Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equivocos – trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.
Eu imagino que uma das experiências mais prazerosas do ser humano seja essa proposta de passar pela vida, ou seja, nascer. Só que nascer é doloroso. É doloroso para o emocional, para o físico. Às vezes, doloroso pra gente que não tem condição de trazer uma criança ao mundo e oferecer uma vida digna.
Todo o processo da vida em si é doloroso. Desde quando uma mulher carrega uma criança em seu ventre ela, vez ou outra sente algum desconforto. Algumas não, elas são agraciadas, nem enjoo dizem sentir. Já tem outras que sentem o período da gestação inteiro. Eu, como mulher e mãe senti, não o período todo da gestação. Mas, devo confessar que além de algumas situações, houveram também momentos prazerosos. Em minha opinião aquele momento em que a criança se mexe é muito dinâmico porque é uma sensação muito gostosa vermos “a barriga toda torta, rsrs…” seguindo os movimentos da criança “. Vamos avançar.
Você como mulher caso ainda não tenha passado por esse processo, certamente, se isso for uma escolha opcional, vai compreender o que estou falando. Falar de gravidez é resumir a edição de um filme do inconsciente. É uma experiência muito boa, mas como dito: tem os seus prazeres e dissabores.
Eu comecei falando que nascer é doloroso. Sem duvida. Nascer é um processo longo de dor para mãe e a criança. Por mais que nos alegremos com a chegada de uma criança, a mãe passa por um processo psicológico que evidencia essa questão do sofrimento, da preocupação por antecipação. Você interioriza que o parto ” dilacera” uma parte inteira de nós. Não é apenas o físico, é também o psicológico, é importante frisar isso, faz parte de nossa história.
Em minha opinião, há um prazer que gera dor. A a notícia de um parto para uma mulher é trabalho psicologicamente, não quando ela engravida. É ainda, na fase de criança, quando colocam uma boneca em nossos braços salientando que aquela cena é algo importante e sim, fará parte de nossa realidade. Claro, falo isso observando por exemplo, a questão de se puder ter uma criança sem precisar de uma cesariana. “Se for por vias naturais, melhor para a mulher”. Melhor nada. Talvez, seja difícil imaginar a vida sem dor. ” Nascer dói “. Há um esforço para expulsar a criança, e dói pra ela também passar por um espaço que, mesmo sendo ideal, é apertado. “Passar pelos desconfortos”, certamente, é um preparo para a vida. Bem, a vida nos inspira, mas também causa receios, devo confessar.
Não pensem que isso deva ser encarado como um drama, não. Eu estou chamando atenção para algo importante, na verdade, estou dizendo que ‘as melhores experiências da vida são dolorosas’. São dolorosas na chegada e na partida. Isso assombra? Não sei a você, mas, eu prefiro não fazer drama. O melhor é encarar a realidade.
Ao nascermos não temos consciência da dor. Ainda não se viu nenhum ser humano falando de modo extraordinário a respeito do não conhecera. A medida que evoluímos e vamos descobrindo as certezas, e também nos deparamos com os incômodos. Vivendo algo que não gostamos, ficamos carrancudos. É a respeito disdo que falo, a evolução tanto no psicológico e no físico, naquilo que comunicamos e naquilo que optamos por ser intocável. Todo ser humano passa por um conjunto de experiências que oferece essa oportunidade de classificar como boas e não boas. Eu acredito que as dificuldades são boas para nos fazer viajar em nos mesmos .
A nossa história existencial, ela ao longo da vida é repleta de conflitos, assim como, situações que coopera para o nosso bem-estar. Há uma complexidade que cada um tem que aprender a lidar com os seus sentimentos. De repente, a gente se pega numa sociedade injusta, falhamos de várias formas, mas temos de crescer, sim ” continuar se desenvolvendo ” para no momento derradeiro, novamente passar por um segundo processo doloroso que é a morte. Você vê que lá início, não há imaginação, reflexão, interiorização de nada. Sabemos porque um adulto nos conta, mas no final da vida, levamos uma bagagem e tanto.
É bom viver, mas a vida não deveria ter tanta restrição, ” estreitamento ” entende? O que nos ajuda a compreender se essa experiência é boa ou não, é o fato de nos deparamos com coisas como: afetividade, cuidado, generosidade. Isso sim, faz diferença na construção particular de conhecimento de cada um. E a pergunta que considero mais importante aqui e não deixaria de fazer éa seguinte: “E quando se morre?” Qualquer vestígio de memória some. Quem somos antes de nascer? O que nos tornamos depois que nos vamos? ‘A vida fermenta de todas as formas’, mas em relação a essa pergunta, não se tem resposta. Por isso, deixe dizer algo a você: ” encarre a dor, não como algo que te impeça de fazer o que deseja”. Você pode, eu posso…mesmo dentro de nossas limitações. O importante é não nos abandonarmos. O sentido maior da vida é saber contornar as dificuldades, e encarar os desafios produzindo informações das quais poderemos tirar alguns privilégios. Isso também é saber multiplicar a vida.
A violência Contra é Mulher é uma das formas de violência mais agravantes que temos em nosso país. A violência doméstica e familiar é uma violência que tem ‘sujeitos passivos’. Quem comete esse tipo de crime, não faz sofrer só a mulher, mas a família inteira.
A violência contra a mulher vem desde os primórdios, e encontra caminho nas relações de desigualdades. É muito comum vermos em nosso dia a dia, situações que revela essas diferenças. A gente sabe que ela só será combatida na pratica. Apesar de secular, ela se baseia no menosprezo, no ódio, na perseguição, e no gênero.
Há um longo caminho para se tentar estreitar essas diferença. A violência doméstica por exemplo, uma realidade comprometedora, diria que é um dos tipos de violência mais difícil que se tem de combater. Primeiro, porque acontece num local onde a mulher deveria ter segurança, ou seja, o lar. E como se sabe, este é, um criadouro de incertezas. Ora, se na rua ( espaço público) a mulher não tem segurança, em casa, essa realidade se torna muito mais delicada, porque revela a ojeriza e a banalidade com a qual sempre se bateu na mulher.
A lei Maria da Penha, Lei n° (11.340/ 2006) como é do conhecimento de todos homenageia, ela homenageia a mulher que sofreu várias tentativa de homicídio do marido. A “Maria” é sim, o exemplo vivo de que o amor não suporta tudo. Aliás, é antiético falar que “o amor suporta tudo”. O amor verdadeiro contesta, fato. Ele não se cala diante de qualquer situação que venha prejudicar aquele abdicou de uma vida inteira para viver em prol do outro. Seria realmente um problema sério, se o amor tudo suportasse. Se assim fosse, as suas dores seriam infindáveis. Vamos avançar.
A lei Maria da Penha surgiu com um condão educativo para elencar diversas formas de violência. Dentre elas: a violência psicológica, sexual, física e patrimonial.
Segundo o CNJ ( Conselho Nacional de Justiça) diferentes órgãos trabalham juntos com o intuito de trazer proteção a mulher. É um trabalho feito através de muitas parcerias que visa prevenir e punir o agressor, alémde oferecer proteçãoa mulherque évítimada violência. Todavia, essa lei determina que a mulher vá até uma delegacia e formalize a denúncia. Além de todas essas formalidades, é preciso dizer que muito já se avançou. O Brasil é testemunha disso. Há um trabalho muito sério com outras organizações como ( OEA) que traz segurança a toda essa questão. A ( ONU) Organizações das Nações Unidas, que atua fortemente para combater esse problema, aliás esse (grave problema social) que é a violência contra a mulher, e a violência doméstica. Vale ressaltar que mais do que nunca, é importante que a mulher esteja atenta, que a mesma tenha coragem de denunciar o seu agressor, e dessa forma, buscar as medidas protetoras.
A lei Maria da Penha, não só tipifica essa violência, como também estabelece normas que obriga o agressor a cumpri-las. Então, para fazer valer, é preciso que a mulher de fato, possa atuar, digo que essa mulher possa denunciar sem medo.
O que é importante observar em tudo isso? É que a lei trouxe realidade a um incômodo, ou seja, escancarou a forma de como acontecia essa brutalidade. Como disse a advogada Maria Berenice Dias em uma de suas palestras em Direitode Familia: ” A lei mostrou a forma muito barata de como se batia na mulher”, ou seja, uma coisa absurda. Quer dizer ” existiam espinhos que perfuravam essa realidade revelando a dor “, mas o incômodo era contido. Você entende? Era seguro bater na mulher, mas não se voltar ao sofrimento desta.
A lei Maria da Penha é uma lei criminal excelente. Embora se saiba que nasça no âmbito do Direito de Família, mas, é uma lei criminal que tem aí muitas observações a ser consideradas. Porém, ela aumenta muito a expectativa da mulher e também do mundo em relação ao combate a violência. Sem dúvida, um ganho significativo a todos nós.
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