“Deixe-me te contar uma coisa: na vida não basta apagar os passos. É preciso fazer caminhos…”
Marii Freire Pereira
Ninguém sabe as respostas que precisa encontrar nesse processo de construção de pensamentos. Em geral, se costuma recorrer aos livros, escritores e analisar as suas propostas nessa busca pela cura emocional, ou seja, por aquilo que nos reconstrói por dentro todos os dias.
Às vezes, a vida se torna injusta no raso de si, e na tentativa de superar a dor ‘indizível’ como poeticamente se encontra nos textos literários, essa pronúncia, vamos nos tornando ainda mais injustos com aquilo que nos machuca. Pois é, na tentativa de apagar os rastros que outrora deixamos para trás, que costumamos agir como toscos, ou seja, maltratar a nós mesmos, por não compreender o estado de confusão mental ao qual nos encontramos. Sim, às vezes, procuramos contemplar os caminhos mais difíceis como uma espécie de autopunição, ao invés de procurar respostas mais simples.
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Nessa gestão de domesticar aquilo que somos ( solitarios), vamos abrindo caminhos de encontro ao sol…para redimir- nos dos males, da condição de tristeza que vai nos consumindo, e enchendo de dúvidas acerca de nossos valores. O ser humano, pouco a pouco, transfirma-se num ser emocionalmente pobre, com pensamentos doentios sobre si mesmo. O miolo, fica comprometido na sua própria estranheza. E tudo o que ele faz é acomodar- se.
Reconstruir é um caminho que exige esforço, porque pelo fato de estarmos dentro de um processo de mazelas, e que portanto, exige mais cuidado (manutenção diária), temos que ter habilidades para não gerar pensamentos que nos torne ainda mais miseráveis. Ter consciência de que precisamos deixar esses pensamentos distorcidos de lado para procurar regozijo naquilo que nos bem, é uma experiência assertiva.
Quando assumimos uma postura segura, simplesmente, avançamos rumo ao novo, caminhando sem ter medo dos ruídos que ficam para trás. Esse processo de reconstrução do ser humano é maravilhoso porque é na entrega que ele consegue ser inteiro. Enquanto houver resistência diante de qualquer experiência negativa, ele sofre. Mas, a partir do momento que existe uma compreensão daquilo, ou seja, que não vai criar raíz ali, ele reage. E esse reagir é o ” reinventar-se”.
Toda tristeza em nossas vidas é um momento a se refletir, lapidar, esculpir (…) E compreender que nós, somos feitos dessa colcha de retalhos, lindamente colorida. Às vezes, um remendo maior outro menor, mas que no final, faz com que todos nós carreguemos uma beleza particular. É como o pôr do sol, o dia precisa ir para a beleza se construir na solidão…
Que saibamos reconhecer o valor das miúdas certezas… dos pequenos gestos, dos abraços , dos sorrisos, das palavras sincera que nos acrescentam valores absolutos. Que saibamos contemplar a beleza do que nasce e rompe o silêncio de nossos pensamentos. O que nos decifra, transborda e exala o melhor de nós.
“O ninho é um espaço que nos cerca de pureza, equilíbrio e encantamento “. É a parte da nossa consciência que se associa a casa. Por isso ” abrigo “, porque permite-nos encontrar docilidade.
Marii Freire Pereira.
Para as pessoas cultas, a imagem do ninho representa proteção. Pois, ele é construído em formato de circulação, ou seja, algo que envolve, enlaça o ser humano. É o lugar onde temos a capacidade de domar as nossas preocupações, reconhecer as nossas reações, estranheza e tudo mais. Portanto, o ninho pode ser compreendido como um lugar seguro.
Só ele tem essa capacidade de fazer com que qualquer pessoa acate a idéia de “obrigação” sem peso. É uma espécie de obrigação prazerosa por há de se concordar que o lar é um lugar que você volta inúmeras vezes, durante a vida inteira é o melhor, com o sentimento de reconciliação. Não existe essa coisa de você volta e dizer ” isso é um tédio!” Faz porque é forçado. Não, o lar geralmente, não aceita esse pensamento de rejeição, de insegurança, ou remete a idéia de fobia. Lar é um ‘ abrigo’ gostoso como uma cama confortável. É nele que você faz as pazes consigo mesmo. Então, não é um lugar que você frequenta por conveniência, é sim, o único ambiente que você é capaz de se sentir seguro em todos os sentidos.
O lar, o ninho ou mesmo o abrigo, ele é construído com sentimentos, com tempo, cuidado e carinho. Então, para qualquer canto que você olhe tem um gesto seu. É uma flor num lugar que possa trazer bela aquele ambiente. É o seu sofá predileto. Se você gosta de escrever, tem um ambiente preparado para isso, e tudo o que engloba aquele universo, como livros, lápis, canetas. É uma maneira de viver despojadamente. E por que? Porque ali cabe todas as nossas necessidades. É um lugar harmonioso aonde a sua vida, assim como, a minha pode ser dirigida importante cautela. E ness3 caso, não há porque falar em contramão.
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Nele, existe espaço que vem sendo preenchido desde a fase de criança, que é onde nossos traumas de infância ganharam importância. Assim como, as alegrias também.
Uma pessoa adulta por exemplo, ela costuma defender os seus pontos de vista (debater) a sós, ou seja, ( falar sozinha). Ela costuma defender posições, opiniões que nem sempre lá fora ( mundo), falaria as mesmas coisas em ‘alto e bom som’. Então, o lar é esse lugar que de fato …nos ‘acolhe do jeito que somos’.
Eu acho fascinante essa idéia de ninho porque ele nos permite ser só aquilo que podemos oferecer. É intrigante, mas existe uma sabedoria nisso tudo que faz com que sejamos capazes de nós reconhecer através dessa outra carcaça, porque veja, ele nos reveste, mas nós, para ser atrativos e verdadeiros, só conseguimos fazer com que algumas pessoas ” morem em nos”, por algum tempo, devido a estrutura interna e não o que nos reveste do lado de fora. O que se procura no outro é o que existe de belo por dentro, é abraço, o acolhimento, a palavra. De “bela fachada ” a vida não se sustenta. Se essa ‘beleza acaba’, nos tornamos “andarilhos”…claro, nas nossas próprias desculpas ou justificativas…’quem é aquele que não sabe o valor de justificar o que é correto a sua, mesmo?” Nos defendemos sempre. Isso é algo que vem dos primórdios. A idéia de segurança vem sendo tecida de longa data. É isso que importa. Cada um aprende a se decifrar a sua maneira.
Todavia, a objeção que fica nesse caso é: ou você gosta do que tem e cuida só daquilo ou aprende a ir mais longe…” voar ” e dessa forma acumuladar riqueza aos olhos. Quem define o tamanho das próprias necessidades, é quem as tem. O importante é não se esquecer de que somos. O ninho, se carrega para onde for, mesmo que isso seja na memória.
Nesse processo de crescimento, sempre no abraçamos ao ninho…mas há momentos que temos que aprender ir a procura de novos horizontes.
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