” Olhos de cigana oblíqua e dissimulada “. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. “
Machado de Assis. Olhos de ressaca/ Capítulo XXXII.
A imagem é da atriz Maria Fernanda Cândido. Ela interpretou a prensagem Capitu desse “homem célebre”, chamado: Machado de Assis, na versão de (Dom Casmurro) para o cinema.
Entre todas as necessidades humanas, a maior delas é o amor. O indivíduo nasce, vive os seus dramas, mas existe sempre uma necessidade psíquica que é a de ser amado, de conseguir estabelecer com o outro vínculos afetivos e a partir disso, construir algo maior que é a presença do amor.
Quando o ser humano vive as suas experiências, ele acaba construindo novos pensamentos, imagens, fantasias, os próprios ‘ adornos ‘ em prol dos relacionamentos. E como troca, recebe elogios, sorrisos, afetos. Psicologicamente, pode-se dizer que ele vai construindo os mecanismos necessários para esse encontro que preenche todas as suas necessidades psíquicas, assim como, a questão emocional também. Todos nós, precisamos de certa forma, ter a experiência do amor validada para que possamos nos sentir valorizados intimamente.
” O Amor pela própria origem é uma necessidade humana.
O ser humano vive a procura dessa adequação desde sai do peito da mãe. A gente sabe que a parte mais importante dessa ligação entre mãe e filho, dar-se com a ruptura do cordão umbilical. Mas, depois vem outro momento importante que é o contato da boca do bebê com o seio da mãe, é ali que se atravessa o mais profundo do ser humano. É o cerne da questão, é o momento que inspira e encanta todos nós. E depois de uma certa idade, novamente vê-se esse ” romper”, que justamente quando tira o peito dessa criança. Esse detalhe vai ficando na memória, vamos crescendo e aprendendo nos ‘adequar’, as várias fases da vida, e as nossas vontadesde também. A partir disso, vamos vivendo novas experiências, frustações, alegrias, tristezas, solidão social, ou seja, aquilo que se chama de ‘desencontros’, é parte conflituosa, mas suportamos. Todavia, sem carinho e afeto, qualquer pessoa, torna-se um ser indefeso. Então, essa lacuna do ‘encontro’ que é algo tão exposto pelo ser humano, precisa ser preenchida. Claro, primeiro por mim, por você. A verdade, é que precisamos nos amar. Só após isso é que temos condições de amar o outro, ou seja, amor pelo parceiro. Evidente que neste caso, quando se trata de um casal, ou nas outras formas de relacionar -se, seja com mãe, pai, irmãos, amigos. As pessoas de modo geral, elas têm esse ” oásis do amor”, incomensurável dentro de si. Elas desejam construir essa fonte de prazer inesgotável que é o amor. Esse tecido íntimo e que precisa ser tocado com delicadeza para que possamos nos sentir felizes e completos como pessoa.
O amor é um sentimento maravilhoso que une, na verdade, ele busca eternizar as ligações. Às vezes, você nota que as pessoas rompem o laço afetivo, mas guarda essa memória rica, repleta de desejo e sentimentos bons que mesmo na ausência da outra pessoa, ela permanece guardada nas lembranças. E um dia, elas reatam novamente a relação. Note que, elas podem limitar o diálogo, mas a força desse sentimento é tão grande que faz “estreitar” as diferenças e amar umas as outras.
Dentre os ” Grandes Nomes da arte “, aparece o de Sebastião Salgado. Um homem que tem um olhar incrível por trás das lentes.
Sebastião tem surpreentemente um olhar apurado para contar histórias extraordinárias por trás de cada click. Aqui, eu chamo atenção para o seu trabalho, porque mais do que beleza, é necessário falar dessas experiências de Sebastião, considerando aí, a importância que esse trabalho tem para nós. É um orgulho muito grande recepcionar essa influência positiva e legítima desse fotógrafo brilhante. As histórias capturadas, na verdade, são uma afirmação de reflexões acerca de questões políticas, histórias das populações migrantes, refugiados e diversas outras situações. Uma que talvez, chame mais a atenção do público é a história que há por trás das inúmeras imagens de Serra Pelada.
Sebastião, mostra em todos os ângulos a história de uma imensidão de pessoas trabalhando exaustivamente com a perspectiva de ficar rico através do grande fluxo de ouro que havia naquele lugar. Homens simples, semianalfabetos sua maioria, sendo explorados de forma decadente. Aquele lugar, mais parecida de fato, um “formigueiro humano “, como se costuma dizer, porque de longe, aquele ” amontoado ” de gente, remete a idéia de insetos trabalhando, nem sequer pareciam pessoas normais. Eram filas enormes de homens se segurando, carregando sacas e mais sacas de terras nas costas. Homens que persistiram anos e anos no sonho do que o ouro poderia dar-lhes.
Serra Pelada e a ‘ febre do ouro ‘, misturada a brutalidade humana.
Tribos indígenas!…
Tribo Africana
Série Êxodo: são imigrantes que deixaram as suas terras de origem por conta de guerras
Crianças em um orfanato no Zaire, 1994
Tribos Africanas!..
A última imagem é a Capa do livro Terra, de Sebastião. Essa fotografia relembra a luta pela posse de terra no Brasil. A imagem faz parte do meu “arquivo pessoal”, a única.
A história desse livro relata um episódio que aconteceu em 17 de abril de 1996 no Pará ( Eldorado dos Carajás), e termina com um confronto sangrento entre camponeses e pessoas que trabalhavam para manter a ordem naquele local ( políticiais). Essa é uma disputa longa, a briga por terra é algo que infelizmente termina sempre tragicamente.
Essas são somente algumas imagens de Sebastião pelo mundo. Há uma infinidade de outras que falam desde histórias simples, como aquelas que tecem alguma crítica.
Imagens: Pinterest. Conexão Planeta. google.com.br. BuzzFeed. La Venaria Reale. Revista Prosa Verso e Arte. Correio24horas.com.br. Correiodosul.com. Pensamentos.me/ VEM comigo.
Ao contrário do que geralmente se pretende fazer acreditar, não há nada mais fácil de compreender que a história do mundo, que muita gente ilustrada ainda teima em afirmar ser complicada demais para o entendimento rude do povo.
José Saramago ( In: Sebastião Salgado. Terra. São Paulo: Campanhia das Letras, 1997. p. 11) – Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual editora. São Paulo, 2013
A vida precisa da distração necessária para fugirmos da morte cotidiana.
É necessário porque dentro do se ” fazer o que se pode”, temos a compensação nos pequenos regalos. Ora, que coisa maravilhosa: poder encontrar prazer mesmo quando estamos esvaídos de todas as nossas forças! Às vezes, a gente desaba, não? É natural que isso aconteça. Mas, acredite: ‘ é perda de tempo “. A vida se faz em cima daquilo que temos a capacidade de ir lendo […], desembainhando com cuidado.
Eu confesso que acho incrível a maestria que temos em buscar o significado da palavra ‘liberdade’, nos recursos que por vezes, a vida nos oferece mesmo diante de tanta escassez…que e ‘rompe o improvável’. Mas, a idéia é essa o ‘ esforço ‘, é ele que nos ajuda a sair da moldura das imperfeições. É na conversa final que temos conosco, que se supera as dificuldades.
Você encontra um sopro de vida nos constrates, no profundo, mas metáforas, nas pouquíssimas palavras que te desafiam a olhar para a sua história com um olhar afiado, cumprido!..
O que a vida quer como resposta? Inteireza, abundância, mesmo no pouco! O belo precisa ser refletido, mesmo no compasso lento que a felicidade vai sendo fiada ( fia a fio), como se costuma dizer.
As distrações fazem com que a gente se perca no tempo, mas é essa uma perda boa, porque é nela que encontramos o genuíno nos nossos labirintos. Co-autores! Sim, vivendo dentro de nossas adequações diárias. A nossa missão é não deixar esse pouco de ” lucidez “, se vá!…morra.
“Não se perde tempo, sem se perder dentro de si”.
É correto afirmar que na vida de todo ser humano há estragos. Mas é justamente na volta, no conserto que também se desfruta dos benefícios. O maior legado humano é não se entregar as misérias. Talvez, a maior delas a morte. Mas, encontrar vida nos pequenos refúgios
” Queria endurecer o coração, eliminar o passado, fazer com ele o faço quando emendo um período – riscar, engrossar os riscos e transformá- los em borrões, suprir todas as letras, não deixar vestígio de idéias obliteradas.
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