Olavo Bilac

O ouro fulvo * do ocaso as velhas casas cobre;

Sangram, em laivos * de ouro, as minas, que

[ ambição

Na torturada entranha abriu da terra jobre:

E cada cicatriz brilha como brasão.

O ângulo plange ao longe em doloroso dobre,

O último ouro de sol morre na cerração.

E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,

O crepúsculo cai como uma extrema- unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece

Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu…

A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move…

Dobra o sino…soluça um verso de Dirceu…

Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Olavo Bilac. Vila Rica

( Olavo Bilac. In: Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996, p. 269)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Flickr

Fulvo: de cor alaranjada

laivos: marcas, manchas, restos, vestígios.

Santarém, Pá 2 de Julho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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