Solidão.

Eu poderia começar falando a respeito de solidão como algo negativo. Pegar a imagem de uma pessoa solitária e inserir aqui, como forma de chamar a atenção. Mas, escolhi uma janela por acreditar que os nossos pensamentos podem ser reeditados para que se possa alcançar uma nova forma de realidade.

Essa interpretação de que solidão é algo que asfixia a alma, nos tornando incapazes, é uma idéia que pode servir de carrasco para alguns. Talvez, para aqueles que intetelectualmente não se sintam capazes, ela possa parecer um monstro. Já para os que valorizam essa forma de liberdade é muito boa, porque a idéia de solidão faz com que o individuo alcance uma realidade interior, nunca alcançada por exemplo, se ele estivesse rodeado de pessoas.

A maior dificuldade para lidar com pensamentos negativos, talvez em relação a isso, seja o desprezo ( o que causa fobia), mas não é necessariamente, esse o caso. Quando se precisa tomar uma decisão importante se afastar de pessoas, de barulho e tudo o que atrapalha, e ficar um pouco ‘enclausurado’, digo pouco, fazendo referência, ali por um determinado tempo consigo mesmo, para dessa forma, trazer a realidade as respostas às quais se precisa. A solidão, diria que é como uma espécie de faxina mental que implica interferir num espaço totalmente ocupado, porém sem serventia. E o reorganizar da mente começa por essa liberdade de se desfazer daquilo que ja não tem o porquê de se fazer presente, e fica na mente como uma espécie de obstrução naquele espaço, causando as vezes até depressão, fazendo com que se tenha neuroses. A mente é isso, ela acaba tendo esse poder de trabalhar o lado ruim, as vezes, torna-se doentia. Ppr isso, é esse espaço reservado as nossas interrogações.

Todavia, é importante que não nos tornemos reféns das circunstâncias, bem como, pensamentos cativos. Não, a solidão tem um poder criativo, onde dependendo da situação ela funcionar como um estimulo para se produzir. Você pode observar que os grandes intelectuais, eles precisaram e souberam usar a solidão como uma grande aliada para alcançar as suas construções intelectuais. Então, se olhado por esse ângulo, ela vem como forma de subsidiar determinada necessidade. É bom, um pouco de solidão sempre faz bem.

A janela, no caso, vem como essa possibilidade de nos voltarmos ao novo para que esse possa adentrar na mente e se manifestar através do nosso comportamento.

Imagem pública

Texto: Marii Freire Pereira.

Litania dos pobres

Os miseráveis, os rotos

São as flores dos esgotos.

São espectros implacáveis

Os rotos, os miseráveis.

São prantos negros de furnas

Caladas, mudas, soturnas.

São os grandes visionários

Dos abismos tumultuários.”

Cruz e Sousa.

Literatura brasileira/2013.

Camões

Portugal vivia um período de transformação, ou seja, estava amadurecendo tanto em relação a expansão marítima e comercial , quanto em relação ao povo, a cultura, etc. Mas, no fundo, faltava algo que traduzisse com firmeza essa euforia vivida por conta de todos esses acontecimentos.

Em (1525 – 1580), surge a figura de Luís de Camões, trazendo consigo a resposta de que Portugal tanto precisava. Dentre acabou destacando-se através de seus trabalhos, pela obra épica ‘Os Lusíadas’, que acabou narrando/ traduzindo aí todos os feitos hericos dos Portugueses.

Como foi grande estudioso da cultura clássica, acabou adquirindo uma experiência cultural muito rica, e isso acabou por ajudá-lo na construção de todo o seu conhecimento literário. Mas, a história não para por aí, ele escreveu os seus poemas, além da obra ” Os Luisiadas” que é bastante conhecida por conta do contexto histórico vivido por Portugal, outros trabalhos. E esse foi o diferencial porque acabou fazendo como que o mesmo se tornasse um grande referecial relação a toda aquela trajetória, ou seja, tudo o que Portugal vivia. É por isso , a obra Os Lusíadas é a principal expressão do Renascimento Português.

Sem dúvida, Camões foi um grande nome que que instituiu valores em relação aquele período histórico. Mas, é bom compreender que existem outros trabalhos que podem agregar ainda mais conhecido a respeito desse autor maravilhoso.

Imagem: Luís de Camões retratado em Goa, na Índia de livro pessoal.

Literatura brasileira/2013Ed. Atual.

Comentário: Marii Freire Pereira.

Amor e seu Tempo

Amor é privilégio de maduros

estendidos na mais estreita cama,

que se torna a mais larga e mais relvosa,

roçando, em cada poro , o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto

O prêmio subterrâneo e coruscante,

leitura de relâmpago cifrado,

que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,

salvo o minuto de ouro no relógio

minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,

depois de se arquivar toda a ciência

herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Carlos Drummond de Andrade.

(LITERATURA COMENTADA)

Editora : Nova Cultural/ 1990

Imagem: Marii Freire Pereira.

Paciência

Na vida, como devemos medir a paciência? Depende de quanto nos amamos e estamos dispostos a suporta a fragilidade, ou simplesmente, o recuo do outro diante as suas incertezas.

A paciência funciona como um filtro, onde a medida em que o tempo passa, as impurezas vão ficando. Se amo e percebo que o meu parceiro vive um momento de crise, por exemplo, vou deixando ele faça a sua travessia sozinho, de modo a favorecer as respostas que ele precisa encontrar , para depois vir até a minha pessoa e dizer o que se passa, após tempestade. Porém, essa paciência atinge um certo limite. Se vejo que o tempo está passando e a pessoa não conseguir produzir nada de positivo, então diante dessa realidade, eu preciso sair daquela relação. Retirar-me como forma de encaixe do outro. É ele que precisar olhar a sua própria realidade.

Qualquer forma de relacionamento, chega um tempo, em que passa por um desgaste e, tudo muda. O coração muda, o sentimento, o gostar passa por esse filtro também. O importante é observarmos a postura de quem vive ao nosso lado, porque isso afeta a nossa relação, e amor é sempre uma via de mão dupla. Portanto, é necessário que tudo fique muito claro para que não se construía muros, mas pontes, porque aí se anda juntos.

Quando a relação já não faz sentido é bom medir essas impurezas para seguir adiante, seja com o que favorece ou se faz necessário parar. A vida é assim mesmo. O importante é não ter engano. Ser completo, ser sincero. E se tiver que sair (…), que seja pela porta da frente. Sem de repente, ter a necessidade de garantias em torno.

É difícil? É, porém necessário. Ruim é viver na impermanência dos sentimentos, usufruindo de benefícios que as vezes nem é seu. Portanto, a paciência é algo que têm limite. Passa pelo amor, pelas incertezas, precisa -se chegar no cerne da questão, ou seja no coração. E para que isso aconteça é bom que não tenhamos dúvidas, mas certezas.

Não há nada que uma boa conversa, sem contabilizar os prejuízos, não resolva. Quem ama tem paciência? Tem. Tem limites, também. Perdoa, inúmeras vezes. Mas, não há nada mais especial do que ser sincero com quem amamos. Se a relação não resistir aos inúmeros desafios. Abraçar a quem nos fez feliz, e principalmente, abrir a possibilidade dessa pessoa encontrar alguém legal para amar e ser feliz novamente.

Imagem pública. Criação e produção de texto: Marii Freire Pereira.

” Aonde fica a saída, perguntou a Alice ao gato que ria. Respondeu ele: Depende. Depende de quê, replicou Alice, Depende de para onde você quer ir…”

(Lewis Cartoll)

De repente, nós seres humanos que somos, ficamos diante de uma série de restrições por conta dos limites que a vida as vezes nos impõe. E em momentos assim, nada consegue fluir diante da realidade. Aí, se vive um momento de “Alice”. Não no sentido de viver num mundo imaginário, mas o de não ter as respostas necessárias para dados momentos.

É uma situação que na maioria das vezes, acaba nos deixando alienados, uns nas mãos dos outros. É salto infeliz, sim porque não se caminha para tropeçar. Se caminha quase sempre ao desconhecido, mas tropeçar, não.

O ser humano é sempre um ser cativo as suas próprias idéias, as suas escolhas, porque ainda que ele tenha um cuidado com certos detalhes, chega um momento em que tudo torna-se escuridão, e para tentar sair de determinadas situações é preciso saber lidar com as possibilidades de as escolhas, bem como tudo o ela nos oferece.

” Sair, mas sair de para onde?…”

Depende….de que, ou do que? Muitas saídas, dilaceram sonhos. Mesmo assim, é preciso para se contemplar o ” o nascer do sol”. Isso é tão claro. Ir embora, é ir buscar novos lugares, viver outras situações que muitos de nós, nem percebe, mas vive uma vida inteira de ilusão.

A vida é assim, essa crueza toda. Gosto muito dessa palavra. Apesar do desconforto que ela nos causa, é bom esse confronto inteiror…” esvazia”.

O grande problema, é que parte das pessoas não sabem ou se recusam compreender tal necessidade. São geralmente, esses pequenos detalhes que nós empurrar para frente. É só através da dor que nos humaniza ( machuca), que podemos crescer.

Criação e texto: Marii Freire Pereira.

Bossa Nova

” Olha que coisa mais linda

Mais cheia de graça

É ela menina

Que vem e que passa…”

Vinícius de Moraes.

Vinícius: UM CANTO DE POETA E DE CANTOR.

Vinícius nasceu no Rio de Janeiro, ficou conhecido como um grande intelectual e artistas no mundo. O nome forte da Bossa Nova, ou seja da música. Foi um grande compositor.

No ano de 1930 e 40 a obra que terminava com o poema ‘ Ariana’. O trabalho de Vinicius tinha como marca forte a questão da angústia existencial, o desejo de superação dos conflitos psicológicos tais como, a sensação de pecado e desejo.

Em suma, o que muitos de nós acaba vivendo. Já em 1950 ele despertou o interesse pela música e começou a compor. Publicou a peça Orfeu da Conceição, é depois surgiu a questões dos movimentos como foi o caso da Bossa, e teve alguns trabalhos com grandes parcerias como o Tom Jobim, Dorival Caymmi e outros.

Tem uma frase dele que é muito interessante:” O tempo do amor é irrecusável “. Tudo pode alcançar novamente. O dinheiro é um problema material. Ele acabou fazendo uso desses argumentos por conta de viver uma relação com uma pessoa especial a ele, por nome Lucinha Proença, aonde acabou voltado para o Rio após ter passado uma temporada em Montevidéu. Lugar, inclusive onde trabalhou como como funcionário da embaixada brasileira.

O trabalho do Vinicius é fantástico. Um verdadeiro presente a todos nós. As canções, a própria questão da poesia, tufo isso é um convite a conhecermos o seu trabalho.

Comentário: Marii Freire Pereira.

Brisa suave

Abro a janela

A brisa da manhã sacode as folhas

Sinto o aroma suave das flores…

O silêncio

Na minha alma

Sugere

Que aquele toque

Seja você acariciando a minha pele

[Me abrace com delicadeza]

Um carinho

Um beijo suave

Na face inviável

Me faz recompor

Os sonhos perdidos […]

Meu anjo

Meu ser de pureza

Todos os atalhos são enganos […]

Chama tudo aofundo mar…

[Só há tristeza]

Meu amor

Minha paixão

Brisa suave!…

Brisa que devora

O meu ser.

Saudades !

Saudades

Dos seus olhos

Dos olhos que se faziam de caminhos

para que eu chegasse a ti.

Agora tudo é incerto

Agora é desvario

Você é apenas um grito no meu peito

Um barulho

Um desassossego na alma.

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

……

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes.

Imagem: Marii Freire Pereira.

Diminuindo a bagagem

Aos poucos descobrimos que para termos uma vida equilibrada, é preciso baixar o volume, saber que a sabedoria maior, é aquela que encontramos silêncio. Quando descobrimos isso, tudo funciona melhor. Até as expectativas em relação ao outro diminue.

Tudo na sua vida começar entrar em ordem. Até você começa a se cobrar menos. Geralmente, nos somos assim, apressados. Claro, somos humanos, temos as nossas necessidades, mas a pressa nunca foi uma boa aliada, pelo contrário, csusa-nos sempre desconfortos terríveis.

Todavia, é interessante que saibamos jogar fora os nossos excessos, até para sermos verdadeiros conosco, e depois com os outros. Quando nos sentimos realmente cansados , a melhor coisa a se fazer silenciar. É olhar para dentro de nós. Olhar para o que incomoda, para o que causa uma situação de desconforto. O que te incomodar? É um amor, é uma amizade? Planos que você faz inteiro e eles acabam trazendo alguma frustração? Entenda, se for amor, ninguém irá ficar a seu lado, sem quem essa pessoa queira. Amor é assim, uma via de mão dupla. Amizade para ser verdadeira, é preciso saber que a outra pessoa deve estar com, ou seja, disposta a manter uma relação de amizade. Não adianta forçar porque não funciona. Quantos aos planos, diminua as expectativas. Enfrente a realidade em volta do resultado que você deseja. As vezes leva tempo para que tudo possa fluir na vida. Esse é o fator que muita gente precisa distinguir.

Entenda, a vida sempre encontra uma maneira de nos envergar, mas também ela nos proporciona a oportunidade de nos refazer novamente. Então, quando conseguimos compreender isso, deixamos da dependência do amor, da amizade e uma infinidade de coisas.

É bom que se entenda que, a chave para felicidade não está na espera. É isso mesmo que você leu ‘ a chave da felicidade não está na espera. Você não pode viver em prol de uma expectativa, pensando se isso vai acontecer, ou não. Independente daquilo que se pense, pode acontece ou não. Agora, depende das suas atitudes. Mas, não fique padecendo por conta da espera. Isso é criar prisões efetivas ” dependência “. Não que nós, não tenhamos a necessidade de retribuição, temos. Mas, não crie mecanismos que venham favorecer uma forma de sofrimento.

Aprenda a diminuir a bagagem. Tire tudo, deixe só o necessário, o que é verdadeiro, o que vem gratuito. É isso que nós faz bem.

Sabe aquele vento que vem de frente e te surpreende? Queira o melhor do melhor. Esse ventinho é gostoso e é assim que devemos receber as coisas. Quando se compreende esse detalhe, acabamos ficando muito verdadeiros conosco. Deixamos a casca de lado. Isso é importante.

Imagem : Gotas de paz.com.br

Texto: Marii Freire Pereira.