Antologia Poética, é o nome dado a coleção que reúne diversos poemas do autor. Criado em 1961, a idéia era reunir esses trabalhos para marcar a grandiosidade que tem Manuel no que se refere a questão da literatura, bem como, para todos nós. Manuel sempre nos será um ganho, certamente. Além do mais, dentro desse quesito evolução, queria evidenciar a questão dos conflitos, a sensibilidade que é um ponto muito falado, o domínio técnico e outros. A coleção conta com poemas, inclusive estrangeiros ( livro Mafuá do malungo), que é a tradução a partir do trabalho de poetas estrangeiros .Além disso, tem crônica, brincadeiras com o tema morte e toda sensibilidade de Manuel Bandeira.
Segundo a observação de alguns estudiosos, ouve o abandono do tom retórico por parte de Manuel em seus trabalhos e, onde o mesmo teria optado por fazer uso de uma linguagem voltada ao coloquial para tratar de coisas do dia a dia. Antologia Poética representa um grande passo na trajetória do autor.
É interessante quando podemos observar a vida, aliás os traçados da vida quando ela nos leva a sair da nossa própria mediocridade. Quando ela nos arranca da nossa zona de conforto, do estado de inércia que muitas vezes nos encontramos, para conseguir ir além, para sairmos desse conformismo a qual muitos estão acostumados.
Todo ser humano precisa escrever a sua própria história, como se diz ‘ virar o jogo’, ser capaz de se superar, de modo, a ser a idealizar a vida, mas fazê-la acontecer. Ter que aprender a competir, viver as adversidades [se quiser] ganhar. Porque viver é isso, ter coragem para sair da área de conforto e correr atrás do que almeja alcançar.
Às vezes, estamos tão acostumados com as coisas boas, que, ao identificarmos uma situação que nos incomoda, nos desestabiliza, ficamos sem norte. E que fazer? Geralmente, nos recusamos a largar o que dar prazer, por mais que muitas , isso até nos cause dor. A primeira reação do ser humano, quando isso acontece é Quer se fechar na sua própria concha. É o medo, o que simboliza essa coisa que é própria do ser humano. A primeira reação é a de querer se anular, por conta de um pouco de sossego. Todavia, qual é a ordem da vida? VÁ! É a ordem é no imperativo, clara, simples e direta. E vou dizer uma coisa, não adianta fobia, porque o que a vida quer testar os nossos limites, a nossa própria condição humana, melhor, a nossa capacidade de nos desenvolver diante de suas limitações. Ela exige o máximo. Portanto, o que resta é deixar as desculpas de lado e sair do comodismo.
Quando a monja coen diz que ” tudo o que é bom dói “, no fundo, ela afirma o seguinte: tudo na vida tem um preço. E para que se possa ser merecedor, é preciso decifrar-nos, acreditar mais em si mesmo, saber que é preciso passar pelos desconfortos, conhecer melhor as nossas dificuldades, os atritos que devemos encarar, assim infinitas definições que damos nomes aos problemas. A verdade é essa, você tem que fazer a “travessia “. Eu gosto do conceito de travessia do Guimarães Rosa, porque o mais importante não é chegar ao outro, mas valor o momento em si. A riqueza que há no caminho. O valor de tudo aquilo que você construiu. São essas pequenas coisas que não podem se perder, porque nao nos será acrescentado uma segunda oportunidade.
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Na vida, nas lutas diárias que temos, é normal vir a fadiga, o desprezo por aquilo que não temos paciência, mas nós, somos o único ser modificador de nossa história. Que tenhamos a capacidade, bem como, coragem para mudar as situações que nos são contrarias. Vamos lá, coragem.
O bom poema é aquele que nasce da profundidade, que tem o preparo da palavra para chegar ao deleite e o furor do gozo. Ele tem comover, a ponto de perpassar a realidade.
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O poema tem que desnudar a alma, ir para o lado da fantasia, ali no que diz respeito a provocação mesmo, ou seja, ele tem que provocar o desejo, o encantamento e ao mesmo tempo o desvario de quem o lê . Por isso, que é preciso ter ‘sensibilidade’ para conseguir atrentrar nos seus recintos, digo no que refere-se a pureza, a profundidade do sentimento humano. E quanto mais triste, é que ele nos envolve, porque essa resposta entre a ilusão e a realidade é que dar prazer.
“A criança quando dorme, não se dá conta da vida, nem do mal que a cerca. Ela dorme e no simples ato de dormir, vive naturalmente o próprio sonho… “
Marii.
A vida por vezes, torna-se egoísta, porque ela mata-nos os sonhos, quando estes, assim como no imaginário infantil, deveria ser sempre real, e não diluir em meio à realidade.
Há quem diga que não devemos ter medo de viver as nossas inquietações, de modo a saber conciliar aquilo que dorme e o que precisa despertar em nós, melhor, saber enfrentar os desafios de modo, a ser autor da própria história, mas sem deixar a criança de lado. Ora, imagino que seja algo parecido com uma cena, onde você oferece a criança, a oportunidade de pintar um quadro com a linda imagem que representa o mar, assim como respeitando a sua particularidade de saber pintar o sol . Pois nessa relação entre as duas formas de perceber a importância da vida, ela aprende a distinguir o essencial, e o complexo. Um dia, será para mergulhar em si mesmo, e no outro, aprender a contemplar a beleza dos dias cheios de vida. Um será de mágoas, ‘das facetas dos sentimentos’ e num segundo olhar, a luz que representa a consciência/razão, ou seja, a raridade dos dias.
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Enquanto pinta, a criança vive a magia dos sonhos. Por que digo isso? Porque quem já teve essa intimidade com pincéis e bisnagas, sabe o que aquele ato significa. O simples movimento entre traços e cores, é uma forma de nos fazer sonhar…Mas, acordados! Porque a melhor forma de sonhar, é criando mecanismos que favoreça a realização desses sonhos.
Eu já vivi essa rica experiência, e sei que entre as cores mais fortes/vibrantes, há a denúncia das nossas inquietações. O Munch em sua célebre obra ( O Grito) que o diga. Em suas telas, a presença de cores fortes é o que mais pode ser visto. Todavia, tal exemplo é só para retratar a realidade, porque embora o psíquico possa vislumbrar a sabedoria através do silêncio, no mundo real o silêncio é a nossa mais autêntica forma de gritar, e gritar as contradições insuportáveis. Detalhe, na vida real, é a ausência de cores que prevalece.
Todavia, cabe a nós mesmos, procurar encontrar essa linha tênue da vida, essa cor que falta para que tudo possa fazer sentido novamente.
Deve ser por isso que ” tudo o que dorme é novo”, é porque o descanso acomoda a consciência, ela é a ultima fronteira do ser humano. Talvez o sono, seja menos egoísta do que a realidade. É como disse Pessoa:” Entre matar quem dorme e matar uma criança não há diferença “.
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