Fernando Pessoa

Grandes mistérios habitam

O limiar do meu ser,

O limiar onde hesitam

Grandes pássaros que foram

Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,

Como os nossos sonhos as há.

Hesito se sonho e cismo,

E à minha alma é cataclismo

O limiar onde está

Então desperto do sonho

E sou alegre da luz,

Inda que dia tristonho;

Porque o limiar é medonho

E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa. Grandes Mistério habitam. ( Nota expectativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa. Ática, 1942.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Maria Inês Oliveira

Santarém, Pá 11 de Julho de 2020

Cruz e Sousa

” Do Sonho as mais azuis diafaneidades

Que fuljam, que na Estrofe se levantem

E as emoções, todas as castidades

Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen do ouro dos mais finos astros

Fecunde e inflame a rima clara e ardente…

Que brilhe a correção dos alabrastros

Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça

De carnes de mulher, delicadezas…

Todo esse eflúvios que por ondas passa

Do Éter nas róseas e áureas correntezas…”

Cruz e Sousa. Antífona. ( Poesias completas de Cruz e Souza, cit, p.13

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

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Marii Freire Pereira

Imagem:Pinterest. flower-food.braidshairstyles. XYZ

Santarém, Pá 11 de Julho de 2020

Bernardo soares

” Minha alma é uma orquestra oculta, não sei que

instrumentos tange e range, cordas e harpas,

timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia…”

Bernardo soares. Minha alma é uma orquestra oculta. Livro do Desassossego. (Vol I. reorganização: Teresa Sobral Cunha. Coimbra. Presença, 1990- 128)

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. academiademulheres.com.br

Santarém, Pá 10 de julho de 2020

João Gilberto

” Tá fazendo um ano e meio, amor

Que o nosso lar desmoronou

Meu sabiá, meu violão

E uma cruel desilusão

Foi tudo que ficou, ficou

Pra machucar meu coração

…

Quem sabe não foi bem melhor assim?

Melhor pra você e pra mim,

A vida é uma escola, em que a gente precisa

aprender

a ciência de viver Pra não sofrer

João Gilberto. Pra Machucar Meu coração

Composição: Ary Barroso

https:// m.letras.mus.br

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. The Only Living Girl Um Naw You

Santarém, Pá 10 de julho

Clarice Lispector

Sua preocupação refuzia-se a tomar cuidado

na hora perigosa da tarde, aquando a casa

estava vazia sem precisar mais dela, o sol

alto, cada membro da família distribuído

nas suas funções. Olhando os móveis limpos

seu coração se apertava um pouco em

espanto. (…) Saia então para fazer compras

ou levar objetos para consertar, cuidando do lar é da família à revelia deles. Quando

voltasse era o fim da tarde e as crianças

vindas do colégio exigiam- na. Assim

chegaria a noite com a sua tranquila vibração . De manhã acordaria aureolada

pelos calmos deveres. Encontrava os móveis

De novo empoeirados e sujos, como se

voltassem arreprndidos.

Clarice Lispector. A ” hora perigosa”: reflexão e inquietação.

https://www.culturagenial.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. nytimes.com

Santarém, Pá 10 de Julho de 2020

Rachel de Queiroz

” A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precise tanto viver de acompanhado”.

Pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: KD frases

Santarém, Pá 10 de Julho de 2020

Tomás António Gonzaga

” Já, já me vai, Marília branquejando

loiro cabelo, que circula a testa;

este mesmo, que alvejar, vai caindo,

e pouco já me resta.

As faces vão perdendo as vivas cores,

e vão-se sobre os ossos enrugando,

vai fugindo a vive a dos meus olhos;

tudo se vai mudando.

Se quero levanta- me, as costas vergam;

As forças dos meus membros já se gastam;

vou a dar pela casa uns curtos passos,

pesam-me os pés e arrastam.

Se algum dia me vires desta sorte,

vê que assim me não pôs a mão dos anos:

os trabalhos, Marília, os sentimentos

fazem os mesmos danos.

Mal te vir, me dará em poucos dias

a minha mocidade o doce gosto;

verás brunir-se a pele, o corpo encher-se

voltar a cor ao rosto…”

Tomás António Gonzaga. Lira IV

Escritas.org

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Flickr- 0050.NEF, Reinaldo B. Ferreira. Museu de arte do Rio de Janeiro.

Santarém, Pá 10 de Julho de 2020

Quando saber que é amor?

Quando saber que é amor? Quando perceber que esse sentimento nos trás plenitude, quando ele nos transforma em pessoas melhores, e quando a outra pessoa também é capaz de enxergar a nossa grandeza.

A pessoa que nos ama, tem sempre a consciência de nos tratar de uma forma carinhosa. Ela é atenciosa, com as palavras, mesmo quando se atravessa dificuldades, essa pessoa procura uma maneira de se fazer presente. Em geral, isso acontece de uma forma muito simples, porque pelo fato de ter acesso às nossas emoções, pode-se dizer que de um modo particular, esse ser especial, nos abraça sem a necessidade de nos envolver, ou seja, transmite carinho através das palavras. Ela não procurar estar junto com você só em momentos especiais, mas principalmente nos momentos de tensão, por compreender a importância que isso tem pra nós.

Quem nos ama, nos interpreta sem a necessidade de muito esforço. O amor é assim, ele encontra sempre uma forma criativa de passar segurança, carinho e afeto, seja tentando ser prestativo ou vivendo as suas próprias limitações. Mais, diria que o diferencial de uma relação acontece exatamente nesse ponto, onde se percebe, que a pessoa deseja mostrar que aquela relação vai além do interesse que a princípio, é permeado pela paixão, pelo encantamento, pela chama que os casais têm em todo início de relação. Por isso é que muitos sobrevivem quando passam por três fatores, são eles:

  1. O interesse
  2. O tempo
  3. Esforço.

Se eu amo verdadeiramente alguém, eu estarei ciente do meu papel naquela relação. Eu não vou me envolver pela metade ou fazendo sacanagem com o outro, pelo contrário, darei a essa pessoa razões para que ela confie em mim. Quando faço isso, estou demonstrando interesse.

O tempo é algo fundamental numa relação. No começo, pode até ser uma coisa superficial, mas a medida que uma relação vai ficando seria, a pessoa começa a investir mais na outra. Começa se preocupar, perguntar como está a pessoa, sente falta, e para compensar, ela faz um esforço a mais, justamente com o intuito de tentar oferecer disponibilidade com qualidade de tempo para o ser que ama. E por que? Porque ela quer melhorar a relação, quer ser prestativa, quer oferecer segurança, produzir momentos bons com quem ama, ser parceiro (a) de verdade. Quando digo ‘ser parceiro de verdade’, falo que essa pessoa não quer trazer desprazer, preocupação a outra. É por esse detalhe que demonstra consciência e consequentemente, o respeito por quem cuida.

Bem, agora vem o esforço. O esforço é a clara demonstração de que estou investindo em alguém, que estou comprometido profundamente com aquela pessoa, que o meu comprometimento com ela é algo que vai além do prazer. É por isso que muitas vezes vem a dor de cabeça. De repente, você investe em alguém, dedica tempo, amor, carinho e compreensão e no final, não tem o retorno esperado. Pode-se dizer que nesse caso, há um déficit de sentimento e consideração. Ora, imagine, quando você gosta, o que faz? cuida. Agora quando não se importa com a pessoa estando presente ou afastada, não é possível acrescentar um comprometimento sério nessa relação. Portanto, aqui mais do que nunca, vale o ditado popular:

” Quem ama, cuida”.

Cuida porque o amor tem as suas próprias exigências. Caso contrário, outro vem e cuida

[…]

E dependendo da forma, cuida melhor do que aquele que não teve condições de suportar tal realidade. A idéia que prevalece sobre as relações é a de que: encontrar a ‘pessoa certa’ não é difícil. Difícil é ter disponibilidade para recepcionar a relação da forma em que ela vier, saber decifrar o parceiro, ser paciente quando necessário, e o mais importante: aprender considerar tudo aquilo que preenche essa relação.

“O amor algo que vai além do afeto. É uma gentileza que nos asfixia, mas também dos deixa maravilhados, porque mesmo dentro de suas contradições, ele nos permite sonhar.”

Marii Freire Pereira

Imagem: amor21.tumblr.com

Santarém, Pá 10 de julho de 2020

Carlos Drummond de Andrade

[…]

Porque amor não se troca,

não se conjugar nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

Feliz e forte em si mesmo.”

(Carlos Drummond de Andrade. As sem razões do amor. Corpo. Rio de Janeiro: Record. 1984. p. 35- 6)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: oncenponatimeawendding.com

Santarém, Pá 10 de Julho de 2020