Marii Freire

Meu grandíssimo mestre, Machado de Assis.

De todos os trabalhos que li, de todas as paixões que me entreguei, ninguém me ganhou por inteira, senão Machado. Talvez, pela própria trajetória, menino de vida simples, que cresceu e aprendeu a se interessar pelos labirintos alheios, pelo espírito humano. Lugar de onde soube extrair seus temas: vaidade, egoísmo, morte, crueldade, adultério, sensualidade. Há tanta coisa gostosa para se descobrir em Machado. É um autor de muitos livros, mais eu arriscaria dizer que ‘Machado é um livro que gosto de ler nas estrelinhas ‘. Meu livro de cabeceira! Assim como ele, tenho um interesse enorme pelo ‘oculto, o encoberto.

Às vezes temos a curiosidade atrelada só a um fato ( situação momentânea), eu não. Eu gosto de descobrir valores, antes de mais nada, procurar entender o porquê do acontecer dos fatos. Da mesma forma que ele gostava de observar o mundo, a vida, os dramas, essa coisa do ‘mergulhar na profundeza do ser humano’, de mostrar interesse, Machado é um autor detalhista , ele procurou trabalhar muito o ‘miúdo’ nos seus personagens, eu gosto. Talvez, por me identificar com esse detalhe, é que procuro esmiuçar o sentimento verdadeiro nos meus textos. Eu não me identifico muito com a figura do sádico. Embora, o próprio Machado tenha sido sádico em algumas situações, o que era um detalhe extremamente comum entre de versos autores da literatura de sua época. Aliás, se tivesse que citar alguns colegas de caneta, Gregório de Matos, entra na minha lista de ” autores prediletos”. A forma sarcástica foi muito usada para denunciar as mazelas da sociedade. Posso dizer que há trabalhos fantásticos.

Todavia, eu gosto de trabalhar essa coisa do esforço, de ajudar as pessoas a encontrarem o seu caminho. A conversa, o diálogo em si são fatores que sustentam o ser humano. Sem eles, há um desencontro que leva as relações ao fracasso.

Quando fazia a faculdade de Direito, costumava ouvir ” Você tem que ser conciliadora “. Não, o meu interesse é sempre fazer com que o outro possa despertar. A idéia é provocar, desnudar valores que é próprio dela ( pessoa). Eu quero que as todas pensem, tenham novas idéias, entrem em contradição, que chegue no profundo do poço e depois, voltem a superfície é diga: ‘ eu sou… capaz…penso mais do que isso ‘. Cada um tem uma maneira de escrever, a minha volta-se para o lado ‘suavizado ‘. Todavia, para escrever sobre o sofrimento, a parte prazerosa, como se diz [o bonito]: é o resultado. Ninguém é uma moldura que fica numa parede, onde as pessoas passam e acrescentam o que querem. Se assim fosse, teríamos aqueles que têm uma certa gentileza, generosidade até, e outros que simplesmente, nos condenariam. Claro, imagino que por ignorância ( a maioria), e teríamos aqueles que não demontrariam interesse nenhum. Há pessoas que se importa, assim como quem não dá a mínima.

O bom é narrar as histórias, alterar valores, sair do primitivo. Olhar a vida com um olhar mais realista, claro – sem perder a essência. E a literatura nos oferece a possibilidade de alterar um pensamento aceito […]

Marii Freire Pereira.

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem & criação: Marii Freire

Santarém, Pá 22 de setembro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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