” As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tendem e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu ter dito. […] Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar – uma palavra mais verdadeira poderia de eco em eco fazer desabar pelo despenhadeiro as minhas altas geleiras. ¹⁷
Irritava- me que ele obrigasse uma porcaria de criança a compreender um homem ¹⁸.
Clarice Lispector. “Os desastres de Sofia “, de A legião estrangeira. Para amar Clarice. Como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra. Emilia Amaral. 1 ed. Barueri, São Paulo, 2017
Existe uma frase do Thoreau que fala sobre essa coisa da natureza, de valorizar o retiro campestre que diz o seguinte ” A natureza é o único local onde um ser humano pode se encontrar consigo mesmo”. Se você observar essa colocação com profundidade, verá o quanto é ela bonita, não diria só bonita, mas valorosa. É a vida sem filtro! É onde você pode ser quem é de verdade. Não é que aqui fora, digo, no mundo real, não sejamos. É que aqui, temos que abrir mão da simplicidade de ser o que somos. Muitas vezes, a gente veste um personagem para agradar, para não abandonar os compromissos, ou para se tornar uma pessoa mais interessante. Agora, quando você sai do meio de tudo isso, você se torna o que? Um espaço restrito. Raro são aqueles que podem experimentar esses pequenos momentos de quem você é.
Quando podemos ser só aquilo que somos ‘ sem representar, sem que o outro nos veja, é que somos felizes, porque não precisamos nos corromper, nem deixar que o outro venha nos podar diante de alguma coisa. A vida é tão curta que faz com que esses momentos sejam preciosos. Aliás, todas as fontes de prazer são valiosas, porém, nada é tão significativo como o aperfeiçoamento, a prática da satisfação pessoal que só acontece verdadeiramente quando não existe platéia.
Quem ganha com esses momentos, nunca deixa de lutar por ele. Por isso que, quando estamos desanimados a primeira coisa que fazemos é quer nos retirar, contemplar a natureza para poder sentir o presente, as manhãs renovadas, o oculto revelando beleza. É uma forma de corrigir aquilo que está alterado em nós. E o importante é isso, é saber se encontrar nesses momentos que a vida nos chama.
O consolo do ser humano é a busca pela simplicidade. Então, se passa a usufruir mais desses momentos, se busca investir no que vale a pena. No final, são por essas coisas que se luta. São elas que melhoram a nossa vida.
O casamento é uma das tradições mais antigas do mundo. Em geral, mais do que a pomposidade que esse acontecimento possa ter na vida de alguém, ele também é carregado de simbolismo muito forte. Em toda a as culturas as mulheres têm o sonho de se casar.
Vamos imaginar uma noiva vestida de branco ( tem as mais ousadas), mas a delicadeza, pureza e a ternura vêm representadas nas cerimônias através dessa consciência de que o braço representa a pureza da mulher. A essência desse acontecimento é muito forte, não só por conta da tradição, mas pelo o lado emocional. A idéia principal, o eixo central de qualquer relacionamento, antes de qualquer outra coisa, é revestido de um pensamento que transborda felicidade. Pode-se dizer que, antes mesmos da prole, ou seja, os filhos, o desejo das pessoas é encontrar esse conceito de felicidade milenar juntamente com o outro, com o parceiro, ou seja, ser feliz . O ego é o que mais pesa.
Quem se casa, quer transformar os desejos em possíveis realidade. Todavia, se observar que a união entre duas pessoas, seja, um homem e uma mulher, dois homens, dias mulheres, é um gesto complementar que exige muita maturidade. Diz-se que, quem casa, terá que vencer os desafios para fazer com que essa união der certo, tem que renunciar, mais que denunciar.
[…]
Um casamento muitas vezes é feito muito mais pelo número de renúncias, ou seja, daquilo que você abre mão, do que pelos os desencontros ( brigas), do dia a dia. É algo parecido, não idêntico, como o Karnal fala ” Existe um prazer no casamento que se assemelha o prazer das mães. Elas abdicam alguns fatos de suas vidas para compreender o significado de felicidade com o filho ou filha”. Isso ajuda mulheres e homens compreender a unidade da busca. Às vezes para ter uma maior probabilidade de certeza em uma vida a dois, você tem que melhorar como pessoa para superar os desafios.
A felicidade é frágil. De modo que, para alcancá-la, você terá que abrir mão dos excessos para crescer junto ao sorriso que te cativou desde o início, ou seja, a pessoa amada.
Como se diz, ‘deixar de investir no prazer do momento, para cuidar do que você quer para a vida toda’. Pois se seguir em direção contrária, vai se perder dentro dos seus ‘próprios abandonos’. E querer contestar isso mais adiante, restaurar um casamento depois de tantas queixas é muito mais caro, porque tem juros são assombrosos.
Um dos segredos para viver bem uma vida a dois é, procurar nos poupar de fatores estatísticos que nos leva em direção ao infortúnio, para juntos nos divertimos mais. Tem quem case e queira viver uma vida de solteiro, neste caso, só cria obstáculos para a própria vida.
O estresse nos casamentos, ou na maioria deles, surgem a partir daquilo que não conseguimos transformar além da cerimônia. No decorrer da vida, os problemas vão fazendo com que toda aquela idéia de felicidade possa desbotar, e quando isso acontece, as pessoas se separam. Talvez, porque não estejam fazendo nada para remediar. O fato é que, todo arrependimento vem tarde. E em alguns casos, isso custa uma vida toda.
Casamento é uma manifestação voluntária entre dois pensamentos. Quem se casa, quer ser feliz.
” Meu genro: você carece de casar com uma das minhas filhas. O dote que dou pra ti é Oropa França e Bahia. Mas porém você tem de ser fiel e não andar assim brincando com as outras cunhãs por aí…”
Mário de Andrade. Literatura Comentada. Nova Cultural. Publicado sob licença de Carlos Augusto de Andrade Camargo. São Paulo, 1990
” Quem quiser fale mal da literatura. Quanto a mim, direi que devo a ela minha salvação. Venho da rua oprimido, escrevo dez linhas, torno- me olímpico. ¹⁰
Graciliano Ramos. ( para amar Graciliano). FRACASSO E DECADÊNCIA: O LUGAR DO INTELECTUAL. Como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra. Ivan Marques. Faro. Barueri, 2017
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