” A sociedade humana não lhe tinha feito senão mal: nunca lhe encarara senão o rosto carregado a que ela chama justiça, e que mostra àqueles a quem fere.”
Victor Hugo. Os Miseráveis
Fonte: ” Os Miseráveis ” Tomo I, parte primeira, livro segundo, cap VII. ( O Âmago da Sesesperação) sobre Jean Valjean, o condrnado das galés
Muitas mulheres em nome do amor que dizem ter por seus parceiros, suportam todo tipo de situação. Elas deixam ser quem são, para viver totalmente para os seus parceiros/ parceiras. É a mulher desinformada que também é chamada de presa ingênua, que suporta ficar anos numa relação familiar fracassada. Do amor, a cura das feridas, essa mulher acredita que todas as respostas que precisa na vida, sempre virá do parceiro, ou seja, ela tem total dependência desse homem. Diz-se que, simplesmente, ela se abandona, deixa de viver para viver para a outra pessoa.
A mulher que se afasta dos próprios caminhos, que põe a sua vida nas mãos de quem diz amar, ela é ingênua, pois “se acostuma com tudo, até com a violência “. Dentro de situações abusivas por exemplo, esse parceiro manipula essa mulher, comete erros imperdoáveis, e lança sobre ela toda culpa. E, por incrível que pareça, ele a convence de que a sua má conduta é resultado das ações de sua parceria.
Do ponto de vista psicológico é bastante comum esse tipo de situação. Pelo fato da pouca informação, e essa vítima confiar extremamente nesse homem, que às vezes é carinhoso e em outro momento, a manipula com naturalidade, ela aceita aquele raciocínio rotineiro de convencê-la de que ele está certo. Ignorante aos próprios aspectos de sua vida, ela acredita quando ele diz que a ama. Assim quando a seduz com palavras, prazer: sexo caprichado. O problema é que, quando esse homem usa a ingenuidade dessa mulher no sentido de prejudicá-la, de maltratar, faltar com respeito e até machucá-la, ele faz com ela o que bem entende. É como se fosse só um objeto nas mãos desse homem, como é o que acontece com inúmeras situações abusivas.
Muitas mulheres aceitam viver nesse tipo de situação, mesmo compreendendo que há coisas que a desagrada ou deixe triste. Meio que falsamente, ela acha que aquilo é natural, porque que faz parte da vida a dois. Então, por aceitar uma vida razoável e acreditar que é indefesa e também por ter a questão da dependência emocional, ela vai aceitando tudo aquilo que a sua intuição ignora, que é os pequenos abusos, a violência, a falta de respeito em alguns casos. Isolada e pensativa ela mesma passa a se perguntar: ” Quanta dor você já suportou calada? Ou quantas coisas já silenciou para não criar uma situação embaraçosa, para não desagradar o parceiro.” Aos poucos, ela mesma, começa a fazer várias indagações sobre o que acontece ao redor, e passa a compreender que algo precisa ser mudado.
É interessante como a mulher deve aprender a confrontar a sua dor, ou no caso, a violência. Na verdade, tudo o que machuca. É preciso que ela esteja “cara a cara” com a dor, porque só assim, digo “entendendo o que causa desconforto” é que irá olhar para o que antes ignorava, ” Quando tiver consciência disso, ela saberá que é o momento de sair da relação abusiva“. É a própria imagem dessa mulher que deve servir de porta indicativa que é o momento de cuidar dela, do que sobrou e seguir a própria vida.
A Campanha Sinal Vermelho tem uma importância muito grande no combate à violência contra a mulher. Nós não podemos ser indiferentes a essa realidade. “O nós” que me refiro aqui, é no sentido de despertar enquanto sociedade para o problema. Nenhuma campanha é eficiente, se de fato, a sociedade não tiver maturidade para lidar com complexidade que ela exige, ou seja, àquilo que precisa ser trabalhado. E essa, assim como muitas outras campanhas voltadas à mulher, conta justamente, com a ajuda das pessoas para que o tema ganhe cada vez mais visibilidade. A violência contra a mulher é algo que acaba nos deixando indignados, principalmente, quando sabemos que uma mulher foi assassinada de forma brutal. Então, mais do que o dever que, a mulher tem de denunciar, a sociedade também precisa apoiar essa causa. Lembrando que, a Campanha Sinal Vermelho tem parceria não só com farmácia, drogaria e supermercado. Mas com cartórios, shoppingns centeres, órgãos públicos e outros. Como podemos perceber, existe uma realidade favorável a essa mulher que é vítima de violência. Além da denúncia silenciosa que é feita através de um ” x” na mão, que é a marca central dessa campanha, existem telefones para que a mulher possa ligar e denunciar o agressor. Ligue 180 Ligue 190
E não esqueça: você também pode fazer a sua parte.
“… porque nenhuma mulher merece viver uma vida com violência “.
Marii Freire. Campanha Sinal Vermelho/ via- Facebook
O Fantástico exibiu ontem, 31 de junho de 2022 uma matéria sobre o tema Feminicídio. Narrou a história de Bruna, a jovem que ficou paraplégica depois da tentativa de feminicídio que sofreu por parte de seu namorado. A história dessa jovem, junta-se a muitas outras que, infelizmente, têm um desfecho doloroso, porque as mulheres que sobrevivem a histórias como essa, acabam ficando com alguma sequelas físicas. É notório como Brunas, Marias ( Maria da Penha), e outras vítimas sem rostos ( anônimas), quase perderam a vida por serem mulheres. Estas, ” SÃO SOBREVIVENTES DE TENTATIVA DE FEMINICÍDIO “, que hoje podem contar suas histórias de luta e superação a muitas outras mulheres que passaram e passam pelo mesmo problema que éa violência. Mas, essa história não fica só por aqui. Pelo contrário, se alonga… Infelizmente, o Fantástico mostrou uma estatística muito preocupante em relação a essa violência. A Bruna, citada na matéria quase fez parte da estatística de ” um crime que em 2021 matou 3,8 mil mulheres no Brasil”. Os casos de feminicídio pedem atenção, em especial a proteção à vida das mulheres que são assassinadas quase sempre por motivo fútil. O Estado precisa atuar mais, principalmente, dando visibilidade ao tema da violência conta a mulher.
” Não há utopia verdadeira fora da tensão entre a denúncia de um presente tornando-se cada vez mais tolerável e o anúncio de um futuro a ser criado, construído, política, estética e eticamente, por nós, mulheres e homens. A utopia implica essa denúncia e esse anúncio, mas não deixa esgotar-se a tensão entre ambos quando da produção do futuro antes anunciado e agora um novo presente. A experiência do sonho se instaura na medida mesma em que a história não se imobiliza, não morre. Pelo contrário, continua. “
Paulo Freire. Pedagogia da Libertação em Paulo Freire.
Pedagogia da Libertação em Paulo Freire/ organização Ana Maria de Araújo Freire. 2ª ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Paz e Terra, 2021
” O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis. “
Você precisa fazer login para comentar.