Manuel Bandeira -Antologia Poética.

Antologia Poética, é o nome dado a coleção que reúne diversos poemas do autor. Criado em 1961, a idéia era reunir esses trabalhos para marcar a grandiosidade que tem Manuel no que se refere a questão da literatura, bem como, para todos nós. Manuel sempre nos será um ganho, certamente. Além do mais, dentro desse quesito evolução, queria evidenciar a questão dos conflitos, a sensibilidade que é um ponto muito falado, o domínio técnico e outros. A coleção conta com poemas, inclusive estrangeiros ( livro Mafuá do malungo), que é a tradução a partir do trabalho de poetas estrangeiros .Além disso, tem crônica, brincadeiras com o tema morte e toda sensibilidade de Manuel Bandeira.

Segundo a observação de alguns estudiosos, ouve o abandono do tom retórico por parte de Manuel em seus trabalhos e, onde o mesmo teria optado por fazer uso de uma linguagem voltada ao coloquial para tratar de coisas do dia a dia. Antologia Poética representa um grande passo na trajetória do autor.

Comentário:

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Desencanto

Eu faço versos como quem chora

De desalento…de esencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa…remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um Acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira . Antologia Poética- coleção de textos, 1961.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Descobrindo quem sou

” Tudo o que é bom, dói!”

Monja Coen.

É interessante quando podemos observar a vida, aliás os traçados da vida quando ela nos leva a sair da nossa própria mediocridade. Quando ela nos arranca da nossa zona de conforto, do estado de inércia que muitas vezes nos encontramos, para conseguir ir além, para sairmos desse conformismo a qual muitos estão acostumados.

Todo ser humano precisa escrever a sua própria história, como se diz ‘ virar o jogo’, ser capaz de se superar, de modo, a ser a idealizar a vida, mas fazê-la acontecer. Ter que aprender a competir, viver as adversidades [se quiser] ganhar. Porque viver é isso, ter coragem para sair da área de conforto e correr atrás do que almeja alcançar.

Às vezes, estamos tão acostumados com as coisas boas, que, ao identificarmos uma situação que nos incomoda, nos desestabiliza, ficamos sem norte. E que fazer? Geralmente, nos recusamos a largar o que dar prazer, por mais que muitas , isso até nos cause dor. A primeira reação do ser humano, quando isso acontece é Quer se fechar na sua própria concha. É o medo, o que simboliza essa coisa que é própria do ser humano. A primeira reação é a de querer se anular, por conta de um pouco de sossego. Todavia, qual é a ordem da vida? VÁ! É a ordem é no imperativo, clara, simples e direta. E vou dizer uma coisa, não adianta fobia, porque o que a vida quer testar os nossos limites, a nossa própria condição humana, melhor, a nossa capacidade de nos desenvolver diante de suas limitações. Ela exige o máximo. Portanto, o que resta é deixar as desculpas de lado e sair do comodismo.

Quando a monja coen diz que ” tudo o que é bom dói “, no fundo, ela afirma o seguinte: tudo na vida tem um preço. E para que se possa ser merecedor, é preciso decifrar-nos, acreditar mais em si mesmo, saber que é preciso passar pelos desconfortos, conhecer melhor as nossas dificuldades, os atritos que devemos encarar, assim infinitas definições que damos nomes aos problemas. A verdade é essa, você tem que fazer a “travessia “. Eu gosto do conceito de travessia do Guimarães Rosa, porque o mais importante não é chegar ao outro, mas valor o momento em si. A riqueza que há no caminho. O valor de tudo aquilo que você construiu. São essas pequenas coisas que não podem se perder, porque nao nos será acrescentado uma segunda oportunidade.

[…]

Na vida, nas lutas diárias que temos, é normal vir a fadiga, o desprezo por aquilo que não temos paciência, mas nós, somos o único ser modificador de nossa história. Que tenhamos a capacidade, bem como, coragem para mudar as situações que nos são contrarias. Vamos lá, coragem.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Dom Quixote

” O medo é que faz que não vejas, nem ouças

Porque um dos efeitos do medo é turvar os sentidos, e fazer que pareçam as coisas outras do que são!”.

Dom Quixote.

Imagem: via Facebook

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, 3 de abril de 2020

João Cabral de Melo Neto

” No fim de um mundo melancólico

os homens lêem jornais

Homens indiferentes a comer laranjas

que ardem como o Sol…”

João Cabral de Melo Neto ‘ O fim do mundo)

Imagem: Google

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 2 de abril de 2020

O Amor Antigo

O Amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,

mas do destino vão negar a sentença.

O Amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulhar no infinito,

e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade.

Textos Selecionados ( Literatura Comentada)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 2 de abril de 2020

Literatura

O bom poema é aquele que nasce da profundidade, que tem o preparo da palavra para chegar ao deleite e o furor do gozo. Ele tem comover, a ponto de perpassar a realidade.

[…]

O poema tem que desnudar a alma, ir para o lado da fantasia, ali no que diz respeito a provocação mesmo, ou seja, ele tem que provocar o desejo, o encantamento e ao mesmo tempo o desvario de quem o lê . Por isso, que é preciso ter ‘sensibilidade’ para conseguir atrentrar nos seus recintos, digo no que refere-se a pureza, a profundidade do sentimento humano. E quanto mais triste, é que ele nos envolve, porque essa resposta entre a ilusão e a realidade é que dar prazer.

Marii Freire Pereira.

VEM comigo!

Imagem: Google.com

Santarém, 2 de abril de 2020

Lembranças de morrer

Avatar de VEM comigo!Pensamentos.me/VEM comigo!

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,

Que o espírito e aça à dor vivente,

Não derramam por nem uma lágrima

Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impurra

A flor do vale que adormece ao vento:

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poente caminheiro

– Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,

Onde o fogo insensato a consumia:

Só levo uma saudade – é desses tempos

Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – e dessas sombras

Que eu sentia valer nas noites minhas…

De ti, ó minha mãe! Pobre coitada

Que por minha tristeza te definha!

Que meu pai…de meus únicos amigos,

Poucos – bem poucos – e que não zombavam

Quando, em noites…

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Tudo o que dorme é uma criança de novo

A criança quando dorme, não se dá conta da vida, nem do mal que a cerca. Ela dorme e no simples ato de dormir, vive naturalmente o próprio sonho… “

Marii.

A vida por vezes, torna-se egoísta, porque ela mata-nos os sonhos, quando estes, assim como no imaginário infantil, deveria ser sempre real, e não diluir em meio à realidade.

Há quem diga que não devemos ter medo de viver as nossas inquietações, de modo a saber conciliar aquilo que dorme e o que precisa despertar em nós, melhor, saber enfrentar os desafios de modo, a ser autor da própria história, mas sem deixar a criança de lado. Ora, imagino que seja algo parecido com uma cena, onde você oferece a criança, a oportunidade de pintar um quadro com a linda imagem que representa o mar, assim como respeitando a sua particularidade de saber pintar o sol . Pois nessa relação entre as duas formas de perceber a importância da vida, ela aprende a distinguir o essencial, e o complexo. Um dia, será para mergulhar em si mesmo, e no outro, aprender a contemplar a beleza dos dias cheios de vida. Um será de mágoas, ‘das facetas dos sentimentos’ e num segundo olhar, a luz que representa a consciência/razão, ou seja, a raridade dos dias.

[…]

Enquanto pinta, a criança vive a magia dos sonhos. Por que digo isso? Porque quem já teve essa intimidade com pincéis e bisnagas, sabe o que aquele ato significa. O simples movimento entre traços e cores, é uma forma de nos fazer sonhar…Mas, acordados! Porque a melhor forma de sonhar, é criando mecanismos que favoreça a realização desses sonhos.

Eu já vivi essa rica experiência, e sei que entre as cores mais fortes/vibrantes, há a denúncia das nossas inquietações. O Munch em sua célebre obra ( O Grito) que o diga. Em suas telas, a presença de cores fortes é o que mais pode ser visto. Todavia, tal exemplo é só para retratar a realidade, porque embora o psíquico possa vislumbrar a sabedoria através do silêncio, no mundo real o silêncio é a nossa mais autêntica forma de gritar, e gritar as contradições insuportáveis. Detalhe, na vida real, é a ausência de cores que prevalece.

Todavia, cabe a nós mesmos, procurar encontrar essa linha tênue da vida, essa cor que falta para que tudo possa fazer sentido novamente.

Deve ser por isso que ” tudo o que dorme é novo”, é porque o descanso acomoda a consciência, ela é a ultima fronteira do ser humano. Talvez o sono, seja menos egoísta do que a realidade. É como disse Pessoa:” Entre matar quem dorme e matar uma criança não há diferença “.

” matar os sonhos, é matar-nos”.

Fernando Pessoa.

Marii Freire Pereira

Imagem particular.

Santarém, Pá 2 abril de 2020

Guimarães Rosa

” Fui aprendendo a achar graça no desassossego.

Aprendi a medir a noite em dedos.

Achei que qualquer hora eu podia ter coragem “.

Guimarães Rosa, In grande Sertão Veredas.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 2 de abril de 2020