Pablo Neruda

Se você me esquecer

Eu quero que você saiba uma coisa

Você sabe como é isso

Se eu olhar para lua cristalina

No ramo vermelho do outono chegando

Se eu tocar perto do fogo

A cinza impalpável

ou o corpo enrugado do ramo

Tudo me leva a você

Como se tudo o que existe

Aromas, luzes, metais

Fossem pequenos barcos que navegam

em direção aquelas ilhas que esperam por mim

Bem agora, se pouco a pouco você deixar de me amar

Eu devo parar de te amar pouco a pouco

Se de repente você me esquecer

Não olhe para mim

Pois eu já devo ter esquecido você

Se você acha que isso é longo e louco

O vento das bandeiras

Que passa através de da minha vida

Você decide, Mas lembre-se, se você

Deixar me na costa do coração onde criei raízes

Nesse dia, nessa hora

Eu vou cruzar meus braços

E minhas raízes partirão para procurar outra terra.

Mas se, cada dia, cada hora

Você sentir que está destinada pra mim

Com sua doçura implacável

Se cada dia uma flor, escalar até seus lábios a minha

Procura

Lembre-se

Em mim todo esse fogo também existe

Em mim nada é extinguido ou esquecido

Meu amor se alimenta do seu amor

E enquanto você viver, estarei em seus braços

Pablo Neruda, Se você me esquecer

Tradução: Antonio Uila), pensador.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Uol

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Edgar Allan Poe

Nunca fui, na infância,

Como os outros

e nunca vi como os outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar das fontes igual a eles;

e o coração de alegria

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba da tormentosa vida, ergueu-se

no bem, no mal, de cada abismo

e encadear-me o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

Da rubra escarpa da montanha;

do sol, que todo me envolvia

Em outonais clarões dourados;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alterava,

só, no amplo azul do céu puríssimo.

Como um demônio, ante meus olhos.

Edgar Allan Poe, “Só “

https:// http://www.escritas.org

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Marii Freire Pereira

Imagem: globo.com

Santarém, Pá 16 de abril 2020

A morte, o sol terrível

Mas eu enfrentei o Sol divino,

o Olhar sagrado em que a Pantera arde.

Saberei porque a teia do Destino

não houve quem cortasse ou desatasse.

Não serei orgulho nem covarde,

que o sangue se rebela ao som do Sino.

Verei o Jaguapardo e a luz da Tarde,

Pedra do Sonho e cetro do Divino.

Ela virá- Mulher- aflando as asas,

com o mosto da Romã, o sono, a Casa,

e há de sagrar-me a vista o Gavião.

Mas sei, também, que só assim verei

A coroa da Chama e Deus, meu Rei,

assediado em seu trono de Sertão.

Ariano Suassuna, A morte- O Sol do terrível.

https://www. Culturagenial.com

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril 2020

Nascimento

Aqui, o Corvo azul da Suspeição

Apodrece nas Frutas violetas,

E a Febre escusa, a Rosa da infecção,

Canta aos Tigres de verde e malhas pretas.

Lá, no pelo de cobre do Alazão,

O Bilro de ouro fia a Lã vermelha.

Um Pio de metal é o Gavião

E suave é o focinho das Ovelhas

Aqui, o Lodo mancha o Gato Pardo:

A Lua estava esverdeada sai do Mangue

E apodrece, no medo, o Desbarato.

Lá, é fogo e limalha a Estrada esparsa:

O Sol da morte luz no sol do Sangue,

Mas cresce a Solidão e sonha a Garça.

Ariano Suassuna, Nascimento- O Exilio

https://www.culturagenial.com

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

A infância

Sem lei nem Rei, me vi arremessado

bem menino a um Planalto Pedregoso.

Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,

vi o mundo rugir. Tigre maldoso.

O cantar do Sertão, Rifle, apontado,

vinha malhar seu corpo furioso.

Era o canto demente, sufocado,

rugindo nos Caminhos sem repouso.

E veio o Sonho: e foi desperdiçado!

E veio o Sangue: o marco iluminado,

A luta extraviada e a minha grei!

Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo,

na Cadeia que estive e em que me acho,

a Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei!

Ariano Suassuna, A Infância – O Exilio

https://www.culturagenial. com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Ariano Suassuna

Sob o sol sertanejo, onça castanha,

O Mundo é uma redoma de diamante.

Ao rubi dos teus peitos chamejantes

A luz do sangue o ventre fulvo banha.

Quem te dotou essa crueza estranha?

A vida passa, o sangue é doido instante!

E eu erro, só, no Campo malandante,

Pela Estrada sem pó desta Campanha.

O Gavião e a Cobra Cascavel

Espreitam dessa Pedra em que ti vagas,

ó Caravela branca, ó ruivo Pente!

E enquanto a Aranha tece, o fogo, o Véu

Vejo facas, anéis, punhais e adagas

atravessando os Ares reluzentes.

Ariano Suassuna, O Exilio

RB Arruda, via Facebook.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Tempo de incertezas

O tempo, ao qual se vive é de absoluta incerteza (aparentemente) para alguns, devido a essa intransponível circunstância que a Pandemia do Coronavirus nos trouxe. Todavia, esse tempo ( também), é maravilhoso se olhado do jeito certo. Ora, ele faz voltarmos a ser presente. É isso mesmo, voltamos a ser presente na vida um dos nossos, ou seja, das pessoas que amamos. Esse tempo de incerteza aproxima o homem do próprio homem _ é a vida servindo a própria vida. Parece estranho, mas vou explicar.

Nunca se viveu um tempo tão bom”, como disse o cantor Gilberto Gil, é um tempo de “ficar dentro de casa”. O ser humano vive muito pra fora, e o ‘pra fora’ que aqui, me refiro, não se trata do ato de ter que sair e ir trabalhar, ganhar as ruas, a vida, as festas, não é nada disso. Claro, trabalhar é preciso, sair também, mas deixemos isso para outro momento. Esse é o melhor tempo, porque é um tempo de contato, não o toque, mas aquele contato que nos aproxima, que nos faz viver experiências verdadeiras. É o momento de nos sentirmos úteis a nos mesmo, e não a terceiros. Sabe? É olhar a vida enquanto resta um pouco de esperança. É conseguir olhar para sua família, seus filhos e abracá-los, enquanto há tempo. É se fazer presente na vida um do outro. Não queira abraçar lá frente, quando esse tempo já não lhe for mais possível, quando ele for um tempo irrecuperável.

[…]

Saudade é um sentimento gostoso de algo que se foi. Entende? De ” algo que de foi!”. Aproveite a ocasião, olhe mais para dentro de si, tente resgatar coisas que, inclusive foram importantes pra você, digo na sua época de criança. É importante falar cada um tem a sua particularidade em agregar valor a vida. Há pessoas que gostam desse momento, assim como existem aquelas que não. O pessimista, entende que esse é um tempo de derrotas, claro – ele não consegue reconhecer nenhum valor aqui, mas esse tempo, também tem muito a nos ensinar, a mostrar que somos mais do que essa imagem que vendemos.

O tempo que hoje, você julga perder, você não perde, pelo contrário, ganha em valores. É difícil explicar isso, porque poucas pessoas compreendem, mas ainda assim, é preciso falar.

Ontem, eu lia a Ariano Suassuna, porque precisava postar no blog, e duas coisas a respeito da história dele me chamou a atenção. A primeira, trata da construção de elementos importantes que o ajudou a superar a morte do pai, o que praticamente, acredito que ele nunca superou porque, isso lhe causou uma tremenda inquietação e, aos poucos foi lhe fazendo ‘aflorar’ pra vida e, assim conseguir se transformar nessa coisa gostosa que lemos a respeito de Ariano. E a segunda, foi algo que ele escreveu dentre tantos escritos, diz o seguinte:

sou um escritor de poucos livros e poucos leitores. Vivo extraviado em meu tempo por acreditar em valores que a maioria julga ultrapassados. Entre esses, o amor, a honra e a beleza que ilumina caminhos da retidão, da superioridade moral, da elevação, da delicadeza, e não da vulnerabilidade dos sentimentos “.

Você compreende a riqueza, e o valor que ele descreve nessas poucas linhas? Penso, que o significado maior da vida esteja descrito no que ele enfatizou com tanta simplicidade. A vida só consegue florir por dentro. Fora ( externo), é o resultado do que se consegue abraçar.

[…]

No final, na minha e na sua somatória, o que vai constar como a coisa mais importante, são os resgates desses valores. É no passar da régua, que a vida lhe atribue um valor. O que faz mundo girar e ganhar um significado maior, é a presença de coisas simples, é a esperança, o amor e a possibilidade de sonhar do ser humano. É tal detalhe que consta. Ao contrário do que muitos pensam ou dizem, não é a riqueza, a briga por disputa de poder que vale mais. Evidente que isso tudo, tem a sua importância para aquilo que se considera bom e ruim para todos nós. Todavia, se você avaliar esses detalhes, no máximo, eles esmagam muito mais a nossa realidade do que constrói. Avalie! Mas procure avaliar dentro da sua particularidade. Seja capaz de delimitar a sua opinião, mas do que os possíveis ganhos, porque no final, o que conta é esse é isso.

A vida vale mais! A esperança, o fato de acreditar, e ao tempo saber esperar é o faz a diferença. Existe um ditado de diz o seguinte: a esperança é uma virtude que nos leva a procurar lidar com duas fomes. A primeira é contemplar e repartir o pão, a segunda é saber que vazio vamos preencher “. [Mario Sérgio Cortella], o que é mais importantes pra você nesse momento? Pense.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Chico Buarque

” Não se adobe não

Que nada é pra já.

O Amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário

Não posta-restante

Milênios, milênios

No are

E quem sabe, então

O Rio será

Alguma cidade submersa

Os escafandristas virão

Explorar sua casa

Seu quarto, suas coisas

Suas alma, desvãos

Sábios em vão

Tentarão decifrar

O eco de antigas palavras…”

Chico Buarque, Futuros Amantes,

Fonte: LyricFind

Imgem: O Beijo de Gustav Klimt

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Mario Quintana

Minha vida não foi um romance…

Nunca tive até hoje um segredo.

Se me amas, não digas, que morro

De surpresa…de encanto…de medo…

Minha vida não foi um romance,

Minha vida passou por passar.

Se não amas, não finjas, que vivo

Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance…

Pobre vida…passou sem enredo…

Glória a ti que me enches a vida

De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance…

Ai de mim…já se ia acabar!

Pobre vida que toda depende

De um sorriso…de um gesto…de um olhar…

Mario Quintana, Canção para uma valsa lenta. ( Poesias. Porto Alegre: Globo/ MEC, 1972)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 16 de abril de 2020