Fernando Pessoa

” Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

https://www.pensador.com

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Wattpad

Santarém, Pá 31 de Julho de 2020

Aerosmith

Come here baby

You know you drive me up a wall

The way you make good on all the nasty tricks you pull

Seems like we’re makin up more than we’re makin’love

And it always seems you got somethin makin’ love

other than me

Girl, foi got to change your crazy ways

You hear me

Say you’re leavin’on a seven thirty train

And that you’re heardin’out to Hollywood

Girl, you been givin’ me that line so many times

It kinda gets like feeling bad looks good

That kinda lovin’

Turns a maneira to a slave

That kinda lovin’

Sends a maneira right to his grave

I go crazy, crazy, baby, I go crazy

Foi turn it on

Then you’re hoje

Foi drive me

Crazy, crazy, crazy, for you Baby

What can I do, honey

I feel like the colorido blue

You’re packin’ upa your stuff and talkin’ like it’s tough

And tryin’ to tell me that it’s time to go

But I know you ain’t wearin nothin undernearth

that overcoat

And it’s all a show

That kind of lovin’

Makes me wanna pull

Down the shade

That kind of lovin’

Now I’m dever gonna be the same

I go crazy, crazy, baby, I go crazy

Foi turn it on

Then you’re hoje

Foi drive me

Crazy, crazy, crazy, for you baby …”

Aerosmith. Crazy.

Composição: Sérgio Bittencourt/ Joe Perry/ Steven Tyler

https://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: 105.net

Santarém, Pá 31 de Julho de 2020

Hilda Hilst

Aos amantes é lícito a voz desvanecida

Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:

Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora

Recolhe as tuas papoulas, teus narcisos. Não vês

Que sobre o muro dos mortos a garganta do mundo

Ronda escurecida?

Não é tempo, senhora. Ave, moinho e vento

Num vértice de sombra. Podes cantar de amor

Quando tudo anoitece? Antes lamenta

Essa teia de seda que a garganta tece.

Ama-me . Desvaneço e suplico. Aos amantes é lícito

Vertigens e pedidos. E é tão grande a minha fome

Tão intenso meu canto, tão flamante meu preclaro tecido

Que o mundo inteiro, amor, há de cantar comigo.

Hilda Hilst. Ama-me

https:// http://www.culturagenial.com

Imagem: Pinterest. Lucros & Café

Santarém, Pá 31 de Julho de 2020

Jorge de Lima

Já não vejo mais a paisagem de plantas carnívoras.

Levada pelos riachos a água velha canta de novo.

A relva ignora sua tragédia e alteia as folhas inocentes.

Regresso ao tempo, Davi.

Como tu tenho harpa e tenho Deus.

E num dia biblioteco assim

fora dos tempos

posso voltar as origens,

e sentir como tu

que sou mais forte que o rei

mas forte que todos os Golias.

Mas não sei como tu

Distinguir se essa estrela claríssima

é a estrela da manhã

ou se é mesmo a poesia

que nós vemos no céu

_ antecedente e posterior a tudo.

Jorge de Lima . O poeta vence o Tempo . Livro: Tempo é eternidade ( org.Alexei Bueno), Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p.338

https://www.redelyc.org

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Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Ann George

Santarém, 31 de Julho de 2020

Luís de Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho,

Para matar-me, e novas esquivanças;

Que não pode tirar- me as esperanças,

Que mal me tirará o que nos tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguras!

Que não temos contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que me mata e não se vê;

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como, e dói não sei por quê.

Luís de Camões ( Soneto lírico- amoroso, cit. p 112)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

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Marii Freire Pereira

Imagem: arquivo pessoal/ Torre de Belém,em Lisboa, de onde partiam as caravelas.

Santarém, 31 de Julho de 2020

Os lusíadas

” Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo, doce fruito,

Naquele engano da alma ledo e cego,

Que a Fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes ensinando e às ervinhas

O nome que no escrito tinhas.

[…]

Os lusíadas ( Canto III) O assassinato de Inês de Castro, em gravura do século XVIII

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

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Marii Freire Pereira

Imagem: arquivo pessoal

Santarém, Pá 31 de Julho 2020

Carlos Drummond de Andrade

Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo, eu no centro.

Nenhum tinha rosto. Eram reconhecíveis pela expressão corporal e pelo que diziam no silêncio de sua roupas além da moda e de tecidos; roupas não anunciadas nem vendidas.

Nenhum tinha rosto. O que diziam escusava resposta,

ficava parado, suspenso no salão, objeto denso, tranquilo.

Notei um lugar vazio na roda.

Lentamente fui ocupá- lo.

Surgiram todos os rostos, iluminados.

Carlos Drummond de Andrade. Comunhão. Nova Cultural. São Paulo, 1990

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. lets GEit! Still With you on Twitter

Santarém, Pá 31 de Julho 2020

Memory

Um dia com delicadeza, voltaremos tocar em nossas lembranças [ memory], de um jeito harmônico. Embalaremos com respeito, parte do que formos outrora. Reviveremos o gozo, os dissabores e todas as inquietações pendentes. Decerto que essas lembranças nos fará sentir a sensação do que ficou guardado num canto, ” num encanto” misterioso, grandioso pela largura talvez, ou quem sabe pelo exagero, só pelo exagero das palavras…

É bom nos encontrar de vez em sempre. Assim podemos saborear a docilidade com lucidez, bem como, reviver as acres lembranças, (…), são elas, que permitem com que se enxergue a realidade do jeito certo, ou seja, ‘ dura. Porém, se sabe que é através das angústias que é possível nos reconciliar com nós mesmos, é o que se chama de ” estar- no- mundo”. É essa linguagem que de um jeito certo, suscita o valor daquilo que vamos recebendo na surdina…podemos dizer assim. Evidentemente que, tudo o que chega causa mudança, e pode ir aos poucos enfraquecendo a gente, dilacerando por dentro, diria.

Ora, essa mudança pode surgir numa linguagem doce. Ora, diria que ela pode sugerir uma curiosidade maior para que se possa compreender todo esse processo – complexo- mas que de um jeito tímido, vai-se compondo a melodia dos sentidos, das assombrações, do que reveste-nos da memória de passado e presente. São lembranças que, uma vez manifestadas, causam a sensação de fragilidade. São registros que apesar, da profundeza em si, mostra não só o tempo percorrido, mas o que junta, soma e evidentemente… agrega, dentro desse silêncio que constitue a vida e todo o seu significado.

A memória tem essa coisa de fazer uma sondagem íntima daquilo que somos, considerando basicamente tudo, ou seja, não abandona nada, pelo contrário, ela considera o nosso afastamento, bem como a nossa reconciliação com tudo, ou seja, a nossa humanidade. É a partir das sensações de coisas que nos permeada algo como, dor, angústia, sofrimento que ela reúne essas características meio que debochadando de nós, e nos lança rumo ao exterior, ou seja, acaba nos expondo. E assim, diante de nossas mazelas, nos reconhemos como ser humanos, pessoa de valor.

Somos julgados por nós mesmos, a memória é uma intimidade que nos amedronta por origem. Socialmente, somos seres transfigurados, e poeticamente, personagens.. sem recriminações. Não adianta morrer, a vida é uma ordem. Vivamos em paz com o que prossegue em estado de dormência dentro de nós

[…]

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. nachozitsev

Santarém, Pá 31 de Julho de 2020

Afinal, qual é a imagem que reflete no espelho?

Começo esse texto fazendo uma pergunta: você já reparou na imagem que aparece no espelho? Quando você se olha, quem você consegue enxergar? É você mesmo ( a) ou um personagem que você representa? Ora, que hilário, a sociedade nos educa para a felicidade. No entanto, nos costumamos cultivar o contrário. Como o contrário? Somos incentivados a enfrentar a dor.

Bem, desde que nascemos nossas mães, principalmente elas, que é, quem passa a maior parte do tempo conosco, nos diz para fazermos tudo de acordo com as regras que nos ensinam que é justamente para alcançarmos a tal da felicidade. E assim fazemos. Olhe, sente-se de pernas fechadas, sorria para parecer gentil, seja uma mulher inteligência, elegante [ se] preciso até submissa para ter um bom pai para os seus filhos. Ame, respeite, aprenda se vestir com elegância…” seja perfeita “, certamente, agindo assim, você construirá caminhos que te fará ser uma pessoa bem-sucedida. Certo? Ledo engano! O peso de todos esses ensinamentos, acaba nos tornando pessoas frustradas.

Na verdade, somos educados para sermos felizes, mas na primeira dificuldade, o que nos dizem? ” aguenta!”, fulano suportou isso e aquilo, você também pode. Entende? Nós, não somos preparados para lidar com o feio, com o que machuca, com o que dói. Pouco a pouco, acabamos sendo ” adestrados ” para aquilo que somos de verdade, ou seja, na maior parte do tempo, uma somatória de fracassos.

Às vezes, você entra em contradição consigo mesmo (a), por conta do que não entende ou mesmo, não sabe administrar acerca do que aprendeu. Aprendeu errado? Por que a vida não deu certo, afinal não somos moldados para os caminhos menos complicados? É, somos o resultado do inverso do que nos ensinaram, do que nos tiraram o direito de ser, ou ter… para refletirmos uma sociedade de ” faz de conta”.

Nós seres humanos, sofremos uma pressão enorme para sermos felizes. A maioria não suporta, finge ser, para tocar a vida. O ser humano se vir de mil maneiras para dizer que é feliz. Às vezes, vivem um casamento fracassado, mas não separa, só para não dá margem ao falatório alheio ou vive num emprego que não gosta só para ter uma vida para representar para outros. Afinal, que sentido faz isso? Não seria melhor se desde o início, ou seja, quando na fase de criança, já fossemos preparados para lidar com as frustações da vida, ao invés de alimentarem a nossa imaginação com coisas que não se alcança de forma gratuita? Claro que olhando para uma criança, percebermos que ela não tem estrutura física e psicológica para lidar com os problemas. Todavia, “mentir” para amenizar o peso da realidade também não ajuda, porque uma vez adulto, ela será uma pessoa que viverá uma eterna contradição.

Há pessoas que não sabem mesmo, lidar com determinadas situações, às vezes, é um adulto problemático. E para piorar a situação, tem aquele que diz” ah, eu passei por coisa pior, e não morri”. Mas entenda, cada ser é único, portanto, tem uma maneira de reagir!..

É comum em cada cultura, vermos pessoas sendo adestradas ou ensinadas, como queira com regras que as sobrecarregam, tornando portanto, pessoas infelizes. Quando essas pessoas, digo homens e mulheres chegam a uma certa idade, elas procuram no seu íntimo a verdade daquilo que são. É como se houvesse um espelho imenso diante de si, e no momento de seus conflitos internos, elas olhassem fixamente para aquela imagem na tentativa de se encontrar.

[…]

Afinal, quem reflete diante do espelho? Em quem a sociedade nos transforma? Somos nós mesmos, ou resultado daqueles que nos ensinaram ser ? E hoje, quem somos?

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Google.com.br

Santarém, Pá 29 de Julho de 2020

Mario Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram,

Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.

Depois, a cada vez que me mataram,

Foram levando qualquer coisa minha

Hoje, dos meus cadáveres eu sou

O mais desnudo, o que não tem mais nada.

Arde um toco de Vela amarelada,

Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de

estrada!

Pois dessa mão avaramemte adunca

Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!

Que a luz trêmula é triste como um ai,

A luz de um morto não se apaga nunca!

Mario Quintana. A Rua Dos Cataventos

escritas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Dulce Helfer/ Correiodopovo.com.br

Santarém, Pá 29 de Julho de 2020