” Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo, doce fruito, Naquele engano da alma ledo e cego, Que a Fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuito, Aos montes ensinando e às ervinhas O nome que no escrito tinhas. […] Os lusíadas ( CantoContinuar lendo “Os lusíadas”
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Carlos Drummond de Andrade
Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo, eu no centro. Nenhum tinha rosto. Eram reconhecíveis pela expressão corporal e pelo que diziam no silêncio de sua roupas além da moda e de tecidos; roupas não anunciadas nem vendidas. Nenhum tinha rosto. O que diziam escusava resposta, ficava parado, suspenso no salão, objeto denso,Continuar lendo “Carlos Drummond de Andrade”
Memory
Um dia com delicadeza, voltaremos tocar em nossas lembranças [ memory], de um jeito harmônico. Embalaremos com respeito, parte do que formos outrora. Reviveremos o gozo, os dissabores e todas as inquietações pendentes. Decerto que essas lembranças nos fará sentir a sensação do que ficou guardado num canto, ” num encanto” misterioso, grandioso pela larguraContinuar lendo “Memory”
Afinal, qual é a imagem que reflete no espelho?
Começo esse texto fazendo uma pergunta: você já reparou na imagem que aparece no espelho? Quando você se olha, quem você consegue enxergar? É você mesmo ( a) ou um personagem que você representa? Ora, que hilário, a sociedade nos educa para a felicidade. No entanto, nos costumamos cultivar o contrário. Como o contrário? SomosContinuar lendo “Afinal, qual é a imagem que reflete no espelho?”
Mario Quintana
Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha Hoje, dos meus cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como único bem que me ficou. Vinde!Continuar lendo “Mario Quintana”
Clarice Lispector
Estou a um passo de admitir que a vida que levo é um pretexto para ofuscar a vida que não gostaria de ter. Vida como desculpa para existir. E o incrível é que eu não dou o passo. Fico tão imóvel que estar parada é o meu maior movimento. O mais violento. E não consigoContinuar lendo “Clarice Lispector”
Lima Barreto
” Não é a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.” Lima Barreto. https:// http://www.pensador.com Marii Freire Pereira VEM comigo! Imagem: arquivo pessoal Santarém, Pá 29 de Julho de 2020
Sobre um mar de rosas que arde
” Sobre um mar de rosas que arde Em ondas fulvas, distante, Erram meus olhos, diamante, Como as mais dentro da tarde … Santarém nau em que, oh! alma, descuidas Das esperanças tardias.” ( Pedro Kilkerry. In: Ítalo Maricone. Os cem melhores poemas brasileiros do século. São Paulo: Objetiva) Literatura brasileira: William Cereja e TherezaContinuar lendo “Sobre um mar de rosas que arde”
VEM comigo!
Às vezes, é necessário abreviar a vida. Para novos recomeços, é preciso ter coragem para transformar aquilo que foi possível “recolher” do que encolhia- se dela. Reconhecer a si mesmo, é tirar o olhar da xícara de café, das viagens, das roupas caras e pegar no sono daquilo que somos dentro de nossas paredes secretas.Continuar lendo “VEM comigo!”
Renato Teixeira
” É de laço e de pó O destino de um só Feito eu perdido em pensamentos Sobre o meu cavalo É de laço é de nó De gibeira o jiló Dessa vida, cumprida a sol Sou caipira pirapora Nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura E funda o trem da minha vida oContinuar lendo “Renato Teixeira”