Ninho

Nós temos a clara compreensão do que expressar essa realidade, melhor, digo essa imagem. É um ninho construído por aves para servir de abrigo aos filhotes. É um pequeno ” berço ” que serve para envolvê-lo e assim, trazer- lhes segurança. Mas, a minha reflexão aqui é, qual é o sentido do ” ninho ” para nós? Casa, lugar seguro, onde a priori, estou livre da maldade que me cerca.

Você pode fazer essa leitura independente, da maneira de como falo, basta olhar a estrutura, e compreender a questão das linhas geométricas, da forma em que é traçado. É um círculo, representa um elo que faz todo sentido no que refere-se a proteção. É aquilo que faz-nos lembrar do primeiro lugar da nossa existência, a barriga de nossa mãe, onde o formato é arredondado. Note que, enquanto estamos lá, recebemos todo carinho, toda proteção. Mas, a partir do momento que estamos aqui, digo, quando temos autonomia, não dependendo mais de um útero para nós desenvolver, então a responsabilidade passa a ser totalmente nossa. É portanto, nosso, o direto de construir as paredes que que nos revestem como pessoas, ou seja, aquilo que tem o efeito de proteção para impedir que a realidade que nos cerca, seja drástica demais para conosco.

É interessante vermos, como são aqueles que por um gesto de imaturidade, tiram de si, essa proteção. Simplesmente, agem de maneira irresponsável, ferindo a si próprio, porque não sabe lidar com os desafios diários, com os problemas, as perdas ou porque quer tudo na hora. São pessoas difíceis de lidar, porque no fundo, também nos fere. Aliás, a dor e o sofrimento são parceiros inseparáveis. Geralmente, fazem muitas vitimas. Quem derá que, não fossemos atingidos, tanto quanto, aqueles que administram de forma deplorável os seus conflitos. Querendo ou não, acabamos sendo atingidos.

O ninho também, acaba tendo essa função, que é reter o excremento, ou seja, parte daquilo que não tem mais função para o corpo. O problema, que todos que estão ali, vivendo no mesmo calor (…), naturalmente, sem pretensão alguma, é atingido. Como se costuma dizer, essa é a parte ruim da história. Difícil é não se deixar envolver por ela, porque não escolha sua, é a inobservância do outro que lhe atinge de forma direta.

Uma que gosto muito de observar, é que o ser humano, às vezes, leva tempo para ser perceptível no que se refere a compreender a sua própria realidade. Muitos querem que tudo venha pronto. Que a felicidade venha pronta, que o trabalho dos sonhos, o carro, a viagem tão esperada ‘caia do céu‘. Quanfo não. Felicidade, custa caro. Tudo isso, é uma via de acesso para a construção desse conceito. O problema é que muitos não chegam a ele de maneira concreta.

[…]

Há quem prefira uma vida ” idealizada”, no máximo, é isso. Ele não quer viver os desafios de criar algo para si, ou seja, Ele quer o ninho, o conforto, a proteção, a liberdade que tudo isso representa, mas não quer ter compromisso com um graveto para ajudar a tecer, esse lugar que é importante osra ele próprio. Não é possível. Infelizmente temos que compreender que a liberdade é uma conquista paulatina. Sem essa ” segurança”, eu não posso alcançar vôo para lugares distantes. E por que? Porque o conceito de emancipação, que é aquilo que me permite tomar decisões quanto as minhas escolhas. Se sei agir de maneira correta diante dos desafios, logo sou capaz de administrar bem a própria vida.

Acredito que a dificuldade da mudança, ela sempre representa algo positivo para grande parte de nós, todo ser humano, ele é reeducado quando sofre as restrições da vida. Claro, como mencionado no texto, não são todos que desenvolve essa habilidade, porém, só é possível reiventar os sonhos e esperança, quando temos coragem de enfrentar a realidade com a maturidade que ela precisa. Se agirmos de outra maneira, nunca seremos pessoas independentes, vamos sempre querer o conforto do ninho que alguém se esforçou muito para construir no primeiro momento para nós, mas a partir do momento que somos pássaros adultos, cabe a nós…construir um ambiente que nos seja favorável. A função de por o graveto é minha e sua. É preciso que saibamos seguir a própria vida.

Marii Freire Pereira.

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 1 de abril de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Ninho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: