Já sei, Senhor; que vos haveis de de entardecer e arrepender, e que não haveis de ter coração para ver tais lágrimas e tais estragos. E se assim é ( que assim o estão prometendo vossas entranhas piedosíssimas), se é que que há de haver dor, se é que há de haver arrependimento depois, cessem as iras, cessem as execuções agora, que não é justo vos contente antes o que vos há de pesar em algum momento. ”
Vieria em : Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda.
Imagem: arquivo pessoal ( A Bahia de todos os Santos, Salvador, em litografia de 1782. Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual editora. São Paulo, 2013
A sociedade seleciona os seus entre “os melhores e os piores”. Impõe condição a todos: emancipar-se é um dever! A sociedade sabe forjar aquilo que precisa para ser ” perfeitinha”, na sua mania de grandeza.
Florbela Espanca. Fanatismo. Vol 2. Livro de Soror saudade, Charneca em flor, Reliquiae. Florbela d’alma Alma da Conceição Lobo Espanca. Porto Alegre, 2018. L& PM POCKET
” Realmente, o mundo está cheio de perigos, mas ainda há muita coisa bonita e, embora atualmente o amor e a tristeza estejam misturados em todas as terras, talvez o primeiro ainda cresça com mais força. “
Esse ano os ypês por uma questão de sobrevivência começaram florar mais cedo. O clima e a temperatura contribuíram com essa mudanças brusca de forçar essas árvores ” antecipar”, essa fase importante. Claro, deixo o ar romântico. Mas, elas estão lindas assim por camaradagem a você, pois no fundo, essa elegância faz parte de um processo que evita que elas se despeçam da natureza.
“(…) uma questão fundamental para essas árvores é a sobrevivência. Cada estação tem a sua importância, porque juntamente com elas, existem respostas as suas próprias razões.
Florar não significa mostrar só uma fase bonita. Existe todo um significado por trás de cada momento. Diria que, este é, assim como os outros, cheios de significados , mas o maior deles é reconhecer o comando da vida. Dar existência a uma nova fase é buscar se adaptar às circunstâncias. Às vezes isso não depende de gosto ou vontade, é só uma questão de se manter vivo. E não acontece só com as plantas, mas com o se humano também.
A história se repete conosco. Há momentos que para se manter firme (também), passamos pelos momentos delicados.. ‘perder todas as folhas’, e às vezes, secar um pouquinho faz parte desse ciclo de aprendizado. Nós seres humanos, aprendemos crescer por dentro, e só num segundo momento, para fora. É um momento particular. Geralmente, ele vem com a chegada da chuva, representando a ‘fecundação .’
A natureza é realmente sábia e muito nos ensina sobre frustação que é aquele momento de desalento ( possibilidades de perdidas), mas também a bonanza, a esperança, a fartura. São exemplos ou mesmo, trajetórias que servem lembrar os humanos que assim como as plantas, nos simples mortais, temos que passar. Um dia os nossos sonhos nascem e no outro, lidamos temos que aprender a lidar com a finitude. Um dia temos mãos, braços e pernas, no outro, nem as raízes! Só o rascunho do que fomos.
É certo que o único prazer que não acabe, seja aquele presente nas nossas sementes ( filhos). O “chronos “, tempo – provoca rupturas, esquecimentos, mas também revela essa perplexidade tardia. Somos donos de nós, não do tempo, não de suas vontades.
Vamos florir no nosso propósito, sem desperdiçar tempo. Vamos aprender com a natureza como florir por dentro.
Pablo Neruda. [TODOS ME PERGUNTAVAM…] . Edição bilíngue. Poesia chilena, I . Miranda, Luís de. I. Título. II.serie. Ultimos poemas, 2018. Porto Alegre, L& PMclassicosmodernos.
De todos os trabalhos que li, de todas as paixões que me entreguei, ninguém me ganhou por inteira, senão Machado. Talvez, pela própria trajetória, menino de vida simples, que cresceu e aprendeu a se interessar pelos labirintos alheios, pelo espírito humano. Lugar de onde soube extrair seus temas: vaidade, egoísmo, morte, crueldade, adultério, sensualidade. Há tanta coisa gostosa para se descobrir em Machado. É um autor de muitos livros, mais eu arriscaria dizer que ‘Machado é um livro que gosto de ler nas estrelinhas ‘. Meu livro de cabeceira! Assim como ele, tenho um interesse enorme pelo ‘oculto, o encoberto.“
Às vezes temos a curiosidade atrelada só a um fato ( situação momentânea), eu não. Eu gosto de descobrir valores, antes de mais nada, procurar entender o porquê do acontecer dos fatos. Da mesma forma que ele gostava de observar o mundo, a vida, os dramas, essa coisa do ‘mergulhar na profundeza do ser humano’, de mostrar interesse, Machado é um autor detalhista , ele procurou trabalhar muito o ‘miúdo’ nos seus personagens, eu gosto. Talvez, por me identificar com esse detalhe, é que procuro esmiuçar o sentimento verdadeiro nos meus textos. Eu não me identifico muito com a figura do sádico. Embora, o próprio Machado tenha sido sádico em algumas situações, o que era um detalhe extremamente comum entre de versos autores da literatura de sua época. Aliás, se tivesse que citar alguns colegas de caneta, Gregório de Matos, entra na minha lista de ” autores prediletos”. A forma sarcástica foi muito usada para denunciar as mazelas da sociedade. Posso dizer que há trabalhos fantásticos.
Todavia, eu gosto de trabalhar essa coisa do esforço, de ajudar as pessoas a encontrarem o seu caminho. A conversa, o diálogo em si são fatores que sustentam o ser humano. Sem eles, há um desencontro que leva as relações ao fracasso.
Quando fazia a faculdade de Direito, costumava ouvir ” Você tem que ser conciliadora “. Não, o meu interesse é sempre fazer com que o outro possa despertar. A idéia é provocar, desnudar valores que é próprio dela ( pessoa). Eu quero que as todas pensem, tenham novas idéias, entrem em contradição, que chegue no profundo do poço e depois, voltem a superfície é diga: ‘ eu sou… capaz…penso mais do que isso ‘. Cada um tem uma maneira de escrever, a minha volta-se para o lado ‘suavizado ‘. Todavia, para escrever sobre o sofrimento, a parte prazerosa, como se diz [o bonito]: é o resultado. Ninguém é uma moldura que fica numa parede, onde as pessoas passam e acrescentam o que querem. Se assim fosse, teríamos aqueles que têm uma certa gentileza, generosidade até, e outros que simplesmente, nos condenariam. Claro, imagino que por ignorância ( a maioria), e teríamos aqueles que não demontrariam interesse nenhum. Há pessoas que se importa, assim como quem não dá a mínima.
O bom é narrar as histórias, alterar valores, sair do primitivo. Olhar a vida com um olhar mais realista, claro – sem perder a essência. E a literatura nos oferece a possibilidade de alterar um pensamento aceito […]
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