Claude Monet

” Eu queria pintar como o pássaro canta”.

Claude Monet.

Pensador.com

Marii Freire Pereira

Imagem & criação: Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

VEM comigo!

Amigos, estava pensando aqui…

Que coisa triste é a realidade que estamos vivendo. Acho que estamos precisando ressignificar tudo aquilo que é fato hoje. Ora, que coisa triste, grande parte das pessoas vivem sem horizontes, sem consciência do que o país passa. Muitas não lêem, e parecem viver de acordo com as suas próprias virtudes, suas próprias verdades em comum.
Você escreve a respeito de literatura, parte não acolhe isso para si. Eu pergunto por que? Porque não são capazes de identificar o que aquilo quer dizer. Não sabem interpretar, logo não sabem ler, dialogar como que está aberto, ou seja, escrito.
A pós-modernidade, ela privilegia a imagem. Eu consigo fazer a leitura daquela imagem, então ” beleza”, nos comunicamos assim. É um diálogo rápido, mas que não sossega as nossas inquietações
Cultura gente, cultura é diálogo, se nos falta, como sobrevivemos ? Como vamos participar de debates? Como as pessoas irão participar de discussão que precisam estarem preparadas? Ninguém faz isso sem ler.
Cadê o Brasil diferente que nós queremos? Cadê aqueles que pintam de verde e amarelo as suas caras? É isso, digo ” a imagem ” que faz de nós brasileiros como grandes filósofos, psicólogos, e até os grandes ‘ Florestan Fernandes ” da vida? Será que melhoramos o país só reproduzindo o que os outros ” mastigam ” pra nós?
Não vamos ler o novo, a história que queremos contar, ela não se tornará real nem no imaginário, nem nos livros. Que juventude é essa que não se cerca de conhecimento, mas que vai as ruas gritar pedir por transformações, porém, que não têm capacidade de transformar seus gestos em ações? Se não mudarmos, não chegaremos a lugar nenhum. O conhecimento, a sabedoria, é a base de tudo. E, infelizmente, nos falta justamente ele para o Brasil, vencer tanta pequenez!…
O Brasil se transformou num país sem vocabulos. Ah, com licença, temos: ” queremos andar armados “. De preferência ” bem armados”. Só para você ter uma idéia, foram registradas em 2020, 180 mil armas. Vacinas? Contabiliza aí, para você encontrar um número exato.
A educação e a saúde, pergunto novamente, saímos ganhando ou perdendo? Depois do pau-Brasil, nos levaram tudo. Pátria de tantas raízes que quando se fala de progresso, a palavra soa como antiquado. Mas, o apetite dos vorazes tragam tudo o que vêem pela frente. O povo vive numa esculhambação doida”, como diria a senhora minha avó. Triste, observar tanta falta de ‘boa vontade’ daqueles que se [ quisessem], poderiam fazer mais por esse país.
Poucos livros, textos curtos, e a ignorância resplandece o nosso semblante.
” Gado”, índio e o homem que aceita a meio termo … tudo aquilo que compreende como conquista, como vantagem.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Vinicius de Moraes

” Pra fazer samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza “.

Vinicius de Moraes. Samba de benção.

Composição: Vinícius de Moraes/ Baden Powell. Literatura brasileira. William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: pt.m.Wikipedia.org

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Literatura

A literatura sempre fazendo esse papel de facilitadora, na verdade, nos ajudando a ter consciência de tudo, através dessa coisa transformadora que é a palavra, a arte e nesse caso, o cinema.

Aqui, a frase da peça Orfeu, onde o Cacá Diegues estava desenvolvo um belíssimo trabalhocom o Vinicius de Moraes, era uma nova adaptação voltada ao cinema. Mas, devido a morte de Vinicius interrompeu-se esse trabalho. É só em 1999, finalmente, foi que o cineasta conseguiu fazer o filme, e numa dessas, ele falou de ” Romeu e Julieta”. A história de amor que vence todas as barreiras e torna-se, na verdade, uma referência de paixão, inclusive torna-se capaz de alcançar até a imortalidade no imaginário humano.

Marii Freire Pereira: Literatura brasileira: Descendo ao inferno, por amor. William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. São Paulo, 2013.

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Imagem: Pinterest. Lecturas MrDavidmore.

Criação: Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Por que os ” bons” partem?

O Ariano Suassuna foi uma pessoa incrível. Acho que nas cousas que contava, ele acabava tendo um comportamento jovial, digamos que Ariano tinha uma conduta tipicamente de adolescente. Sabe aquela pessoa cujo o comportamento resulta em alegria, ligado a leveza da alma? Muito bem, é isso que estou tentando vos fazer compreender.

Todavia, vamos a pergunta novamente : por que que os ditos ” bons” morrem? Ora, alguns de vocês me diria assim, rapidamente ” os não bons” também […]. Sem dúvida! Vamos entrar na terra, onde Sancho é rei […]. Simplificar a vida não é uma das tarefas mais fáceis que temos, muita gente não consegue. Mas vê-la esvaindo-se é uma coisa que faz com que nos deparamos com o medo, com a sublimação da morte, algo que não aprendemos ainda decifrar.

Os mortos se aproximam, bebam, riem juntos, brigam, pode ser que sim, pode ser que não, ninguém foi até o outro lado e voltou para contar história! Ou foi? Os céticos, certamente não acreditam nessas tolices. Mas, e quanto a nós? digo: “eu e você?” Temos valores diferentes, crenças diferentes. Cada pessoa acredita no que quer. E apesar dessas diferenças, temos muita coisa em comum, temos medo da inutilidade. Sim ou não? Talvez!… até mais do que a morte. Queremos envenenar, mas donos de si, porque se dependentes dos outros, vamos ficar ali, esquecidos num canto qualquer, não é verdade?

Há quem veja a vida meio insossa, igual comida de hospital, sabe? Outros não, eles gostam da cor, da dor, do eco! Pois bem, é esse eco de vida que pergunto a vocês ” tem válido a pena, passar alguns dias por aqui?” Sim, porque amanhã ou depois, a gente se dissipa. Mas, como essa coisa do ” bom” funciona como um verdadeira medalha, ganha aquele que sobressai ao sofrimento. O que não se torna decadente, que faz das suas inquietações, o maior, ou o único motivo que lhe fez suportar a dor diante da vida.

O Ariano foi escolhido para falar exatamente sobre isso, sobre ” sobreviver “.

Eu adoro o discurso dele na posse da Academia Brasileira de letras, diz o seguinte:

” Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra a sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação, e ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que pai deixou”.

Ariano Suassuna. 9 de agosto de 1990.

Bárbaro! Pode demorar para alguns entender, mas saber interpretar essas palavras é o que nos faz, dentre as muitas coisas admirá-lo. Um gigante da nossa literatura.

Ariano nos arrasta para dentro de nós! é quase um convite para explorar a nossa própria condição para chegar as nossas verdades de fato.

Os ” bons” Ariano, estes não morrem, eles têm permanecia concreta em suas obras, pois são capazes de atravessar o tempo e permanecer vivos em cada capítulo. Quanto a nós, vivemos nas boas lembranças daqueles que por um determinado período nos guardam em memória.

” A vida é um fragmento que vai se dissipando lentamente ” até ganhar forma em outros sonhos, em outras atitudes generosas. Portanto, é através desse gesto que sobrevivemos ao próprio fim.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest: Ariano Suassuna/ TODA MATÉRIA.

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Álvares de Azevedo

[…]

Não quisera mirar a face bela

Nesse espelho de lodo ensanguentado!

A embriaguez preferia: em meio dela

Não viriam cuspir- lhe o seu passado!

Como em novoento mar perdida vela

Nos vapores do vinho assombrea

Preferia das noites na demência

Boiar ( como um cadáver!) na existência!

[…]

Álvares de Azevedo. Poema do frade.

Literatura brasileira. William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Marcos Guilherme ( Arquivo pessoal)

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Caos

O caos existe na dicotomia dos meus versos,

Na dança leve do estado dos meus sentimentos

Dentro de mim a expressão do desequilíbrio, do lamento lacrimejante.

A enfermidade, e a tristeza

São velhas conhecidas

Olho para o lado há tanta escuridão

Na garganta, um grito desumano

Uma realidade sem sentido

Não sei engolir a náusea

Minhas palavras não me permitem

O sofrido momento

Consome o pudor de minhas palavras

Vivo horas de infinitos pesadelos

Ando com o ódio estremecendo

As entranhas

Há tanto estrago que não pode ser consertado

Não há como modificar a nossa impressão sobre a vida

E seu olhar faminto

quando um grito nos guia no escuro.

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. 500px/Nature power/ busca Jasna M/ 500px

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Craveirinha

Se me visses morrer

Os milhões de vezes que nasci…

Se me visses chorar

Os milhões de vezes que te riste…

Se me visses gritar

Os milhões de vezes que me calei

Se me visses cantar

Os milhões de vezes que morri

E sangrei

Digo- te, irmão europeu

Também tu

Havias de nascer

Havias de chorar

Havias de cantar

Havias de gritar

Havias de morrer

E sangrar…

Milhões de vezes como eu.

Craveirinha. Na cantiga do negro do batelão. ( Craveirinha. Via Atlântica , n.5. Revista do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculos da FFCH da USP. São Paulo, 2002. p.100). Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. 5 ed.reform. Atual. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. afro- art- chick

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2020

– série: leitura em foco-

” São nos primeiros anos que descobrimos como a leitura pode ser prazerosa “

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Flickr/ Dinamanche tranquille.

Santarém, Pá 8 de janeiro de 2021

Branca de Neve esperta, não come maçã de nenhuma qualidade

As pessoas mais felizes que conheço são aquelas que sabem aonde querem chegar. Só que para chegar ao sucesso, que é o lugar que a maioria deseja, é preciso preencher alguns requisitos, e um deles é não passam por cima dos outros para conseguir tudo o que precisa.

À maioria passa, não? Estou brincando!E como não fazer isso, digo, alcançar os meus objetivos sem usar as pessoas? Eu acredito que a palavra que define melhor essa situação, é caráter. Caráter é uma qualidade que você trás do berço. Você jamais irá encontrar uma pessoa com consciência nesse país, sem que antes de qualquer coisa, ela não tenha essa característica particular. Você nota que tem muita gente por aí, com sucesso, dinheiro e fama, mas não carrega consigo essa qualidade que o típica de quem é humilde. Pode-se dizer que caráter é um detalhe ligado a sua condição, aos seus valores. Você jamais irá encontrar ele nas ruas, ou no que o dinheiro pode comprar.

Muitas pessoas devem imaginar, mas se eu for bonzinho o tempo todo e com todo mundo, eu devo fazer votos com São Francisco. Nada disso, primeiro, ninguém consegue ser bom o tempo inteiro, portanto, pensar dessa forma é ingênuo. Segundo, a idéia Franciscana é liga a generosidade. Francisco foi um homem de coração e consciência aberta aos mais humildes de sua época. Você não têm que dar nada a ninguém, a não ser que se sinta bem ao fazer isso. Acontece que caráter e bondade, andam juntos. Você não precisa necessariamente dar um objeto, ou uma quantia em valor para as outras pessoas, mas pode incentivá-las. Ah, isso não deixa ninguém mais pobre, nem tira privilégio de quem quer que seja.

À idéia que se tem sobre o sucesso, sobre pessoas bem-sucedidas, ao menos as histórias que inspiram, quer dizer, que serve de exemplo para as pessoas, é que elas, conheceram a pobreza no real sentido da palavra. Muitas conseguiram um lugar de destaque pelo esforço e principalmente, pela ajuda que tiveram de uma outra pessoa.

” Todo mundo nos estende a mão?”

Não, não é todo mundo que nos estende a mão, que se mostra amigo nas horas difíceis. Amigo de verdade, e falo ‘de verdade’, não é porque você tem amizade de quase uma década com a pessoa. Mas, o amigo de verdade, é aquele que olha pra você e, sem que você diga que está passando por dificuldades, ele ajuda de alguma maneira. É um incentivado, ou sabendo que você passa por privação de alimentos, pergunta se pode ajudar, é aquela pessoa que convida para pagar um almoço, as apostilas para concursos que você precisa estudar, e não têm dinheiro para bancar isso. O amigo às vezes é um ‘desconhecido’, nem sempre é a pessoa que você ‘considera. Mas, quem demonstra algum tipo de preocupação com você, e por você. É a pessoa precisa de uma carona e abre a porta do carro pra ela entrar.

” É de pequenas bondades que se faz as grandes amizades”.

A medida que fazemos o bem para o outro, também o fazemos para nós mesmos, porque em algum momento da vida, tevemos o auxílio de outra pessoa. Às vezes, podemos não recordar, mas houve alguém que nos estendeu a mão.

E qual é a condição principal que identifica que você é essa pessoa boa? O fato de não guardar ” veneno no coração ” ou trazendo isso para o mundo lúdico, fazer como a bruxa do contos de fadas, oferecendo uma maçã ( ajuda), envenenada para os outros, tenha segundas intenções.

” Branca de Neve esperta, não come maçã de qualquer qualidade “.

Por que não comer maçã de qualquer qualidade? Qual o sentido disso? Nem a ofertada pela bruxa, nem a de nenhuma outra espécie. E por que novamente? Porque temos que encarar o fato de que – ‘quem oferece, quer algo em troca’. Essa é a reflexão. Quando você oferecer ajuda, seja um ser humano grande, porque quem a recebe, algum dia terá que fazer o mesmo por outra pessoa. O bem é um ciclo que não se fecha. Só não o fará, aquele que tiver caráter duvidoso. Neste caso, sim, pode-se dizer que o bem contaminou a maçã, e não a maçã à essa pessoa, como acontece na história.

Caráter, bondade e sabedoria são qualidades que só tem, quem guarda a consciência de oferecê-los. Ninguém é tão pobre que não possa dá nada, porque ” doação ” é demonstração de riqueza.

À essência humana reside nisso, digo na arte de alguma fazer o bem. Como disse, ele é um ciclo que não se fecha, você faz hoje, amanhã alguém repassa ele adiante e não acaba nunca.

Quando você faz o bem, prova justamente o contrário ao mundo, que a maldade, a inveja ( Branca de Neve), só destrói a nos mesmos. Talvez, o grande êxito humano seja essa coisa fazer pelo o outro, o que gostaríamos que fosse feito por nós.

Faça o bem! O êxito não é um presente envenenado. Mas, uma forma de você deixar que a sorte do outro também possa fluir de alguma forma. Ao assumir essa condição de ajudar, você se torna uma pessoa importante, pra muita gente.

Bondade é uma questão de consciência!

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem & criação: Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 8 de janeiro de 2021