Passado

Acho curioso o jeito de como algumas pessoas diante de determinadas provações reagem, e acabam respondendo de uma forma que denuncia os seus conflitos internos. Digamos que elas recebem uma cargade estímulos de modo, tão profundo que psicologicamente, dizem que está bem, mas é um ‘ bem ‘ que denuncia algo que não foi bem resolvido. Quer exemplo? A pessoa geralmente diz assim: ” Quem vive de passado é museu”. Perfeito. Isso estimula a arte de pensar, e graças aos Museus nós, temos histórias maravilhosas para poder contemplar, não só a História, como um todo e avaliar de forma preciosa todo um contexto de acontecimentos, de fatos e mudanças que permitem você fazer um contrassenso. Acredito que seria uma perda imensurável não termos histórias para contar a filhos e netos. Mas, voltando ao fato, a História em si, é uma narração que nunca termina porque há sempre o que acrescentar. portanto, contemplar a vida, melhor todo esse processo de aprendizagem, é o significado ímpar ao ser humano. Isso é um ganho, certamente.

Ao comparação de quem ‘vive de passado é museu, talvez venha acompanhada de um termo pejorativo só devido a colocação, porque como dito, Museu carrega valor, e se tem valor é porque é preciso.

[…]

Há passado que ao ser lembrado, torna-se algo muito dolorido e ao mesmo tempo comprometedor, não no sentido de desqualificar. Mas, por conter ali, um sofrimento que nunca passa, nunca sara, e no primeiro estresse, ele trás a mente lembranças carregadas de tristeza, dor e sofrimento. É como ferida, algumas criam uma crosta, mas nunca cicatriza, e ao passar a mão no local, você sente a espessura, assim como o grau de sensibilidade existente naquele local. Então, para tocar a vida, a pessoa despreza de maneira inconsciente aquela marca, mas vez ou outra, sempre sente um incômodo. E a contrariedade no caso da comparação, dar-se quando ela diz ” não dói “, mesmo sabendo que no fundo, há um certo desconforto. Mas, para mostrar -se forte, ela age com violência consigo mesmo, na tentativa de passar por cima da história, e assim conseguir superar.

Imagine você olhar para uma estrada até aonde os olhos te permitem alcançar a paisagem, e você ter consciência do quanto já caminhou ali, tentando se descobrir, violando muitas vezes a própria lei da vida para avançar com passos largos…um pouco mais adiante. Muita gente se vê descrito nesse estrada, através do pensamento. O excesso de preocupação, a inquietação que surge quando estamos demasiadamente perturbados, ou seja, vivendo os desconfortos da vida. É comum agir dessa forma, sem querer esse comprometimento, mas a medida em que se diz essa frase com tanta ênfase, tem algo ali, que internamente está sendo negado.

A proteção a vida que o tempo nos concede, vez por outra, é essa a de termos a capacidade de fazer uma higiene mental. Eu sei que é difícil explicar certas coisas a nos mesmos, porque avançar na história, implica, recuar, modificar aquilo que é possível para que se consiga construir novos caminhos. Andar nessa estrada é isso, é construir o novo a partir do que se tem. Não esquecendo do principal, ‘sonhar’, mesmo quando se tem uma vida toda comprometida com as marcas do passado.

[…]

Às vezes, o passado é um presente que nunca que nunca morre, nunca apaga. Mas, nos temos a obrigação de caminhar mesmo quando todas as forças são contrarias.

Marii.

Hoje, por acaso, li um texto do Paulo Coelho, onde pude contatar um pensamento tecido a partir dos horrores deixado pela Ditadura as suas vítimas. Aquilo foi decifrando em mim, uma espécie de autocrítica que permitiu-me por exemplo, olhar a vida por esse gesto diria não de questionar, mas de ter a capacidade de superar. Se tem algo que nos controla é o ( passado), e a possibilidade de olhar para o futuro nesse caso, mesmo diante de um sofrimento interminável, sim porque o histórico de negação é sofrimento de quem viveu as dores e os horrores, e mesmo assim, teve a coragem de se encontrar na vida novamente, ou seja, olhar para o passado, e ter a autodeterminação e o respeito para ‘escolher viver’. A palavra é essa: escolher viver, mesmo podendo “adoecer”a qualquer momento ( psicológico), e compreender que o passado, assim como os nossos torturadores, meu e seu, permanecem vivos. Mas, temos a escolha de não trazê-los ao presente porque o que importa é aquilo que pode ser vivido hoje de maneira consciente.

Marii Freire Pereira

Imagem: Google.com

Santarém, Pá 31 de março de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Passado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: