dessas mulheres que só “se apegavam aos filhos e Deus ” sem nenhuma segurança jurídica! Viviam desesperadas. Hoje, além de buscar ajuda, todos nós temos o dever de interferir nessa realidade, como forma de ajudar e previnir uma violência maior que é a morte dessas mulheres.
Todos querem prestígio. O difícil é ter competência para protagonizar o grande feito da condição que, eleva o ser humano ao grau máximo de exigência e heroísmo pelo que faz.
O silêncio faz com que você rejeite a mudança devido o medo. Mas, a dor te faz enxergar a vida por outro aspecto. Por isso, o fato de, você não se acostumar ao sofrimento, é o que te impulsiona para frente; é o que faz com que você não se cale para o que está errado.
A violência contra a mulher é um problema crescente em nosso país. O Brasil, infelizmente, se destaca como um país inseguro e violento para com as suas mulheres. Ontem, 8 de março, data importante e que se comemora o Dia Internacional da Mulher, tivemos notícia de mais um crime bárbaro. Em Minhas Gerais, uma mulher foi morta pelo seu companheiro com mais de 30 perfurações em seu corpo. Isso significa o uso de arma branca ( faca) para ceifar da vítima.
Assim como essa morte, ocorreram outras formas de violência em diversas cidades brasileiras; tudo para mostrar a força masculina e como, ainda o homem exerce o seu poder e controle sobre a mulher. Mais do que uma tragédia anunciada, o feminicídio é uma resposta brutal da violência perpetuada há séculos. Enraizada e crescente de forma contínua e profunda, a violência precisa de uma resposta mais rigorosa e autêntica para com a mulher. É essa resposta que desafia as nossas leis brasileiras. Já é passada a hora de negociarmos a vida de tantas mulheres por tão pouco. Se essa não for, a visão dos nossos legisladores, se não houver condições e amadurecimento de novas formas de pensar o problema, essas mortes vão continuar acontecendo.
A cada 6 horas
uma mulher é morta de forma violenta no país
Ontem, 8 de março, uma mulher foi vítima de feminicídio em Minas Gerais. Em seu corpo, havia 30 perfurações
A proposta desse artigo é mostrar a necessidade de criar uma resposta para diluir os efeitos da violência na vida da mulher. E isso, certamente, só virá pela ousadia intelectual dos nossos legisladores, dos nossos interpretes da lei, dos nossos magistrados, intelectuais e a manifestação da própria sociedade que já não suporta perder tantas vidas para quem não se mostra disposto a esboçar nenhum tipo de mudança que é o homem violento.
O Brasil precisa ter uma visão mais ampla e generosa com a mulher. Veja, aqui eu não estou afirmando que uma vida possa valer mais que a outra. Eu estou sim, dizendo que o homem violento não respeita só a mulher, ele não respeita os outros homens que criam as nossas leis, porque se assim fosse, com o aumento de pena por exemplo em relação ao feminicídio, certamente, muitos homens pensaria duas vezes antes de agredir continuar tirando a vida dessas mulheres. Eu vivo repetindo que a pergunta inteligente que devemos fazer diante de tanta violência não é “ quantas mulheres precisam morrer “, e sim, “ o que vamos fazer daqui para frente, para conseguirmos resolver esse problema? “.
A violência pode ser contida, desde que se faça uma releitura dessa situação e não se tenha pena de causar prejuízo ao outro ( homem), mesmo que esse “ outro “ seja o algoz fatal de tantas histórias sangrentas. Enquanto o homem desdenhar da própria lei, como ocorre em relação a a Lei Maria da Penha, muitas mortes vão continuar sendo vista como são ou seja, como se diz “ mais uma que entra para a estatística do feminicídio”. Sinceramente? não é isso que desejamos. Precisamos de debates e a urgência de compreender o porquê da necessidade da mudança, já que as respostas atuais da lei, não são ou não trazem a segurança que essas mulheres precisam para viver.
Abster-se não transforma!
Transformar sim, compreender a nossa história, mostrar sensibilidade, entender a dramaticidade de muitas de nossas interrogações e não negociar essas vidas, que são ceifadas por tão pouco.
Se existe uma coisa que o homem consegue responder com agressividade é a desconstrução da fragilidade feminina, porque quando ele descobre que a mulher transforma isso em força, ele se torna violento.
Marii Freire. Fragilidade Feminina/Violência Contra a Mulher
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