Tudo o que dorme é uma criança de novo

A criança quando dorme, não se dá conta da vida, nem do mal que a cerca. Ela dorme e no simples ato de dormir, vive naturalmente o próprio sonho… “

Marii.

A vida por vezes, torna-se egoísta, porque ela mata-nos os sonhos, quando estes, assim como no imaginário infantil, deveria ser sempre real, e não diluir em meio à realidade.

Há quem diga que não devemos ter medo de viver as nossas inquietações, de modo a saber conciliar aquilo que dorme e o que precisa despertar em nós, melhor, saber enfrentar os desafios de modo, a ser autor da própria história, mas sem deixar a criança de lado. Ora, imagino que seja algo parecido com uma cena, onde você oferece a criança, a oportunidade de pintar um quadro com a linda imagem que representa o mar, assim como respeitando a sua particularidade de saber pintar o sol . Pois nessa relação entre as duas formas de perceber a importância da vida, ela aprende a distinguir o essencial, e o complexo. Um dia, será para mergulhar em si mesmo, e no outro, aprender a contemplar a beleza dos dias cheios de vida. Um será de mágoas, ‘das facetas dos sentimentos’ e num segundo olhar, a luz que representa a consciência/razão, ou seja, a raridade dos dias.

[…]

Enquanto pinta, a criança vive a magia dos sonhos. Por que digo isso? Porque quem já teve essa intimidade com pincéis e bisnagas, sabe o que aquele ato significa. O simples movimento entre traços e cores, é uma forma de nos fazer sonhar…Mas, acordados! Porque a melhor forma de sonhar, é criando mecanismos que favoreça a realização desses sonhos.

Eu já vivi essa rica experiência, e sei que entre as cores mais fortes/vibrantes, há a denúncia das nossas inquietações. O Munch em sua célebre obra ( O Grito) que o diga. Em suas telas, a presença de cores fortes é o que mais pode ser visto. Todavia, tal exemplo é só para retratar a realidade, porque embora o psíquico possa vislumbrar a sabedoria através do silêncio, no mundo real o silêncio é a nossa mais autêntica forma de gritar, e gritar as contradições insuportáveis. Detalhe, na vida real, é a ausência de cores que prevalece.

Todavia, cabe a nós mesmos, procurar encontrar essa linha tênue da vida, essa cor que falta para que tudo possa fazer sentido novamente.

Deve ser por isso que ” tudo o que dorme é novo”, é porque o descanso acomoda a consciência, ela é a ultima fronteira do ser humano. Talvez o sono, seja menos egoísta do que a realidade. É como disse Pessoa:” Entre matar quem dorme e matar uma criança não há diferença “.

” matar os sonhos, é matar-nos”.

Fernando Pessoa.

Marii Freire Pereira

Imagem particular.

Santarém, Pá 2 abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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