” Há beleza na vida, há beleza em tudo. Vocês veem? Há beleza na alegria, e mesmo na saudade, na natureza, no sofrimento e até na partida, há beleza. “
Pedras no caminho? Ora, se você vai se apavorar com isso. Evidente que as pessoas que as lança, não sabe que se você juntá-las em um lugar é capaz de fazer um arranjo. É preciso peregrinar claro, mas sempre com voltas mais longas em nosso interior. Acredite: os caminhos internos são importantes, porque são eles que nos ajudam a reparar os nossos erros. Quando você souber bem a direção para onde deseja ir, compreende que é importante fazer as pazes com a consciência, e até aquilo que vem para te atingir, perde a direção, porque a sua capacidade de superar o talento alheio, é visto também com bom-humor.
As pessoas felizes sabem aonde querem chegar e, nesse trajeto, até as pedras são necessárias para ajudá-las a compreender os próprios questionamentos.
Essa é uma frase de William Shakespeare em Hamlet, e que nos sugere algo muito interessante que é o fato de se conseguir ser fiel a si mesmo, aos valores que correspondem quem você é. Se por acaso, conseguires essa proeza, não terás problemas com nenhum diagnóstico que alguém faça a seu respeito, porque se conhecendo, você se respeita; uma vez se respeitando, você conseguirá ser autêntico com as outras pessoas com quem mantém algum tipo de vínculo afetivo ou não.
” Ser fiel a si mesmo é conseguir ser autêntico diante de nossos valores “
É comum fazermos amizade, sem criar vínculos ou qualquer outra experiência que nos leve a concretizar de forma profunda e genuína as nossas atitudes para com o outro. Ora, eu diria que no meio em que vivemos, é natural se fazer amizades por interesses, por negócios, por não gostar da solidão, e diversos outros motivos. Mas, amizade superficial, particularmente, eu compreendendo que está não é boa. É preciso mais, é preciso criar algum tipo de vínculo aonde seja possível interagir de forma saudável com as outras pessoas, porque em momentos difíceis, é possível que nos agarremos à elas. Na hora da dor, as pessoas se tornam mais solidárias, sim a dor nos torna mais humanos. E nisso é que tá o lado bonito da vida.
É bom conhecer pessoas, é interessante conversar, interagir, conhecer um pouco de suas histórias, bem como acrescentar a nossa. Talvez, o grande erro do ser humano seja fazer comparações, o que é um erro.
A gente observa muito que dentro dessa coisa de fazer comparações, na verdade, as pessoas costumam depreciar as suas qualidades, algo como querer buscar no outro aquilo que falta nelas. É algo injusto porque há dias em que você amanhece bem, chega diante do espelho e diz ” Hoje estou bem!”. É ou não é? Sai sorridente cumprimentando a todos. Mas se acordou achando que o universo não está sendo leal a você, simplesmente, olha para para si e faz aquela cara ruim ou olha para o vizinho e trocar cumprimentos ofensivos, nem que estes, sejam mentalmente. Ora, não é uma bobagem? A quem eu engano agindo assim? Certamente, eu. Como? Esquecendo de quem eu sou, dos princípios, valores e virtudes que trato com tanto zelo. Sim, é preciso consciência nessas horas.Portanto, aqui vale o dito ” seja fiel a ti mesmo e não serás falso com ninguém “.
A sociedade nos ensina a criar uma “crosta” para nos proteger e sermos felizes. Tudo bem, essa ” casca” pode ter lá o seu valor. Agora, não podemos nos esquecer de quem somos. A gente não precisa do outro para ser feliz, ou para ser aprovado em nada. Só precisamos de nós, de agir com cautela e paciência para saber que algumas coisas podemos mudar, já outras, não. É possível eu gostar só da minha companhia, também é possível ser feliz sozinho e tudo mais. Todavia, o contato com o outro, a amizade quando verdadeira, cria vínculos fraternais muito forte. Isso é natural. Influência de forma positiva inclusive, nas nossas boas ações. E é possível escolher fazer o melhor independentemente do que seja. Se eu sou uma pessoa autêntica, serei assim em qualquer ocasião ou companhia. O meu caráter não se modificar diante de nada. Uma ” companhia boa”, é sempre uma boa companhia.
É bom ter a certeza de que estamos bem acompanhados. Pessoas verdadeiras podem funcionar como guias. Sabe aquela plantinha que precisa de um apoio enquanto pequena? Pois bem, assim são algumas pessoas em nossas vidas, elas funcionam como antídoto para a solidão. Elas contam histórias, nos fazem gargalhar juntos., mostram o caminho que se torna mais fácil aos nossos passos. Existe gente assim. Mas também tem aquelas que nos suga todas as energias. E aí, é preciso entender que a melhor companhia é a sua. Eu posso ser fiel a mim mesmo na solidão e gostar da minha solitude. Aliás, ela é necessária que eu possa compreender o real processo da vida. Ainda que solitários, isso não nos impede de sermos recíprocos com nos mesmos, ou de sermos felizes com a forma autêntica de viver sozinho ou sozinha. Se consigo ser verdadeiro até nesse detalhe, eu também consigo ser verdadeiro ( a) com o outro e com os outros. Em qualquer situação, seja fiel a ti mesmo que não abriram margempara erro na sua vida.
Essa reflexão serve para que você possa identificar, de fato os sentimento que te acompanham. O caráter de uma pessoas, ele sempre acrescenta na construção da sua maturidade. Às vezes, a solução para os nossos problemas chama-se ” consciência “. O efeito positivo desta, acaba sempre sendo fascinante. Em geral, você não erra, porque quem age de boa fé, acaba sendo fiel a seus princípios.
O último dia do ano não é o último dia do tempo. Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida. Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formaturas, promoção, glória, doce morte com [ simfonia é coral, Que o tempo ficará repleto é não ouvirás o clamor, os irreparáveis uivos do lobo, na solidão.
O último dia do tempo não é o último dia de tudo. Fica sempre uma franja de vida onde se sentam dois homens. Um homem e seu contrário, uma mulher e seu pé, Um corpo e sua memória, Um olho e seu brilho, uma voz e seu eco, e quem sabe até se Deus…
Recebe com simplicidade este presente do acaso. Mereceste viver sempre é esgotar a barra dos séculos. Teu pai morreu, teu avô também. Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a [ morte, mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo, e de corpo na mão esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar. O recurso da dança e do grito, o recurso da bola colorida, o recurso de Kant é da poesia, Todos eles…e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas. O corpo gasto renovava-se em espuma. Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida. A boca está entupida de vida. A vida escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada. A vida é gorda, oleosa, mortal, sub- reptícia.
Carlos Drummond de Andrade. Passagem do ano. A Rosa Do povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945
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