Florbela Espanca

” Teus olhos têm uma cor

de uma expressão tão divina,

tão misteriosa e triste.

Como foi a minha sina!!!

É uma expressão de saudade

vagando num mar incerto.

Parece negros de longe…

Parecem azuis de perto…

Mas nem negros nem azuis

São teus olhos meu amor…

Seriam da cor da mágoa,

Se a mágoa tivesse cor.

Florbela Espanca.

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Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Zedge.net

Santarém, Pá 20 de agosto de 2020

João Cabral de Melo Neto

” Os sonhos cobrem- se de pós.

Um último esforço de concentração

morre no meu peito de homem enforcado.

Tenho no meu quarto manequis corcundas

onde me reproduzo

e me contemplo em silêncio.

João Cabral de Melo Neto. Os manequins.

( João Cabral de Melo Neto. Poesias completas. 3 ed.Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.p.376)

Literatura brasileira:William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Le maschere ( 1973) de De Chirico. ( arquivo pessoal)

Santarém, Pá 20 de agosto de 2020

Cláudio Manuel da Costa

” Eu não chamo a isto já felicidade

Ao campo me recolho, e reconheço,

Que não há maior bem, que a solenidade.”

( Cláudio Manuel da Costa. In: Massad Moisés, Literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 2000.p.92)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira.

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Imagem: Pinterest. Her Campus

Santarém, Pá 20 de agosto de 2020

Tomás Antônio Gonzaga

[…]

Irás a divertir-te na floresta,

sustentada, Marília, no meu braço;

aqui descancarei a quente sesta,

dormindo um leve sono em teu regaço;

enquanto a luta jogam os pastores,

e emparelhados correm nas campinas,

toucarei teus cabelos de bobinas,

nos troncos gravarei os teus louvores.

Graças, Marília bela,

graças à minha estrela!

[…]

( Tomás Antônio Gonzaga. In: Antologia da poesia árvore brasileira. Organização de Pablo Simpson. São Paulo: Nacional/ Lazuli, 2007.p.83-5)

Literatura brasileira:William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Uma cena pastoril ( 1750), Francesco Zuccarelli ( arquivo pessoal)

Santarém, Pá 20 de agosto de 2020

Luís de Camões

” Que dias há que na alma me tem posto

Um dia não sei quê, que nasce não sei onde.

Vem não sei como, e dói não sei por quê.”

Luís de Camões.

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Flickr. Lisboa, Portugal

Santarém, Pá 19 de agosto de 2020

Guilherme Arantes

Só você pra dar a minha vida direção

O tom, a cor, me fez voltar a ver

A luz, estrela do deserto a me guiar

Farol no mar, da incerteza

Um dia um adeus, eu indo embora, quanta loucura

Por tão pouca aventura

Agora entendo, que andei perdido

O que eu faço, pra você me perdoar

Que bom seria se eu pudesse te abraçar

Beijar, sentir como a primeira vez

Te dar o carinho que você merece ter

Eu sei te amar, como ninguém mais

Ninguém mais, como ninguém jamais te amou

Ninguém jamais te amou

Te amou, ninguém mais

Como ninguém jamais te amou, ninguém jamais

Te amou

Como eu

Como eu.

Guilherme Arantes. Um dia, um adeus

Fonte: LyricFind

Imagem: google. Guillaumearantes.net

Santarém, Pá 19 de agosto de 2020

VEM comigo!

Nem sempre é preciso dizer. Às vezes, o maior esforço que fazemos é calar. Calar e traduzir o fragmento imaginário daquilo que a palavra desconhece o seu significado.

Toda mudez é rentável.

[…]

O silêncio permite-nos contemplar e entender todo o esboço da vida, os batimentos acelerados do coração, o estalar dos dedos. O silêncio é a condição necessária para fazer a vida crescer entre aquilo que a encobre. É no ato de saber contemplar que somos seduzidos. Como disse João Cabral de Melo Neto: ” Seduz pelo o que é dentro”.

A vida e a vida nos apanha pelo o que há por dentro. Um riso por exemplo, para ser gostoso tem que vir da alma. Aquelas risadas mascaradas que se ouve, elas não nos convida a rir junto. A ingenuidade sim. Você valoriza ou não o riso de uma criança? Valoriza. E veja que é natural. Dependendo da fofura, é tão gostoso que funciona como uma espécie de refúgio. É um purificador da alma. Existe arma que nos deixe mais indefesos? Desconheço.

Todavia, quem disse que a ‘realidade muda’ não pode ser bonita? Não pode traduzir poesia ? Pode. Nós seres humanos, somos cheios de inquietações. Às vezes, a ousadia nos faz querer ‘transformar o mundo’, sem antes, transformar aquilo que realmente é importante e vivo dentro de nós. É um erro. Primeiro, É comum nessas aventuras, arrumar atritos, e não belezas. E aí, os ” bons ventos” passam, procurando outro rumo.

Nós precisamos ao invés de reagir, procurar o que o silêncio tem a nos dizer, pois é só através dele que conseguimos transformar coisas importantes. Procure encontrar beleza, não a superficial, mas a que você não encontra descrita em dicionários. Talvez, essa seja uma questão: afinidade e razão. Quais têm sido as suas escolhas? Suas escolhas e preferências podem ter inúmeras descobertas. A beleza pode ser sim, encontrada no desconhecido, no amargo, no estranho ou simplesmente,no razoável. É ou não é? A resposta é sua.

A beleza poética sempre existe, busque-a. Todos nós somos sobreviventes desse processo de transformação. Por isso, deixe-me se flagrar olhando as entrelinhas

[…]

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinterest. Miomyltaly.com

Santarém, Pá 19 de agosto de 2020

Manuel Bandeira

” Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui não sou feliz.

…

Pasárgada tem tudo

É outra civilização

…

– Lá sou amigo do rei-“

Manuel Bandeira. Vou-me embora pra Pasárgada.

Literatura brasileira. William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Estúdio Prático

Santarém, Pá 19 de agosto de 2

Pablo Neruda

” É a manhã cheia de tempestade

no coração do verão.

Como lenços brancos de adeus viajam nas nuvens

que o vento sacode com viageiras mãos.

(…)

Vento que leva em rápido roubo a ramaria

e desvia as flechas latentes dos pássaros.

Vento que a derrubada em onda sem espuma

e substância sem peso, e fogos inclinados.

Despedaça-se e submerge o seu volume de beijos

combatido na porta do vento do verão

Pablo Neruda. “É amanhã cheia de tempestade “.

Pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Shannon Howard Photography

Santarém, Pá 19 de agosto de 2020

Almeida Garret

” Divino, eterno! – e suave

Ao mesmo tempo: mas grave

E de tão fatal poder,

Que, um só momento que a vi,

Queimar toda a alma senti…

Nem ficou mais meu ser,

Senão a cinza em que ardi.”

Almeida Garret. Seus olhos.

Literatura brasileira:William Cereja e Thereza Cochar. São Paulo, 2013

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. s573928173.mialojamiento.es

Santarém, Pá 19 de agosto de 2020