Desencanto

Há dias em que a tristeza chega sem avisar. E você nota que ela vai se transformando em dor de silêncio. De repente, se começa a mergulhar no profundo de si. A alma começa ‘arder’, mas não é o arder em brasas, algo comparado a fogo que consome, é uma dor que vai tornando-se protagonista por dentro, de modo a nos desestabilizar por completo (a). É um desencanto, uma melancolia que vai saindo aos poucos pelos poros, e vai se tornando numa sensação indescritível, melhor: ” Indizível “, como diria Vinicius de Moraes.

E, a nossa sensibilidade é tão provocada que a dor que sentimos, passa a causar a sensação desprezo em nós mesmos. Pouco a pouco, se começa a fase de isolamento, onde é uma espécie de cárcere da alma, e assim, inevitavelmente vamos sobrecarregando a nossa mente com pensamentos de abandono. Surge a carência afetiva que fere muito mais a memória do que uma dor física, ou seja, algo provocado intencionalmente, porque leva -nos a mergulhar na consciência que direciona sempre a pensamentos de morte, sim, a dor que sentimos é tão profunda, A ponto do ser humano curva-se a idéia de morte, porque não consegue deixá-lo raciocinar por conta dos transtornos, ou seja, a confusão psíquica a qual vive num determinado momento de crise. Simplesmente, perde -se a capacidade de pensar...de viver, aliás de acreditar que a vida possa ter, ainda algum valor.

Para pessoas assim, é como se elas ” olhassem para tudo e ficassem em parte”. Não conseguem juntar as peças desse processo contínuo da vida que acaba em se cuidar. Cuidar de si mesmo.

[…]

Pessoas que costumam perder o encanto pela vida, elas deixam de enxergar a beleza, tornam -se ‘indiferentes ‘, não só ao mundo, mas as outras pessoas, principalmente, a elas mesmas. Não existe reciprocidade em suas atitudes, porque são pessoas muito marcadas pelas lutas, lutas internas. É como se não tivessem mais a capacidade de ‘ assistir o nascer do sol, elas preferem os ‘dias de chuva’. É o lugar aonde se escondem em suas dores, seus lamentos. O que fazer quando o ser humano chega a esse ponto? O Nietzsche tem uma forma de expressar uma visão pela vida de uma maneira que acho muito interessante, diz o seguinte:

” Ninguém pode construir para você a ponte sobre a qual precisas atravessar “.

É a vida nos convidando a termos a capacidade de retornar as rédeas, o controle de tudo novamente. Acredito que isso, acaba ficando muito claro na colocação do Nietzsche, não é? Vamos desfrutar da calmaria das tardes nostálgicas novamente? É tempo de se reconhecer, de deixar os pensamentos negativos de lado, e se refazer em meio aos problemas. É preciso dialogar consigo, um diálogo íntimo e procurar superar aquilo que dilacera por dentro. A primeira coisa é procurar ajuda, se você mesmo reconhece que não tem capacidade de sair sozinho (a), de situações assim, ou ser aquela pessoa mais drástica e falar com determinação ” Eu consigo “. O importante é se libertar de pensamentos que lhe impedem de expandir.

Va! Experimente sentir a suavidade da vida, sinta a brisa novamente bater de frente, leve igual ‘ vento de proa…’ Tenha coragem, tenha atitude.

“Às vezes na vida, a reposta que se precisa vem do caos, é através das nossas atitudes, que vencemos os nossos próprios limites. É no momento máximo de crise que se mergulha nas profundezas de si, e descobre a força que se tem “.

Marii Freire Pereira

Imagem- Pinderest.

Santarém, Pá 31 de março de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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