Pablo Neruda

Todos me perguntaban cuándo parto,

cuándo me voy. Aí parecer

que uno hubiera sellado em silencio

un contrato terrible:

irse de cualquer modo a alguna parte

aunque no quiera firme a ningún lado.

Señores, no me voy,

yo soy de Iquique,

soy de las vinãs negra de Parral,

del água de Temuco,

de la tierra delgada,

soy y estoy

Pablo Neruda. [ TODOS ME PREGUNTABAN]. Ultimos poemas. ( O Mar eE os sinos). Edição bilíngue. Luiz de Miranda. L& PMCLASSICOSMODERNOS. Porto Alegre, 2018

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Hienas Dicas, Viagem Inteligente.

Santarém, Pá 10 de outubro de 2020

educação para crianças sem rumo

Quando você fala a respeito de educação no Brasil, sabe quais são as dificuldades a serem enfrentadas. Não é tão simples falar de um problema secular, sem desejar o melhorar para as nossas crianças, mas também compreender o quão difícil é trabalhar essas dificuldades na prática. Ora, imagine, quando fala-se que falta investir no profissional da educação, é interessante compreender que existe muitas preocupações em relação a ele, bem como, em relação as crianças. Algumas tem sorte de ir para a escola, já outras dependem da boa vontade e atitude de alguns.

Se “as crianças são o futuro desse pais”, pergunta-se: ‘a criança que não recebe um acompanhamento adequado e uma educação de qualidade, tem as mesmas condições de competir com aqueles que estudaram em ótimos colegios? ‘Neste caso, há de se falar em futuro? Isso vale para elas e para o país? Pense como será a construção desse futuro.

Essa mulher que aparece na imagem chama-se Yvonne. Existe uma matéria a respeito do trabalho dela no EL PAÍS, muito boa, por sinal. Yvonne dedicou grande parte de seu tempo para alfabetizar ” crianças sem rumo”. Assim, aparece escrito na matéria. Criança sem rumo? Vamos, deixe-me perguntar: ” O QUE É UMA CRIANÇA SRM RUMO?”

“Criança sem rumo é aquela que tem que despertar o interesse, e a preocupação de gente geande”, sabe por que? Porque caso não tenhamos nenhuma preocupação com elas, simplesmente, torno a dizer : ” não haverá futuro!”.

A preocupação de Yvonne é memorável. O comportamento também, pois embora, ela tenha recebido o nome de louca muitas vezes, assim como, olhar de indiferença por parte daqueles que se sentiram incomodados, a forma de agir dessa mulher, foi de uma grandeza significativa. As suas atitudes em relação a essas crianças sem rumo (crianças em condição de rua), foi grandioso. Simplesmente, o trabalho dela foi é trazendo isso para cá, para os dias atuais, vai de encontro a uma realidade chamada ” indiferença. Ela foi uma ‘ das’ muitas pessoas que olharam para esses garotos como gente, pessoas em fase de formação, e que precisam de cuidado, porque do contrário, eles fariam parte do que se chama de “fábrica do crime.” Se você olhar, são meninos que não têm nenhuma condição socioemocional, não têm nenhum valor para a sociedade, muito menos para frequentar uma escola e tirar o máximo proveito dos estudos. E isso por conta de um detalhe simples, a realidade a qual estavam inseridos. É um contexto pesado, e se essas crianças não tiverem nenhum tipo de ajuda, a sociedade os perde muito cedo.

Quando uma pessoa se preocupa com o futuro do país, como foi o caso da Yvonne, ela de oferecer suporte a esses meninos. Só a educação é capaz de fazer a diferença na vida deles. Era o que ela fazia, alfabetizava os rumos. O erro da sociedade para muitos. Mas ela não, o intuito maior era oferecer conhecimento, o ” mínimo possível “, mas eles precisavam disso já que parte de seus direitos a vida já tinha lhes negado.

A Yvonne no ano de 1993, presenciou a chacina da Candelaria. Ela viu os primeiros corpos ao solo. Foi a ela que eles chamaram quando precisaram de alguém para os ajudar. Nessa mesma época, ela dava aula para 250 crianças. Hoje Yvonne tem 70 anos.

Você entende como é importante o trabalho de pessoas como ela para o país? O valor dado à existência de uma criança? A condição de os ajudar, com o intuito de aprimorar essas crianças? De questionar o óbvio que a sociedade ou parte dela teima em não enxergar? A oportunidade que cada menino e menina de rua tem, depende desse tipo de consciência. Não basta chama-los de marginais sem trabalhar o problema. É preciso oferecer ajuda enquanto é possível. É preciso prepará -os para o futuro, educando e oferecendo segurança a eles, porque do contrário, essa frase de que, as crianças são o futuro desse pais é utópico.

Marii Freire Pereira

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Imagem: EL PAÍS:

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Santarém, Pá 10 de outubro de 2020

Morte: como lidar com a perda e a dor da saudade

A morte é um mistério que rompe o sentido da vida, melhor, corrompe o sentido do barulho das almas. Você vê, que coisa maravilhosa é olhar para uma pessoa e poder tocar, abraçar, rir junto com ela. Mas, e quando esse riso deixa de fazer sentido? Quando a saudade de quem amamos fica presa na janela do pensamento, aliás, vira uma porta tracada, e você tem consciência de que naquele lugar não poderá entrar novamente?! Dói e é uma seca. Mas, além da saudade de quem parte, fica (também) as lembranças de outrora.

“Tão solitária é a saudade, alucinante e violenta no correr do tempo”.

A morte é uma decadência, ela faz com que a gente tropece no que não existe mais. Ora, se alastra. Ora, se recolhe. A morte é uma travessia, uma perda dolorosa e solitária.

Toda perda, representa para nós, uma espécie de luto. Um distanciamento de imagens, de pessoas, situações que mostra aos poucos, vai o quanto estamos perdendo. ‘Cá entre nós’, perder se perde todos os dias, mas por incrível que pareça, às vezes, o abrir dos olhos é sempre tardio.

“Rara são as vezes que vemos que estamos perdendo”.

Ou deixando para trás, resto de vida pelo caminho. Há diferentes espécies de morte, mas existe uma em que você sabe que todos os dias, trava um duelo com ela, é a morte da alma. Uma pessoa por exemplo, descobre um câncer, tem uma desilusão amorosa, ou ainda, vive qualquer outra situação que lhe faça perder o sentido, o gosto pela. Isso maltrata, fere o ser humano por dentro. Não só aniquila os sonhos, mas também faz com que se sangre ao despefir-se do mundo, das pessoas, e de tudo o que se planeja. A dor da perda é algo inenarrável. Simplesmente, somos obrigados a deixar para trásn, até mesmo o direito de sonhar.

Ora, imagine, que horas injustas são essas que nos resta… ‘a hora derradeira’, da vida.

Há dentro de nós, um cemitério que chora e que ninguém se aproxima da dor. Um vestido branco, e uma vida que cabe nele…” num suspiro de dor, dor seca – um grito que ninguém interrompe. É um processo psicológico de miséria, desânimo e, que só nessas hora nos permite avaliar o que tem importância. O que é compreensível e o incompreensível…verdadeiramente.

Todos nós sabemos que um dia vamos morrer, que a morte é um processo natural. E a dor, assim como, a perda fazem parte do nosso processo de crescimento, de despertar para as preocupações. Mas, perder sabendo que você se aproxima do fim é doloroso. O psicológico é maltratado porque tem que aprender a se moldar a realidade. É um tempo conflituoso que você terá que aprender a lidar com esse processo de colisão. Do encontro e o desencontro, até o último suspiro.

O sentimento da morte é definido como um transtorno que se leva tempo para se recuperar a alegria, o sentido da vida. A ‘vontade de viver’, como se costuma dizer, de sorrir, mas, sorrir a ponto de não sentir a dor espiritual. A carne sente, mas o que adoece primeiramente é o espírito. Talvez, a expressão genuína a respeito disso é que a alegria humana vai se esvaindo-se quando perdemos um ente querido, por exemplo. Ali, definitivamente as portas se fecham. Leva o outro e também um pouco de nós.

A arte de viver requer muito do ser humano. Por isso, preste atenção ao que tem, as pessoas que têm por perto. Valorize o que é essencial, e mais, tenha carinho enquanto elas estão vivas, porque a hora da partida nunca se sabe.

[…]

Não espere uma pessoa morrer para descobrir o quanto ela é importante pra você. Valorize-a enquanto você pode, enquanto é possível. Pois, o tempo não volta atrás. Sabe aquelas brigas desnecessárias? Esqueça todas, pois até quando uma pessoa morre, elas deixam de ter sentido. Preocupe-se em cultivar a beleza que for possível para deixar boas lembranças. É o regalo da vida. No final, só as coisas boas, é o que conta.

[Independentemente] das diferenças, que você tenha com os seus, seja grande o suficiente para guardar o respeito pela memória de quem já partiu, nesse ato de ir, deixe um sentimento bom no seu silêncio.

A morte é um triunfo para quem vai e um convite para quem fica. Estejamos cientes de que um dia ( também ) seremos saudade na vida de alguém.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Old, but gold

Santarém, Pá 10 de outubro de 2020

Victor Hugo

” A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço as almas o enlace. “

Victor Hugo

Pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Edil Carvalho

Santarém, Pá 10 de outubro de 2020

Florbela Espanca

[…]

O que trago

Em mim? Eu ouço bocas silenciosas

Murmurar-me as palavras misteriosas

Que pertubam meu ser como um afago!

E n3sta febre ansiosa que me invade,

Dispor a minha mortalha, o meu burel,

E, já não sou, Amor, Soror saudade…

Olhos a arder em êxtase de amor,

Boca a saber a sol, a fruta, a mel:

Sou a charneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca. Charneca Em Flor. Vol.2 Livro de Soror Saudade, Charneca em flor, Reliquiae. Porto Alegre, L& PM POCKET. 2018.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Lotus Seed

Santarém, Pá 10 de outubro de 2020

Tom Jobim

” Eu sei que você sabe,

Que distância não existe.

Que todo grande amor,

Só é bem grande se for triste.

Por isso, meu amor

Não tenha medo de sofrer,

Que todos os caminhos

Me encaminham pra você.

Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Eu não existo sem você

Fonte: LyricFind

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Folha de São Paulo

Santarém, Pá 9 de outubro de 2020

Feminicídio

O feminicídio é um assunto importante porque trata de um crime que atinge mulheres e meninas. Não é por acaso que este, dar-se por uma questão de gênero. Lembro que o principal abrigo dele é o silêncio das vítimas. Se a mulher calar, ela contribui com a violência.

Como na prática se analisa essa questão? fazendo uma retrospectiva do passado. Antigamente, existia uma máxima que dizia que o homem lavava a sua ” honra”, com sangue, vamos dizer assim. Se esse sofresse desonra por parte da mulher, se acha no direito de ceifar a vida desta, por ter sofrido dano irreparável. Um exemplo, que poderia se construir neste caso, seria usar o personagem ” Bentinho” de Machado de Assis, por ser paranóico e inseguro, ” ensandecido de ciúmes “, como muitos que mataram as suas esposas.

Se você analisar bem essa questão, verá que antigamente, se matava em nome da honra. Então, o feminicídio croiu-se dentro dessa concepção atrelada ao costume. E o costume valia para a sociedade, como o direito vale hoje para nós. Acontecia algo, o homem matava a mulher, pronto, estava resolvido. E essa visão arcaica foi sendo passada de geração para geração até chegar a um ponto em que ‘toda essa negativa’, passou a não ser bem vista pela a sociedade ou seja, não é preciso matar para justificar absolutamente, nada.

Segundo o G1 SP e o GloboNews, só no primeiro semestre de 2020. O número de mortes de mulheres subiu bastante em relação a violência de modo geral. Em outras palavras, o feminicídio tem sido um tipo de violência praticada com frequência contra a mulher. E na maioria dessas mortes, quem as pratica é o marido ou o parceiro. O local de costume é o lar, que da porta para dentro, é um ambiente feliz, certo? Não. Nesse lugar é onde mais acontece atrocidades cometidas contra a mulher por ela se sentir inibida, por não conseguir pedir socorro.

Como se sabe, em 2015, o feminicídio foi tipificado como crime hediondo. Os casos de assassinatos, estão sempre relacionados à violência doméstica. Se você, verificar a atualização desses dados no site do CNJ, poderá analisar cada Estado, bem como os números da violência que é crescente.

Só para você ter uma idéia, o CNJ, especificou que “o Brasil terminou o ano de 2019 com um 1 milhão de processos de violência doméstica e 5, 1 mil processo de feminicídio”. De 2018 para cá, esses números tem ganhado proporções gigantescas.

O que explica isso?

O que já foi citado no início do texto, que nada mais é do que o poder do homem sobre a mulher. Por uma questão cultural, pelo exemplo, resquícios do patriarcalismo e por todo conceito trabalho dentro de uma hierarquia, onde essa mulher permanece sempre numa posição inferior. Além do mais, existem uma série de outros fatores que contribuem para essa violência. Um deles, o homem trata a mulher como objeto. É como se essa fizesse parte de seus negócios, ” é dele, portanto, faz o que bem entende”. Cultural, a mulher foi educada para receber muita coisa calada. Se procurar um culpado pela relação não ter dado certo, essa culpa sempre recaiu sobre quem? A mulher.

Por mais que sofresse, apanhasse, passasse por tudo de humilhação, o peso da relação era dado a mulher. O sujeito passivo, dentro desse contexto de violência não era outra pessoa senão, a mulher. Essa tinha que suportar calada as misérias que sofria.

Todavia, com o passar dos anos, esse retrato foi mudando, ou seja, com algumas mudanças culturais e sociais foi surgindo a necessidade de mudar esse calvário, e o esforço tem sido esse de adotar procedimentos que ajudam a mulher se defender de seus algozes. E dentre outras medidas, é fazer com que a vítima tenha a possibilidade de pedir ajuda quando não existe nenhuma forma de administrar o relacionamento de maneira saudável.

Você nota que diante de tal realidade houve a ” sensibilidade “, em dizer ” não ” ao que estava errado. Com isso, existe um compromisso sério de instituições, órgãos e leis que trabalham para inibir essa prática. Hoje por exemplo, a mulher tem a possibilidade de ir a uma delegacia especializada e registrar que foi vítima de agressão.

A Lei n° – 11.340/06 (Maria da Penha ), ela veio com o intuito, não de acabar a violência como a maioria pensa. Mas, principalmente, trazer essa resposta positiva de alertar. Claro- é um trabalho que serve para que a sociedade esteja atenta a essa violência e denuncie.

Como denunciar?

A primeira atitude é a mulher ter consciência de que para viver com um homem, não precisa passar por maus-tratos. Depois, se houver a constatação deste, que ela tenha coragem de ir a uma delegacia e denunciar o agressor.

Medidas protetivas

Elas existem, na verdade, são mecanismos que oferecem a mulher mais segurança. Mas, que fique claro, não resolve o problema. Sabe-se que há casos onde o agressor sabe os períodos em que a mulher ficar sozinha e aproveita certos intervalos de tempo para agredi-la ou matá-la.

É bom esclarecer que a proteção em tempo integral, não existe. O Estado não tem condição de se fazer presente em cada situação dessa. Ora, imagine, quantos casos de violência não acontece durante o dia ou até mesmo a noite, melhor: ‘ madrugada’ principalmente, período que o agressor sabe que não será pego. Será chamado no dia seguinte quando a mulher estiver com o olho roxo. Por isso, é bom que todas as mulheres estejam atentas para situações como essa.

Ao perceber que não existe a menor possibilidade de viver uma relação saudável com um homem, a mulher deve refletir sobre o futuro desse relacionamento. Se ela se cala e permite que o marido ou mesmo o companheiro a trate com falta de respeito, porque ‘tudo começa por detalhes pequenos’, irá se arrepender. Pois de uma palavra, passa para um empurrão, e muitas mulheres costumam cair da escada, conheces essa justificativa? Pois bem, existe.

Entenda, não é perdoando o agressor que se “arrepende”, horas depois que vai fazer ele mudar.

Quanto mais você calar, se encolher num canto, mais sofrimento irá passar, porque ele vai bater.

O feminicídio acontece por essa relação de poder. Se o homem se sentir frustrado ou mesmo perceber que a mulher não segue as suas regras, ele desce o braço. Isso não muda, por mais que ela o ame.

Amor não se constrói com violência. Se você perceber que a pessoa a qual você convive desconhece esse detalhe, converse com ela. Se não melhorar as atitudes, procure sair dessa relação, se for difícil, procure ajuda. Não der brecha para invenções neuróticas, e mais, não perca a própria vida por conta de quem não te ama.

Amor anda paralelo com o respeito. Um bom relacionamento é aquele que te permite contra-argumentar. Se numa relação os dois mesmo com alguns conflitos, se o casal se permitem conversar, sem fazer uso de palavras de ofensas, rir, brincar e tudo mais, é sinal de que é possível viver uma vida a dois sabendo administrar as diferenças. O que não pode é partir para uma situação doentia e acabar numa tragédia, ou seja, ceifando a vida da mulher

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 9 de outubro de 2020

Vinicius de Moraes

” No sangue e na lama

O corpo sem vida tombou.

Mas nós olhos do homem caído

Havia ainda sangue a luz do sacrifício que redime

E no grande Espírito que adejava o mar e o monte

Mil vozes clamavam que vitória do homem forte tombada na luta

Era o novo Evangelo para o homem da paz que lavra no campo.”

Vinicius de Moraes. Sacrifício. (Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974. p. 68) – Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual editora. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira.

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Santarém, Pá 9 de outubro de 2020

Álvares de Azevedo

” Meu pobre leito! eu amo-te contudo!

Aqui levei sonhando noites belas:

As longas horas olvidei libando

Ardentes gotas de licor dourado,

Esqueci-as no fumo, na leitura

Das páginas lascivas do romance…

Meu leite juvenil, da minha vida

És a página de ouro. Em teu asilo

Eu sonho- me poeta, e sou ditoso,

E a mente errante devaneia em mundos

Que esmalte a fantasia! Oh, quantas

Do levante no sol entre odaliscas

Momentos não passei que valem vidas!

Quanta música ouvi que me encantava!

Quantas virgens amei! que Margaridas,

Que Elviras saudosas e Clarissas,

Mais trêmulo que Faust, eu não beijava,

Mais feliz que Dom Juam e Lovelace

Não apertei ao peito desmaiado!

Ó meus sonhos de amor e mocidade,

Por que ser tão formosos, se devíeis

Me abandonar tão cedo…e eu acordava

Arquejando a beijar meu travesseiro?

Álvares de Azevedo. Ideias íntimas. X ( Álvares de Azevedo, cit. p.31-8) – Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 9 de outubro de 2020