Danilo Caymmi

Eu guardo em mim

Dois corações

Um que é do mar,

Um das paixões

Um canto doce

Um cheiro de temporal

Eu guardo em mim

Um deus, um louco, um santo

Um bem e um mal

Um guarda em mim

Tantas canções

Tantas canções

De tanto, mar tantas manhãs

Um canto doce

Um cheiro de um vendaval

Guardo em mim

O deus, o louco, santo

O bem e o mal

Eu guardo em mim

Tantas canções

De tanto mar, tantas manhãs

Um canto doce

Um cheiro de um vendaval

Guardo em mim

O deus, o louco, o Santo

O bem e o mal

O bem e o mal

Danillo Caymmi, O Bem E o Mal.

Fonte: Musixmatch

Compositores: Carlos Eduardo Carneiro É Danilo Caymmi

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Marii Freire, Tapajós.

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

Guimarães Rosa.

” Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo mundo…

Eu que quase nada sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre _ o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo, de todos os matos, amém “.

Guimarães Rosa.

Uma homenagem a esse Mineiro de Cordisburgo, que surpreendeu o mundo com a sua genialidade. Guimarães é unânime entre várias tendências de crítica e público.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Revista Época.

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

Florbela Espanca

Passei a vida a amar e esquecer…

Um sol a apagar-se e outro acender

Nas brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo

É igual a outro amor que vai surgindo,

Que há de partir também…nem eu sei quando…”.

Florbela Espanca, Inconstância. In: O livro Sóror saudade, 1923. Cultura Genial.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

Carlos Drummond de Andrade

” Vejo- te mais longe. Ficaste pequeno.

Impossível reconhecer teu rosto, mas sei que és tu.

Vem da névoa, das memórias, dos baús atulhados,

da monarquia, da escravidão, da tirania familiar.

És bem frágil e a escola te engole.

Faria de ti talvez um farmacêutico ranzinza, um doutor

[ confuso.”

Carlos Drummond de Andrade,Como um presente. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

A vida é um sopro

É inútil brigar por coisas que não tem valor. A vida é um sopro, aprenda isso. Aquilo que fomos ontem, ficou lá atrás no tempo, não volta mais.

Assim acontece com o hoje. O que tiver que ser, viver, o que tiver que falar, fazer, faça agora. Esse é o momento de sermos verdadeiros, de ser reflexivos dentro de nossos contextos, dentro de nossas limitações, porque tudo o que tiver que ser feito, tem um tempo, esse tempo é agora! Você não será capaz de viver o mesmo personagem de ontem. Entenda uma coisa, às vezes, somos pegos de surpresa, e aí a vida dá aquela nocauteada nas nossas emoções, preenchendo-nos de desânimo e tudo aquilo que nos faz perder a direção. É assim para todos nós. Tem quem pense rápido, organize tudo com facilidade, não tem? tem. Mas entenda uma coisa, alguém come a fruta no mesmo dia que planta a semente?

[…]

Às vezes, pensamos por alguns segundos e já resolvemos o que aquele momento, ou aquela realidade nos pede. Todavia, o preço da ignorância costuma nos pesar muito mais. Agir sem pensar ou agir precipitadamente é a pior coisa que pode nos acontecer. Pensamos, e às vezes, pensamos até no amanhã que não existe. Sabe por que falo isso? porque ao agirmos com pressa nos tornamos irreflexivo e é nesse momento que criamos os nossos monstros, diria que, os nossos problemas gigantescos. De fato, você não é hoje o que foi ontem. O momento de decidir é agora. Mas decidir da maneira certa. De forma que não sobre margem pra dúvida. Mas, sabemos muito bem que nem sempre isso acontece, há sempre quem seja negligente com detalhes importantes. Cuidado nunca que nunca seria demais se fossemos mais atentos.

Tudo tem que ser pensado com cautela. Esse ‘desenrolar’ deve ser feito através um critério especial. Viveu ‘superou’. Mas com o momento presente não acontece a mesma coisa, porque dependendo do que você decidir agora, isso pode mudar o rumo do seu futuro ou pelo menos de coisas que podem ser importantes. Compreende a situação? Cria-se um paradoxo. Nada é tão fácil quanto parece, maioria das vezes, podemos até construir uma liberdade imaginária dentro de nós, digo dos nossos pensamentos. Sabe por que? Porque simplesmente, algumas coisas fogem a razão. podemos Planejar, mas isso não é garantia de que elas aconteçam.

O Ontem determinou parte dessa pessoa que briga consigo agora. Mas, você determina parte do que será amanhã através da sua consciência, dos seus gestos, da sua forma de pensar, do autoconhecimento que tem. O hoje só nos permite uma pequena fresta de luz, e a consciência é que determina isso. Nada de visão limitada. Pisemos no futuro de modo consciente.

A concepção que temos a respeito de tudo aquilo que já vivenciamos, não nos trás certeza de absolutamente nada. Somos imperfeitos, seres humanos inacabados. Portanto, o futuro representa essa grande oportunidade de transformação. É a sua consciência é esse espaço que determina aquilo que deseja para si, o que quer se tornar. Nos somos sim, essa permanente busca por quer ser mais.

[…]

Todavia, esse ” querer ser mais”, só tem sentido quando a idéia de “quantidade” for equivalente a qualidade. Uma coisa precisa ser aliada a outra para fazer sentido, porque do contrário, não vamos a lugar algum. Às voltas que damos por dentro de nós, devem ser maior do que os nossos passos aqui fora.

Marii Freire Pereira

Imagem: Instagram

Santarém, Pá 9 de maio de 2020

Olavo Bilac

” Vendo- me exausto, pálido, cansado,

E todo pelo aroma de teu beijo

Escandalosamente perfumado.

O amor, querida, não exclui o pejo.

Espera! até que o sol desapareça,

Beija-me a boca! mata-me o desejo..”

Castro Alves,Tercetos II. Melhores poemas de Olavo Bilac. São Paulo, Globo, 2003

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 8 de maio de 2020

Chico Buarque

” Lá não tem brisa

Não tem verde- azuis

Não tem frescura nem atrevimento

Lá não figura no mapa

No avesso da montanha, é labirinto

É conta- senha, é cara a tapa

Fala, Penha

Fala, Irajá

Fala, Olaria

Fala, Acari, Vigário Geral

Fala, Piedade

Casas de pó, cidade

Que não se pinta

Que é sem vaidade

Vai, faz ouvir os acordes do choro- canção

Traz as cabrochas e a roda de samba

Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae

Teu hip- hip

Fala na língua do rap

Desbanca a outra

A tal que abusa

De ser tão maravilhosa…”

Chico Buarque, Subúrbio.

https://m.letras.mus.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Álbum de Chico Buarque/ Carioca.

Google

Santarém, Pá 8 de maio de 2020

Carlos Drummond de Andrade

As plantas sofrem como nós sofremos.

Por que não sofreriam

Se esta é a chave da unidade do mundo?

A flor sofre, tocada

Por mão inconsciente.

Há uma queixa abafada

em sua docilidade.

A pedra é o sofrimento

paralítico, eterno.

Não temos nós, animais,

Sequer o privilégio de sofrer.

Carlos Drummond de Andrade. Unidade. Farewell. 6 ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Record, 1998.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 8 de maio de 2020

Abandono

Os dias se consomem em palavras

Palavras cujo o significado

Tem na sua fibra mais íntima

O desejo de sentimento nunca alcançado.

Consciente

Mas

Incompleta

Na condição de mulher

Vejo que o meu legado é o vazio.

Tu quando sentes, dói?

Em mim dói uma dor indizível

Não sei ignorar

Estou sempre esbarrando nela

Há dias que melhor seria não acordar

Porque resmungo

Até que os meus olhos se despeça da paisagem

Da solidão

Dos meus naufrágios

Do rosto desfigurado

Até um novo amanhecer

esse amanhecer

junta -se a outro amanhecer

e assim, os dias vão se passando

Na mais completa solidão.

Perdi a esperança

Lá se vai uma vida escassa!

Devagar…ao encontro do horizonte.

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 8 de maio de 2020

Castro Alves

Meu Filho, dorme, dorme o sono eterno

No berço imenso, que se chama _ o céu.

Pede às estrelas um olhar materno,

Um seio quente, como o seio meu.

Ai! borboleta, na gentil crisálida,

As asas de ouro vais além abrir.

Ai! rosa branco no matiz tão pálida,

Longe, tão longe vais de mim flor.

Meu Filho, dorme…Como ruge o norte

Nas folhas secas do sombrio chão!…

Folha dest’alma como dar-te à sorte?

É tredo, horrível o feral tufão!

Não me maldigas…Num amor sem termo

Bebi a força de matar-te…a mim…

Viva eu cativar a solução num ermo…

Filho, sê livre…

_ Ave _ te espera da lufada o açoite,

_ Estrela _ guia- te uma luz falaz.

_ Aurora minha_ só te guarda a noite,

_ Pobre inocente _ já maldito estás.

Perdão, meu filho …se matar-te é crime…

Deus me perdoa…me perdoa já.

A fera enchente quebraria o vime…

Vem- te os anjos e te cuida cuidem lá…

Meu filho dorme…dorme o sono eterno

No berço imenso, que se chama céu.

Pede às estrelas um olhar materno,

Um seio quente, como o seio meu.

Castro Alves. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 8 de maio de 2020