Por que os ” bons” partem?

O Ariano Suassuna foi uma pessoa incrível. Acho que nas cousas que contava, ele acabava tendo um comportamento jovial, digamos que Ariano tinha uma conduta tipicamente de adolescente. Sabe aquela pessoa cujo o comportamento resulta em alegria, ligado a leveza da alma? Muito bem, é isso que estou tentando vos fazer compreender.

Todavia, vamos a pergunta novamente : por que que os ditos ” bons” morrem? Ora, alguns de vocês me diria assim, rapidamente ” os não bons” também […]. Sem dúvida! Vamos entrar na terra, onde Sancho é rei […]. Simplificar a vida não é uma das tarefas mais fáceis que temos, muita gente não consegue. Mas vê-la esvaindo-se é uma coisa que faz com que nos deparamos com o medo, com a sublimação da morte, algo que não aprendemos ainda decifrar.

Os mortos se aproximam, bebam, riem juntos, brigam, pode ser que sim, pode ser que não, ninguém foi até o outro lado e voltou para contar história! Ou foi? Os céticos, certamente não acreditam nessas tolices. Mas, e quanto a nós? digo: “eu e você?” Temos valores diferentes, crenças diferentes. Cada pessoa acredita no que quer. E apesar dessas diferenças, temos muita coisa em comum, temos medo da inutilidade. Sim ou não? Talvez!… até mais do que a morte. Queremos envenenar, mas donos de si, porque se dependentes dos outros, vamos ficar ali, esquecidos num canto qualquer, não é verdade?

Há quem veja a vida meio insossa, igual comida de hospital, sabe? Outros não, eles gostam da cor, da dor, do eco! Pois bem, é esse eco de vida que pergunto a vocês ” tem válido a pena, passar alguns dias por aqui?” Sim, porque amanhã ou depois, a gente se dissipa. Mas, como essa coisa do ” bom” funciona como um verdadeira medalha, ganha aquele que sobressai ao sofrimento. O que não se torna decadente, que faz das suas inquietações, o maior, ou o único motivo que lhe fez suportar a dor diante da vida.

O Ariano foi escolhido para falar exatamente sobre isso, sobre ” sobreviver “.

Eu adoro o discurso dele na posse da Academia Brasileira de letras, diz o seguinte:

” Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra a sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação, e ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que pai deixou”.

Ariano Suassuna. 9 de agosto de 1990.

Bárbaro! Pode demorar para alguns entender, mas saber interpretar essas palavras é o que nos faz, dentre as muitas coisas admirá-lo. Um gigante da nossa literatura.

Ariano nos arrasta para dentro de nós! é quase um convite para explorar a nossa própria condição para chegar as nossas verdades de fato.

Os ” bons” Ariano, estes não morrem, eles têm permanecia concreta em suas obras, pois são capazes de atravessar o tempo e permanecer vivos em cada capítulo. Quanto a nós, vivemos nas boas lembranças daqueles que por um determinado período nos guardam em memória.

” A vida é um fragmento que vai se dissipando lentamente ” até ganhar forma em outros sonhos, em outras atitudes generosas. Portanto, é através desse gesto que sobrevivemos ao próprio fim.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Pinterest: Ariano Suassuna/ TODA MATÉRIA.

Santarém, Pá 9 de janeiro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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