Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

– mistério profundo-

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixaria um lei:

Mãe não morre nunca,

Mãe fica pra sempre

junto com o filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade. Para sempre. “Lição de Coisas: poesia”. São Paulo: J. Olympio, 1965

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Marii Freire Pereira

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Imagem: pensamentos.me/ VEM comigo!

Santarém, Pá 9 de Maio de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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