Flora Figueiredo

Venho costurando minha vida

com linhas de saudade.

Procuro equilibrar-lhes a cor

para que o resultado final não seja triste.

Por vezes, é o cinza que insiste;

por vezes, impera o marrom.

Ainda bem que tem saudade bonita;

mudo o tom, amarro fitas,

busco a outra ponta do novelo;

intercalo a trama em amarelo.

A saudade é assim mesmo

tecelão do tempo.

Quando menos se espera,

arremata o momento, leva embora,

deixa a porta encostada, o cadarço de fora,

e nunca avisa a hora de voltar.

Ainda hei de costurar com verde florescente

e, se a saudade chegar autoritariamente,

vai se sentir enfraquecida.

Enquanto procuro a cor

vou costurando a vida,

sem saber qual vai ser o resultado.

Caso ele não fique combinado,

dou um nó, encosto agulha, guardo a linha,

que essa culpa roxa não é minha.

É uma artmanha branca do passado.

Flora Figueiredo. Caixa de Costura. ” O trem que traz a noite “. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

http://www.elfikurten.com.br

Marii Freire Pereira

https://Pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: pinterest. Lockscreens&backgrounds

Santarém, Pá 7de junho de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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