Machado de Assis

” E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; […] como quem se retira tarde do espetáculo.”

Macho de Assis. Várias Histórias. Ática, 2007

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo pessoal

Santarém, Pá 24 de junho de 2020

João Cabral de Melo Neto

Se diz a palco seco

o cante sem guitarra;

o cante sem; o cante,

o cante sem mais nada;

se diz a palco seco

a esse cante despido:

ao cante que se canta

sob o silêncio a pino.

O cante a palo seco

é o cante mais só:

é cantar num deserto

devassado de sol;

é o mesmo que cantar

num deserto sem sombra

em que a voz só dispõe

do que ela mesma ponha.

[…]

A palco seco existem

situação e objetos:

Graciliano Ramos,

desenho de arquiteto,

as paredes caiadas,

a elegância dos pregos,

a cidade de Córdoba,

o arame dos insetos.

Eis uns poucos exemplos

de ser a palco seco,

dos quais se retirar

higiene ou conselho:

não de aceitar o seco

por resignadamente,

mas de empregar o seco

porque é mais contundente.

João Cabral de Melo Neto. ” A palco seco”.

(Poesias completas. 3 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 160- 5)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Vertical guitarra (s/d), de Jonh Woodcok.

Arquivo pessoal

Santarém, Pá 24 de junho de 2020

Manuel Bandeira

” O que eu adoro em tua natureza,

Não é o profundo instinto maternal

Em teu floco aberto como uma ferida.

Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

O que eu adoro em ti – lastima-me e

[ consola- me!

O que eu adoro em ti, é a vida.”

( ” Madrigal melancólico “. 3strela da vida inteira, cit, p.90)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Rafael Augusto Gomes.

Santarém, Santarém, 24 de junho de 2020

José Saramago

” Teve bons mestres na longas horas nocturnas que passou em bibliotecas públicas, lendo ao acaso, com o mesmo assombro criador do navegante que vai inventando cada lugar que descobre “.

“90 anos: Quem podia lá faltar, neste dia levantado e principal. “

Levantado do chão, Porto Editora, 2014. pp. 390

Josésaramago.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Catracalivre.com.br

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

Desistir é coisa de quem não sabe se decifrar

A maior dificuldade do ser humano é saber lidar com aquilo que lhe desafia, o que o deixa irritadiço, o que causa angústia e a sensação de impotência. A impressão que temos na hora da autoavaliação é que somos nossos maiores inimigos. Por que digo isso? Porque diante de uma ‘ mesa-redonda’, digo ao expor as nossas misérias, as nossas fragilidades diante de nós mesmo, a gente se acovarda. E mais, querendo ou não, acabamos mudando até de planos, menos de consciência.

Às vezes, a nossa ansiedade para conquistar algo é tão profunda que ao tropeçar, uma, duas, três vezes, desistimos. Não é assombroso? Mas é isso o que acontece. Grande parte das pessoas, não sabem lidar com as perdas. Elas, se abandonam ou abandonam os seus objetivos, porque não conseguem enfrentar as dificuldades.

Perder nem sempre é fácil, mas o segredo de ser merecedor de algo, ou mesmo, de subir ao pódio, é exatamente este, ou seja, suportar as contrariedades, porque são elas que nos norteiam, principalmente Quando estamos sozinhos. Geralmente, choramos, dizemos que há um medo que não nos deixa ir adiante, e tudo vai acontecendo assim, causando uma inquietação dentro de nós. Simplesmente, não conseguimos refletir. O raciocínio fica comprometido por conta de pensamento embaraçosos.

É um momento em que, geralmente se fica tenso (a), se sentido injustiçado (a) detesta barulho, quer ficar quieto (a), são coisas comuns. O medo é a resposta negativa do nosso comportamento ‘ retraído ‘. O medo nos paralisa, impede de andar. Todavia, existe uma forma de reagimos a ele, que avaliando o que precisa ser mudado. Em geral, uma atitude sábia é aquela que procurar novas respostas. Claro, que no meio dessa confusão, nesse “emaranhado de pensamentos”, a autocrítica é inevitável. Mas, não a que nos deixa pra baixo, Mas aquela que me direciona ao criativo. Na verdade, todos nós, temos problemas, alguns msis, outros menos. O que determina o sucesso é a forma de lidar com as dificuldades.

Uma pessoa que não sabe se decifrar, ela sempre terá muitas dificuldades. Mas, a partir do momento em que desenvolver o hábito de ter uma atitude mais generosa consigo mesmo, tendo paciência, o que é fundamental, mudando as estratégias, a forma de pensar, tudo isso é muito bom. Primeiro, porque se aprende a enfrentar os problemas de um jeito saudável. E segundo, porque você tem o controle diante de qualquer gesto de mudança. Você não irá sofrer como antes.

Um dos maiores problemas em nossas vida é ter atitudes ingênuas, ou acreditar que tudo nos virá fácil, e que não precisamos nos esforçar. Claro, muitas pessoas têm sorte. Eu costumo dizer que tem sorte porque não precisam se esforça tanto para conquistar os seus objetivos. E acredito que o gosto da conquista, ele só é maior, ou seja, é valoroso, quando há essa exigência, porque quando se tem a capacidade de meditar, reagir e tolerar, é que se conquista o equilíbrio. Isso vale até quando alguém ‘se sai’ melhor do que nós. Se sou capaz de suportar o sucesso do outro, mesmo quando ele conquista o que eu gostaria, é bom. Bom porque também se ganha…em experiência, porque pode até parecer estranho, mas saber reagir diante dessas situações, nos faz mais sábios, coerentes, capazes de assumir o controle de tudo diante da vida.

Nós seres humanos, estamos sempre nos superando. As perdas são boas, porque nos faz despertar para uma realidade nunca imaginável. Às vezes, o chão nos ensina uma lição que nunca aprenderíamos se estivéssemos por cima, digo vivendo dentro de uma situação de vantagem. É importante que se aprenda desde cedo, o valor de não desistir daquilo que queremos, e que só se chega a algum lugar através d e uma atitude de teimosia, não de repetir os mesmos erros, mas de sermos criativos, resilientes…só assim..somos capazes.

Marii Freire Pereira

Imagem: Canstockphoto.com.br

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

Alberto Caeiro

” Amar é a eterna inocência,

É a única inocência não pensar…”

Alberto Caeiro. ( heterônimo de Fernando Pessoa). Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. p. 139

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Criação: Marii Freire

Imagem: Singingboat.tumblr.com

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

Casimiro de Abreu

Eu tenho uns amores – quem é que os não

[ tinha

Nos tempos antigos? – Amar não faz mal;

As almas que sentem paixão como a minha,

Que digam, que falem em regra geral.

_ A flor dos meus sonhos é moça bonita

Qual flor entre’aberta do dia ao raiar;

Mas onde ela mora, que casa ela habita,

Não quero, não posso, não devo contar!

………………………………………………………….

Oh! ontem no baile com ela valsando

Senti as delícias dos anjos do céu!

Na dança ligeira qual silfo voando

Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!

_ Que noite e que baile! _ Seu hábito

[ virgem

Queimava- me assustava faces no louco valsar,

As falas sentidas, que os olhos falavam,

Não quero, não posso, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,

Fugimos das salas, do mundo talvez!

Inda era mais bela rendida ao cansaço,

Morrendo de amores em tal languidez!

_ Que noite e que festa! e que lânguido rosto

Banhado ao reflexo do branco luar!

A neve do colo e das ondas dos seios

Não quero, não posso, não devo contar!

………………………………………………………….

_ Agora eu vos juro… Palavra!! – não minto!

Ouvi a Formosa também suspirar;

Os doces suspiros, que os ecos ouviram,

Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio

Passava uma barca, e bom remador

Cantava na flauta: – ” Mas noites d’estio

O céu tem estrelas, o amor tem amor!”

E a voz maviosa do bom gondoeiro

Repete cantando: – ” viver é amar!”

Se os peitos respondem à voz do barqueiro…

Não quero, não posso, não devo contar!

Trememos de medo…a boca emudece

Mas sentem- se os pulsos do meu coração!

Seu seio nevado de amor se intumesce

E os lábios se tocam no ardor da paixão!

_ Depois…Mas já vejo que vós, meus

[ senhores,

Com fina malícia quereis me enganar;

Aqui faço ponto; – segredos de amores

Não quero, não posso, não devo contar!

Casimiro de Abreu. Segredos ( poesia completas de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.p 61- 3.)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Madonna della salute: Joseph Mallord Willian Turner. Venice. 1835. Metropolitan Museum of Art.New York .

Santarém, Pá 23 de junho de 2020

U2- Miss Sarajevo

” Dici che il fiume

Trova la via al mare

E come il fiume

Giungerai a me

Oltre i confini

E le terre assetate

Deci che come fiume

Como fiume

L’amore giungerà

L’amore

E non so più pregare

E nell’amore non so più sperare

E quell’amore non so più aspettare

Os there a time for tying ribbons

A time for Christmas trees

Is there a time for tying tables

And the is set to freeze.”

Composição: Brian Eno/ U2

https:// m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google. ULTRAVIOLET

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

José Saramago

” A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver…”

https://www.mensagens 10.com.br

Marii Freire Pereira

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Imagem: Via Facebook

Santarém, Pá 22 de junho de 2020

Machado de Assis

” Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa do Engenho Novo, reproduzindo a de Mata-cavalos…A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que as águas iberas concebiam pelo vento; se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa crendice nos seus livros. Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um porto, que saía logo cavalo de Alexandre, mas deixemos de metáforas atrevidas e impróprias dos meus quinze anos. Digamos o caso simplesmente. A fantasia daquela hora foi confessar a minha mãe os meus amores para lhe dizer que não tinha vocação eclesiástica. A conversa sobre vocação tornava-me agora toda inteira, e, ao passo que me assustava, abria-me uma porta de saída. ” Sim, é isto, pensei; vou dizer a mamãe que não tenho vocação, e confesso o nosso namoro; se ela duvidar, conto-lhe o que se passou outro dia, o penteado e o resto…”

( Dom Casmurro, em Machado de Assis, Obra completa em quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p.975)

Vem comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Arquivo pessoal

Santarém, Pá 22 de junho de 2020