(…) é preciso partir é preciso chegar é preciso partir é preciso chegar… Ah, como esta vida é urgente! … no entanto eu gostava mesmo era de partir… e – até hoje – quando acaso embarco para alguma parte acomodo-me no meu lugar fecho os olhos e sonho: viajar, viajar mas para parte nenhuma… viajar indefinidamente… como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

MARIO QUINTANA.

Ao longo de nossa trajetória, sempre sofremos perdas…

Todos nós, em algum momento da vida sofremos perdas. Perdas que podem ser desde, projetos, alcançar metas, ou ainda, até mesmo perdas importantes de pessoas que amamos.

Difícil é ter maturidade para saber lidar com os nossos desconfortos diante de situações que fazem com que mergulhemos em nossas próprias misérias, nossos prejuízos.

Quem sai, sai sempre com a sensação de ter feito as pazes com o passado, com o tempo que uma vez paralisado, mostra ali, a necessidade de uma história que precisar seguir adiante…

Acreditar que é possível construir, recuperar aquele tempo de desconforto. Mas, será que para quem fica inerte diante da crueza da vida consegue desfrutar da mesma maturidade? Não.

Não é possível!..

O tempo é tão significativo dentro desses desconfortos causados geralmente por motivos ligados à imaturidade, que [apesar], de acreditar também que tudo pode se recompor novamente, em geral, o ser humano não consegue ter uma direção diante da perda. Não, porque não queira, mas pela incapacidade de mudar por dentro. Os dias viram anos, os sentimentos viram conflitos, etc. Em suma, uma bagunça generalizada. E um detalhe importante e que aqui, faço uma observação: O tempo é inimigo, porque dentro dessa trajetória cronológica, que divide (dias, meses e anos e até mesmo, as horas marcadas no relógio), o indivíduo simplesmente, não consegue inaugurar um ‘ tempo novo ‘ dentro de si. É então, que a vida lhe põe diante diante do seu maior desafio, a dor, o sentimento de perda, ‘quilo que vem acompanhado da sensação de fracasso’, o que faz ‘sangrar e machuca a alma’, na condição de refém de seus traumas…

Em face da ilusão e eu consciente, ele tem a possibilidade de duas decisões importantes, ficar alimentanfo-se do próprio sofrimento, ou ir em busca de garantias.

“A restrição serve para isto, para nós reeducar a ir buscar novos caminhos…”

Não podemos parar, a vida não perdoa, temos por obrigação nos reerguermos, superar as perdas , desejar felicidade ao que muito nos acrescentou e seguir .

EU POSSO e DEVO…

Marii Freire Pereira.

Ferreira Gullart TRADUZIR-SE Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte – que é uma questão de vida ou morte – será arte? “Na Vertigem do Dia.”

Coragem é o resultado final de todos seus limites.

Só após passar por todas as dificuldades e encará-las de frente, é que você pode dar-se ao luxo de dizer: EU POSSO.

…CONSEGO.

Não pense que é fácil. Os desertos servem exatamente para isto, para o preparo. Para mostrar que limite é algo que você tem que superar.

O caminho é longo!..

… É longo e precioso, porque [apesar], de da areia escaldante, do cansaço e da vontade de desistir, o prazer de chegar ao outro lado e conhecer o que nos aguardar é o combustível principal que impulsiona, que nos empurra para frente, fazendo com que se queira caminhar….sempre. É o novo, é o desconhecido que se tem a desvendar. E, entenda uma coisa, a cada passo, as suas pegadas ficam na areia, elas te dizem que ali, tem uma imensidão de sacrifícios, ” muito chão empurrado”, mas que você, não desistiu de si. É no limite que descobrimos e redescobrimos o nosso pontencial, a nossa força. Não é?

Se existem sonhos e é claro- todos nós temos uma porção deles, construa pontes, principalmente imaginárias… são essas que nos causam uma verdadeira inquietação. Não pare no tempo, comece devagar, o importante é caminhar. Ouse deixar as suas marcas, queira avançar em suas conquistas. Um passo de cada vez, e quando olhar para trás, vai compreender a importância de acreditar na sua capacidade.

Ei, não desista só porque está difícil. A vida é assim, ela quase sempre cobra muito de quem precisa cobrar. Lógico, tem aqueles que não precisam se esforçar tanto. ” Cá pra nós, parece que já nasceram com a lua dentro do c*, ui!..

Todavia, quando não temos a mesma sorte, vale cada lágrima mesmo, viu!?

Hoje não deu, amanhã continue. O importante é a construção do caminho […]

…ele só existem quando você passa!

” Não deixe a areia cristalizar os seus sonhos”, ande…caminhe, vá…

Se vire, mas chegue em algum lugar…

Não diga que não consegue, nem se pergunte o porquê de estar ali, pergunte-se como atravessar, quais recursos você consegue usar, ‘conciliar’ do resto que lhe sobrou. Que bagunça, hein? Se a vida muito tirou de você, ótimo. Diga a ela, se prepare porque eu não te darei trégua. Éh!… é você quem gerencia isso tudo.

Coragem, como definir essa palavra? Um autor maravilhoso da nossa literatura brasileira, chamado Guimarães Rosa, afirma que a vida só pede de cada um de nós ” coragem”. É, sem dúvida a coisa mais verdadeira que alguém já pensou e escreveu. É simplesmente fantástico. Todos nós precisamos lutar para no fundo nos tornarmos dignos de nossas conquistas. Agora, de um jeito grotesco diria que a coragem que o Guimarães também se refere, pode ser interpretada como: a junção da nossa força/limites e o resultado final de tudo isso….”escolhas”.

Eu escolhi lutar, você decidiu o que?

Imagino que para chegar do outro lado, renunciamos mil vezes a nossa vitória por causa do medo. Este, definitivamente nos deixa paralisado. Mas, vou além, digo novamente…[até sabermos que somos nós que mandamos nos nossos limites e não eles em nós. ]. Então, não precisa ter medo, vá…

Queira, ouse…CONSIGA!

Marii Freire Pereira.

Cárcere das almas.

Ah, Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando intensidades,

Mares, estrelas,tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidadesRasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, arroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

Que chuveiro do Céu possui as chaves

Para abrir- vós as portas do Mistério?

CRUZ e SOUSA.