Charles Baudelaire

[…]

Súbito, os sinos saltam com ferocidade

E atiram para o céu um gemido fremente,

Tal aquela errante almas sem cidade

Que ficam lamentando-se obstinadamente

E féretros sem fim, sem tambor ou pavana,

Lentos desfilam dentro de mim; e a Esperança,

Vencida, chora, a Angústia, feroz e tirania,

A negra flâmula em meu curvo crânio lança”.

Charles Baudelaire. Spleen – LXXII

Literatura brasileira:William Cereja e Thereza Cochar. 5ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. As Told By Ash And Shelbs

Santarém, Pá 4 de dezembro de 2020

Rubem Alves

” O que faço é tentar pintar com palavras as minhas fantasias diante do assombro que é a vida”.

Rubem Alves

Pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. We Heart lt

Santarém, Pá 4 de dezembro de 2020

Casimiro de Abreu

[…]

Com fina malícia quereis me enganar;

Aqui faço ponto; – segredos de amores

Não quero, não posso, não devo contar!”

Casimiro de Abreu. Segredos. Literatura brasileira:William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Joseph Mallord. Venice, from the Porch of Madonna dela da luta.1835/ Metropolitan. Museum of Art, New York. ( Arquivo pessoal)

Santarém, Pá 3 de dezembro de 2020

VEM comigo!

“Não tem como apagar o racismo da história. Não tem como apagar os negros da história.
Não tem como apagar a história.
O que podemos fazer, é construir novas histórias pautadas naquelas que temos, mas sem esquecer de uma vírgula”.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. ebiografia.com

Santarém, Pá 3 de dezembro de 2020

Razão e emoção

Olhando essa imagem, você sabe definir o que é capaz de trazer de fato, o equilíbrio necessário entre razão e emoção? Será que se nos comportamos de maneira autêntica, isso nos ajudar enxergar os equívocos que por vezes causam desequilíbrio nas relações? Vamos lá, vamos entender melhor isso?

Quando vivemos uma paixão por exemplo, as nossas ações costumam ser desmedidas. Isso porque se costuma agir mais pela emoção do que pela razão. Geralmente, o indivíduo apaixonado é um ser confuso. Não é que ele tenha deixado a razão de lado, nada disso. Pelo contrário, as preocupações são muitas e na maioria exageradas. Todavia, não é para esse detalhe que chamo atenção, é para a questão da percepção, falo a respeito de fatos que abalam o emocional e causa um certo o desequilíbrio, devido a nossa incapacidade de dosar o valor de cada situação.

Encontrar o ponto de equilíbrio no amor ou qualquer outra forma de relação, nem sempre é fácil, mas possível quando se deixa de ter posturas radicais diante daquilo que considerarmos importante. Claro, nem tudo devemos abrir mão, mas muitas coisas podemos organizar melhor e viver bem, desde que se queira. Agora, quando não mudamos de opinião, geralmente, o desgaste de qualquer relação chega.

O que desgasta muito as relações é o excesso de exigência, ou aquilo que é justamente o contrário disso, que são as ausências. Às vezes, comportamentos onde você observa que há um determinado grau de ausência, também deforma o lado bom dessas relações. O ser humano não quer o superficial, ele não quer o raso. Em geral, ele quer o profundo, o prazer genuíno. Talvez, por isso ele costuma correr o risco de passar por desiquilibrado, o ‘ louco’ da história muitas vezes. Dependendo da situação, é comum observar pessoas que chegam ao limite de uma relação só porque gostariam de fazer com que, aquela história tivesse um ‘final feliz’.

Quem não gostaria de viver uma história que deu certo? Todos nós. Acontece que, o sucesso de nossas decisões, ele sempre terá um resultado comprometido com o resultado da outra parte. Se o outro lado não usa dos mesmos princípios e valores que os meus, há uma ruptura de pensamento, de ação e uma série de coisas que passam a ser dilaceradas dentro dessa relação.

É importante ressaltar que, uma vez constatado que as partes têm pesos e valores diferentes, isso gera conflitos. E aqui afirmo, não só o conflito que abalam as estruturas das relações. Mas, isso atinge o valor que analiso na minha régua. Quando não estou bem, eu não tenho capacidade para decidir, porque se assim fizer, estarei igualmente a imagem, ou seja, no centro da situação, porém, em desequilíbrio.

Para encontrar o equilíbrio, é preciso usar mais o ” meio- termo” em tudo para saber dosar o que é verdadeiro e superficial. O que é importante e aquilo que não é.

A medida que se procura ter posições moderadas, deixa-se essa coisa do radicalismo de lado, de achar que ” essa ou aquela” situação tem um valor acima do que considero. Só que para cada um enxergar essa realidade, é preciso fazer escolhas nem sempre são fáceis. Pois, algumas dela você terá que abrir mão em relação as outras. O equilíbrio que se necessita vem justamente do fruto dessas escolhas. O importante é saber o que é bom para ambas as partes e procurar fazer das posturas, movimentos flexíveis. Nada de extremismo. Agindo assim, eu e você conseguiremos mudar as nossas próprias convicções, corrigir erros e procurar melhorar sempre como pessoas.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Carlos Augusto Wallau de Jesus

Santarém, Pá 3 de dezembro de 2020

Simone de Beauvoir

” Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre”.

Simone de Beauvoir

Pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Se Heart lt

Santarém, Pá 2 de dezembro de 2020

Taiguara

Hoje a minha pele já não tem cor

Vivo a minha vida seja onde for

Hoje entrei na dança e não não vou sair

Vem que eu sou criança e não sei fingir

Eu preciso, eu preciso de você

Há, eu preciso, eu preciso de você, eu

Preciso muito de você

Lá onde eu estive o sonho acabou

Cá onde te encontro, só começou

Lá colhi uma estrela pra te trazer

Peguei o brilho dela até entender

Eu preciso, eu preciso de você

Há, eu preciso, eu preciso, eu

Preciso muito de você

Só fecha o seu livro quem já aprendeu

Só peça outro amor, quem já deu o seu

Quem não soube a sombra, não sabe a luz

Vem, não perde o amor de quem te conduz

Nós precisamos sim

Você de mim e eu de você

Taiguara. Teu Sonho Não Acabou.

Fonte: LyricFind

Marii Freire Pereira

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Imagem: google. 50emais.com.br

Santarém, Pá 2 de dezembro de 2020

Machado de Assis

[…]

Fez-me observar a beleza do espetáculo, relembrou o objeto da luta, concluiu que os cães tinha fome; mas a privação do alimento era para os efeitos gerais da filosofia. Nem deixou de recordar que em algumas partes do globo o espetáculo é mais grandioso: as criaturas humanas é que disputam aos cães os ossos e outros manjares menos apetecíveis;luta que se complica muito, porque entra em ação a inteligência do homem, com todo o acúmulo de sagacidade que lhe deram os séculos”.

Machado de Assis , fragmento relacionado ao personagem Brás cubas e Quincas Borba. ( Idem, p. 160). Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Autores e livros

Santarém, Pá 2 de dezembro de 2020

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso Céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas tem mais flores,

Nossos bosques têm mais vidas,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro cá;

Em cismar – sozinho, a noite noite –

Mais prazer encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá

Gonçalves Dias. Canção do exílio. ( In: Gonçalves Dias. São Paulo: Educação, 1982. p. 11 – 2 Literatura Comentada)

Esse poema foi escrito em 1843 em Coimbra, onde Gonçalves estudava. Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. 5ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: John Rugendas. (Arquivo pessoal)

Santarém, 2 de dezembro de 2020

O homem é um ser de desejo e quase nunca de consciência

O modus operandi da pós-modernidade por vezes deixa o homem desnudo de idéias. Talvez, por isso ele não esteja preparado para lidar com o racional.

Um dos traços que se vive hoje na sociedade reflete esse estado empobrecido de todos nós. A impressão que se tem é que há um despreparo para lidar como lado racional, o que faz por exemplo, criar a imagem de uma sociedade despreparada, aliás, de pessoas despreparadas até emocionalmente falando para lidar com os seus problemas.

Ora, certa vez, alguém me disse :” Marii, o seu blog parece um “consultório sentimental”. Bom! porque dentre outras coisas, isso me faz lembrar que trabalho muito a questão dos sentimentos. Quem trabalha esse lado voltado a psicologia, procura evidenciar a questão da ética nas relações. Eu escrevo muito sobre relacionamento interpessoal, então, preciso ter esse detalhe marcante. E também, vou exemplificar isso a você, de uma outra forma, eu procuro organizar melhor a minha maneira de pensar, porque isso me afasta de vitrines, compras, ruas cheias de gente ou querer por exemplo, explorar essa coisa da linguagem simbólica que tantos recorrem. A impressão que dá é a de que se tem muito mais pessoas que têm fixação pela imagem (falo isso de maneira geral), do que gente com uma mentalidade voltada mais ao racional digamos assim. Veja, a sociedade vive exatamente esse problema, a fala, o discurso e a interpretação, acabaram cedendo lugar a imagem, o que faz com que a grande maioria, acabe optando por ‘estradas secundárias’, e se perca nisso. Ora, eu não estou aqui para consertar ninguém. Escrevo sobre problemas.

Hoje, a pessoa valoriza mais o supérfluo, porque não deseja ter trabalho ” raciocinar “. Talvez, esse tenha sido o grande favorecimento para uma maioria, porque os problemas existem, como sempre existiram, mas poucos são aqueles que querem refletir, e o refletir aqui, não falo só a respeito da vida pessoal, que é uma outra situação, porque você convive com pessoas frustradas, vazias, angustiadas quase o tempo inteiro. Não, eu chamo atenção aqui para algo muito maior. Falo da incapacidade da informação, de pessoas que não valorizam o conhecimento, portanto, essas mesmas pessoas se deixam levar por qualquer coisa que ouvem ouvem vêem. Geralmente, essa é mais uma característica de pessoas que têm um conhecimento primário. E a sociedade de fato, tem ficado cada vez mais empobrecido em relação a isso. Note que a maioria, apela muito para a subjetividade, e dependo da situação que estejam vivendo, elas não sabem indentificar aquilo que as desfavorecem.

Quando o homem vive mais pelo desejo do que pela consciência, ele tem uma maior probabilidade de viver a sua incompletude, ou seja, aquela sensação de impotência de esvaziamento de si, e isso provoca reações violentas. De repente, o indivíduo torna-se agressivo, além do natural, porque vamos dizer cousa: ‘ todo mundo na hora da raiva e frustação, ele extrapola limites’. Mas, esse sujeito que descrevo aqui, ele é o reflexo de uma sociedade fragilizada. Reflexo de uma sociedade que dentre outras coisas, não é ética em suas atitudes. No caso da ética, você precisa ter consciência ( razão) do que você domina e não viver na subjetividade. Claro, que o discurso da ética é um, e a fala pautada na subjetividade é outra. Mas, diante dessa falta de compreensão do indivíduo, ele cede lugar a linguagem produzida a partir da imagem. É o que mais vemos por aí. Pessoas que não têm preparo para conversar e aí, são ” conversadas “, no bom português.

A sociedade tem valorizado, digamos que, ela tenha cedido lugar a imagem mais do que o discurso ético. Quando eu sou ético? Com as minhas angústias, ou seja, quando vivo um processo de sofrimento. Um exemplo- eu estou com problemas de ordem emocional, passo por uma vitrine e comprar o que me ‘agrada os olhos’. Ao chegar em casa, ponho, fico ” comestível “, digamos assim. E o resultado disso é que, ao me expor, eu estou valorizando o que? Estou não dizendo que a subjetivação é algo mais importante pra mim. Pensar é uma tarefa trabalhosa para muita gente. A verdade em relação a isto é, que desejamos sempre ‘fórmulas fáceis ‘. Esse é um processo que tem sido cada vez mais repetido dentro da nossa sociedade. É como se vivendo robotizados, repetindo o que não trás respostas no caso, fosse a alternativa viável. Outro é exemplo, é o caso do sujeito diante do abismo, enfraquecido pela falta de produção de idéias, o indivíduo se apega a qualquer coisa, porém, ele nunca é sociável. E com isso, evidencia o que? O lado psicológico, que ele mesmo não sabe lidar. É uma vítima a mais do modelo de uma sociedade que não pensa, que nao domina o seu comportamento e vai junto com os outros. A incapacidade de pensar limita essas pessoas a qualquer desdobramento. É um abismo chamando o outro.

Falta preparo para lidar com as dificuldades da sociedade pós-moderna. Infelizmente, tem pessoas que percebendo essa ‘brecha’ digamos assim, por serem extremamente esclarecidas conspiram contra aqueles que se encontram diante de uma situação vulnerável. É preciso despertar para não viver de maneira alienada na sociedade.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Lens Perspective

Santarém, Pá 2 de dezembro de 2020