Solidão

Cada vez mais, é comum observar como as pessoas estão distantes uma das outras. Claro, é algo inclusive, baste comum dentro desse conceito de sociedade moderna, cada um vivendo a sua própria vida. A correria, a falta de afinidade entre as pessoas, o amor, a verdade, tudo isso contribuindo para esse campo da solidão.

A impressão que se tem, é a de que o ser humano vive mais dentro de si, mas é um modo de viver ” amordaçado “, asfixiado dentro dos próprios limites, sem conseguir dividir seus dramas pessoais, seus momentos de desespero com o outro, porque o que se nota hoje nas pessoas, é uma superficialidade muito grande. Elas estão completamente indiferentes, é como se o tempo todo, fizessem uso de uma maquiagem que limita o acesso que era para ser natural entre elas, e não provocar o contrário que é o desamor, a concorrência entre si, fazendo que haja um certo desconforto, porque não dizer, um estranhamento entre elas próprias? A impressão que temos é que se caminha a concorrência, onde a gana as transformam mais do que vencedores, em pessoas fracassadas. Portanto, abandonam aquilo que elas têm de mais bonito que é a humanidade, a empatia, o amor ao próximo. E a questão da própria proteção porque, nso se vê troca. Elas se autoabandonam. Muitas, inclusive diante de situações assim, buscando meios alternativos para se livrar da solidão. Pouco a pouco afundam-se no álcool, drogas, e não suportam a realidade e acabam entrando em depressão.

Algumas pessoas por se sentirem sozinhas praticam métodos autopunitivos, porque se sentem derrotadas, ou seja, não conseguem reagir diante de tanta negatividade. Reclamam da vida, mas descontam os seus problemas em si. É um estado de estresse, aliado ao desespero que faz com elas, sintam prazer dentro dos seus impulsos, bebem, fumam e no final, praticam injustiça com elas próprias. É como se vivessem um momento em que elas não se entendem, ou seja, não conseguem se decifrar.

É muito triste quando a solidão leva o ser humano a praticar coisas que o destrói, que faz com se perca o controle da vida. E depois essa pessoa, tenha que reconhecer que é vítima de suas imperfeições, ou mazelas, como queira.

Alguns entendem que precisam mudar e mudam. E quando não tem ninguém confiável para dividir os problemas, buscam ajuda profissional, não só para se livrar dos vícios, mas também da própria solidão. Já outros, depois de um certo grau de amadurecimento, consegue ter o controle sobre si mesmo, descobrem maneiras diferentes de buscar prazer e, assim, depois de umas belas cutucadas da vida, acabam se transformando em pessoas melhores. E como já escrevi outras vezes, a respeito de solidão, existe sempre o lado bom é o lado ruim dela. Agora, é necessário saber dosar para ter equilíbrio.

Há quem goste de solidão e há quem encontre nela os seus fantasmas. Mas, é importante compreender que ninguém precisa de ninguém para ser feliz. Claro, podemos ter com quem dividir os problemas, mas no final, quem os resolve é você, é ou não é? O amigo só podem acrescentar alguma opinião, mas quem decide, quem constrói os alicerces necessários para alcançar o que quer, é você. Então, seja forte diante de suas crises. Mude o que tiver de mudar, mude de lugar, se preciso. Só não corte as suas asas.

[…]

A maior que liberdade que o ser humano conquista é quando, ele passamos a acreditar capazes, quando dentre outras coisas, compreende que precisa ser justo consigo mesmo. Isso é um ganho. Você pode…

Boa sorte!

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Carlos Drummond de Andrade.

Em verdade temos medo.

Nascemos escuro.

As existencias são poucas:

Carteiro, ditador,soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.

Vestimos panos de medo.

De medo, vermelhos rios

vadeamos.

Somos apenas uns homens

e a natureza traiu- nos.

Há as árvores, as fábricas,

doenças galopante, fomes.

Refugiamo-nos no amor,

este célebre sentimento,

e o amor falou:chovia,

cantava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…

Nevava.

O medo, com sua capa,

nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,

meu companheiro moreno.

De nós, de vós; e de tudo.

Estou com medo da hora.

Assim nos criam burgueses.

Nosso caminho: traçado.

Por que morrer em conjunto ?

E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,

Vem, o terror das estradas,

susto na noite, receio

De águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,

lentos poderes do láudano.

Até a canção medrosa

se parte, se transe e fala-se.

Faremos casas de medo,

dutos tijolos de medo,

medrosos caules, repuxados,

ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,

com resplendores covardes,

atingindo o cimo

de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,

tanto produz: carcereiros,

edificios, escritores,

este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor.

Os mais velhos compreendem.

O medo cristalizou-os.

Estátuas sabias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,

recuando de olhos acesos.

Nossos filhos tão felizes…

Fiés herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.

Depois da cidade, o mundo.

Depois do mundo, as estrelas,

dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade- O medo

Carlos Drummond de Andrade ( A Rosa Do povo, 1945)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

O MUNDO É UM MOINHO

” Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anucias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor

Presta atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões a pó…”

Cartola.

https://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Ricardo Reis ( heterônimo de Fernando Pessoa)

Quando há alguma coisa de belo a dizer em vida, esculpe-se; quando há alguma coisa de belo a fazer em alma, faz-se versos. A prosa é para a correspondência quer a correspondência particular, quer a correspondência geral, chamada literatura. A poesia não é literatura: é Arte.

Ricardo Reis, Fernando Pessoa

Revista Prosa e Verso e Arte.

Imagem: via Facebook

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Felicidade

” A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo

ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem

parar

A felicidade de pobre parece

A grande ilusão do Carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou pirata ou jardineiro

E tudo se acabar na quarta-feira…”

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

https://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Manuel Bandeira -Antologia Poética.

Antologia Poética, é o nome dado a coleção que reúne diversos poemas do autor. Criado em 1961, a idéia era reunir esses trabalhos para marcar a grandiosidade que tem Manuel no que se refere a questão da literatura, bem como, para todos nós. Manuel sempre nos será um ganho, certamente. Além do mais, dentro desse quesito evolução, queria evidenciar a questão dos conflitos, a sensibilidade que é um ponto muito falado, o domínio técnico e outros. A coleção conta com poemas, inclusive estrangeiros ( livro Mafuá do malungo), que é a tradução a partir do trabalho de poetas estrangeiros .Além disso, tem crônica, brincadeiras com o tema morte e toda sensibilidade de Manuel Bandeira.

Segundo a observação de alguns estudiosos, ouve o abandono do tom retórico por parte de Manuel em seus trabalhos e, onde o mesmo teria optado por fazer uso de uma linguagem voltada ao coloquial para tratar de coisas do dia a dia. Antologia Poética representa um grande passo na trajetória do autor.

Comentário:

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Desencanto

Eu faço versos como quem chora

De desalento…de esencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa…remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um Acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira . Antologia Poética- coleção de textos, 1961.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020

Descobrindo quem sou

” Tudo o que é bom, dói!”

Monja Coen.

É interessante quando podemos observar a vida, aliás os traçados da vida quando ela nos leva a sair da nossa própria mediocridade. Quando ela nos arranca da nossa zona de conforto, do estado de inércia que muitas vezes nos encontramos, para conseguir ir além, para sairmos desse conformismo a qual muitos estão acostumados.

Todo ser humano precisa escrever a sua própria história, como se diz ‘ virar o jogo’, ser capaz de se superar, de modo, a ser a idealizar a vida, mas fazê-la acontecer. Ter que aprender a competir, viver as adversidades [se quiser] ganhar. Porque viver é isso, ter coragem para sair da área de conforto e correr atrás do que almeja alcançar.

Às vezes, estamos tão acostumados com as coisas boas, que, ao identificarmos uma situação que nos incomoda, nos desestabiliza, ficamos sem norte. E que fazer? Geralmente, nos recusamos a largar o que dar prazer, por mais que muitas , isso até nos cause dor. A primeira reação do ser humano, quando isso acontece é Quer se fechar na sua própria concha. É o medo, o que simboliza essa coisa que é própria do ser humano. A primeira reação é a de querer se anular, por conta de um pouco de sossego. Todavia, qual é a ordem da vida? VÁ! É a ordem é no imperativo, clara, simples e direta. E vou dizer uma coisa, não adianta fobia, porque o que a vida quer testar os nossos limites, a nossa própria condição humana, melhor, a nossa capacidade de nos desenvolver diante de suas limitações. Ela exige o máximo. Portanto, o que resta é deixar as desculpas de lado e sair do comodismo.

Quando a monja coen diz que ” tudo o que é bom dói “, no fundo, ela afirma o seguinte: tudo na vida tem um preço. E para que se possa ser merecedor, é preciso decifrar-nos, acreditar mais em si mesmo, saber que é preciso passar pelos desconfortos, conhecer melhor as nossas dificuldades, os atritos que devemos encarar, assim infinitas definições que damos nomes aos problemas. A verdade é essa, você tem que fazer a “travessia “. Eu gosto do conceito de travessia do Guimarães Rosa, porque o mais importante não é chegar ao outro, mas valor o momento em si. A riqueza que há no caminho. O valor de tudo aquilo que você construiu. São essas pequenas coisas que não podem se perder, porque nao nos será acrescentado uma segunda oportunidade.

[…]

Na vida, nas lutas diárias que temos, é normal vir a fadiga, o desprezo por aquilo que não temos paciência, mas nós, somos o único ser modificador de nossa história. Que tenhamos a capacidade, bem como, coragem para mudar as situações que nos são contrarias. Vamos lá, coragem.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 3 de abril de 2020