Tempo de incertezas

O tempo, ao qual se vive é de absoluta incerteza (aparentemente) para alguns, devido a essa intransponível circunstância que a Pandemia do Coronavirus nos trouxe. Todavia, esse tempo ( também), é maravilhoso se olhado do jeito certo. Ora, ele faz voltarmos a ser presente. É isso mesmo, voltamos a ser presente na vida um dos nossos, ou seja, das pessoas que amamos. Esse tempo de incerteza aproxima o homem do próprio homem _ é a vida servindo a própria vida. Parece estranho, mas vou explicar.

“Nunca se viveu um tempo tão bom”, como disse o cantor Gilberto Gil, é um tempo de “ficar dentro de casa”. O ser humano vive muito pra fora, e o ‘pra fora’ que aqui, me refiro, não se trata do ato de ter que sair e ir trabalhar, ganhar as ruas, a vida, as festas, não é nada disso. Claro, trabalhar é preciso, sair também, mas deixemos isso para outro momento. Esse é o melhor tempo, porque é um tempo de contato, não o toque, mas aquele contato que nos aproxima, que nos faz viver experiências verdadeiras. É o momento de nos sentirmos úteis a nos mesmo, e não a terceiros. Sabe? É olhar a vida enquanto resta um pouco de esperança. É conseguir olhar para sua família, seus filhos e abracá-los, enquanto há tempo. É se fazer presente na vida um do outro. Não queira abraçar lá frente, quando esse tempo já não lhe for mais possível, quando ele for um tempo irrecuperável.

[…]

Saudade é um sentimento gostoso de algo que se foi. Entende? De ” algo que de foi!”. Aproveite a ocasião, olhe mais para dentro de si, tente resgatar coisas que, inclusive foram importantes pra você, digo na sua época de criança. É importante falar cada um tem a sua particularidade em agregar valor a vida. Há pessoas que gostam desse momento, assim como existem aquelas que não. O pessimista, entende que esse é um tempo de derrotas, claro – ele não consegue reconhecer nenhum valor aqui, mas esse tempo, também tem muito a nos ensinar, a mostrar que somos mais do que essa imagem que vendemos.

O tempo que hoje, você julga perder, você não perde, pelo contrário, ganha em valores. É difícil explicar isso, porque poucas pessoas compreendem, mas ainda assim, é preciso falar.

Ontem, eu lia a Ariano Suassuna, porque precisava postar no blog, e duas coisas a respeito da história dele me chamou a atenção. A primeira, trata da construção de elementos importantes que o ajudou a superar a morte do pai, o que praticamente, acredito que ele nunca superou porque, isso lhe causou uma tremenda inquietação e, aos poucos foi lhe fazendo ‘aflorar’ pra vida e, assim conseguir se transformar nessa coisa gostosa que lemos a respeito de Ariano. E a segunda, foi algo que ele escreveu dentre tantos escritos, diz o seguinte:

” sou um escritor de poucos livros e poucos leitores. Vivo extraviado em meu tempo por acreditar em valores que a maioria julga ultrapassados. Entre esses, o amor, a honra e a beleza que ilumina caminhos da retidão, da superioridade moral, da elevação, da delicadeza, e não da vulnerabilidade dos sentimentos “.

Você compreende a riqueza, e o valor que ele descreve nessas poucas linhas? Penso, que o significado maior da vida esteja descrito no que ele enfatizou com tanta simplicidade. A vida só consegue florir por dentro. Fora ( externo), é o resultado do que se consegue abraçar.

[…]

No final, na minha e na sua somatória, o que vai constar como a coisa mais importante, são os resgates desses valores. É no passar da régua, que a vida lhe atribue um valor. O que faz mundo girar e ganhar um significado maior, é a presença de coisas simples, é a esperança, o amor e a possibilidade de sonhar do ser humano. É tal detalhe que consta. Ao contrário do que muitos pensam ou dizem, não é a riqueza, a briga por disputa de poder que vale mais. Evidente que isso tudo, tem a sua importância para aquilo que se considera bom e ruim para todos nós. Todavia, se você avaliar esses detalhes, no máximo, eles esmagam muito mais a nossa realidade do que constrói. Avalie! Mas procure avaliar dentro da sua particularidade. Seja capaz de delimitar a sua opinião, mas do que os possíveis ganhos, porque no final, o que conta é esse é isso.

A vida vale mais! A esperança, o fato de acreditar, e ao tempo saber esperar é o faz a diferença. Existe um ditado de diz o seguinte: a esperança é uma virtude que nos leva a procurar lidar com duas fomes. A primeira é contemplar e repartir o pão, a segunda é saber que vazio vamos preencher “. [Mario Sérgio Cortella], o que é mais importantes pra você nesse momento? Pense.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Chico Buarque

” Não se adobe não

Que nada é pra já.

O Amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário

Não posta-restante

Milênios, milênios

No are

E quem sabe, então

O Rio será

Alguma cidade submersa

Os escafandristas virão

Explorar sua casa

Seu quarto, suas coisas

Suas alma, desvãos

Sábios em vão

Tentarão decifrar

O eco de antigas palavras…”

Chico Buarque, Futuros Amantes,

Fonte: LyricFind

Imgem: O Beijo de Gustav Klimt

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Mario Quintana

Minha vida não foi um romance…

Nunca tive até hoje um segredo.

Se me amas, não digas, que morro

De surpresa…de encanto…de medo…

Minha vida não foi um romance,

Minha vida passou por passar.

Se não amas, não finjas, que vivo

Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance…

Pobre vida…passou sem enredo…

Glória a ti que me enches a vida

De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance…

Ai de mim…já se ia acabar!

Pobre vida que toda depende

De um sorriso…de um gesto…de um olhar…

Mario Quintana, Canção para uma valsa lenta. ( Poesias. Porto Alegre: Globo/ MEC, 1972)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 16 de abril de 2020

Ariano Suassuna

“ Quando eu morrer, não soltem meu cavalo

nas pedras do meu Pasto incendiado:

fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,

com a Espora de Ouro, até matá-lo

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo

numa Sela de couro esveradeado,

que arraste pelo Chão pedroso e pardo

chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,

tropel de casos, sangue do Castanho,

que, em vão _ Sangue insensato e vagabundo

_

tentei forjar, no meu Cantar estranho,

à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

Ariano Suassuna, LÁPIDE.

https://www.pensador.com.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 15 de abril de 2020

Tom Jobim

” Tarde cai a tarde

E a sombra vem andando pelo chão

Tarde cai a tarde

E a saudade

Também cai no coração

Pois alguém foi embora e não voltou

E outro alguém tão sozinho aqui chorou

Tarde cai a tarde

Cai o pranto dos meus olhos sem amor

Vento sopra vento

Levantando a poeira pelo chão

Vento sopra vento

Sopra forte dentro do meu coração…”

Cai a Tarde, Tom Jobim

https ://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 15 de abril de 2020

Ariano Suassuna

” Sou um escritor de poucos livros e poucos leitores. Vivo extraviado em meu tempo por acreditar em valores que a maioria julga ultrapassados. Entre esses, o amor, a honra e a beleza que ilumina caminhos da retidão, da superioridade moral, da elevação, da delicadeza, e não da vulnerabilidade dos sentimentos.

Ariano Suassuna.

Pensador.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 15 de abril de 2020

Ariano Suassuna

Em 16 de Junho de 1927, nascia em João Pessoa, Paraíba, Ariano Suassuna.

Com a morte do pai, João Suassuna em 1930 ( Revolução de 30), esta dada por motivos políticos, a família de Ariano mudou-se para Taperoá. Nessa cidade, ele começou os seus estudos, e anos mais tarde, acabou formando-se em Direito. Por volta de 1947, escreveu a sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. E com isso, foram aparecendo outros trabalhos. Ariano dedica-se a advogada e ao teatro, mas não só, ele também escrevia.

Em 1953, escreveu O Castigo da Soberba, depois O Rico Avarento, e assim , foi construindo a sua trajetória. Com o passar dos anos, geram inúmeras trabalhos, em 2000, ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Em 2004, a ABL, com ajuda da Trinca Filmes, produziu um documentário que reporta a a vida do Sertão. O nome é Sertão: Mundo de Ariano Suassuna.

Em 2007, a Rede Globo fez uma homenagem ao autor, ao produzir a minissérie: A Pedra do Reino, com a direção de Luiz Fernando Carvalho. Mas, exigem muitos trabalhos do Ariano que podem ser consultados. Eu dei só uma pincelada rápida na biografia do autor. Se você assim como, eu pesquise que vai encontrar muitas coisa boa. Claro, além do que ja falei, não poderia deixarde mencionar que, Ariano Suassuna, também acabou ocupando uma cadeira na Academia Brasileira Letras.

Ariano é esse presente que a sua própria história rendeu, e o melhor, nos deu. É como ele disse:

” Eu sou o menino que perdendo o pai, passou a vida inteira protestando …”

Discurso de posse na Academia Brasileira Letras, 1990

Marii Freire Pereira

Comentário e imagem: Wikipédia

Santarém, Pá 15 de abril de 2020

Tempo

O Tempo

Tem

Mostrado

Muito devagar

O desencanto

A meia vida

Que tenho vivido.

Lá fora

Há tantos sonhos

Quantos os que tenho sufocado em meu peito.

Todos pararam!

O tempo tem

Dito tanta coisa que a palavra se nega a revelar

O medo

O pudor

As últimas horas

O leito desfeito

A vida, tudo foi desprezado.

Cada minuto

Eu tento escrever uma nova história

Mas, tudo se perdera.

Preciso de uma pausa

Tenho saudades do meu ser

Que já morreu!

Que mediocridade é a vida, acredita?

Ninguém deve asfixiar tanto os sonhos

Devemos correr o risco

Sem conformismo

A vida amordaçada

Mas, antes da morte

Duluí-se as esperanças.

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 15 de abril de 2020

José Saramago

” Arranca metade do meu

corpo, do meu coração,

dos meus sonhos.

Tira um pedaço de mim,

qualquer coisa que me

desfaça. Me recria,

Porque eu não suporto

mais pertencer a tudo,

mas não caber em

lugar algum “.

José Saramago.

Imagem: escolaeducação.com.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, 15 de abril de 2020

Fernando Pessoa

” Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não sou.

Cada meu sonho é desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem,

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: <<Fui eu?>>

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa, Novas poesias Inéditas. Lisboa, 1993.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinderest

Santarém, Pá 14 de abril de 2020.