Kafka

” Reflexões calmas, inclusive as mais calmas, ainda são as melhores do que as decisões desesperadas.”

Franz Kafka, livro A Metamorfose.

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Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/Flickr/ Kafka, Prague.

Santarém, Pá 30 de setembro de 2021

Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato,

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira. O Bicho.

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Marii Freire Pereira

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Imagem: Toda Matéria

Santarém, Pá 30 de setembro de 2021

Paulo Freire

” …As contradições conscientizados não lhe dão mais descanso, tornam insuportável a acomodação. Um método pedagógico de conscientização alcança as últimas fronteiras do ser humano. E como sempre se excede, o método também o acompanha. E ” a educação como prática da liberdade “.

Paulo Freire. Pedagogia do oprimido.

Paulo Freire. 71 ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Paz e Terra, 2019

Marii Freire Pereira

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Imagem ( Arquivo pessoal)

Santarém, Pá 30 de setembro de 2021

Violência doméstica: por que a sociedade ainda, tem tanta dificuldade em combater esse problema?

A sociedade pós-moderna muito avançou em relação às mudanças culturais. Ora, a família por exemplo, ganhou novos arranjos. Hoje, temos diversos modelos de famílias; a família tradicional, as afetivas, e todas aquelas outras que tem a proteção legal. O importante é isso, assegurar o direito de cada uma delas. Como disse, As mudanças culturais, não só isso, mas também as mudanças sociais  trouxeram um significado surpreente a todos.  Claro, o novo sempre assusta, mas de fato, houvesse essa necessidade de mudar. Todavia, em meio a essas mudanças, existe um problema social gravíssimo, e que acontece no seio de toda família, que no caso, é a violência doméstica, um ( calvário) incapaz de ser descrito. A violência como todos sabem, é fonte de sofrimento principalmentepara as mulheres. Sofrimento muitas vezes de uma omissão do próprio Estado.

Em face de um número elevado de mortes de mulheres que acontece todos os dias ( feminicídio), se pergunta: “por que pouco se avançou em relação a essa realidade?” Há falhas na lei, porque permite uma vulnerabilidade maior da mulher em relação ao seu agressor; uma vez que este, continua fazendo com a vítima o que bem entende. Argumentos como ” se ela não for minha não será de ninguém ” continua reforçando a crença de que o amor pode ser se justificado através da brutalidade que no passado era matar em nome da honra. Hoje, se mata em nome  de que? Da perda do “objeto sexual?” Sim, mas a pergunta que faço é: a justificativa é aceitável? Como sacralizar a imagem do agressor, ou mesmo, do” assassino” diante da impossibilidade da vítima reagir? Você compreende como é difícil conviver com essa situação? Em meio aos avanços e retrocessos que temos, hoje a mulher pode contar a Lei n°-  (11.340/ de 2006 ) Maria da Penha em caso de violência, pedindo inclusive as medidas protetivas. Todavia, essa mulher continua sendo desrespeitada, e na maioria das vezes, tratada  como objeto sexual, onde esse homem pode usar, fazer o que quiser, bater e pior, acredite: entrar de madrugada na casa dela, violentar essa mulher sexualmente, agredir por entender que ela é propriedade dele, e talvez no último estágio dessa violência, matá-la.

. Resquícios da Idade Média e o momento atual.

Na Idade Média, os limites do direito da mulher era violado de todas as maneiras. A submissão era uma ordem explicita que sobressaia na relação homem e mulher, ou seja, “da casa do pai ao marido”, essa mulher enfrentava tudo calada, sem acréscimo a sua opinião ou vontade em nada. A verdade é que a mulher era tratada, como uma escrava. A repressão a tudo, ajudou a construir essa imagem de ser frágil e pacífico. A violência por exemplo, se manifestava por meio de vários meios discriminatórios. Hoje, ainda se tem diversas maneiras de se manifestar tal brutalidade que desde sempre, foi usada para alargar as diferenças entre homens e mulheres.

Hoje, apesar dos muitos avanços, assim como, a possibilidade em corrigir parte desses erros parece mínima. A vida acadêmica finalmente se tornou uma realidade, a entrada no mercado de trabalho, a atuação em vários espaços, certamente, ajudou muito a projeta a imagem da mulher diante dessa luta pela igualdade de direitos. Porém, se observa bastante que culturalmente, apesar dessa somatório de avanços, vemos que muitos deles acontecem nos pequenos espaços. A construção tradicional da imagem feminina continua enfrentando grandes desafios. Em casa, ela é a mãe, a esposa, a empregada, a pessoa  que é questionada de todas as maneiras. Veja, uma mulher recebe uma ligação às 22:30 horas, o marido pergunta ” Quem está te ligando à essa hora?” Essa mulher vive sob o constante estado de vigilância desse marido. Mais ainda, ela vive sob  controle total. Ou seja, há casos onde ela faz o que o marido ordena ou conhecerá a fúria dele.

Isso mesmo, o marido controlador vigia cada passo da mulher. Algumas vivem como se elas, não tivesse vida própria. É como se a mulher tivesse que pedir permissão ao homem dentro da sua casa para atender um telefone. Claro, é o que acontece, infelizmente.

Historicamente, o que se nota é que no passado ou nos dias atuais, essas mulheres vivem vulneráveis o tempo todo, seja por conta da violência, tanto pela questão do abuso ou dos maus-tratos, o que se percebe muito é o machismo que as cercam, é herança do patriarcado. A “aparência de família feliz”, revela que os maus-tratos assume papel importante diante da prepotência do macho dominador.

A expressão de força e do poder, atrelada a imagem masculina, releva que a violência no seio familiar, por exemplo, vem da questão da dominação. Coisas como a perda do controle, ou seja, o homem fala e a mulher desobedece. Situacões como práticas, discriminatórias. A própria violência física, sexual e patrimonial. Então tudo isso reforça essa coisa do poder, de dizer quem é o mais forte diante dos próprios interesses dentro da relação. 

Como ao longo dos anos vem, se reconhecendo praticas terríveis de abuso de poder, no simples fato da mulher sofrer constantes perdas diante de seus direitos e outras situações, Estado tem se mostrado mais presente, mas nem sempre eficiente. Os casos de feminicídios são alarmantes. Mulheres morrem por motivos fúteis; uma vez que, o homem descobre que deixou de ter o controle sobre a mulher ou a parceira, mesmo que ocasionalmente ali, ele tenha perdido o seu ” objeto sexual ” para outro. Isso corrobora para a frase que usei no início desse texto,  ou seja, “a mulher não sendo mais daquele homem; ela não pertencerá a outro”. Essa é a parte mais agressiva violência. Se ele a tem, maltrata. Porém, perdendo o controle, ele abusa do poder de homem.

Infelizmente, é necessário dizer que a mulher no Brasil, é tratada de um jeito horrível em nossa sociedade. Simplesmente,  o que vemos é que a mulher é um objeto que veio ao mundo para atender os desejos masculinos. Isso não sou eu que afirmo, são os estudos que apontam para essa triste realidade. Agora, o que é interessante de tudo isso? É querer mudar. Nós temos direitos. Quanto aos entraves diante dos avanços e retrocessos, infelizmente, a luta é diária.

Vamos pensar melhor em relação a mulher, vamos lutar para que a omissão do Estado possa diminuir diante da nova realidade que vivemos. Não adianta ter direitos escritos na nossa Constituição Federal, quando na prática, vemos muita negligência em relação a estes. Somos mulheres que antes de amar um homem,  também os parimos primeiro. Que estes, procurem ter mais consideração por nós aquilo que os ajudamos a construir a imagem de homem. Não basta ser homem, tem que respeitar as mulheres.

Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/  Clouse-up Mão De Mulher Mostrando Stop Violência  Contra As Mulheres

Santarém, Pá 29 de setembro de 2021

Dependência emocional

” Você não depende de ninguém pra ser feliz ” a não ser de você.

Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ Getty Imagen

Santarém, Pá 29 de setembro de 2021

Lya Luft

” Até o último suspiro, a vida é um processo. “

Lya Luft.

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Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 29 de setembro de 2021

Simone de Beauvoir

” É do conhecimento das condições autênticas de nossa vida que é preciso tirar a força de viver e razões para agir.”

Simone de Beauvoir

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Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ Ana Paula Nunes

Santarém, Pá 28 de setembro de 2021

Inversão da culpa

Em todos os relacionamentos há divergências de ideias. Às vezes o casal briga por qualquer situação, mas consegue dialogar de forma saudável. É bastante comum que isso aconteça, até porque cada pessoa tem um ponto de vista diferente, vive situações diárias que contribuem para o acúmulo de intolerância entre o casal. Claro, cada pessoa carrega consigo, virtudes, crenças, valores que acabam contribuindo para situações desgastantes no dia a dia Agora, o problema é quando existem brigas onde as pessoas não se entendem, pior, elas usam uma estratégia desonesta para com o outra, ou seja, a pessoa que provoca uma situação, em geral, ela não admite que errou. É mais comum inverter a situação, e veja que nesse caso, o grande problema mora exatamente, quando, sem que a outra pessoa perceba, quem deu causa na situação “lança sobre o outro, a culpa do que lhe pertence, ao invés de chegar e dizer ” Eu errei! “. Muitas vezes, o homem para se esquivar da própria desonestidade, o que ele faz diante da mulher ou da parceira? Diz : você é louca!”. Ele não tenta se corrigir, mas desqualifica a outra pessoa, a inferiorizando inclusive, para ” pagar de honesto”. Sim, o homem consegue inverter a situação colocando culpa na mulher.

Em relacionamentos doentios, homens e mulheres brigam com muita frequência. E, o que se observa em relação a quebra de acordo entre o casal, é que a falta de lealdade coloca em xeque a saúde da relação. O homem se possível, ele chega ao ponto macro da discussão afirmando categoricamente ” louca…louca…louca”. E a pergunta que essa mulher deve se fazer é ” por que eu ainda estou com esse homem?” Houve uma ruptura de acordo, do respeito, da lealdade; a condição do diálogo não é boa…”. Afinal, a conciliação que é um fator importante para o bem-estar do casal, ele abandona para viver os próprios interesses, não leva em consideração os da mulher. Entende como tudo acontece? São detalhes pequenos, mas que contribuem para todo tipo de mal-entendido. Outra situação comum é que esse homem se altera para chamar atenção, mesmo responsável, ignora a importância da relação, saí e deixa a mulher num “eterno monologo”. A inversão da culpa ocorre sempre que esse homem enxerga numa situação, a possibilidade de tirar vantagem. O manipulador por exemplo, é autoritário, quando eu mulher afirmo algo, ele “nega com naturalidade” e assim num momento posterior, vem um tratamento melhor. Mas, a questão é: ” você quer isso a vida toda? Se o consenso não é possível, você vai viver em prol de quem não se importa com você? A mulher precisa despertar.

Brigas acontecemna vida de um casal. Mas, aqui não falo de qualquer briga. Na verdade, eu estou alertando a mulher para o imprescindível que é ela se amar. A mulher deve se perguntar diante de uma situação como essa a seguinte pergunta: “O que eu represento o que na vida desse homem? Essas são perguntas que a mulher precisa se fazer, e mais: saber lidar com essas ” estratégias de desdobramentos ” é fundamental para ela deixar de ser uma marionete nas mãos do suposto manipulador.

A inversão da culpa é muito comum. Claro, não são todos os homens que usa esse artifício. Muitas amam de verdade, tentam ser honestos. Já outros não. Eles usadam de meios escusos para obter vantagens no dia a dia. A mulher é tratada como um objeto a mais. Algumas até suportam qualquer coisa para estar ao lado do homem que diz amar. Em muitas situações, o que se vê é que elas se anulam, sim. Escolhem viver em meio a angústia, a ansiedade até desenvolver uma depressão, por conta de maus-tratos, abandonos, falta de respeito e consideração.

O que se aprende com esse tipo de relação?

Se aprende que condutas autodetrutivas nos acabam. Primeiro, a conduta do homem que não muda, depois dela ( mulher) que se deixa enganar por ficar vivendo a situação de sofrimento. Não compensa viver dentro de relacionamentos doentios. Há pessoas que não nos ama. Elas amam somente aquilo que fazemos para elas. A questão é ” forçar algo contra nós, vai modificar o outro?” Não. Por mais que você ame, se a pessoa diz ” Eu não mudo” , mude você. A única pessoa que vai se amar de verdade, é você. Isso, se for capaz de olhar para a própria situação.

Pense nisso!..

Marii Freire Pereira

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Imagem e criação: Marii Freire Pereira/ pensamentos.me/ VEM comigo!

Santarém, Pá 28 de setembro de 2021

Todas às vezes que você tiver a oportunidade de mudar o seu destino, mude. Os erros do passado, ninguém conserta, mas olhe para frente…sempre. Apesar do futuro não ser uma certeza, ele nos ajuda a ter um norte, quando se pensa no dia seguinte. Portanto, olhe para vida com boas expectativas, pous ela sempre deixa um vestígio gracioso de esperança no caminho todas às vezes que temos a consciência e a coragem para seguir adiante.Bom dia a todos!..Imaem: Marii Freire Pereira/ Jardim Botânico/ Rio de Janeiro.

Martha Medeiros

“Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas. O adversário somos mesmos.

Martha Medeiros

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Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ Revista Claudia.

Santarém, Pá 27 de setembro de 2021