” Fui aprendendo a achar graça no desassossego.
Aprendi a medir a noite em dedos.
Achei que qualquer hora eu podia ter coragem “.
Guimarães Rosa, In grande Sertão Veredas.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 2 de abril de 2020
” Fui aprendendo a achar graça no desassossego.
Aprendi a medir a noite em dedos.
Achei que qualquer hora eu podia ter coragem “.
Guimarães Rosa, In grande Sertão Veredas.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 2 de abril de 2020
O bel-prazer é algo que o tempo não perdoa. Você viver a experiência da mudança da forma que quiser, mas se deixar de ter a sensibilidade de reconhecer que foi negligente com o mínimo possível, aquela ‘ batidinha educada ‘ na porta chega trazendo-lhe a fatura. São os ditames da vida, aliás as normas da vida, assim como os os homens têm uma norma escrita, a vida também nos desperta essa consciência de termos regras que naturalmente surgem a medida que fazemos uso da razão. E isso tem que ser assim, tem que seguir, ou seja, seguir o compasso natural de tudo. Lógico que, aquele que se ama, procurar cuidar de si mesmo, assim como das pessoas que tem algum tipo de afeição, de afeto, de amor e respeito.
Se tem uma coisa que a vida é generosa conosco, é saber nos desistalar das nossas certezas. É impressionante, mas essas descem entre os dedos como grão de areia. Você já notou que isso funciona como um filtro? Muita coisa escapa, só fica concentrado uma pequena porção, que se você ficar com a mão aberta, dependendo da força do vento, ele a leva. A vida é assim, quando não aprisiona, esmaga, e quando não esmaga, o vento leva embora.
‘ Ah! Mas…eu….’. Pois é, de fato, é preciso muita sensibilidade do ser humano para aprender a refletir a vida, mas refletir no sentido de observar a interiorização, claro. Estou falando dos pontos frágeis. É essa observação, essa análise que faz com que a gente possa enxergar a si mesmo, dentro desse labirinto que a vida. E exige respostas com precisão o tempo todo.
Sensibilidade, essa palavra carrega consigo um significado íntimo, bonito, e ao mesmo tempo tão precioso, que rara são as vezes que, somos surpreendidos por pessoas que são capazes de fazer aflorar um conjunto de sentimentos, e que nos conduz a ela. É a vida dando aquela chacoalhada necessária. Certamente, isso é para ficar só o que é valioso [ necessário] naquele momento.
[…]
A capacidade de despertar, é fruto da consciência, essa é uma qualidade que nem todo mundo tem. As vezes é mais fácil ensinar os a ser rei de si mesmo, do que ser súdito. É mais fácil ter controle da situação, porque tendo controle, sou capaz de conduzi-la. Ledo engano! O grande encontro de si mesmo, é quando nós achamos.
[…]
Não basta ceder as vontades da vida, é preciso observância.
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 2 abril de 2020

” Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos Teus
Resolvem se encontrar,
Ai que bom que isso é meu Deus,
Que frio que me dá o encontro desse olhar.
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar,
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar.
Meu amor, juro por Deus,
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar,
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará- lará…”
Miúcha. (Tom Jobim e Miúcha)
Compositores: Vinicius de Moraes
Fonte: Musixmatch
Imagem: Miúcha – Veja.abril.com.br
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 1 de abril de 2020

Sobre um mar de rosas que arde
Em ondas fulvas, distante,
Erram meus olhos, diamante,
Como as asas dentro da tarde.
Asas no azul, melodias,
E as horas são velas fluidas
Da nau em que, oh! alma, descuidas
Das esperanças tardias.
( Pedro Kilkerry. In: Ítalo Moricone. Os cem melho poemas brasileiros do século. São Paulo: Objetiva)
Imagem: Os barcos (1874), de Claude Monet. Musée d’Osay, Paris, França.
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013
VEM comigo!
Marii Freire Pereira.
Santarém, Pá 1 de abril de 2020

Nós temos a clara compreensão do que expressar essa realidade, melhor, digo essa imagem. É um ninho construído por aves para servir de abrigo aos filhotes. É um pequeno ” berço ” que serve para envolvê-lo e assim, trazer- lhes segurança. Mas, a minha reflexão aqui é, qual é o sentido do ” ninho ” para nós? Casa, lugar seguro, onde a priori, estou livre da maldade que me cerca.
Você pode fazer essa leitura independente, da maneira de como falo, basta olhar a estrutura, e compreender a questão das linhas geométricas, da forma em que é traçado. É um círculo, representa um elo que faz todo sentido no que refere-se a proteção. É aquilo que faz-nos lembrar do primeiro lugar da nossa existência, a barriga de nossa mãe, onde o formato é arredondado. Note que, enquanto estamos lá, recebemos todo carinho, toda proteção. Mas, a partir do momento que estamos aqui, digo, quando temos autonomia, não dependendo mais de um útero para nós desenvolver, então a responsabilidade passa a ser totalmente nossa. É portanto, nosso, o direto de construir as paredes que que nos revestem como pessoas, ou seja, aquilo que tem o efeito de proteção para impedir que a realidade que nos cerca, seja drástica demais para conosco.
É interessante vermos, como são aqueles que por um gesto de imaturidade, tiram de si, essa proteção. Simplesmente, agem de maneira irresponsável, ferindo a si próprio, porque não sabe lidar com os desafios diários, com os problemas, as perdas ou porque quer tudo na hora. São pessoas difíceis de lidar, porque no fundo, também nos fere. Aliás, a dor e o sofrimento são parceiros inseparáveis. Geralmente, fazem muitas vitimas. Quem derá que, não fossemos atingidos, tanto quanto, aqueles que administram de forma deplorável os seus conflitos. Querendo ou não, acabamos sendo atingidos.
O ninho também, acaba tendo essa função, que é reter o excremento, ou seja, parte daquilo que não tem mais função para o corpo. O problema, que todos que estão ali, vivendo no mesmo calor (…), naturalmente, sem pretensão alguma, é atingido. Como se costuma dizer, essa é a parte ruim da história. Difícil é não se deixar envolver por ela, porque não escolha sua, é a inobservância do outro que lhe atinge de forma direta.
Uma que gosto muito de observar, é que o ser humano, às vezes, leva tempo para ser perceptível no que se refere a compreender a sua própria realidade. Muitos querem que tudo venha pronto. Que a felicidade venha pronta, que o trabalho dos sonhos, o carro, a viagem tão esperada ‘caia do céu‘. Quanfo não. Felicidade, custa caro. Tudo isso, é uma via de acesso para a construção desse conceito. O problema é que muitos não chegam a ele de maneira concreta.
[…]
Há quem prefira uma vida ” idealizada”, no máximo, é isso. Ele não quer viver os desafios de criar algo para si, ou seja, Ele quer o ninho, o conforto, a proteção, a liberdade que tudo isso representa, mas não quer ter compromisso com um graveto para ajudar a tecer, esse lugar que é importante osra ele próprio. Não é possível. Infelizmente temos que compreender que a liberdade é uma conquista paulatina. Sem essa ” segurança”, eu não posso alcançar vôo para lugares distantes. E por que? Porque o conceito de emancipação, que é aquilo que me permite tomar decisões quanto as minhas escolhas. Se sei agir de maneira correta diante dos desafios, logo sou capaz de administrar bem a própria vida.
Acredito que a dificuldade da mudança, ela sempre representa algo positivo para grande parte de nós, todo ser humano, ele é reeducado quando sofre as restrições da vida. Claro, como mencionado no texto, não são todos que desenvolve essa habilidade, porém, só é possível reiventar os sonhos e esperança, quando temos coragem de enfrentar a realidade com a maturidade que ela precisa. Se agirmos de outra maneira, nunca seremos pessoas independentes, vamos sempre querer o conforto do ninho que alguém se esforçou muito para construir no primeiro momento para nós, mas a partir do momento que somos pássaros adultos, cabe a nós…construir um ambiente que nos seja favorável. A função de por o graveto é minha e sua. É preciso que saibamos seguir a própria vida.
Marii Freire Pereira.
Imagem: via Facebook
Santarém, Pá 1 de abril de 2020

” Maior amor nem mais estranho existe
que o meu amor – que não sossega a coisa amada
e quando a sente alegre, fica triste,
E se a vê descontente, dá risada”.
Vinicius de Moraes ( Soneto do amor maior”. In: Nova antologia poética. Seleção e organização: Antonio Cícero e Eucanaã Ferraz, 2008.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013
Santarém, Pá 1 de abril de 2020
A leitura de modo geral, ela provoca inquietações, principalmente quando é generosa, quando nos permite ver a vida sob nova expectativa. A leitura é capaz de transformar a vida. Há quem escreva para passar o tempo, assim como há quem use esse artifício para resolver os seus conflitos internos. Claro, a leitura é resposta ( retorno), e existem aqueles que têm uma facilidade maior de absorver uma informação, assim como, também existem aqueles que não dispõem da mesma capacidade intelectual para compreender o que um autor escreve. Porém, os corajosos que escolhem a leitura como um processo que permite ter uma compreensão melhor da vida, são os verdadeiros responsáveis por proporcionar ao mundo, uma revolução literária, porque isso sim, faz com que toda forma de aprendizado, sobreviva a realidade.
Marii Freire Pereira.
VEM comigo!
Imagem- EBC
Santarém, Pá 1 de abril de 2020

” Como esta noite findará
E o Sol então rebrilhará
Estou pensando em você
Será que vela como eu?
Será que pergunta por mim?”
Maria Bethânia – Onde estará o meu amor?
Compositores: Francisco Cesar Gonçalves
Letra de Onde estará o meu amor? Warner Chappell Music, Inc
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 31 de março de 2020
Acho curioso o jeito de como algumas pessoas diante de determinadas provações reagem, e acabam respondendo de uma forma que denuncia os seus conflitos internos. Digamos que elas recebem uma cargade estímulos de modo, tão profundo que psicologicamente, dizem que está bem, mas é um ‘ bem ‘ que denuncia algo que não foi bem resolvido. Quer exemplo? A pessoa geralmente diz assim: ” Quem vive de passado é museu”. Perfeito. Isso estimula a arte de pensar, e graças aos Museus nós, temos histórias maravilhosas para poder contemplar, não só a História, como um todo e avaliar de forma preciosa todo um contexto de acontecimentos, de fatos e mudanças que permitem você fazer um contrassenso. Acredito que seria uma perda imensurável não termos histórias para contar a filhos e netos. Mas, voltando ao fato, a História em si, é uma narração que nunca termina porque há sempre o que acrescentar. portanto, contemplar a vida, melhor todo esse processo de aprendizagem, é o significado ímpar ao ser humano. Isso é um ganho, certamente.
Ao comparação de quem ‘vive de passado é museu, talvez venha acompanhada de um termo pejorativo só devido a colocação, porque como dito, Museu carrega valor, e se tem valor é porque é preciso.
[…]
Há passado que ao ser lembrado, torna-se algo muito dolorido e ao mesmo tempo comprometedor, não no sentido de desqualificar. Mas, por conter ali, um sofrimento que nunca passa, nunca sara, e no primeiro estresse, ele trás a mente lembranças carregadas de tristeza, dor e sofrimento. É como ferida, algumas criam uma crosta, mas nunca cicatriza, e ao passar a mão no local, você sente a espessura, assim como o grau de sensibilidade existente naquele local. Então, para tocar a vida, a pessoa despreza de maneira inconsciente aquela marca, mas vez ou outra, sempre sente um incômodo. E a contrariedade no caso da comparação, dar-se quando ela diz ” não dói “, mesmo sabendo que no fundo, há um certo desconforto. Mas, para mostrar -se forte, ela age com violência consigo mesmo, na tentativa de passar por cima da história, e assim conseguir superar.
Imagine você olhar para uma estrada até aonde os olhos te permitem alcançar a paisagem, e você ter consciência do quanto já caminhou ali, tentando se descobrir, violando muitas vezes a própria lei da vida para avançar com passos largos…um pouco mais adiante. Muita gente se vê descrito nesse estrada, através do pensamento. O excesso de preocupação, a inquietação que surge quando estamos demasiadamente perturbados, ou seja, vivendo os desconfortos da vida. É comum agir dessa forma, sem querer esse comprometimento, mas a medida em que se diz essa frase com tanta ênfase, tem algo ali, que internamente está sendo negado.
A proteção a vida que o tempo nos concede, vez por outra, é essa a de termos a capacidade de fazer uma higiene mental. Eu sei que é difícil explicar certas coisas a nos mesmos, porque avançar na história, implica, recuar, modificar aquilo que é possível para que se consiga construir novos caminhos. Andar nessa estrada é isso, é construir o novo a partir do que se tem. Não esquecendo do principal, ‘sonhar’, mesmo quando se tem uma vida toda comprometida com as marcas do passado.
[…]
Às vezes, o passado é um presente que nunca que nunca morre, nunca apaga. Mas, nos temos a obrigação de caminhar mesmo quando todas as forças são contrarias.
Marii.
Hoje, por acaso, li um texto do Paulo Coelho, onde pude contatar um pensamento tecido a partir dos horrores deixado pela Ditadura as suas vítimas. Aquilo foi decifrando em mim, uma espécie de autocrítica que permitiu-me por exemplo, olhar a vida por esse gesto diria não de questionar, mas de ter a capacidade de superar. Se tem algo que nos controla é o ( passado), e a possibilidade de olhar para o futuro nesse caso, mesmo diante de um sofrimento interminável, sim porque o histórico de negação é sofrimento de quem viveu as dores e os horrores, e mesmo assim, teve a coragem de se encontrar na vida novamente, ou seja, olhar para o passado, e ter a autodeterminação e o respeito para ‘escolher viver’. A palavra é essa: escolher viver, mesmo podendo “adoecer”a qualquer momento ( psicológico), e compreender que o passado, assim como os nossos torturadores, meu e seu, permanecem vivos. Mas, temos a escolha de não trazê-los ao presente porque o que importa é aquilo que pode ser vivido hoje de maneira consciente.
Marii Freire Pereira
Imagem: Google.com
Santarém, Pá 31 de março de 2020

Ardiloso sorriso
alonga- se em silêncio
Para contemporâneos e pósteros
ansiosos, em vão, por decifrá-lo.
Não há decifração. Há o sorriso.
Carlos Drummond de Andrade ( Em: Farewell. Rio de Janeiro: Record, 1996
Imagem: Mona Lisa, ou “Gioconda ” ( Da Vinci)
Wikipédia
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 31 de março de 2020

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