Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto

No então a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho desta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado

Eu deixarei…tu irás e encontrarás a tua face em outra face

Teus dedos enlação outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço

E eu te trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir

É todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes, ausência, Rio de Janeiro, 1935

http://www.viniciusdemoraes.com.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 19 de abril de 2020

Khalil Gibran

” O amor só dá a si e não tira nada, senão de si.

Não possui nem é possuído

Pois o amor basta-se a si próprio “

Khalil Gibran, (Quando o amor chamar, Siga- o) .

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VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 19 de abril de 2020

Confiança

Como reconhecer numa pessoa, as características que fazem dela, um ser confiável? ou seja, uma pessoa que você sabe que pode contar quando precisar?

Bem, primeiramente, a confiança se estabelece através de um vínculo que vai sendo criado ali, no exercício do convívio. É um espaço que, acaba sendo concedido pela pessoa, ou pelas partes, e aos poucos, vai-se reconhecendo se a pessoa é ou não confiável. Basta atentar para alguns detalhes que ajudam a identificar essa característica.

Antes de mais nada é importante ressaltar o seguinte, observe a conduta de uma pessoa. Como ela age com você? se essa pessoa se interessa por situações que lhe dizem respeito. Ela é atenta, melhor, demonstrar interessante de natureza afetiva para com você? Sim, pois as pessoas de confiança são autênticas. Elas desejam participar da sua vida, pergunta como tem estado, se precisar de algo. Pode até parecer que não, mas é assim que se descobre se uma pessoa merece a nossa confiança. Precisa construir esse elo, que começa por essa manifestação de cuidado.

A pessoa que reflete confiança, ela tem empatia, ou seja, essa pessoa consegue colocar-se no lugar do outro. Em outras palavras, ela cria condições para que você confie nela. É (também) sempre aquela pessoa presente, pronta pra ajudar no que for possível. Reconhece a questão dos valores, muitos se identifica com os que você defende. Vale ressaltar que as pessoas dignas de confiança, elas têm características que lhes são próprias. Geralmente uma pessoa confiável é uma pessoa humilde. Humildade, não no sentido de pobreza. É bom deixar isso claro, porque tem pessoas que confundem uma coisa com a outra. Mas a verdade, é que não tem relação de uma coisa com a outra.

Pessoas confiáveis, elas influenciam até a nossa maneira de se comportar. Sim, porque quando se gosta, também se admirar. E nesse caso, a admiraração pode vir acompanhada de qualidades que acabam indo além da aparência. Há pessoas que se identificam tanto com aquilo que admiram que buscam muitas vezes, até a inspiração para parecerem com quem elaa adoram. Claro, se gostam é porque tem valor, e se tem valor é porque é precioso.

Em cada ser humano, reside uma linguagem que lhe é própria. Diria que , esse ‘reconhecer’ se uma pessoa é uma não de confiança, é algo muito particular. Cada ser, carrega um valor. Portanto, cabe somente a você o dever de descobrir.

Boa sorte!

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 18 de abril de 2020

Mário de Andrade

” Nós íamos calados pela rua.

E o calor dos rosais nos salientava tanto

Que um desejo de exemplo me inspirava,

E você me aceitou por entre os santos”.

Mário de Andrade Andrade, Poema da Amiga VI. Textos selecionados. Nova Cultural, 1990.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 18 de abril de 2020

Poesia

A poesia é um jeito sutil de refletir a vida, de desnudar o mundo, e ao mesmo tempo, fazer com que se sonhe acordado.

Quando cantamos, também estamos fazendo com que a grandeza dos sonhos apareça nos versos. A poesia é gigantesca. Mesmo aqueles que não sabem ler, a vive nos seus pensamentos. A poesia está alojada no sangue e na alma humana. Ela simplesmente, sobrevive ao tédio, aos oceanos, as bocas caladas.

Poesia é horizonte…

É letra

É palavra

É arquitetura

É suspiro e dor seca

A poesia é a paisagem da vida. Ora, ironia, ora, promiscuidade, ora alma…

A sua razão faz-se na emoção!

Poesia é essência, vai além do inconsciente. A poesia é um suspiro, atravessa a fronteira da ilusão. É a vida demonstrando sinais através de suas inquietações.

Poesia é muro, rimas e versos, poesia é criação.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google

Santarém, 18 de abril de 2020

Tom Jobim

” Um cantinho e um violão

Este amor, uma canção

Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar

E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado

O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim

Até apagar a velha chama…”

Tom Jobim, Corcovado

Fonte: LyricFind

Imagem: Abril.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Álvares de Azevedo

” Dá- me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já vive!”

(AZEVEDO, A. Soneto. Nova Aguilar, 2000)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada

E triste, e triste e fatigado eu vinha.

Tinhas a alma fé sonhos povoada,

E a alma de sonhos povoada eu tinha…

E pararmos v de súbito na estrada

Da vida:longos anos, presa à minha

A tua mão, a vista deslumbrada,

Tive da luz que teu olhar cantinha.

Hoje, segues de novo…Na partida

Nem o pranto os teus olhos umedece,

Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,

Vendo o teu vulto que desaparece

Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Bilac. Nel mezzo del Cammin. (In: Magaly Trindade Gonçalves et. Antologias. São Paulo, 1995)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito que um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a amanhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendo para todos, no toldo

(a manhã) que planta livre de armação.

A amanhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã ( A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Editora Alfaguara) Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Paz interior

Há quem pouco se identifique com a calmaria que o final do dia nos trás. Tem pessoas que naturalmente gostam de barulho, eu não. Gosto do silêncio que dentre outras coisas, possibilita retornar-me ao encontro do meu próprio eu.

Há quem venha contestar, alegando que tardes tristonhas, é motivo para sentir solidão. Claro, a solidão pode boa ou rim, depende de como se administra. Mas, se você sente falta de uma pessoa para conversar, namorar, ou transar, aí nesse caso, é carência. De fato, é bom arrumar companhia. Agora, a paz que as tardes de calmaria nos proporciona é uma dádiva divina. É uma injustiça não apreciar o movimento da vida e assim, não aprender a nos decifrar.

É uma honra estarmos diante de pessoas que aprenderam com a vida, com as dores, e tantas outras questões que as fizeram melhores. Melhores, porque aprenderam muito com o silêncio. Esse, dependendo da dose, também é saudável.

Todos nós, vivemos os nossos momentos de turbulência, desânimo, teimosia e desespero. São dias difíceis. De repente, se fica ansioso (a), irritadiça, às vezes até chega-se ao ponto do suicídio imaginário que é a vontade de sumir.

[…]

Se formos contabilizar, são muitas as nossas crises, mas o importante é saber superá-las. É conseguir, principalmente encontrar o motivo que nos leva a chegar a conclusão de o porquê, estamos nos sentimento assim, com vontade de explodir ou nós fechar. Há dias em que a mente bloqueia tudo, até a mane ira de pensar.

“Curioso, mas na nossa fase de criança, sabemos dizer aonde dói, por que depois de adultos a gente sufoca a dor?”

Imagino que o silêncio não é o motivo que nos leva a explodir vez ou outra. Todavia, é bom pensar antes de dar uma resposta. O silêncio é talvez, a nossa a nossa maior liberdade. Liberdade no sentido de nos fazer conhecer. E conhecer-nos, significa saber primeiramente, ter a capacidade de nos interpretar. Nos tornar, adultos satisfeitos, agora não como a criança de outrora, mas como quem perdeu o medo.

Silenciar é estarmos diante da pessoa que mais amamos _ nós mesmos! O prazer de olhar para as tardes como pessoas serenas e lucidas, é nobre.

Contemplar a beleza da vida nos dias de calmaria é tão sábio quanto a oração que se faz em silêncio.

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 17 de abril de 2020