” Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que ao redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma laterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu. […]
Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatros, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão…”
Lygia Fagundes Telles. ” Natal na barca “. In: Antes do baile verde. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 87). Literatura brasileira em diálogo com outras linguagens. William Cereja e Tereza Cochar. 5 ed. reform. São Paulo: Atual, 2013
O machismo é um ‘ pré- conceito ‘ que nasce de uma idéia antecipada em nossa sociedade em relação a mulher. Muitas pessoas compreendem o machismo como um preconceito. Eu prefiro trabalhar a idéia de ” pré – conceito “, ou seja, o que é promovido como algo que tem uma origem anterior à aquilo que faço um juízo valor. Você por exemplo, se aprendeu a agir com preconceito, certamente, é porque uma pessoa, de alguma forma, ensinou com antecedência algo com o sentido errado pra você. Após isso, você criou as suas próprias suposições a respeito do que vê com descaso, ou falta de valor. A verdade é que ninguém nasce definido qualidades ou fazendo diferença sobre o que quer que seja. Todos nós aprendemos a fazer distinções de cordo com o que aprendemos ao longo de nossa trajetória. Veja, uma criança não sabe distinguir maldade de bondade, ela aprende o valor disso, conforme cresce e um adulto a ensina.
Em relação ao machismo acontece o a mesma coisa. Mas afinal de contas machismo, O que é o machismo? machismo é uma atitude que costuma ser usada de maneira que cause oposição de direitos entre gênero. Muitas mulheres sofrem por consequência do machismo, o que contribui ainda mais para situações de violência em nossa sociedade. Os casos de violência contra a mulher tem aumentado, a violência doméstica principalmente, tem ganhado grande reflexão por conta da repercussão que ganha audiência diariamente. Além do número de homicídios em razão do gênero ( também conhecida como feminicídio). Essa violência costuma ser silenciosa. Não de hoje, mas tem sido assim, pelo menos há cinco séculos de opressão feminina.
Embora muitos de nossos direitos tenha sido garantidos Constitucionalmente, ainda há um abismo que separa homens e mulheres de andar paralelamente. Para elucidar a desigualdade, vou buscar razões dentro da própria construção história que faz da mulher um ser inferior em relação ao homem. A origem do machismo tem o seu berço no patriarcado, onde a mulher se submetia aos desejos do pai e a medida que se casava, também devia obediência ao marido, ou seja, ao homem .
Um aspecto crucial dentro dessa hierarquização é que o machismo ele surge com o conceito de família, onde a mulher é refém de um espaço que a delimita na sua forma de atuar, bem como, alguém que não tem capacidade de ir em busca dos próprios interesses, uma vez que, o seu lugar era debaixo de um teto, voltada a suprir as necessidades dos filhos e marido. Assim, como também as suas habilidades se voltavam a lida doméstica.
É sabido que o patriarcado guiou as relações sociais e evidenciou as suas formas opressoras que ganham forças que só evidência e confirma a forma absoluta do marido e do pai na construção da história da mulher.
Machismo estrutural
O machismo é aquele que torna evidente a desigualdade entre o direito do homens e da mulheres, seja em relação violência contra a mulher, o assédio, estupro, a objetificação da mulher, e tudo aquilo que a coloque em posição de desigualdade. Além disso, existem muitos outros aspectos que podem ser observados que é algo muito comum como a diferença salarial. Aqui, necessariamente, não se trata da violência em si, mas também de compreender outras formas de como o machismo estrutural acontece no cotidiano.
O machismo é inerente em diversos aspectos da sociedade, algo que vai além de um preconceito expresso através de opiniões e atitudes caracteriza com uma atitude machista.
Como Combater o Machismo?
É preciso dizer que, antes de mais nada, é necessário ter consciência. Consciência para transformar, para modificar opiniões que de certa forma viola o direito do outro. Isso vale para o campo religioso, político, econômico, etc. Se de fato, quisermos uma sociedade melhor para os nossos lhos e netos , precisamos [re]pensar no que podemos melhorar na nossa casa e de modo geral , na sociedade hoje. Não basta desejar, é preciso fazer acontecer, pois só assim, conseguiremos estreitar as diferenças em diversos aspectos que vai desde comportamento, aos nossos anseios intelectuais de cada indivíduo. O resultado é vermos uma sociedade que busca combater mais do que incentivar o machismo.
” A realidade histórica de hoje não é a mesma. Não obstante, desvinculada da estrutura de classes da sociedade brasileira atual, da marginalização secular que tem vitimado o negro nas várias etapas da revolução burguesa e da exploração capitalista direta ou da espoliação inerente à exclusão, os estoques raciais perdem o seu terrível potencial revolucionário e dilui-se o significado político que o negro representa como limite histórico da descolonização ( negativamente) e da revolução democrática ( positivamente). Portanto, para ser ativada pelo negro e pelo mulato, a negação do mito da democracia radical no plano prático exige uma estratégia de luta política corajosa, pela qual a fusão de ” raça ” e ” classe” regule a eclosão do Povo na história. “
Florestan Fernandes. Um Mito Revelador/ O Significado do Protesto Negro. 1ed. São Paulo: Expressão Popular co-condição Editora da Fundação Perseu Abramo, 2017.
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