A vida é uma brevidade espantosa. Ela nos pára, reciclar, associa as nossas paixões a esperança e, sabiamente nos mostra a direção em que devemos seguir[…]
Estrada é o nome dos caminhos que todas as nossas experiências e fracassos assoladores cantam as sua realidades. Nela, cabe tantos predicados, tanta voz rouca, tantos silêncios não ditos, tantos ” ais”, sem se sequer …pronunciados.
” Tanto entardecer que nos chama, convida a conhecer a beleza do do sol…”
A brevidade da vida passa lentamente, macia, ingrata diante de nossos olhos num tempo precioso…
” Tempo em que já não cabe bagagem, poeira acumulada pelos cantos…”
Tempo em que já não podemos desmoronar, mas olhar adiante e só ter horizontes pela frente…
É a vida pedindo passagem!…
É o momento em que já não podemos negligenciar as nossas necessidades. É o momento de recomposição. Do caminhar, de se lançar para frente, de levar consigo só o necessário. Aqui, cada metro quadrado de esperança é válido. Cada centímetro de possibilidade é bem vindo…
É bonito quando a gente conseguir usar argumentos tão frágeis, tão sensíveis para descrever a respeito da vida e todas as suas contradições com palavras dóceis e que no fundo, expressa uma certa suavidade. É um jeito requintado de saber fazer uso das palavras, de termos e signigicados diferentes, que em outro lugar, certamente, não faria sentindo algum. Mas, como na vida há sempre uma canção escondida, e só ouvimos a realidade dela a partir do momento em que fazemos silêncio, então nesse caso, posso fizer que ela é adorável. E como disse o Guimarães Rosa: ” …Tudo muda, tudo afina e desafinam…”. O importante é saber que contexto da vida, eu posso me recusar em querer reconhecer todas as qualidades e defeitos só pelo lado bruto, pelo avesso das coisas. Posso sim, ter um olhar diferenciado, um olhar onde consigo reconciliar o abandono com a presença e a esperança com a possibilidade. Pois viver significa [re]começar infinitas vezes. O que nos permite caminhar é esse olhar de coragem que a gente lança sobre ela.
O que faz com que se alcance o horizonte sem prejuízos é a verdade. A verdade que cada um carrega dentro de si. Por isso, não tenha medo de ser verdadeiro. Jogue fora os excessos e busque a sua felicidade. Caminhe em direção a sol, em direção ao novo.
A vida é um processo contínuo. É um processo que pede sempre por inovações, por atitudes. E nessa busca, nós buscamos o voo, não importando se ele é alto ou mesmo o mergulho é profundo […]
O sentido da vida, basicamente consiste nesse impulso que nos leva a caminhar, no sentido de fazer com que se chegue a uma realidade que nos permite ser o que realmente gostaríamos. Essa atitude de sair do lugar aonde estamos, e querer tomar as rédeas da vida, é o que nos ajuda a superar todos os obstáculos. E o detalhe que faz a diferença diante disso, é a nossa atitude. É ela que muita vezes, acrescenta o detalhe principal, diante de qualquer situação. Não importa os limites, quando se deseja buscar algo. O individuo, a partir do momento que quer, procurar, anseia por algo, ele toma a decisão de ir atrás. Gente, quando se quer de verdade, não existe desculpas, não existe dificuldades que o impeça. Pode notar, quando queremos realmente uma coisa, se procurar uma maneira de chegar até ela, chega-se. Mas, quando ficamos estagnados, ou mesmo vivendo na indecisão, os nossos sentimentos vivem uma espécie de confusão. Fica- se, naquele “não sei se vou, não sei se fico…”. Porém, enquanto isso acontece, o tempo vai passando. Ele “passa”, mas não pára pra ninguém. Portanto, se você, que é a pessoa interessada, for negligente,ou seja, deixar de lado, e não acompanhar o movimento do tempo, os seus desejos perdem o sentido.
Todavia, se temos a coragem de seguir para aonde a realidade nos aponta, simplesmente vivemos. O problema é que a maioria, vive uma realidade idealizada, e isso é ruim, porque o nosso próprio movimento faz com que nos tornemos negligentes com coisas simples. Mas que fazem a diferença. É como disse o Mário de Andrade:
” A felicidade é tão oposta à vida, que estamos nela, a gente esquece de viver”.
É preciso permitir-se. Ir além. O intuito é sempre criar novas oportunidades. Portanto, não podemos simplesmente negligenciar essa parte, inclusive deixando para trás o peso do que só nós temos a capacidade de fazer.
É preciso viver, olhar sempre para essa coisa bonita que a vida nos oferece, que é o processo de se recompor. Aprender a se reconciliar com olhos de beleza. E quando fulgor da vida, tendo sempre a capacidade de enxergá-la, por dentro.
Não esquecendo de viver…
É importante saber caminhar – o caminhar com sabedoria, querendo sempre o melhor. Buscando a satisfação pessoal, o que realmente precisa para atender as nossas necessidade. O que embeleza a vida são esses pequenos detalhes, e quanto a isso não há valor que pague.
Viver é ter a capacidade de seguir, de ir buscar aquilo que nos faz bem…sempre!
João Guimarães Rosa (1908-1967), é considerado um gênio da Literatura Brasileira. De Cordisburgo, Minas Gerais, Rosa, conseguir trazer um novo significado a literatura brasileira. Essa começou com começou com autores do romantismo, como José de Alencar, depois passou pelos naturista até chegar ao pré- modernismo (Euclides da Cunha), depois entra a questão do Modernismo ( geração de 30), com autores como: Graciliano Ramos, José Lins, etc.O Rosa chega com uma proposta totalmente inovadora, ele muda não só a maneira de como a literatura vinha obedecendo um padrão, mas também leva essa literatura a um nível muito mais alto, ou seja, ele traz um significado diferente, incorporando a sua maneira particular de empregar termos capaz de enriquecer [ainda] mais o vocabulário: misturou a questão que empregava a língua culta, a termos regionais. Isso se consegue observar ao longo de todo o seu trabalho.
A tradição da literatura brasileira, ela é antiga, e começou com autores que foram citados, porém o Rosa conseguiu ir além, ele chamou atenção por fazer a diferença no sentido da inovação. E uma dessas característica, foi o que? Foi o emprego da língua culta com regionalismo, ou seja, o uso de termos regionais. Essa foi foi a grande sacada, a característica própria do Guimarães. Então no trabalho dele, você observa que a fala do sertanejo está presente em toda parte. É o retrato real da maneira de como o mineiro se expressa.
Sagarana:” Aí a beldroega, em carteirinha indiscreta! ora- pro – nobis ! – ora- pro – nobis – apontou caulesruivos no baixo das cercas das hortas, e falo a falo, avançou…”
Sertão Veredas: ” Nonada . Tiros que o senhor ouviu foram de brigas de homem não. Deus esteja. Alvejado mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em mim mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro branco erroso, os olhos de nem ser”.
Você nota linguagem que retrata o sertão mineiro, mas a intenção do Guimarães não era só retratar a questão realística, ele recria a própria língua portuguesa ao saber harmonizar o uso desses termos para podem construir tal realidade.
A obra de Guimarães Rosa é muito rica, seja na poesia, na prosa, ele é um escritor que assim como Machado de Assis trouxe uma nova proposta a literatura, porque além da reflexão, conseguiu responder aos anseios do que se buscava, que era algo inovador, no sentido da descoberta, ou seja, mergulhar na profundeza da alma humana.
Imagem : Literatura brasileira ( Guimarães Rosa, retrato por Novaes)
” O importante e bonito do mundo é isso:que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando.Afinam e desafinam”.
Descalço se aprende a pisar melhor, se lembra o tempo de criança, o gosto de deixar os pés tocar a terra nos dias de chuva.
Se anda um pouco aqui, um pouco ali, e sente que a alma está completa. Faz coisas próprias que atendem as necessidades de criança […]
O cheiro de mato molhado, alguém recorda como era bom? E aquele desejo de ouvir o barulho da chuva no telhado? Rir como criança!…
Quanto coisa somos capazes de sentir novamente a partir do momento em que andamos descalço. Não, aqui não falo somente do contato físico, mas dos caminhos que todas essas lembranças nos trazem. É a respeito do emocional, é o valor daquilo que te provoca a sensação de bem-estar. É essa criança que vive adormecida que você precisa acordar.
“Todos os dias, aprendemos um pouco aqui e um pouco ali …”
Aprenda a gostar de você novamente. Isso chama-se: autoestima.
Faça coisas as quais você gosta. Necessariamente, você não precisa andar descalço, é uma linguagem metafórica, mas que promove o bem- estar inteiror, o que nos provoca aquela sensação de completude.
A autoestima é você ter essa aproximação de si, mesmo. É aquilo que é verdadeiro, e que nos faz sentir satisfação de modo geral. É como uma espécie de felicidade intacta…
Todos nós, passamos por problemas. A diferença é que, muitos conseguem lidar melhor com algumas dificuldades. Já outros não. Então, procure ter satisfação naquilo que faz ( ainda que não seja lá), essas, procure dar-se ao menos, um elogio por dia, garanto que é melhor do que viver tecendo críticas direto. Elogiar, é uma forma de conseguir se libertar, de ganho. Não haja como o paciente que se recusa a tomar o remédio, ou seja, por escolha própria, prefere a morte. Não, faca melhor. A maneira de como nos tratamos diz muito sobre a gente, quem somos e o como lidamos com os nossos conflitos. Tudo, melhora quando esse tratamento é para nós mesmos. As vezes, temos a preocupação de tratar bem o outro. E quanto a nós? aqui falo de você. Quando fazemos isso, naturalmente aquela “música suave e escondida, aparece através de uma voz ..”. É o inconsciente que desperta o que antes, estava adormecido.
É bom, é sempre mais interessante olhar a vida com um pouco mais de carinho. Com beleza não só na face, mas principalmente na alma.
Se precisar andar descalço, e a proposta aqui de fato é essa, ande…
Toque a terra, sinta a suavidade da vida…ria como uma criança, ouça o barulho da chuva caindo lá fora.
…namore no portão!
Entenda uma coisa, existem pequenas regalias que a vida simplesmente, não perdoa se abrimos mão…
Aquele coração de menina [ainda], pulsa aí dentro, viva!!…
Começo esse texto com a frase de Guimarães Rosa. Ele foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. A pergunta mais importante a todos nós é: Como se pode definir o significado de felicidade?
Cada ser humano tem um jeito próprio de definir o que é para si, essa tal felicidade. Eu posso ser feliz sem excessos, mas também devo considerar que para a maioria, a felicidade tem ligação com quantidade. E qualidade, conta nesse caso? Depende.
Quando Guimarães afirma que se é feliz em horinhas de descuido, imagino que felicidade é uma palavra nua. Exatamente, ela só é real se despida de toda vaidade. É que nem o amor, só é verdadeiro, mediante uma condição: se da porta para dentro, quem ousar tirar as vestes, deve está nu não só de corpo, mas de qualquer conceito supérfluo. O amor é isso, exige uma cama preparada não só a entrega de corpos, exige a reciprocidade de sentimentos. Portanto, ao adentrar nos recintos do amor, tire os cartões de crédito, as chaves do carro, o nome da empresa a qual você tem ligação. O amor, cabe somente o necessário, o sentimento de entrega. Quando se vai para a cama com todos esses penduricalhos ( excessos), se faz sexo. E para você ter uma idéia, sexo muita gente faz. É uma necessidade ligada a função biológica/ reprodutiva. É por isso que, as pessoas transam tanto, mas não têm o sentimento de satisfação. E tem aquelas que quanto mais parceiros têm ( quantidade), mas atende a necessidade do corpo, não da alma. Agora, quando ele vem acompanhado desses requisitos ( exigências), então se faz sexo com amor e nesse caso, os abraços acabam por ganhar um significado maior, os sorrisos têm mais valor, o olhar de cumplicidade, recompensa entrega dos amantes.
“Eis, as horinhas de descuido…“
Que acabam tendo um significado importante. Felicidade é um termo que se aventura pelos mesmos caminhos do amor. Evidentemente com significado de valores ladeados de importância adquiridas a partir de situações equivalentes.
Eu posso ser feliz quando me desarmo de argumentos desnecessários, ou quando peso aquilo que achava ter importânciamas, como algo de menos, ou seja, no fundo avalio o pouco valor.
Certamente, partindo disso, busco resposta talvez… ligadas minha interiorização, ou seja, o meu íntimo, uma vez que a felicidade é compreendida (também), como uma necessidade humana. Portanto, precisa ser satisfeita e é para isso que vale a colocação do Rosa: buscar essa satisfação pessoal, é um direito meu e que portanto, a resposta surge a partir do que preciso para que esse significado faca sentido. As ” horinhas de descuido “, que metaforicamente falando, é linda, só vem quando eu me deixo levar pela simplicidade, quando encontro beleza na vida, no dia a dia. É algo que está ligado a minha saúde psíquica. Primeiro o preenchimento emocional, depois, tudo aquilo que nos reveste fisicamente. É por isso que o conceito de felicidade é ‘ particular ‘. Eu entendo o valor daquilo que busco para complementar a minha felicidade. Porém, tem pessoas que vivem para fora. Então, nesse caso, felicidade está ligada a fatores externos. Dinheiro, fama, poder
[…]
Tudo ajuda. Porém, felicidade é um conceito amplo. Vai além da boa filosofia, vai além da imaginação
Felicidade no primeiro momento, pode ser compreendida como um estado, já no segundo momento, esse conceito pode vir revestido por uma crosta. Ninguém define de maneira clara o que possa ser felicidade. Exite uma infinidade de conceitos que ajudam a se ter uma clara definição do que possa vir a ser , mas a construção dar-se de infinitas possibilidades.
Tem pessoas que são felizes quando tiram tempo para ficar com os filhos. Tem quem pegue um carro e percorra longas horas para chegar naquele lugar aonde a mãe mora só para tomar café e comer uma fatia de bolo de milho. Não é gostoso? Há ainda, casais que procura arrumar tempo para desfrutar da companhia um do outro. Então, se percebe que felicidade abraça todas as reticências…
” Essas horinhas de descuido…são preciosas”
Felicidade é…algo que gera uma consequência boa. É uma necessidade do indivíduo relacionar -se consigo mesmo, antes de mais nada.
O que você costuma fazer nas suas horinhas de descuido?
Eu, me chamo Marii Freire e escrevi esse texto pra você.
Aos poucos, o tempo tem nos ensinado o quanto é importante a dinâmica de saber negociar com ele. Ninguém perde, ninguém ganha, mas todos adquirem uma experiência enorme nessa parceria.
Compreender o valor de nossas escolhas, valorizar aqueles que fazem questão de arrumar um tempo para ficar um pouco mais perto de nós. Isso sábio, tem um valor incomensurável.
Dedicar parte do seu tempo a você mesma, investindo algumas horas para conseguir se aprimorar naquilo que deseja, não é bom? Claro que é. Há momentos em que se precisa desse tempo como aliado. Não adianta correr, querer competir com ele, não. Há situações que são inegociáveis. As vezes, o que se precisa é desacelerar. Diminuir o passo, respirar (…)
Respirar vida como a gente costuma fazer logo que nasce. Não é isso que se faz após levar um ” tapinha de cordialidade?”. Não sei, não. Mas, tem uns aí que são meio fracos, berram (choram), depois desse registro de boas vindas.
Quando bebês, não. Mas, na fase a adulta a dor nos humaniza, fazendo nos costumar com a sua crueza. É um jeito sábio ela tem de nós preparar para passarmos por tantas tarefas árduas. Machuca, porém como disse Guimarães Rosa: ” Coragem “, é o que ela nos exige a todo momento. É por isso que, vez ou outra, quando se tem a possibilidade de fazer uma pausa, é interessante que se faça. Temos que saber que nem tudo é árido, mas que há uma brisa suave que surge como resposta as nossas incertezas.
Mudar as nossas atitudes, cria a possibilidade de olhar os nossos limites, eliminando os excessos, é claro. Tufo isso é ótimo e depende unicamente de nós, das nossas atitudes.
Pare, respire , desperte o que estava adormecido dentro de você. Permita-se sonhar, ter vida aos dias que ainda lhe restam, porque na verdade, ninguém sabe quanto tempo tem de saldo com a vida, portanto, acredite em você.
Viva a vida, saboreie com vontade as novas oportunidades que ela lhe apresenta. Procure ter leveza na alma para acompanhar a beleza do entardecer.
Imagem: Ponta do Cururu/ Santarém, Pá.(Oestadonet .com.br)
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