O Amor Antigo

O Amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,

mas do destino vão negar a sentença.

O Amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulhar no infinito,

e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade.

Textos Selecionados ( Literatura Comentada)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 2 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

Um comentário em “O Amor Antigo

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