Nascemos e morremos tentando compreender uma coisa primordial em nossas vidas, o silêncio interior. É ele que ajuda na construção do equilíbrio necessário de todo ser humano.
Saber ouvi- lo é compreender o mundo que existe dentro de nós. É reconhecer as nossas pequenas limitações, libertar-nos das coisas que nos causam dor e sofrimento, de situações que nos fragilizam, que nos torna cativos, submissos de nossas próprias histórias.
Saber ouvir o silêncio interior é fazer as pazes conosco. É sensibilizar a alma a um ponto em que tudo relaxa, e entra em harmonia. Você já sentiu essa sensação de ficar em paz a ponto de conseguir ouvir um silêncio baixinho, gostoso e que não consegue explicar? Isso é possível a medida em que os conflitos internos deixam de ter um peso maior em nossas vidas.
” O silêncio interior nasce quando todos os sons externos desaparecem. É aquele momento mágico relacionados aos pequenos instantes da vida, é quando toda bagunça dentro de nós, deixa de existir “.
É um momento particular é único, capaz nos fazer evoluir enquanto seres humanos que somos, pois são capazes de construir pensamentosbons, ininterruptos dentro de nós. É a via de acesso de boa relação que tenho comigo mesmo.
Todos nós precisamos conhecer as delícias desses momentos, a riqueza que cada um carrega dentro de si. É como o sorriso de criança logo pela manhã. É gostoso! Torne-se um casa repleta desses sorrisos.
Eu poderia começar falando a respeito da velhice de diversas formas, como frases do tipo: ” Eu não estou ficando velha, estou ficando seletiva, ou estou ficando como vinho…”. Não, eu prefiro ser leal aquilo que vejo em mim. Estou envelhecendo, mas vejo essa parte da vida, com uma certa suavidade. Gosto e posso dizer que isso é algo que não me perturba, pelo contrário, esse estágio da vida é muito agradável. Primeiro que para gostar da velhice, temos que gostar de nós mesmos, e segundo porque essa parte, nos permite apreciar o tempo com mais carinho pela pessoa que estamos nos tornando.
” Eu não posso burlar o tempo…”.
Eu tenho um carinho enorme pelo passar dos dias em minha vida. Isso chama-se: despertar, e não se aprende da noite para o dia. É devagar que se chega ao ponto em que se deseja, ‘Gostar de si’. Eu não poderia chegar e dizer: eu não estou ficando velha, mas “seletiva”. Claro, posso fazer algumas considerações, mas seletiva, eu sempre fui, e não por vaidade, mas por necessidade de cuidar melhor de mim. Vinho? Bem, tenho a minha docilidade, assim como o lado azedo. Então, de fato, eu não posso burlar o tempo, estou envelhecendo, ponto. O vinho é por sua conta.
Nada melhor do que você olhar no espelho e ter a imagem verdadeira de quem é
Isso é primordial. E sabe por que? Porque ser aquilo que somos, sem influência do que as outras pessoas dizem, é ótimo. É sinal de maturidade.
Tempo como aliado
A única parceira, o único acordo que posso fazer com o tempo, é saber negociar as minhas dúvidas. Administrar a minha vida de modo que ao deitar a cabeça no travesseiro, tenha paz.
” Conhece-te a ti mesmo”.
Nietzsche, afirma que nós, enquanto pessoas, homens e mulheres, só poderemos compreender as coisas e o valor delas em nossas vidas quando tivermos o conhecimento necessário, quando de fato, se conhecer a sim mesmo, porque todas coisas nada mais são que as fronteiras, obstáculos ao homem, ou seja a mim e a você...são as ‘nossas dificuldades’. Portanto, temos o dever de melhorar a cada dia.
Todos os nossos vazios, todos os nossos defeitos, todos os nossos limites, na verdade, são via de acesso para que se possa chegar nessa etapa da vida com mais clareza. Aprendendo a gostar de nós, como se deve gostar, respeitar…
Imagine que a vida é uma curva, você conseguir ir além dela?
Bem, essa é colocação poética, vinda do nosso querido Fernando Pessoa. Alguém consegue ir além da curva? Quantos passos? Nessa estrada cabe tudo, melhor, comporta tudo. Somemos ai, as alegrias, dores, beleza, etc. E os poemas, quantos deles cabem? quantas cantigas de maldizer?…quantos caminhos são construídos no silêncio? Quantas reticências cabem nele? Entende porque devemos gostar da vida, melhor do fato de envelhecer?
Pare e pense, nos somos seres humanos vivos alimentados de desejos. Portanto, temos que aprender a negociar com o tempo. É só isso que realmente importa. O processo de envelhecer é natural. Temos que gostar de nós, da maneira que somos. Claro, há exceções dentro desse processo. Imagine, se você tem algo que fisicamente não gosta, se pode mudar, ótimo. Mas, falo do interior, daquilo que reveste essa couraça aqui fora, compreende aonde quero chegar? O resultado de tudo isso, melhor, a somatória, daquilo que falo, é essa imagem que reflete a minha pessoa, e a sua também. Aqui, chamo a atenção para o fato daquilo que somos internamente, é isso que vale a pena.
Ame-se, goste da pessoa que caminha com você em todas as direções…
Se abrace, mas se envolva de um jeito gostoso, e entenda: ‘não existe felicidade oposta’. Ame as suas rugas, a sua risada gostosa,o jeito de recepcionar a vida, porque de repente, ” tudo…passa”.
” Dias ruins são necessários, para que os dias bons, possam valer a pena”.
Quantas vezes tentamos explicar nossos conflitos, nossas frustações? Nossas histórias dolorosas? Muitas. É comum ouvirmos relatos de pessoas que tentam acreditar em si mesma, quando estão passando por suas dificuldades, seus conflitos internos, suas tribulações e tantas formas de definir os problema que temos na vida, que muitas dessas histórias, servem até de inspiração para que nós mesmos, cconsigamos acompanhar as nossas histórias de perto, sem nos esquivar das responsabilidades.
E essas pessoas, mesmo enfrentando as suas tormentas, elas são melhores preparadas do que a maioria de nós? Algumas sim, outras não.
” São mestres dos disfarces?”
Não. São pessoas que assumem as suas dificuldades reais. Gente quese posiciona diante de situações absurdas, porque ao olhar você não acredita. É o extremismo levado a sério, é como se fosse algo religioso para elas, aonde abraçam suas causam e permanecem firmes em seus propósitos. Agora, você sabe o que é interessante? É que muitas vezes, quando você olha alguém passando por acontecimentos que exigem uma postura mais rígida, logo pensa: ‘ah, esse é um derrotado ‘. Não, por incrível que pareça, não. Essa pessoa que você muitas vezes, considera um fraco, tem uma força potencializada, que é inacreditável.
É natural que maioria, por vezes, se esconde ou mesmo desiste diante de situações que não suportam, já outras, melhoram inclusive. Já reparou nisso? São pessoas valiosas, capazes de suportar a pressão ao máximo. Suporta muitas vezes, forças contrárias, e além de tirar uma lição, ainda nos ensina.
É bonito você observar o comportamento de pessoas assim, elas souberam usar a coragem para enfrentar a realidade…
” Vivem suas tormentas com maturidade “
São pessoas que não têm medo de si, de suas fragilidades, suas dores, porque aprenderam a superar os conflitos, e porque compreendem que depois dos dias ruins, os dias bons aparecem com uma certa suavidade.
[…]
Valorize os dias ruins, eles sempre nos acrescenta uma experiência proveitosa. E embora não pareça, a recompensa chega como um vento refrescante, algo que nos decifra e nos coloca diante do que é…necessário.
Quem nunca ouviu falar em ” Macunaíma?” Pois bem, nascia em São Paulo, Mário de Andrade ( 1893 – 1945). A princípio, Mário inovou sua carreira como crítico de arte, em jornais e revistas. Vinte anos mais tarde, lançou o seu primeiro livro, e após isso lançou o ensaio, intitulado: A escrava que não é Isaura. Anos mais tarde, já por volta de 1921, Mário aceitou outras propostas, o que ampliou a sua trajetória como um nome forte nos embates modernistas. Já em 1930, toda a reflexão daquele período passava por uma revolução, onde denunciava os problemas voltados aquela época. (…) Mário, sofreu uma certa mudança por conta daquele momento e por consequência dos eventos referentes ao período em si.
No ano de 1942, a poesia de Mário tomou duas direções distintas, uma em relação a política, já a outra, era intimista. E a coisa foi caminhando para esse esse lado , ou seja, por consequência de todo aquele embate, das injustiças, as situações que talvez…tinham esse caráter explosivo da época. Mais adiante , surgiram novas publicações de seus trabalhos, e entre os anos de1926 até 1927, vieram os Contos, Crônicas, romance, até chegar em Macunaíma. Talvez a sua obra mais importante. Essa obra, ela representa não o resultado de pesquisas e qualidades do autor, mas digamos um projeto nacionalista dos escritores de sua época.
Imagem: Retrato de Mário de Andrade (1935), de Portinari.
Você precisa fazer login para comentar.