[…] a possibilidade constante de um crime que eu nunca tinha cometido. A possibilidade de eu pecar, o que, no disfarçado dos meus olhos, já era pecado. Então pequei logo para ser logo culpado. E este crime substitui o crime maior que eu não teria coragem de cometer.
Clarice Lispector. O crime do professor de matemática.
Para amar Clarice Lispector: como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra/ Emília Amaral. 1 ed. Barueri, SP: Faro Editorial, 2017
As pessoas são valiosas por aquilo que são, pelo que tem ou representam. Na verdade, todos nós temos uma grande importância, não pelo que julgamos, mas pelo valor único de cada ser humano carrega consigo.
Ninguém é tão pobre ou tão rico que não possa nutrir alguma admiração ou mesmo o sentimento de gratidão em relação ao outro. Somos iguais na essência, na arte de sonhar, de desejar o bem, inclusive fazendo muitas vezes pelo o outro, aquilo que ninguém nunca fez. Somos pessoas que de uma maneira particular motiva as outras, estimula, causa boa impressão, constrói pontes para acontecimentos extraordinários. Quanta gente boa não há por esse mundo de ” meu Deus?’ Muitas. Agora, tem também aquelas que faltam melhorar como pessoas.
Às vezes falta discernimento das outras pessoas quanto ao entender ou se relacionar com as outras. Falta confiança em si mesmo, sentimo, respeito. Respeito pelo que lhe parece diferente. E, neste caso sim, surge a corrosão na forma de se relacionar. Mas, a vida é tecida a partir de uma grande consideração. Ora, já imaginou se ela fosse má para mim só porque “eu não tive a sorte ou privilégio de muita gente em nascer em berço esplêndido?” Isso é uma grande bobagem. Cuidado com o que anda na contramão, o que não se transforma perde a essência ou a importância.
Mentir paramos mesmos diante de posicionamentos moralistas, causa uma fonte inesgotável de problemas. Eu tenho é que aprender a me colocar no lugar do outro, sentir o que ele sente, só assim consigo falar a mesma língua.
Existe a ilusória ideia que eu sou mais do que você porque tive melhores oportunidades. Isso é conversa pra gente que quer estancar na vida. Temos capacidades de modificar qualquer realidade desde que se queira. Criar abismos é um tormento, “separa pessoas” e não falo só pelo lado social, é o todo mesmo. Se temos diferenças, vamos trabalhar para que em algum momentos todos possam ser iguais. Há acontecimentos onde ricos e pobres celebram a mesma felicidade, dança a mesma dança, têm a mesma espontaneidade, sentimento no peito, motivospara sorrir. Na é bonito isso? É curioso, mas a inconveniencia existe na hora do agir. Tem quem não saiba separar as coisas, isso é péssimo porque alarga o que deveria estreitar que no caso é, a humanidade que todo ser humano carrega dentro de si. Há quem nesse mundo se perca, mas também há aqueles que te veram o privilégio de se encontrar.
A humildade favorece quem tem os pés no chão. Nós não precisamos buscar pela perfeição, mas podemos melhorar. Podemos ser pessoas dignas, inimigas do ódio, do preconceito, do rancor.
A arte de viver consiste em considerar um crédito a mais . A questão é saber usá-lo na forma correta. Usemos o entendimento para ultrapassar limites, e a prepotência para aumentar desentendimento bobos.
Respeitemos o que não se pode modificar. Você sabe o valor que tem, eu também! Então usemos a sabedoria de modo que ela seja capaz de revelar o que há de melhor. Sejamos verdadeiros sem desprezar o outro.
Em homenagem ao centenário de Paulo Freire, eu resolvi abraçar uma de suas reflexões freirianas, que dentre todas que não fale de educação, tenha uma importância, e talvez, um significado enorme, porém, ainda não alcançado com o comprometimento que merece que é o problemada fome. Todavia, eu tinha que trazer para cá, essa reflexão, pois serve para relembrar urgência que abre caminhos ao diálogo, de modo que, reforça toda a trajetória de Paulo, que como sabemos foi a luta pela educação. Porém, dentre as suas reflexões, algo me chamou atenção que foi falar num problema global que é a fome.
Paulo foi enfático ao dizer que se recusava a qualquer posição fatalista, coisas como, abre aspas:
” É uma pena que haja tantos brasileiros e tantas brasileiras morrendo de fome. Mas afinal, a realidade é essa mesma”. Paulo disse: “Não!, eu me recuso como falsa, como ideológica. Nenhuma realidade é assim mesmo. Toda realidade está aí submetida a possibilidade de nossa intervenção nela”, fecha aspas.
Bem, não é atoa que Paulo é Patrono da Educação Brasileira. Bárbaro! É possível intervir em qualquer realidade, fato ou acontecimento. Mais ainda, é possível fazer, construir meios de transformar tal realidade, desde que [ se queira] ao invés de se debruçar sobre ela.
A busca pela perfeição é o fascínio de todo ser humano. Ninguém passa pela vida sem dizer ” Eu procurei ser o melhor nisso ou aquilo”. Todos dizemos isso, independentemente, das falhas.E
Em tudo, existe o desejo de acertar, de descobrir o que é essa busca pela perfeição, e porque ela é essencial a nós, principalmente, ao nosso estado de espírito. Quando se falha por exemplo, sentimos que não fomos suficientes em alguma coisa, digo ” alguma lacuna ficou aberta”. Mas sabe o que é importante? Não é o nosso desejo em acertar tudo. “
É sim, a consciência de que essa busca pela perfeição, dar-se pelo ajuste. É só nele que se dá valor ao que é importante. O essencial é isso, o ajuste, ou seja, a correção das coisas que nos faz bem, promove a paz, fazendo-nos descansar, e ter esse sentimento de completude.
O ser humano é essa lacuna aberta…que sente vontade de consumir a vida para completar a si mesmo.
,, Porque falar a gente fala sobre tudo e sobre todos, o que mais temos é opinião. Mas autoconhecimento, mesmo, a gente ganha e através do enfrentamento, e não com especulações.”
Você precisa fazer login para comentar.