Maria da Penha.

” Não tem aquela história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher? A Lei Maria da Penha é totalmente contra esse pensamento.”

Maria da Penha. Mulheres Incríveis.

É impressionante como muitas mulheres vivem aprisionadas em relacionamentos doentios. A sensação vivida por muitas é a de impotência. Como descreve a própria Maria da Penha quando ainda estava casada com o seu agressor. Segundo palavras dela mesma ” Não podia fazer nada para conter as agressões do marido às filhas ou a si mesma”. Às vezes, a mulher se sente sozinha e desesperada! Essa que é a realidade. Eu vejo isso nas palavras de muitas mulheres hoje. É comum, que parte destas “entregue a situação a Deus” sim – apesar da lei, parte dessas vítimas não conhecem os seus direitos. Quer dizer, essas mulheres passam por todos os tipos de violência, e pasmem – para sobreviver, elas saem de seus relacionamentos “com a roupa do corpo”. As que saem e sobrevivem, contam situações inacreditáveis. É impressionante como muitas não tem orientação acerca de seus próprios direitos. Isso mostra que há uma falha enorme sobre essa questão. A verdade é que falta mais campanhas de esclarecimento, políticas públicas de qualidade. A mulher, não todas, mas a maioria, vive aprisionada a própria ignorância. A pergunta é ” à quem essa mulher vai recorrer?” Por que muitos agressores estão impunes.
A família leva tempo para tomar ciência, e ao se tornar conhecedora das situações de agressões ” aconselhar o agressor, dizendo que ele deva melhorar, já em relação a vítima diz para ela ” rezar” para que Deus mude a natureza má daquele homem. Difícil! Porém, ainda é o que acontece em diversas situações. A mulher não encontra amparo em nada, porque espera que a família faça algo para atenuar aquela situação de sofrimento. Mas o que ela não entende é que só ela mesma pode interromper a sua dor e é claro – lutar pela própria segurança. A Lei n° 11.340/2006 é uma lei que previne a violência doméstica. Mas cabe a vítima fazer a denúncia. Essa é a luta de toda mulher que vive esse processo de horror.
Nessa briga, a família, assim como também todos devem meter a colher. O único recurso que pode diluir o resultado dessa violência é a denuncia juntamente com a punição desse agressor. Não há outro meio. Existe consciência sobre o problema, e formas para se trabalhar essa violência.
Todos nós devemos meter a colher.

#bastadeviolenciacontraamulher

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 2 de março de 2022

Carlos Drummond de Andrade

Não cantarei amores que não tenho,

e, quando tive, nunca celebrei.

Não cantarei o riso que não rira

e que, se risse, ofertaria a pobres.

Minha matéria é o nada.

Jamais ousei cantar algo de vida:

Se o canto sai da boca ensimesmada,

é porque a brisa o trouxe, e o leva a brisa,

nem sabe a planta o vento que a visita.

Ou sabes?Algo de nós acaso se transmite,

mas tão disperso, e vago, tão estranho,

que, se regressa a mim que o apascentava,

o ouro suposto é nele cobre e estanho, estanho e cobre,

e o que não é maleável deixa de ser nobre,

nem era amor aquilo que se amava.

Nem era dor aquilo que doía;

ou dói, agora, quando já se foi?

Que dor se sabe dor, e não se extingue?

( Não cantarei o mar: que ele se vingue

de meu silêncio, nesta concha. )

Que sentimento vive, e já prospera

cavando em nós a terra necessária

para se sepultar à moda austera

de quem vive sua morte?

Não cantarei o morto: é o próprio canto.

E já não sei do espanto,

da úmida assombração que vem do norte

e vai do sul, e, quatro, aos quatros ventos,

ajusta em mim seu terno de lamentos.

Não canto, pois não sei, e toda sílaba acaso resumida

a sua irmã, em serpes irritadas vejo as duas.

Amador de serpentes, minha vida

passarei sobre a relva debruçado,

a ver a linha curva que se estende,

ou se cantrai e atrai, além da pobre

área de luz de nossa geometria.

Estanho, estanho e cobre,

tais meus pecados, quando mais visando

aos alvos imortais.

Ó descobrimento retrato

pela força de ver.

Ó encontro de mim, no meu silêncio,

configurado, repleto, numa casta

expressão de temor que se despede.

O golfo mais dourado me circunda

com apenas cerrar-se uma janela.

E já brinco a luz. E dou notícia

estrita do que dorme,

sob placa de estanho, sonho informe,

um lembrar de raízes, ainda menos

um calar de serenos

desidratados, sublimes ossuários sem ossos;

a morte sem os mortos; a perfeita

anulação do tempo em tempos vários,

essa nudez, enfim, além dos corpos,

a modelar campinas no vazio

da alma, que é apenas alma, e se dissolve.

Carlos Drummond de Andrade. Nudez

Carlos Drummond de Andrade. Literatura Comentada. Textos publicados sob licença de Pedro Augusto Graña Drummond. Editora: Nova Cultural. São Paulo, 1990

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 2 de março de 2022

Elza Soares

” Eu acho que a mulher do fim do mundo é aquela que busca,

É aquela que grita, que reivindica, que sempre fica de pé.

No fim, eu sou essa mulher. “

Elza Soares. Mulheres Incríveis

Mulheres Incríveis. Kate Schatz e Jules de Faria. Mulheres Incríveis: artistas e atletas, piratas e punks, militantes e outras revolucionárias que moldaram a história do mundo. Ilustrações de Miriam Klein Stahl; tradução de Regina Winarski- Bauru, SP: Altral Cultura, 2017.

Marii Freire Pereira

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Imagem (arquivo pessoal)

Santarém, Pá 1 de março de 2022

Marii Freire Pereira

” Pare de romantizar a dor.

Pare de romantizar o que machuca.

Aproveiteo Carnaval para se desfazer de algumas fantasias.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 1 de fevereiro de 2022

Marii Freire Pereira

” Esquecemos da generosidade com que os dias são compostos “

Marii Freire Pereira

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Imagem: Marii Freire Pereira/ Alter do Chão/ Pará

Santarém, Pá 1 de março de 2022

Graciliano Ramos

” Sempre me intrigou o fato de num país novo como o Brasil, e num século como o nosso, a ficção, a poesia, o teatro produzirem a maioria das obras de valor no tema da decadência – social, familiar, pessoal.

Graciliano Ramos Fracasso e Decadência: O lugar do intelectual

Para amar Graciliano: como descobrir e apreciar os aspectos mais inovadores de sua obra/ Ivan Marques. 1ed. Barueri, SP: Faro Editorial, 2017

Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ A Nova Democracia

Santarém, Pá 1 de março de 2022

Guimarães Rosa

” Deus nos dá pessoas e coisas,

para aprendermos a alegria…

Depois, retoma coisas e pessoas

para ver se já somos capazes da alegria

Sozinhos…

Essa…a alegria que ele quer”

Guimarães Rosa

https://www.pensador.com

Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ elfikurten.com.br

Santarém, Pá 28 de fevereiro de 2022

NÃO É NÃO

E esse ” não” deve ser usado além do período do Carnaval. Crimes contra a liberdade sexual não podem ficar omissos. É para isso que as campanhas têm um lado importante, ou seja, alertar a mulher que é a vítima a denunciar.
A sociedade tende a reproduzir comportamentos machistas, tais como, o de que o homem pode ” ganhar” a mulher na cantada. Não pode.
A Lei n° 13.718/2018, pune prática de atos libidinosos. O homem que tocar nas partes íntimas de uma mulher sem sua permissão, ele está violando um direto. Um exemplo bastante conhecido desse tipo de crime, ocorreu em 2018, que foi o fato de um homem ejacular no corpo de uma mulher num metrô. Mas é importante ressaltar que existem diversas outras situações com consequências e circunstâncias que devem ser denunciados.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 28 de fevereiro de 2022

Marii Freire Pereira

Carnaval

Só pra lembrar!

NÃO É NÃO

Não sem consentimento é assédio.

Marii Freire Pereira. NAO É NÃO

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Santarém, Pá 28 de fevereiro de 2022

José Saramago

” Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

José Saramago

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Santarém, Pá 28 de fevereiro de 2022