O homem é um ser de desejo e quase nunca de consciência

O modus operandi da pós-modernidade por vezes deixa o homem desnudo de idéias. Talvez, por isso ele não esteja preparado para lidar com o racional.

Um dos traços que se vive hoje na sociedade reflete esse estado empobrecido de todos nós. A impressão que se tem é que há um despreparo para lidar como lado racional, o que faz por exemplo, criar a imagem de uma sociedade despreparada, aliás, de pessoas despreparadas até emocionalmente falando para lidar com os seus problemas.

Ora, certa vez, alguém me disse :” Marii, o seu blog parece um “consultório sentimental”. Bom! porque dentre outras coisas, isso me faz lembrar que trabalho muito a questão dos sentimentos. Quem trabalha esse lado voltado a psicologia, procura evidenciar a questão da ética nas relações. Eu escrevo muito sobre relacionamento interpessoal, então, preciso ter esse detalhe marcante. E também, vou exemplificar isso a você, de uma outra forma, eu procuro organizar melhor a minha maneira de pensar, porque isso me afasta de vitrines, compras, ruas cheias de gente ou querer por exemplo, explorar essa coisa da linguagem simbólica que tantos recorrem. A impressão que dá é a de que se tem muito mais pessoas que têm fixação pela imagem (falo isso de maneira geral), do que gente com uma mentalidade voltada mais ao racional digamos assim. Veja, a sociedade vive exatamente esse problema, a fala, o discurso e a interpretação, acabaram cedendo lugar a imagem, o que faz com que a grande maioria, acabe optando por ‘estradas secundárias’, e se perca nisso. Ora, eu não estou aqui para consertar ninguém. Escrevo sobre problemas.

Hoje, a pessoa valoriza mais o supérfluo, porque não deseja ter trabalho ” raciocinar “. Talvez, esse tenha sido o grande favorecimento para uma maioria, porque os problemas existem, como sempre existiram, mas poucos são aqueles que querem refletir, e o refletir aqui, não falo só a respeito da vida pessoal, que é uma outra situação, porque você convive com pessoas frustradas, vazias, angustiadas quase o tempo inteiro. Não, eu chamo atenção aqui para algo muito maior. Falo da incapacidade da informação, de pessoas que não valorizam o conhecimento, portanto, essas mesmas pessoas se deixam levar por qualquer coisa que ouvem ouvem vêem. Geralmente, essa é mais uma característica de pessoas que têm um conhecimento primário. E a sociedade de fato, tem ficado cada vez mais empobrecido em relação a isso. Note que a maioria, apela muito para a subjetividade, e dependo da situação que estejam vivendo, elas não sabem indentificar aquilo que as desfavorecem.

Quando o homem vive mais pelo desejo do que pela consciência, ele tem uma maior probabilidade de viver a sua incompletude, ou seja, aquela sensação de impotência de esvaziamento de si, e isso provoca reações violentas. De repente, o indivíduo torna-se agressivo, além do natural, porque vamos dizer cousa: ‘ todo mundo na hora da raiva e frustação, ele extrapola limites’. Mas, esse sujeito que descrevo aqui, ele é o reflexo de uma sociedade fragilizada. Reflexo de uma sociedade que dentre outras coisas, não é ética em suas atitudes. No caso da ética, você precisa ter consciência ( razão) do que você domina e não viver na subjetividade. Claro, que o discurso da ética é um, e a fala pautada na subjetividade é outra. Mas, diante dessa falta de compreensão do indivíduo, ele cede lugar a linguagem produzida a partir da imagem. É o que mais vemos por aí. Pessoas que não têm preparo para conversar e aí, são ” conversadas “, no bom português.

A sociedade tem valorizado, digamos que, ela tenha cedido lugar a imagem mais do que o discurso ético. Quando eu sou ético? Com as minhas angústias, ou seja, quando vivo um processo de sofrimento. Um exemplo- eu estou com problemas de ordem emocional, passo por uma vitrine e comprar o que me ‘agrada os olhos’. Ao chegar em casa, ponho, fico ” comestível “, digamos assim. E o resultado disso é que, ao me expor, eu estou valorizando o que? Estou não dizendo que a subjetivação é algo mais importante pra mim. Pensar é uma tarefa trabalhosa para muita gente. A verdade em relação a isto é, que desejamos sempre ‘fórmulas fáceis ‘. Esse é um processo que tem sido cada vez mais repetido dentro da nossa sociedade. É como se vivendo robotizados, repetindo o que não trás respostas no caso, fosse a alternativa viável. Outro é exemplo, é o caso do sujeito diante do abismo, enfraquecido pela falta de produção de idéias, o indivíduo se apega a qualquer coisa, porém, ele nunca é sociável. E com isso, evidencia o que? O lado psicológico, que ele mesmo não sabe lidar. É uma vítima a mais do modelo de uma sociedade que não pensa, que nao domina o seu comportamento e vai junto com os outros. A incapacidade de pensar limita essas pessoas a qualquer desdobramento. É um abismo chamando o outro.

Falta preparo para lidar com as dificuldades da sociedade pós-moderna. Infelizmente, tem pessoas que percebendo essa ‘brecha’ digamos assim, por serem extremamente esclarecidas conspiram contra aqueles que se encontram diante de uma situação vulnerável. É preciso despertar para não viver de maneira alienada na sociedade.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Lens Perspective

Santarém, Pá 2 de dezembro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: