Fernando Pessoa

” Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é

A dor que já me não dói

A antiga e errônea fé

O ontem que a dor deixou,

O que deixou alegria

Só porque foi, e voou “.

Fernando Pessoa.

Literatura brasileira, atual editora.com.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 31 de março de 2020

Desencanto

Há dias em que a tristeza chega sem avisar. E você nota que ela vai se transformando em dor de silêncio. De repente, se começa a mergulhar no profundo de si. A alma começa ‘arder’, mas não é o arder em brasas, algo comparado a fogo que consome, é uma dor que vai tornando-se protagonista por dentro, de modo a nos desestabilizar por completo (a). É um desencanto, uma melancolia que vai saindo aos poucos pelos poros, e vai se tornando numa sensação indescritível, melhor: ” Indizível “, como diria Vinicius de Moraes.

E, a nossa sensibilidade é tão provocada que a dor que sentimos, passa a causar a sensação desprezo em nós mesmos. Pouco a pouco, se começa a fase de isolamento, onde é uma espécie de cárcere da alma, e assim, inevitavelmente vamos sobrecarregando a nossa mente com pensamentos de abandono. Surge a carência afetiva que fere muito mais a memória do que uma dor física, ou seja, algo provocado intencionalmente, porque leva -nos a mergulhar na consciência que direciona sempre a pensamentos de morte, sim, a dor que sentimos é tão profunda, A ponto do ser humano curva-se a idéia de morte, porque não consegue deixá-lo raciocinar por conta dos transtornos, ou seja, a confusão psíquica a qual vive num determinado momento de crise. Simplesmente, perde -se a capacidade de pensar...de viver, aliás de acreditar que a vida possa ter, ainda algum valor.

Para pessoas assim, é como se elas ” olhassem para tudo e ficassem em parte”. Não conseguem juntar as peças desse processo contínuo da vida que acaba em se cuidar. Cuidar de si mesmo.

[…]

Pessoas que costumam perder o encanto pela vida, elas deixam de enxergar a beleza, tornam -se ‘indiferentes ‘, não só ao mundo, mas as outras pessoas, principalmente, a elas mesmas. Não existe reciprocidade em suas atitudes, porque são pessoas muito marcadas pelas lutas, lutas internas. É como se não tivessem mais a capacidade de ‘ assistir o nascer do sol, elas preferem os ‘dias de chuva’. É o lugar aonde se escondem em suas dores, seus lamentos. O que fazer quando o ser humano chega a esse ponto? O Nietzsche tem uma forma de expressar uma visão pela vida de uma maneira que acho muito interessante, diz o seguinte:

” Ninguém pode construir para você a ponte sobre a qual precisas atravessar “.

É a vida nos convidando a termos a capacidade de retornar as rédeas, o controle de tudo novamente. Acredito que isso, acaba ficando muito claro na colocação do Nietzsche, não é? Vamos desfrutar da calmaria das tardes nostálgicas novamente? É tempo de se reconhecer, de deixar os pensamentos negativos de lado, e se refazer em meio aos problemas. É preciso dialogar consigo, um diálogo íntimo e procurar superar aquilo que dilacera por dentro. A primeira coisa é procurar ajuda, se você mesmo reconhece que não tem capacidade de sair sozinho (a), de situações assim, ou ser aquela pessoa mais drástica e falar com determinação ” Eu consigo “. O importante é se libertar de pensamentos que lhe impedem de expandir.

Va! Experimente sentir a suavidade da vida, sinta a brisa novamente bater de frente, leve igual ‘ vento de proa…’ Tenha coragem, tenha atitude.

“Às vezes na vida, a reposta que se precisa vem do caos, é através das nossas atitudes, que vencemos os nossos próprios limites. É no momento máximo de crise que se mergulha nas profundezas de si, e descobre a força que se tem “.

Marii Freire Pereira

Imagem- Pinderest.

Santarém, Pá 31 de março de 2020

Chico Buarque

” Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar no patamar de quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embalados de cimento e lágrimas

Sentou para descansar como se fosse fosse sábado

Comeu feijão como se fosse príncipe

Bebeu e soluço como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhoi como se pubusse música…”

Chico Buarque- Construção ( 1971)

https://m.letras.mus.br

Imagem: Brasil de fato

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, 30 de março de março de 2020

Bertolot Brecht

” Pelo o que esperam?

Que os surdos se deixem convencer

E que os insaciáveis

Lhes devolva algo?

Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!

Por amizade

Os tigres convidarão

A lhes arrancaram os dentes!

É por isso que esperam!“

Bertolot Brecht (1913- 1956)- Os esperançosos.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 30 de março de 2020

Ilusão da realidade

A ilusão da liberdade é o que estamos vivendo, melhor ‘vivenciando’, e essa liberdade se confunde com a manutenção do status quo.

O que estamos vivendo não são desvaneios, ou mesmo a leitura de algo superficial, onde se possa tomar um café da manhã, lendo um livro de nossa preferência. Não, estamos diante de uma situação concreta.

Muitos [ainda], discutem a questão da Pandemia do Coronavirus com críticas que denúncia um pensamento ingênuo diante da catástrofe que isso representa para a humanidade. Ora, muitas pessoas só estão considerando o primeiro plano, aquilo que é raso, onde é uma morte causada por uma ‘ gripezinha ‘. Na dúvida, fique em isolamento para não contribuir com esses números que tem tomado proporções gigantescas a cada hora/ mundo. A gripezinha mata numa velocidade assustadora.

[…]

Sabe-se que o problema é maior do que parece, porque tem causado uma convulsão no planeta. A realidade da história a qual se vive, é a de que ‘estamos doentes’. Mas, é uma doença que se resume a saúde pública que deficitária’, a saúde nos falta de modo geral. Aqui, entra a questão da ganância humana e a falta de escrúpulos que levar sempre o homem a conhecer os seus próprios fracassos. O não respeito pela vida, tem mostrado que, ainda não aprendemos o suficiente com as nossas mazelas.

Eis o Coronavirus para nos ensinar novamente aquilo que devemos aprender. Não é atoa que a propagação desse vírus avança rapidamente, assim faz as suas vítimas. E mais, note que pode variar em faixa etária, tanto no que se refere às pessoas novas, como as pessoas de mais idade. Portanto, o Coronavirus anda longe de ser uma gripezinha seletiva, pelo contrário, é capaz de fazer qualquer um de vítima.

Quantas pessoas morrerão por conta não do Coronavirus? Pior, quantas mortes irá acontecer em consequência do corona? Quantas pessoas não terão acesso, ou direito a uma vaga no hospital porque já tem uma pessoa diagnosticada ocupando um leito por conta de tal problema? Calcula o peso da ignorância! Outra situação fatalista, vem acompanhado com o resultado da crise econômica, a ‘escassez’ de alimentos é uma realidade nao distante, Compreende para aonde caminhamos? É um destino irremediável, e por conta dos que hoje brigam para que as pessoas possa voltar ao trabalho, esses também ( não todos, mas muitas vitimas há de surgir, sentirão esse resultado, ou seja, não é bom para ninguém.

A ‘radicalização’ que é uma consequência de tudo isso, e pega impulso não só Coronavirus, mas do momento de crise que passa o país, certamente resultará no aumento do número de miseráveis. A inanição não é uma possibilidade tão longe assim, pelo contrário, o que haverá de morte de pessoas por conta dessa catástrofe é algo para ser pensado agora. O caos faz o momento oportuno para tecer críticas construtivas, e reforçar que é preciso ter consciência do dano que isso nos causará. Aliás o preço, pois não se trara só de perda material, não tem preço para definir o valor da vida. Portanto, mais do que nunca é preciso valorizar esse bem maior.

[…]

Poupá-las é a atitude correta a ser feito. É claro que, o Coronavirus nos deixará uma lição, mas tomando como exemplos, outras situações que também dizimou vidas em números mais significativos, e aqui vale citar a Segunda Guerra Mundial, a gripe espanhola e outros, o Coronavirus não fica distante, é bom que estejamos atentos para na medida do possível nos resguardar desse perigo.

Faça por você e pelo outro, agora estamos no mesmo patamar de igualdade. Rico e pobre podem receber ao mesmo tempo uma coroa de flores .

[…]

Colabore com o isolamento: é bom pra você, é bom pra todos! NÃO É UMA ILUSÃO DA REALIDADE, É UMA FATALIDADE.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 30 de março de 2020

Carlos Drummond de Andrade

O menino ambicioso

não de poder ou glória

mas de soltar a coisa

oculta no seu peito

escreve no caderno

e vagamente conta

à maneira de sonho

sem sentido nem forma

aquilo que não sabe.

Ficou na folha a mancha

do tinteiro entornado,

mas tão esmaecida

que bem mancha o papel.

Quem decifra por baixo

A letra do menino,

Agora que o homem sabe

dizer o que não mais

Se oculta no seu peito?

Carlos Drummond de Andrade- Primeiro Conto (Textos Selecionados) – Literatura Comentada

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 30 de março de 2020

Pablo Neruda

“Quero quando eu morrer, tuas mãos

em meus olhos:

Quero a luz, quero o trigo de tuas mãos

amadas

Passar uma vez mais sobre mim essa docura:

sentir tua suavidade que mudou o meu destino.

Quero que vivas enquanto,

adormecido,

espero que teus olhos digam ouvindo o vento,

Que sintas o perfume do mar que amamos juntos

e que sigas pisando a areia que pisamos.

Quero o que amo siga vivo

e a ti amei é canteisobre todas coisas,

por isso segues florescendo, florida,

Para que slcances tudo o que é meu

amor te ordena,

Para que passeie minha sombra por teus cabelos,

Para que assim conheça a razão do meu canto.

Pablo Neruda- Presente de um poeta.

https://www.pensador.com

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VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, 29 de março de 2020

Construindo caminhos

A vida é um eterno processo de construção. Às vezes, há tantos caminhos a serem percorridos que não damos conta. Todavia, devemos compreender que não é o caminho que é mais importante, mas quem caminha nele.

[…]

É bonito olhar o ser humano assim, vivendo os desafios dessa criação diaria, sendo autor da própria historia, dentre outras coisas, permitindo- se florescer em meio às mudanças, recepcionado o novo significado que a vida pouco a pouco, vai lhe permitindo conhecer…’construir’. É o ser humano em construção! Aquele que aprende a resignificar a vida.

Você observa que nesse processo de mudanças, independente de estarmos preparados ou não, simplesmente tudo acontece. A priori, você imagina que a vida nos empurra ( direciona), rumo ao desconhecido, muitas vezes, sem aquele tempo de preparo, que é tão precioso para termos a capacidade de lidar melhor com o futuro. Se caminha, mas existem as dúvidas, os meios impeditivos, que nos distância da realidade. E principalmente, medo do fracasso. Imagino que a maior dúvida do ser humano, não seja o caminho a escolher, mas o medo.

Essa é a razão de tantas pessoas ‘temer’ o futuro, ou seja, o medo. O medo está ligado ao despreparo, as novas perguntas, as descobertas, as preocupações que elas trazem. O medo paralisa as pessoas, as impedem de seguir. Talvez isso aconteça porque a maioria não sabe administrar as próprias emoções, a forma de pensar, e como agir diante dos desafios, muitas acabam tomando-se reféns de si mesmo. Não saem do lugar

[…]

Raros são aqueles que não sentem medo. Aqui, não diria que até o mais preparado não sinta medo, sente. Todos sentimos. A verdade é que, diante de qualquer descoberta, é natural sentir um certo desconforto. Agora, tem aqueles que realmente ” reconhecem-se”, dentro de suas contradições, de sua realidade, sabem melhor do ninguém que o processo que nos leva a transformação, “evoluir “, como pessoas, é duro. E a medida que essa dureza os exigem, eles assumem uma postura autêntica que dentre outras coisas, os aproxima cada vez mais desse processo de libertação que o ser humano precisa conhecer, independente do preparo. Diria que a realidade não os cega, ou seja, não lhes tira o gosto pela vida, mas acrescentar.

[…]

Superar as nossas próprias contradições, é fundamental para reconhecer os nossos próprios limites . Você só precisa saber que caminho seguir. Não queira, talvez por curiosidade, ou esperteza ‘abracar muitos’, pois ficará sem um norte, e será vencido pelo cansaço. Queira aquele que você sabe que lhe lhe conduzirá ser uma pessoa melhor. Se souber fazer a escolha certa, sempre sentirá refrigério na alma. E a alma aqui, conta mais do que qualquer outra coisa. Eu sei que é…capaz.

Você pode!

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, 29 de março de 2020

Fernando Pessoa

” Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores dentro de mim. Só me conheço como sinfonia”.

Bernardo Soares ( Fernando AMADO Pessoa)

Livro do Desassossego. Vol. I. (Organização e fixação de inéditos: Teresa Sobral)- Arquivopessoa.net

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Marii Freire Pereira

Santarém, 29 de março de 2020

Não se humilhe para ter alguém ao seu lado

Nunca se humilhe para manter alguém que você ama a seu lado. O amor tem que ser espontâneo, nunca forçado, ou melhor ‘fragmentado’, porque ele não sobrevive a base de migalhas.

[…]

Quando há amor entre um casal, a relação é cheia de cuidados, de trocas mútuas de carinho. É natural que haja alguma divergência, claro- cada pessoa é única, mas não que o casal não posso conciliar as possíveis divergências. Agora, quando nota-se um certo distanciamento, as pessoas não conversam, não têm prazer em estar juntos, há sempre uma desculpa, aliás as desculpas a princípio são até aceitáveis quando não são carregadas de mentira que causa um desequilíbrio. Um exemplo, ter que se atrasar e justificar a outra pessoa, como uma forma de manter o respeito e a cordialidade dentro da relação. Agora, quando as desculpas viram mentira, não mentirinha, mas mentirona, aponto de afastar, por razões que obviamente machuca a outra pessoa, aí é motivo para ficar atento.

Primeiro, se no início havia todo um cuidado para a outra pessoa se fazer presente na sua vida, não justifica agora, ela não telefonar, ou querer participar como fazia no inicio da relação. Quer um segundo exemplo? se você tem uma relação de longa data com alguém e nota que ela tem um comportamento diferente, ou seja, para estar com você, tem que ligar, pedir para saírem juntos, e percebe que ela ou ele, evita ter esse contato de aproximação, é hora de você começar a se desprender dessa pessoa, porque ela só está te trazendo sofrimento. Quer dizer, para você tê-ela, começa a se diminuir . E isso não é bom.

Há mulheres que não entendem ou se recusam a entender, e precisam de fato, ouvir um sonoro ‘ não ‘ da boca do ex-parceiro. Outras nem tanto, elas já começam a ler algumas masensagens que captam dentro da relação, e se afasta sem csusar maiores constrangimentos. Todavia, tem aquelas ou aqueles, porque também há casos em que o homem se presta a esse papel de ficar se humilhando para que o outro tenha pena e permanece com ele (a). Não, procure tomar outra atitude, menos ter alguém ‘frio’ lado. Por que falo isso? Porque os casais sempre tentam reavaliar a situação. No início, podem até fazer um esforço para reviver as chamas da paixão. Mas, num segundo momento, isso acaba ficando de lado, e você terá que viver sozinho (a). Por isso, não é. Tente não permanecer numa relação assim, porque torna-se um ciclo vicioso. Tenha corage, procure terminar a relação, aliás, terminada parece que é algo indiscutível, o que você precisa é sair de vez.

Ainda que seja difícil, tome a iniciativa de ter uma conversa normal, onde se possa esclarecer questões que cabem somente a vocês. Claro, não é fácil terminar uma relação quando se gostar de uma forma verdadeira da outra, mas entenda que será pior permanecer diante de uma situação que você reconhece que não é boa, e que do invés de agregar, só machuca.

Seja capaz de dizer que você merece mais, que deseja boa sorte para outro, seja de verdade, seja aquela pessoa de caráter. Termine, mas faça isso de um jeito você sabe que vai construir caminhos para si próprio, e ao mesmo, desejar que a pessoa que um dia te fez feliz, também encontre uma pessoa que seja capaz de acrescentar na vida dela.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, 28 de março de 2020