Mário de Andrade

” Ôh trágico fulgor das incompatibilidades humanas!

Que tara divina pesa em nosso vitorioso

Não permitindo que jamais a plenitude satisfeita

Descanse em nosso lar como alguém que chegou!…

Não tenho esperança mais nas vossas revelações!

Vós me destes o amor, me destes a amizade,

E na experiência de minha doce amiga me destes

Mais do imaginei…Mas a voltou foi cruel.

Eu sofro Êh, liberdade, essência perigosa…

Espelhos, Pireneus, caiçaras e todos os desesperos,

Vinde a mim que outros agora abóiam pra

[esmolando…

Eu saí da aventura! Eu fugi da aventura!

Nós não estamos na cidade nem no campo.

Nós tomamos na ânsia dos fabulosos aeroplanos,

E vos garanto que agora acabaremos mais.

Mário de Andrade. Poema da Amiga VI. Nova Cultural. São Paulo, 1990

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 23 de maio de 2020

” O homem não é a soma do que tem,
mas a totalidade do que ainda não tem,
do que poderia ter.”
Sartre.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Criação: Marii Freire Pereira
Imagem: Instagram
Santarém, Pá 23 de maio de 2020

Reconstruir

Quantas vezes, você já precisou se reconstruir? Olhar adiante, com a consciência de quem se sente encorajado, tranquilo, amadurecido, pronto para recomeçar? É bom, não? Às vezes, dentro de toda essa grandeza que a vida expressa, ela nos é generosa.

[…]

É como se ela tivesse compaixão de nosso sofrimento, dos percalços ( desses acidentes de percurso), e nos oferecesse uma nova oportunidade. E sabe o que é interessante? É começarmos ” brotar” novamente. Coisa linda, podemos dizer ‘maravilhoso, é esse processo de conseguirmos nos recompor. Isso emudece, encanta, faz com que inclusive, possamos nos valorizar como pessoas simples, despojadas da necessidade de perfeição. Há quem queira ser perfeito, outros não. A maioria das pessoas, só desejam alcançar a felicidade.

Nada mais gratificante do que conseguirmos conquistar a nós mesmos, transformar a nossa maneira de pensar, e acreditar que o destino é uma questão de escolha. Quando pensamos dessa forma, sempre há uma chuva silenciosa caindo sobre nós, dando a oportunidade de derrotar sobretudo, os nossos medos, os nossos monstros. Claro, fruto de nossa imaginação, mas que muitas vezes nos aprisiona, fazendo com que se perca a noção de realidade.

O medo sempre nos revela uma realidade desproporcional ao que vivemos. Por isso, é importante vencermos as nossas inseguranças, e neste caso, vencer aquilo que nos impede de sonhar.

Sonhe, acredite que é capaz, use a teimosia para perseguir tudo aquilo que deseja. Comece, reconhecesse, aprenda novamente! Viver é se encantar diante novas expectativas.

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 22 de maio de 2020

Lágrimas inocentes: quadro das crianças que choram

Crianças pobres

Retratadas com lágrimas nos olhos

Belas por fora

Feias por dentro?

Não.

São crianças que, apesar de muito novas

Tinham uma sorte miserável

Um ser miserável, cronicamente insatisfeito…

Por não compreenderem o peso da realidade…

As lágrimas em seus olhos

Revelará

O horror de suas almas

E o desconforto

Por não saberem interpretar a vida.

Hipersensibilidade

Somadas a trajetória

De quem ainda não sabe bloquear os seus medos.

Um mundo indecifrável para uma criança!

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: AH ( Bragolin pintando um de seus quadros)

Crédito: Wikimedia Commons: Lágrimas de inocentes.

Santarém, Pá 22 de maio de 2020

” Confia no tempo,
que costuma dar
doces saídas a muitas amargas dificuldades “

Miguel de Cervantes
( Dom Quixote)
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Instagram
Santarém, Pá 22 de maio de 2020

Carlos Drummond de Andrade

” Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consome

com seu poder de palavra

e seu poder de silêncio .

Não forces o poema a desprender-se do limbo.

Não folhas no chão o poema que se perdeu.

Não adules o poema. Aceita-o

como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível, que lhe deres:

Trouxestes a chave…”

Carlos Drummond de Andrade. A procura da poesia. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo. 1945.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 22 de maio de 2020

Charles Baudelaire

A natureza é um templo onde vivos pilares

Deixam sair palavra confusas:

Por florestas de símbolos, lá o homem cruza

Observado por olhos ali familiares.

Tal longos ecos longe lá se confundem

Dentro de tenebrosa e profunda unidade

Imensa como a noite e como a claridade,

Os perfumes, as cores e os sons se transfundem

Perfumes de frescor tal a carne de indantes,

Doces como o aboé, verdes igual ao prado,

_ Mais outros, corrompidos, ricos triunfantes,

Possuindo a expansão de algo inacabado,

Tal como o almíscar, benjoim, e incenso,

Que cantam o elenvar dos sentidos e o senso.

Charles Baudelaire, Flores do Mal, Correspondência ( 1881)

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Instagram

Santarém, Pá 21 de maio de 2020

Mário de Andrade

” Era uma esperança alada,

Não foi hoje mas será amanhã,

Há _de ter algum caminho

Rio de sol promessa olhar

As noites graves do amor

O luar a aurora o amor…que sei!”

Mário de Andrade. Canção. Livro: Costela do Grão Cão, públicado em 1941. Textos Selecionados. Nova Cultural. São Paulo, 1990.

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 21 de maio de 2020

Máscara mortuária de Machado: fechados para sempre os olhos que tinham desvendado tantos mistérios

“Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansar dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração de

Companheiro “.

Machado de Assis ( Vida & Obra). Várias Histórias. Ática. 1997

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 20 de maio de 2020

No seu derradeiro romance _ Memorial de Aires _começado em 1907 e terminado em 1908, o escritor estava profundamente triste ( perdeu o prazer de viver), por conta da ausência de Carolina. Tinha a vista fraca, infecção intestinal, úlcera na língua. Morreu às 3h é 20 min da madrugada do dia 29 de setembro de 1908. Nessa data, no Rio de Janeiro, decretou luto oficial. Machado foi sepultado ao lado de Carolina a quem prometera no soneto acima.

Machado de Assis

“ Quem não sabe que ao pé de cada um Bandeira grande, pública ostensiva, há muitas vezes outras bandeiras modestamente particulares, que se hasteiam e flutuam à sombra daquela”

( Memorial de Aires). Várias Histórias. Ática, São Paulo, 1997

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 20 de maio de 2020