Clarice Lispector

Estou a um passo de admitir que a vida que levo é um pretexto para ofuscar a vida que não gostaria de ter. Vida como desculpa para existir. E o incrível é que eu não dou o passo. Fico tão imóvel que estar parada é o meu maior movimento. O mais violento. E não consigo sair exatamente daquele lugar onde todas as sensações ocorrem, justamente por estar tão grudada em mim é onde mais dói: na pele.

Clarice Lispector. Onde mais dói

Mensagenscomamor.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Veja Rio

Santarém, Pá 29 de Julho de 2020

Lima Barreto

” Não é a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.”

Lima Barreto.

https:// http://www.pensador.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: arquivo pessoal

Santarém, Pá 29 de Julho de 2020

Sobre um mar de rosas que arde

” Sobre um mar de rosas que arde

Em ondas fulvas, distante,

Erram meus olhos, diamante,

Como as mais dentro da tarde

…

Santarém nau em que, oh! alma, descuidas

Das esperanças tardias.”

( Pedro Kilkerry. In: Ítalo Maricone. Os cem melhores poemas brasileiros do século. São Paulo: Objetiva)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: arquivo pessoal / Monet. Os barcos 1874

Santarém, Pá 30 de Julho de 2020

VEM comigo!

Às vezes, é necessário abreviar a vida. Para novos recomeços, é preciso ter coragem para transformar aquilo que foi possível “recolher” do que encolhia- se dela. Reconhecer a si mesmo, é tirar o olhar da xícara de café, das viagens, das roupas caras e pegar no sono daquilo que somos dentro de nossas paredes secretas. O tempo do café pode esperar, as viagens, podem nos poupar dos desgostos. Não adianta acender um clarão é não permitir que sejamos. Nós somos! Somos sempre parte do sonho do dia seguinte, cansados talvez!..mas, teimosos. Teimosos no rascunho do que conhecemos de nós mesmos, e no que precisamos escrever.
O dia amanheceu! Trate de averiguar bem a sua realidade e começas escrever um capítulo novo!!

Marii Freire.

Renato Teixeira

” É de laço e de pó

O destino de um só

Feito eu perdido em pensamentos

Sobre o meu cavalo

É de laço é de nó

De gibeira o jiló

Dessa vida, cumprida a sol

Sou caipira pirapora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

E funda o trem da minha vida

o meu pai foi peão

Minha mãe solidão

Meus irmãos

Perderam- se na vida

A custa de aventuras

Descasei, joguei

Investi, desisti

Se há sorte

Eu não sei

Nunca vi

Me disseram porém

Que eu viesse aqui

Prá pedir de romaria e prece

Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar

Só queria mostrar

Meu olhar, meu olhar,

Meu olhar…

Renato Teixeira, Romaria

Fonte: Musixmatch

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. deborando

Santarém, 29 de Julho de 2020

Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que os mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros. O apanhador de desperdícios.

culturafm.cmmais.com.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Dean Crouser Fine Art

Santarém, 29 de Julho de 2020

Manoel de Barros

Manoel de Barros é considerado como um dos maiores poetas brasileiros. Nascido aos 19 de março de 1916, em Cuiabá (MT), onde passou parte de sua infância . Aos 13 de anos, mudou-se para Campo Grande. Anos depois, ele foi estudar no Rio de Janeiro, onde formou-se em Direito.

Engana -se quem pensa que o seu primeiro livro tenha sido de poesia. Na verdade, o primeiro livro de Manoel surgiu por conta de uma confusão com a polícia, quando ele ainda vivia no Rio de Janeiro. Tudo teria ocorrido por conta de uma pichação que Manoel teria feito numa estátua, onde dizia ” Viva o Comunismo “. Em meio a confusão, a polícia foi na pensão que Manoel morava para prendê-lo. A dona do estabelecimento pediu para que não o prendesse ele, pois era uma pessoa de boa índole, inclusive havia escrito um livro chamado ” Nossa Senhora de minha escuridão. Havendo a sensibilização do policial por conta da história, Manoel não foi preso, porém o livro fora.

Embora a vida de Manoel tenha sido toda voltada a poesia, afirma -se que, o primeiro trabalho só teria sido escrito por volta dos seus 19 anos.

Apesar de ter vários trabalhos, ele só passou ter reconhecimento a partir da década de 1980. Daí por diante, Manoel ganhou vários prêmios, dentre eles, o Jabuti. Em 1987, surge ” O guardador de águas”. Com grande destaque, teve trabalhos publicados em Portugal. Manoel também é um escritor brasileiro com reconhecimento na Espanha e na França.

A poesia de Manoel é surrealista. Outra característica bastante comum em seu trabalho é o uso do vocabulário coloquial rural. Manoel trabalha muita a questão da natureza, como por exemplo:

” Remexo com um pedacinho de arame nas minhas memórias fósseis

Tem por lá um menino a brincar no terreiro

entre conchas, osso de arara, sabugo

…

O menino também puxava, nos becos de sua aldeia, por um barbante sujo…

…

O menino hoje é um douto que trata com física quântica.

Mas tem nostalgia das latas.

Tem saudades de puxar por um barbante sujo uma latas tristes.

Aos parentes que ficaram na aldeia esse homem

encomendou uma árvore forte…

para caber nos seus passarinhos.

De tarde os passarinhos fazemárvore nele”.

( Fragmento 14, do Livro para encantar o azul eu uso pássaros. Apud Bravo! Junho 1998)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Se você desejar conhecer mais sobre a poesia de 1930 – 1940, pesquise mais sobre o trabalho de Manoel de Barros e toda a sua contribuição para a literatura brasileira. É um encanto!..

Marii Freire Pereira

Imagem: Marlene Bergamo/ Folhapress. Página Manoel de Barros/ Facebook.

Santarém, 29 de Julho de 2020

VEM comigo!

Somos fragmentos da matéria…

O ímpeto generoso…

Passando, passando…suavemente da realidade

Para ganhar os olhos da imaginação.

Sublinhamos o silêncio

Talvez, ele a consciência dos nossos gemidos.

Olhamos para o céu,

Olhamos para o alto, escutando a própria memória,

Observando nos vultos da imaginação

As alucinações, que por vezes, vem nos povoa. Isto é, revestir de humanidade.

Quantas cores bonitas pousam em nossas janelas!

Chegam sempre silenciosas,

Outras, divertidas…

Sublimes,

Algumas carregadas de uma brisa suave,

Já outras, parecem festejos

Não pedem licença: entram e saem,

Não param em lugar algum.

Algumas pousam, chegam trazendo sempre um pouco de esperança,

Nos fazendo condensar… o tempo!

“Dormimos a beleza daquilo que sonhamos!…”

O tempo é um senhor generoso

Ele diz a nossa velha memória

Que a nossa carruagem passa sempre a meia noite…

É o destino de todos nós!

Ímpeto e generoso,

Ele é permissivo,

Mas

Recebe sempre os dividendos.

Sabe ser camarada e fronteiriço

Quando chega o seu tempo, não adianta correr,

Choram ou discutir suas cláusulas.

Com o tempo não se discute. Faz-se um acordo:

Vive sem tormenta.

Sem sofrer

Sem morrer…

Sem o que nos sobrecarrega.

A vida segue,

Contemplamos

A paisagem vista pela janela

A vida se amontoa dessa maneira.

Crescemos portanto, com as nossas sensações primitivas,

Mas

Com o coração grato por tecer

Com fios de ouro aquilo que chamamos de vida.

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Lolkitu

Santarém, Pá 29 de Julho de 2020

Chico Buarque & Gilberto Gil

” É sempre bom lembrar

Que um copo vazio

Está cheio de ar

É sempre bom lembrar

Que o ar sombrio de um rosto

Está cheio de um ar vazio

Vazio daquilo que no ar do copo

Ocupa um lugar

É sempre bom lembrar

Guardar de cor que o vazio

De um rosto sombrio está cheio de dor

É sempre bom lembrar

Que um copo vazio

Está cheio de ar…”

Chico Buarque e Gilberto Gil, Copo Vazio

Composição: Gilberto Gil.

Fonte: Musixmatch

Imagem ” Copo Vazio ” Google

Santarém, Pá 28 de Julho de 2020

Olavo Bilac

” Como uma procissão espectral que se move…

Dobra o sino..soluça um verso de Dirceu…

Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove…”

Olavo Bilac. Vila Rica. ( Melhores poemas de Olavo Bilac, cit, p.105) Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Renata Pereira/ Ouro Preto. Minas Gerais

Santarém, Pá 28 de Julho de 2020