” Só o amor conhece a liberdade “


O amor sem mérito, sem arrogância, o sentimento puro, capaz de conhecer a própria liberdade (…) Quando vemos um sentimento descalço, beijar a vida, compreendemos o porquê de sua magnitude.
Um homem dentre as sombras, olha para lua como se fosse um poeta. Não precisa nem de caneta nem de papel, porque sonha com a grandeza a qual a vida pouco lhe oferece, devido a amarga lucidez.
Sonha a sua própria liberdade
É um poeta de alma
[…]
Um filósofo a passear ao som do mar sobre as ondas
Sonha, sonha os dias longos e, a noite…dorme com os sonhos da tua mocidade
[…]
Seja poesia.

Imagem: via Facebook

Marii Freire Pereira


Santarém, Pá 9 de março de 2020.

Despedida

Lá fora

gotas amargas

Escorrendo pela janela

e dentro de mim

Uma saudade

Que devora

Insiste

Em ficar parada

Incomodando

Alimentando-se

De um passado

Que não aceita os muitos

fins de ti.

Minha face

Revela

O desencanto

Diante de uma noite que se aproxima

Pensamentos

Em desordem

Massacram-me

E sobre meu rosto

As lágrimas caem

Como a água na janela.

Quem dera

Que sentisses

A dor que sinto

Ela é tão grande que vive a vagar

Nas noites vazias

Meu coração sangra

Grita de desespero

Sentindo a sua falta

Mas

O silêncio nada responde.

Imagem: via Facebook

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 9 de março de 2020

João Cabral de Melo Neto

Tua sedução é menos

de mulher do que de casa:

Pois vem de como é por dentro

ou por detrás da fachada.

Mesmo quando ela possui

Tua plácida elegância,

esse teu reboco claro,

riso franco de varandas,

uma casa não é nunca

só para ser contemplada;

melhor: somente por dentro

é possível contemplá-la.

Seduz pela que é dentro,

ou será, quando se abra:

pelo que pode ser dentro

de suas paredes fechadas.

João Cabral de Melo Neto – ( A mulher como tema amoroso), a sedução feminina em forma de versos.

Imagem: Composittion ( 1913), de Pier Mondrian.

Publicado por: VEM comigo!

(Literatura brasileira) – William Cereja e Thereza Cochar. Ano: 2013

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 9 de março de 2020

João Cabral de Melo Neto

“E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual

mesmo morte Severina :

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte

de fome um pouco por dia.”

João Cabral de Melo Neto

https://www.pensador.com

Imagem: Escritas.org

Publicado por : VEM comigo!

Santarém, Pá 9 de março de 2020

João Cabral de Melo Neto: a linguagem objeto

João Cabral de Melo Neto (1920-1999), foi um homem que se interessou pelos problemas sociais do Nordeste. Desde cedo, João Cabral mostrou intense pela palavra, mas não só pela palavra propriamente dita, ele queria ser mais, tanto que a preocupação de João foi além porque ele se tornou um crítico literário nesse segmento, ou seja, João conseguiu falar da fome, da miséria e da morte de modo, que denunciava essas mazelas, e as condições que elas se davam através de uma linguagem própria

João pertenceu a geração de 1940-50, e tinha uma característica muito peculiar, ou seja, percorreu os próprios caminhos, digamos: construiu uma característica própria entre os poetas de sua geração. Claro, ele criou um novo conceito de poesia, acompanhou ali um pouco dos traços delineados da poesia de Drummond,Murilo Mendes, mas soube destacar-se de forma profunda na construção daquilo que o seu trabalho tinha a oferecer, ou seja, denunciar que se percebe por exemplo, isso na sua maior obra que é: MORTE E VIDA SIBERIANA.

Morte e vida Severina, ela mostra a fuga da seca e da miséria, e o o que o autor pretende é extrair uma forte crítica, ou seja, mostrar quem são os severianos do país.

Como poeta, João também transformou-se num objeto de referência de poetas subsequentes, como foi o caso do movimento concretista dos dos anos de 50 a 60. Como um exemplo, cita-se o Arnaldo Antunes. João, trilhou um caminho só, como dito, e teve ao de sua vida outros importantes trabalhos como, O cão sem Plumas ( 1950), O rio (1954), Agreste (1985) e Andando Sevilha (1990), assim como muitos outros. A poesia também é um convite a conhecer o trabalho desse poeta maravilhoso.

Imagem: Forgery of Psinting ( 1943), de Joan Miró.

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Ano: 2013

Comentário: VEM comigo !

Marii Freire Pereira

Santarém, 9 de março de 2020

Contínuo

Serei eterno

Não morrerei

Em teus lábios

Serei um poema erótico.

Serei o êxtase dos teus pensamentos

O gozo

O riso alto

O sonho das entrelinhas.

Serei os teus olhos passeando sobre o meu corpo

Serei o paraíso alcançado.

De tudo que existir

Serei a ilusão da própria realidade.

O delírio

A saudade que

Que arrebenta o teu peito

Nas tardes de tristeza.

De ninguém

Mais

Serás completo

O teu amor pertence

Somente a minha alma.

Imagem pública

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 8 de março de 2020

“Toda saudade “

Toda saudade é um capuz

Transparente

Que veda

E ao mesmo tempo

Traz a visão

Do que não se pode ver

Porque se deixou para trás

Mas que se guardou no coração “

( “Todas saudade”. In Carlos Rennó e Gil)

Literatura brasileira ( William Cereja e Thereza Cochar. Ano: 2013

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 8 de março de 2020

Imagem pública