Violência doméstica: por que a sociedade ainda, tem tanta dificuldade em combater esse problema?

A sociedade pós-moderna muito avançou em relação às mudanças culturais. Ora, a família por exemplo, ganhou novos arranjos. Hoje, temos diversos modelos de famílias; a família tradicional, as afetivas, e todas aquelas outras que tem a proteção legal. O importante é isso, assegurar o direito de cada uma delas. Como disse, As mudanças culturais, não só isso, mas também as mudanças sociais  trouxeram um significado surpreente a todos.  Claro, o novo sempre assusta, mas de fato, houvesse essa necessidade de mudar. Todavia, em meio a essas mudanças, existe um problema social gravíssimo, e que acontece no seio de toda família, que no caso, é a violência doméstica, um ( calvário) incapaz de ser descrito. A violência como todos sabem, é fonte de sofrimento principalmentepara as mulheres. Sofrimento muitas vezes de uma omissão do próprio Estado.

Em face de um número elevado de mortes de mulheres que acontece todos os dias ( feminicídio), se pergunta: “por que pouco se avançou em relação a essa realidade?” Há falhas na lei, porque permite uma vulnerabilidade maior da mulher em relação ao seu agressor; uma vez que este, continua fazendo com a vítima o que bem entende. Argumentos como ” se ela não for minha não será de ninguém ” continua reforçando a crença de que o amor pode ser se justificado através da brutalidade que no passado era matar em nome da honra. Hoje, se mata em nome  de que? Da perda do “objeto sexual?” Sim, mas a pergunta que faço é: a justificativa é aceitável? Como sacralizar a imagem do agressor, ou mesmo, do” assassino” diante da impossibilidade da vítima reagir? Você compreende como é difícil conviver com essa situação? Em meio aos avanços e retrocessos que temos, hoje a mulher pode contar a Lei n°-  (11.340/ de 2006 ) Maria da Penha em caso de violência, pedindo inclusive as medidas protetivas. Todavia, essa mulher continua sendo desrespeitada, e na maioria das vezes, tratada  como objeto sexual, onde esse homem pode usar, fazer o que quiser, bater e pior, acredite: entrar de madrugada na casa dela, violentar essa mulher sexualmente, agredir por entender que ela é propriedade dele, e talvez no último estágio dessa violência, matá-la.

. Resquícios da Idade Média e o momento atual.

Na Idade Média, os limites do direito da mulher era violado de todas as maneiras. A submissão era uma ordem explicita que sobressaia na relação homem e mulher, ou seja, “da casa do pai ao marido”, essa mulher enfrentava tudo calada, sem acréscimo a sua opinião ou vontade em nada. A verdade é que a mulher era tratada, como uma escrava. A repressão a tudo, ajudou a construir essa imagem de ser frágil e pacífico. A violência por exemplo, se manifestava por meio de vários meios discriminatórios. Hoje, ainda se tem diversas maneiras de se manifestar tal brutalidade que desde sempre, foi usada para alargar as diferenças entre homens e mulheres.

Hoje, apesar dos muitos avanços, assim como, a possibilidade em corrigir parte desses erros parece mínima. A vida acadêmica finalmente se tornou uma realidade, a entrada no mercado de trabalho, a atuação em vários espaços, certamente, ajudou muito a projeta a imagem da mulher diante dessa luta pela igualdade de direitos. Porém, se observa bastante que culturalmente, apesar dessa somatório de avanços, vemos que muitos deles acontecem nos pequenos espaços. A construção tradicional da imagem feminina continua enfrentando grandes desafios. Em casa, ela é a mãe, a esposa, a empregada, a pessoa  que é questionada de todas as maneiras. Veja, uma mulher recebe uma ligação às 22:30 horas, o marido pergunta ” Quem está te ligando à essa hora?” Essa mulher vive sob o constante estado de vigilância desse marido. Mais ainda, ela vive sob  controle total. Ou seja, há casos onde ela faz o que o marido ordena ou conhecerá a fúria dele.

Isso mesmo, o marido controlador vigia cada passo da mulher. Algumas vivem como se elas, não tivesse vida própria. É como se a mulher tivesse que pedir permissão ao homem dentro da sua casa para atender um telefone. Claro, é o que acontece, infelizmente.

Historicamente, o que se nota é que no passado ou nos dias atuais, essas mulheres vivem vulneráveis o tempo todo, seja por conta da violência, tanto pela questão do abuso ou dos maus-tratos, o que se percebe muito é o machismo que as cercam, é herança do patriarcado. A “aparência de família feliz”, revela que os maus-tratos assume papel importante diante da prepotência do macho dominador.

A expressão de força e do poder, atrelada a imagem masculina, releva que a violência no seio familiar, por exemplo, vem da questão da dominação. Coisas como a perda do controle, ou seja, o homem fala e a mulher desobedece. Situacões como práticas, discriminatórias. A própria violência física, sexual e patrimonial. Então tudo isso reforça essa coisa do poder, de dizer quem é o mais forte diante dos próprios interesses dentro da relação. 

Como ao longo dos anos vem, se reconhecendo praticas terríveis de abuso de poder, no simples fato da mulher sofrer constantes perdas diante de seus direitos e outras situações, Estado tem se mostrado mais presente, mas nem sempre eficiente. Os casos de feminicídios são alarmantes. Mulheres morrem por motivos fúteis; uma vez que, o homem descobre que deixou de ter o controle sobre a mulher ou a parceira, mesmo que ocasionalmente ali, ele tenha perdido o seu ” objeto sexual ” para outro. Isso corrobora para a frase que usei no início desse texto,  ou seja, “a mulher não sendo mais daquele homem; ela não pertencerá a outro”. Essa é a parte mais agressiva violência. Se ele a tem, maltrata. Porém, perdendo o controle, ele abusa do poder de homem.

Infelizmente, é necessário dizer que a mulher no Brasil, é tratada de um jeito horrível em nossa sociedade. Simplesmente,  o que vemos é que a mulher é um objeto que veio ao mundo para atender os desejos masculinos. Isso não sou eu que afirmo, são os estudos que apontam para essa triste realidade. Agora, o que é interessante de tudo isso? É querer mudar. Nós temos direitos. Quanto aos entraves diante dos avanços e retrocessos, infelizmente, a luta é diária.

Vamos pensar melhor em relação a mulher, vamos lutar para que a omissão do Estado possa diminuir diante da nova realidade que vivemos. Não adianta ter direitos escritos na nossa Constituição Federal, quando na prática, vemos muita negligência em relação a estes. Somos mulheres que antes de amar um homem,  também os parimos primeiro. Que estes, procurem ter mais consideração por nós aquilo que os ajudamos a construir a imagem de homem. Não basta ser homem, tem que respeitar as mulheres.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: pinterest/  Clouse-up Mão De Mulher Mostrando Stop Violência  Contra As Mulheres

Santarém, Pá 29 de setembro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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