Inaugure um novo tempo dentro de si

Quero Gestar o Novo.

Quero acreditar que é possível negociar com o tempo, com o medo, e tudo aquilo que ainda não conheço .

Com o que me desafia, e mostra o quanto posso mergulhar nas profundezas do imaginário. Sorrir, sentir a vida de modo, que ela permita -me decifrar os labirintos aos quais ainda me sinto presa.

Ah! Como eu quero.

Quero, fechar os olhos e acreditar nos pequenos milagres…

Quero ver a água nascendo…

Sentir o cheiro de mato fresco,

O vento batendo levemente no rosto…

Ouvir o canto dos pássaros e, estar presente com estes, em cada por do sol.

Quero a certeza das manhãs,

Ouvir a chuva fazendo-me o convite para molhar a pontinhas dos dedos lá fora.

Ah!…eu quero

Sentir o gosto do café recém preparado.

Cheiro de bolo de milho perfumado o ambiente…

Um beijo roubado,

Um sorriso,

Um abraço,

Um olhar sem palavras…

Quero!..

QUERO TUDO!

Quero conhecer as delícias e as dores de modo, a não “desviar o rumo do rio”. Um rio silencioso que corre dentro de mim…

Que inunda os meus pensamentos,

Acalma,

Silencia o meu ser…

Indecifrável, intenso…gigantesco!

Um rio é sempre, um rio,

Independente da adversidade.

Um rio sabe SER GRANDE.

Sabe como se manter vivo no tempo. Por isso, quero levar comigo cada fatia, cada fragmento, cada gota …

Ah, irei negociar!…

Que não fique preso, nem mesmo entre as pedras, NADA. Um único grão de areia…

Serei inteira, e não um punhado de lembranças na história.

Serei a própria história,

Uma janela que se abre

Vem!…

Deixa te mostrar o rio ,

Veja com o é longa a sua travessia.

Marii Freire.

Quando nasci, um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: vai, Carlos! Ser gauche na vida. As casas espiam os homens Que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passe cheio de pernas: Pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus [ pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás.dos óculos e do bigode. Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução Mundo mundo vasto mundo mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo. Poema de sete faces (Drummond)

(…) é preciso partir é preciso chegar é preciso partir é preciso chegar… Ah, como esta vida é urgente! … no entanto eu gostava mesmo era de partir… e – até hoje – quando acaso embarco para alguma parte acomodo-me no meu lugar fecho os olhos e sonho: viajar, viajar mas para parte nenhuma… viajar indefinidamente… como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

MARIO QUINTANA.

Ao longo de nossa trajetória, sempre sofremos perdas…

Todos nós, em algum momento da vida sofremos perdas. Perdas que podem ser desde, projetos, alcançar metas, ou ainda, até mesmo perdas importantes de pessoas que amamos.

Difícil é ter maturidade para saber lidar com os nossos desconfortos diante de situações que fazem com que mergulhemos em nossas próprias misérias, nossos prejuízos.

Quem sai, sai sempre com a sensação de ter feito as pazes com o passado, com o tempo que uma vez paralisado, mostra ali, a necessidade de uma história que precisar seguir adiante…

Acreditar que é possível construir, recuperar aquele tempo de desconforto. Mas, será que para quem fica inerte diante da crueza da vida consegue desfrutar da mesma maturidade? Não.

Não é possível!..

O tempo é tão significativo dentro desses desconfortos causados geralmente por motivos ligados à imaturidade, que [apesar], de acreditar também que tudo pode se recompor novamente, em geral, o ser humano não consegue ter uma direção diante da perda. Não, porque não queira, mas pela incapacidade de mudar por dentro. Os dias viram anos, os sentimentos viram conflitos, etc. Em suma, uma bagunça generalizada. E um detalhe importante e que aqui, faço uma observação: O tempo é inimigo, porque dentro dessa trajetória cronológica, que divide (dias, meses e anos e até mesmo, as horas marcadas no relógio), o indivíduo simplesmente, não consegue inaugurar um ‘ tempo novo ‘ dentro de si. É então, que a vida lhe põe diante diante do seu maior desafio, a dor, o sentimento de perda, ‘quilo que vem acompanhado da sensação de fracasso’, o que faz ‘sangrar e machuca a alma’, na condição de refém de seus traumas…

Em face da ilusão e eu consciente, ele tem a possibilidade de duas decisões importantes, ficar alimentanfo-se do próprio sofrimento, ou ir em busca de garantias.

“A restrição serve para isto, para nós reeducar a ir buscar novos caminhos…”

Não podemos parar, a vida não perdoa, temos por obrigação nos reerguermos, superar as perdas , desejar felicidade ao que muito nos acrescentou e seguir .

EU POSSO e DEVO…

Marii Freire Pereira.

Ferreira Gullart TRADUZIR-SE Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte – que é uma questão de vida ou morte – será arte? “Na Vertigem do Dia.”

Coragem é o resultado final de todos seus limites.

Só após passar por todas as dificuldades e encará-las de frente, é que você pode dar-se ao luxo de dizer: EU POSSO.

…CONSEGO.

Não pense que é fácil. Os desertos servem exatamente para isto, para o preparo. Para mostrar que limite é algo que você tem que superar.

O caminho é longo!..

… É longo e precioso, porque [apesar], de da areia escaldante, do cansaço e da vontade de desistir, o prazer de chegar ao outro lado e conhecer o que nos aguardar é o combustível principal que impulsiona, que nos empurra para frente, fazendo com que se queira caminhar….sempre. É o novo, é o desconhecido que se tem a desvendar. E, entenda uma coisa, a cada passo, as suas pegadas ficam na areia, elas te dizem que ali, tem uma imensidão de sacrifícios, ” muito chão empurrado”, mas que você, não desistiu de si. É no limite que descobrimos e redescobrimos o nosso pontencial, a nossa força. Não é?

Se existem sonhos e é claro- todos nós temos uma porção deles, construa pontes, principalmente imaginárias… são essas que nos causam uma verdadeira inquietação. Não pare no tempo, comece devagar, o importante é caminhar. Ouse deixar as suas marcas, queira avançar em suas conquistas. Um passo de cada vez, e quando olhar para trás, vai compreender a importância de acreditar na sua capacidade.

Ei, não desista só porque está difícil. A vida é assim, ela quase sempre cobra muito de quem precisa cobrar. Lógico, tem aqueles que não precisam se esforçar tanto. ” Cá pra nós, parece que já nasceram com a lua dentro do c*, ui!..

Todavia, quando não temos a mesma sorte, vale cada lágrima mesmo, viu!?

Hoje não deu, amanhã continue. O importante é a construção do caminho […]

…ele só existem quando você passa!

” Não deixe a areia cristalizar os seus sonhos”, ande…caminhe, vá…

Se vire, mas chegue em algum lugar…

Não diga que não consegue, nem se pergunte o porquê de estar ali, pergunte-se como atravessar, quais recursos você consegue usar, ‘conciliar’ do resto que lhe sobrou. Que bagunça, hein? Se a vida muito tirou de você, ótimo. Diga a ela, se prepare porque eu não te darei trégua. Éh!… é você quem gerencia isso tudo.

Coragem, como definir essa palavra? Um autor maravilhoso da nossa literatura brasileira, chamado Guimarães Rosa, afirma que a vida só pede de cada um de nós ” coragem”. É, sem dúvida a coisa mais verdadeira que alguém já pensou e escreveu. É simplesmente fantástico. Todos nós precisamos lutar para no fundo nos tornarmos dignos de nossas conquistas. Agora, de um jeito grotesco diria que a coragem que o Guimarães também se refere, pode ser interpretada como: a junção da nossa força/limites e o resultado final de tudo isso….”escolhas”.

Eu escolhi lutar, você decidiu o que?

Imagino que para chegar do outro lado, renunciamos mil vezes a nossa vitória por causa do medo. Este, definitivamente nos deixa paralisado. Mas, vou além, digo novamente…[até sabermos que somos nós que mandamos nos nossos limites e não eles em nós. ]. Então, não precisa ter medo, vá…

Queira, ouse…CONSIGA!

Marii Freire Pereira.